Sistemas de Informação Geográfica: Uma ferramenta transversal

A propósito do GISDAY, um evento inserido na Geography Awareness Week, que a National Geographic Society (EUA) promove desde 1987 com o objetivo de divulgar os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs), a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Alberto Gomes, Diretor do Mestrado em SIG e Ordenamento do Território da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

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Este ano o Gisday comemora-se a 15 de novembro, no entanto, há quatro anos que a Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) organiza, em abril, uma semana dedicada ao Gisday – o Gisdays. Nestes dias aposta-se na formação e em workshops, complementados por conferências com oradores convidados influentes. “Tentamos trazer, nessa semana, novidades relacionadas com o curso, tanto no que diz respeito às novidades de software como as do mercado”, começa por referir Alberto Gomes.

A verdade é que os Sistemas de Informação Geográfica estão no nosso dia-a-dia. “Estão no trânsito, na localização aeronáutica naval, nos incêndios e na  localização de pessoas. Fazem parte do nosso dia-a-dia. Algumas das perguntas que fazemos logo pela manhã, relacionadas com o tempo que vai fazer para decidir o que vestir, como está o trânsito para optar pela melhor via, tudo isso se relaciona com os Sistemas de Informação Geográfica”, explica o nosso entrevistado para quem os SIGs estão em constante evolução. “Falta sempre fazer mais alguma coisa no que diz respeito aos SIGs porque estamos constantemente a gerar novas necessidades e a gerar novos produtos”.Por isso mesmo “Portugal precisa de tornar-se mais competitivo e fazer algumas mudanças no que diz respeito à abertura dos dados geográficos, particularmente, nas instituições oficiais. As universidades têm um potencial muito forte para a investigação, mas para isso é preciso terem acesso aos dados”, esclarece o diretor do Mestrado em SIG.

Estamos, cada vez mais, a caminhar para o desenvolvimento e uso de software livre, “mas estes novos softwares devem ter em atenção a questão da localização e, sobretudo, a questão das ferramentas de análise. A sociedade em geral faz mais perguntas. Quer saber mais, quer mais respostas, quer consumir mais informação. E o software deve ter essa capacidade de resposta”, afirma Alberto Gomes. 

UM CURSO ABERTO A TODA A COMUNIDADE

É importante destacar a importância dos Sistemas de Informação Geográfica para o quotidiano das sociedades humanas, divulgando as suas potencialidades e os seus contributos à comunidade. O Mestrado em SIG e Ordenamento do Território é um curso aberto a toda a comunidade, garante o nosso entrevistado, e que pretende formar geógrafos que lidem bem com as ferramentas de informação geográfica e que saibam produzir conhecimento, nomeadamente na questão do ordenamento do território, nos riscos naturais e tecnológicos e na formação global dos alunos no domínio das novas tecnologias. “Temos tido um público diferenciado no Mestrado em SIG e OT. Temos 30 vagas disponíveis e, invariavelmente, todos os anos inscrevem-se cerca de 15 alunos não provenientes da nossa licenciatura em Geografia e que nos escolhem para complementar a sua formação. Também somos procurados por profissionais já colocados no mercado de trabalho, mas que pretendem complementar a sua formação para melhorar a sua qualificação e, consequentemente, a sua posição no posto de trabalho”, explica-nos Alberto Gomes. “Orgulho-me de dizer que temos ex-alunos a trabalhar em instituições europeias, na ONU, em várias instituições governamentais e autárquicas, e ex-alunos que criaram as suas próprias empresas”, adianta.

O Mestrado em SIG foi criado em 2008 e desde então a procura tem sido “regular”, “interessante”, e “desafiante”. “Trouxe algo novo à Geografia e veio iniciar uma nova prática ao sermos procurados por alunos de formações diferentes da nossa. É algo muito interessante, mas também desafiante. Temos, igualmente, alguns alunos estrangeiros, no âmbito do programa Erasmus, mas também fora deste programa. Desde a América do Sul à Ásia e à África do Sul”, ressalta o nosso entrevistado.

Nos últimos dois anos, o Mestrado em SIG sofreu uma mudança na sua estruturação com a incorporação de novos professores para ter um corpo docente mais coeso e diversificado. O futuro, esse, passa por olhar agora para os desafios. “Temos de estar atentos ao mercado, trabalhar na ligação entre as empresas e os nossos alunos. Para tal, temos em marcha a criação de um observatório com o propósito de rastrear o percurso profissional dos nossos ex-alunos e estabelecer um contacto direto com eles. Vamos tendo feedbacks que procuramos incorporar nas nossas formações e no Gisdays, o qual pretendemos consolidar. Queremos aproximar mais a universidade e o curso ao contexto envolvente, sejam instituições, ex-alunos, alunos, empresas”, avança Alberto Gomes.

O foco passará também por apostar nas parcerias e, em particular, em parcerias internacionais. “Temos em vista uma parceria com a universidade federal de minas gerais, Brasil, para consolidar o intercâmbio de alunos e de professores, mas também de software. É uma universidade forte no desenvolvimento de software livre e queremos aproveitar essa mais-valia, conjugando-a com um dos nossos pontos fortes que é a análise espacial”, conclui Alberto Gomes.

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