Christine Keeler, the sex bomb in 1963 photo, who disported with British War Minister John D. Profumo six years ago and ratted Harold MacMillan?s conservative government at the time, is about to tell all-again. Miss Keeler, now 27, has typewritten her autobiography of those hectic times. (AP Photo)
Christine Keeler, que aos 19 anos mantinha relações simultâneas com o ministro da Defesa britânico e um adido militar soviético, garantia nunca ter recuperado da má fama.

Dois anos antes, quando era uma adolescente a tentar sobreviver em Londres, conhecera e iniciara uma relação com o então secretário de Estado da Guerra, John Profumo. Ao mesmo tempo, mantinha outra com um adido militar soviético, Evgeny Ivanov. Nenhuma das relações durou muito tempo, mas quando ambas se tornaram públicas dois anos mais tarde, em 1963, o assunto explodiu no Parlamento e nas manchetes.

Keeler passaria seis meses na prisão, não por causa do sexo ou do risco de segurança mas por ter mentido em tribunal. Quando saiu, era uma celebridade bastante procurada, e escreveu alguns livros de memórias. Mas nunca ganhou muito dinheiro, e o que ganhou parece ter sido gasto em advogados. Conforme notou alguém, se fosse hoje davam-lhe logo o seu programa de televisão.

Nascida na Middlesex e abandonada pelo pai, Keeler cresceu numa casa feita a partir de duas antigas carruagens de comboio. Em adolescente já trabalhava como modelo numa casa de roupas do Soho, em Londres. Aos 17 anos teve um filho prematuro, que morreu ao fim de seis dias, de uma relação com um sargento. Seguiu-se o emprego num cabaré, como dançarina topless.

Foi ai que conheceu Stephen Ward, um médico osteopata bem relacionado na alta sociedade. A relação entre ambos foi breve, mas resultou em Keeler ser apresentada a várias pessoas importantes, entre as quais Profumo, que encontrou pela primeira vez em casa de um aristocrata.

Ivanov era amigo de Ward, a quem os serviços de espionagem britânicos tinham esperança de conseguir recrutar por meio de chantagem. Essa possibilidade não chegou a concretizar-se, e entretanto Profumo terminou a relação com Keeler. Mas dois anos depois, tiros disparados por um antigo namorado dela contra a casa de Ward – onde Keeler se encontrava – levaram à exposição da sua vida em tribunal.

No Parlamento, Profumo começou por negar o seu envolvimento passado com Keeler. Mas a pressão de revelações acabou por o levar a confessar e a demitir-se. O resto da sua vida seria passado em boas obras. Durante anos, entre outras coisas, limpou casas de banho numa associação de beneficência, e só muitas insistências conseguiriam convencê-lo a usar os seus talentos (e contactos) para ajudar a associação a um nível superior. Acabaria condecorado pela rainha, e ainda hoje é considerado um grande exemplo de redenção política e pessoal.

Os outros protagonistas do escândalo não tiveram a mesma sorte. Ward foi acusado de proxenetismo devido as suas relações com Keeler e outras mulheres, suicidando-se com medicamentos antes da sentença. Keeler, que testemunhara no seu julgamento, foi condenada a nove meses por perjúrio e cumpriu parte da pena.

Sucessivos livros de memórias não a enriqueceram, e dois casamentos teriam igualmente vida breve. Queixando-se de ter ficado com fama de promíscua –uma famosa fotografia de 1963 com ela nua numa cadeira também não ajudou – a sua relação com os filhos nem sempre foi fácil. Mas tudo estaria esquecido ou perdoado, a julgar pelo modo como um deles anunciou a morte da mãe, vitima de doença pulmonar crónica aos 75 anos, na passada segunda-feira.

Nas palavras de Seymour Platt, “a minha mãe, Christine Keeler, teve muitas lutas na sua vida recheada de eventos. Algumas lutas ela venceu, outras ganhou. Conquistou o seu lugar na história britânica com enorme custo pessoal”. Keeler não diria melhor.