A primeira palavra que Orlando da Mata refere como essencial e, sem a qual nada funciona, é cooperação. “Cooperação entre as universidades que fazem parte dos países de expressão de língua portuguesa”, começa por dizer, e explica que este é um objetivo do seu mandato e dos outros que marcaram os já 30 anos da associação.

Por outro lado, continuar a promover ações que visam fortalecer um relacionamento entre instituições de países de expressão da língua portuguesa é também um dos grandes objetivos do recente presidente, uma vez que “o português é uma língua falada em vários continentes e devemos aproveitar ao máximo este trunfo que temos”.

Relativamente aos desafios, “passam por fortalecer as relações de colaboração entre a comunidade lusófona e as suas instituições superiores, a partilha de experiências, de conhecimentos, de resultados de produção científica relevantes, alargar o número de associados da AULP (que neste momento são quase 140) e continuar a apostar fortemente naquilo que é a mobilidade internacional”.

“No caso de Angola, até 2009 havia uma única instituição pública de ensino superior no país e três privadas, hoje são mais de 70 públicas e privadas”, com este exemplo, Orlando da Mata explica assim o crescimento exponencial do país em relação ao ensino superior.

A Universidade Mandume Ya Ndemufayo, na cidade do Lubango, capital da Província da Huila, é uma instituição recente, que surgiu em 2009, e com o seu mandato, o presidente pretende criar sinergias para a universidade angolana ganhar relevo pela sua qualidade, a nível nacional e internacional. “Com a eleição da Universidade Mandume Ya Ndemufayo para a presidência da AULP praticamente conseguimos alcançar este objetivo. Ela já é conhecida em todos os países da CPLP”, confirma.

Para o ensino superior em Angola, esta presidência traz algumas vantagens, segundo o professor. O crescimento das instituições poderão contribuir para o crescimento da associação e, desta forma, criar parcerias e projetos com países da CPLP aos mais variados níveis, desde a investigação à mobilidade internacional. “Apesar da crise, Angola está a crescer com ela e isso verifica-se na qualidade do ensino superior, mas há sempre aspetos a melhorar”. 

XXVIII Encontro da AULP 2018 em Lubango, Angola 

Ainda sem data definida, mas com previsão para final de julho de 2018, o 28º encontro AULP pretende continuar com a missão primordial da associação – fomentar uma conexão que prospere entre os países que fazem parte da experiência. O facto de ser em Angola é em boa parte uma mais-valia, uma vez que existe maior proximidade com os países africanos e, por essa razão, estima-se uma maior participação de académicos desses países. “Do ponto de vista geográfico existe uma maior proximidade com os países desta região africana, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, e muitas universidades angolanas têm acordos de cooperação com universidades africanas. Angola desponta e há curiosidade por parte dos nossos amigos e parceiros em visitarem o nosso país. Hoje, Angola já não é apenas Luanda, o turismo cresceu e com ele o interesse por outras partes do país, como Lubango que oferece experiências incríveis e que as pessoas ainda não conhecem mas têm curiosidade”.

Erasmus AULP

Este é um projeto novo, em construção, e visa facilitar a mobilidade entre as instituições-membro da AULP. Estão a ser verificados os meios necessários para o projeto ser posto em prática. “Se 50% das instituições associadas à AULP conseguirem receber dois ou três estudantes neste âmbito já seria ótimo. Fazendo as contas, seriam muitos estudantes a beneficiar deste programa”. Apesar das ambições, Orlando da Mata afirma que cada passo que a AULP dá é ponderado, com foco na obtenção de bons resultados.

O projeto foi aprovado no último encontro da AULP, em Campinas, no Brasil. Sendo um programa mais restrito, ao contrário do Programa Erasmus já comumente conhecido, o Erasmus AULP primará pela exclusividade na participação – apenas estará disponível para instituições de ensino superior dos países de língua oficial portuguesa, membros da associação. O primeiro passo será estruturar uma plataforma e definir os moldes em que será concretizado.

O Erasmus AULP é um projeto pioneiro já que até à data não existe nada do género concretizado. O presidente, que não tem dúvidas de que as coisas acontecem quando são bem pensadas e bem estruturadas porque, afinal, quando se quer muito, elas acabam por acontecer, faz o convite a todos os associados: “Venham a Angola, participem neste encontro, que pretendemos transformar numa festa académico-científica, com um pouco de turismo e cultura.”

Serão três dias repletos de conhecimento com direito a uma visita cultural.