O sono 

Nesta sociedade hipereficaz e hiperativa, e com o stress que tudo isto provoca, a utilização abusiva e tardia dos ecrãs e a utilização a longo prazo de alguns medicamentos, alteram os nossos biorritmos naturais: fatores que explicam, que hoje em dia cerca de uma pessoa sobre duas tem uma dívida de sono. Os seus papéis principais, no plano físico e psicológico também ficam esquecidos, as consequências da sua falta crónica na saúde são ignoradas. Uma função vital a não desvalorizar!

Os distúrbios do sono: cada vez mais frequentes 

Desde os anos 60, o tempo de sono diário reduziu em cerca de 1h30, 40% das pessoas têm um distúrbio do sono e 22% padecem de insónia enquanto 30% dos 15-19 anos têm uma dívida de sono importante.

A produção de melatonina em causa: Secreção de melatonina e mecanismos de ação 

Um relógio biológico interno, atua como um sincronizador dos ritmos circadianos, modulado por fatores ambientais que permitem dormir durante a noite e ficar acordado durante o dia. Outro fator importante: a libertação da hormona do sono ou melatonina pela glândula pineal, assim que baixa a luz do dia. A luz tem um efeito no nosso sistema nervoso central (SNC). A ausência de luz levanta o sinal inibidor do SNC na via do simpático; este dá um sinal à glândula pineal que ativa a síntese de melatonina que, circulante, vai-se ligar a vários receptores. Estes por sua vez, dão um sinal ao relógio biológico, que se sincroniza e produz as condições favoráveis ao estado de vigília. A melatonina tem um papel de sincronizador endógeno capaz de estabilizar os ritmos circadianos, reforçá-los ou de manter a relação de fase, papel que se manifesta na regulação de grandes funções fisiológicas.
As perturbações ou o desfasamento do ritmo circadiano, assim como os fatores ambientais são causas de distúrbios do sono. O bloqueio ou a diminuição de produção de melatonina está muitas vezes relacionada.

Fatores que bloqueiam, abrandam ou alteram a produção de melatonina

Grande parte dos estudos indicam que a secreção endógena de melatonina diminuiria com a idade. No entanto, parece existir uma grande diferença entre estas pessoas e a quebra que poderia estar relacionada, em parte, pela toma de alguns medicamentos pelos idosos. Os AINS, os betabloqueadores, a aspirina baixam os níveis de melatonina. Nota-se também que com a idade existe uma calcificação da glândula pineal, tornando-a menos eficaz.

A vida «moderna» também é fonte de factores perturbadores na produção de melatonina:

As ondas eletromagnéticas geradas pelos aparelhos elétricos na mesa-de-cabeceira: despertador, atendedor de chamadas, telemóvel, wi-fi… ou de proximidade com as antenas de telecomunicações. Fala-se em eletrosensibilidade. Fator muitas vezes negligenciado.

As luzes artificiais, sobretudo as de cor azul, presentes durante a noite perturbam a secreção de melatonina. O efeito é «dose-dependente». A luz azul emitida por todos os ecrãs também a perturba.

Opinião da administração da Laboratórios Nutergia