Mais SIG para Portugal

Os sistemas de informação geográfica (SIG), cada vez mais fazem parte integrante da vida das pessoas. Seja de forma consciente ou não, utilizamos diariamente estas tecnologias para interagir com o mundo e a responder a perguntas complexas como – onde estamos e como nos relacionamos com os outros no espaço e no tempo.

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O desenvolvimento dos SIG não só tiveram um impacto profundo no quotidiano das pessoas, como também originaram mudanças significativas nas empresas, organizações e governos. Estas mudanças, foram em muitos casos radicais e conduziram ao aumento da eficácia e eficiência que já começa a ser observada nos diferentes departamentos onde estas tecnologias foram implementadas.

Em Portugal, os SIG, têm ganho cada vez mais visibilidade, inclusivamente no setor público. O aumento da produtividade e a capacidade integradora desta tecnologia, permite uma melhoria significativa no tempo de resposta aos problemas, assim como uma melhoria na assertividade da tomada de decisão. A capacidade de espacializar problemas e soluções dota estas tecnologias de relevância nomeadamente quando se considera setores primários como a saúde, recursos naturais, energia e ordenamento do território.

A nível de políticas públicas, estas tecnologias são particularmente disruptivas. A informatização dos diferentes serviços públicos levou a um aumento da eficiência de forma transversal em todo o setor e a possibilidade de implementação de novos protocolos que visam o aumento de produtividade e transparência para com os seus utilizadores. Como exemplo, pode ser referido a colheita de dados de campo. Dependendo do objetivo final, estes podem ser adquiridos com elevada precisão, trabalhados e integrados numa questão minutos após o seu levantamento.

O desenvolvimento de diferentes plataformas para disponibilização e disseminação de dados espaciais, dota as populações/utilizadores de mais conhecimentos sobre o seu território e permite, em muitos casos, uma maior participação nos diferentes projetos em curso. São já utilizadas aplicações, onde o cidadão, através de qualquer dispositivo, em qualquer momento e em qualquer lugar, pode relatar problemas, o que o coloca muito mais próximo da decisão, estimula a cidadania ativa e permite uma gestão muito mais eficiente do território e dos meios à disposição dos decisores do território.

Embora em Portugal já se tenham desenvolvido uma série de projetos inovadores que têm os SIG como componente fundamental, muitos outros ainda estão por iniciar. Podem ser apontadas diversas causas, como a complexidade dos problemas e logística necessária, fazendo com que o capital e o tempo de execução do projeto sejam elevados. Tendo este aspeto em consideração, deve ser referido que o financiamento de grandes projetos e linhas de investigação estão muito dependentes de financiamento externo e existe uma necessidade de mudança neste domínio pois, na grande maioria dos casos, existe à partida uma data de validade e, associado a este facto, precariedade da mão-de-obra que cada vez mais é altamente especializada.

A necessidade de mudança de paradigma é premente e sem dúvida que se traduzirá numa profunda mais-valia para o país, tanto ao nível económico como ao nível da sustentabilidade. A continuidade de projetos e de grandes linhas de investigação levará, invariavelmente, a um aumento de conhecimento sobre o território, seus recursos e problemas, podendo ser traduzido num mais correto e ajustado ordenamento do território, acesso e disponibilização de informação a todos os utilizadores.

Foi com o este desígnio que surgiu a associação portuguesa para os sistemas de informação geográfica, que se dedica a potenciar a partilha de conhecimentos e as experiências individuais e/ou coletivas, nos mais variados âmbitos e escalas de abordagem e ainda o debate sobre os novos desafios que se colocam aos SIG.

Opinião de Luís Fonseca, presidente da Associação Portuguesa para os Sistemas de Informação Geográfica (APPSIG).