“Quanto mais longa, melhor”. É desta forma que o nosso entrevistado nos revela a sua paixão pelas corridas, ele que é um corredor e aficionado de endurance, “se o tempo o permitir”, tendo participado em diversas maratonas, pelo menos três já conta no seu currículo, inclusive a maratona de Chicago, realizada a 10-10-10, ou seja, 10 de outubro de 2010. Segundo o CEO da Gerber Technology, serve para compensar o stress, as restrições das responsabilidades acumuladas e das viagens intensas, funcionado, as corridas, quase como uma terapia para fazer face ao trabalho intenso, quase 60 horas semanais. Ao longo da nossa conversa, o nosso entrevistado aponta desafios, mas também estratégias para as indústrias Gerber, onde serve e mapeia um curso para o futuro envolvimento da organização de atuação global.

Olhando para o mercado, a Gerber Technology tem vindo a demonstrar uma liderança forte no fornecimento de soluções integradas de automação para apoiar a transformação e a digitalização no mercado de vestuário, também em Portugal. Sabemos que a posição de liderança tecnológica da Gerber se estende além do vestuário, ou seja, direciona-se para outras indústrias que lidam com materiais flexíveis, incluindo compósitos, móveis estufados, têxteis industriais, automóveis e interiores e muito mais. Qual tem sido o papel da Gerber Technology, em toda a sua globalidade, no sentido de auxiliar o universo empresarial no desafio da digitalização?

Esse esforço não é de agora, mas tem sido assim ao longo destes 50 anos. A Gerber Technology e todos os que a compõem esforçam-se diariamente para ser um parceiro que colabora com os seus clientes, no sentido de os ajudar e apoiar a atingir níveis de sucesso elevados. Existem dois ingredientes chave na nossa estratégia para ajudar os nossos clientes: o primeiro passa pela abordagem que temos, ou seja, devido ao nosso portefólio de produtos, estamos a analisar os fluxos de trabalho dos nossos clientes de uma forma mais abrangente e global. Examinamos como os dados são transferidos entre processos e identificamos áreas onde a eficiência pode ser alcançada. Temos um conjunto de produtos que suportam fluxos de trabalho de design, planeamento e desenvolvimento, através da produção e rastreamento, sejam eles de fabrico em casa ou através de uma complexa cadeia de suprimentos global.

O segundo ingrediente, e sem dúvida o mais importante, assenta no conhecimento e na paixão do nosso povo. A nossa equipa, a nível global, está empenhada em ajudar os nossos clientes a abraçar a mudança para a digitalização. O conhecimento combinado que temos na nossa equipa é incomparável na nossa indústria. A nossa entende os desafios que os nossos clientes enfrentam com as forças do mercado, tais como redução dos tempos de ciclo na comercialização de novos produtos, aumento das eficiências, otimização dos custos dos produtos para que possam aumentar as suas margens de lucro e gerir a logística, cada vez mais complexa numa cadeia de fornecimento global.

Gostava também de reconhecer que seguimos e estamos muito satisfeitos em testemunhar a recuperação do setor do têxtil, vestuário e calçado em Portugal nos últimos tempos. Esta recuperação notável na superação de inúmeros desafios na política e austeridade da EU tem sido fantástica. É igualmente impressionante ver uma gama de empresas portuguesas que estão prontas a prosperar, desde roupas de pronto a vestir, desde moda rápida até coleções sofisticadas de designers ou fatos masculinos de ponta MTM. É claro que os fabricantes de vestuário portugueses trabalharam no duro e recuperaram da crise através do compromisso e dos próprios méritos. O nosso centro de administração europeu está localizado no Porto, mais concretamente em Vila Nova de Gaia, e estou orgulhoso por afirmar que a equipa da Gerber está pronta para atender os seus clientes sempre que necessitarem.

Quais são os grandes desafios das empresas portuguesas de moda e vestuário para darem o passo rumo à Indústria 4.0? 

A Indústria 4.0 cria o que apelidou de “fábrica inteligente”, aproveitando dados e conectividades entre sistemas físicos para monitorar e automatizar processos, inúmeras vezes reduzindo a necessidade de mão-de-obra qualificada. A maioria desses processos é monitorizada pela denominada internet das coisas (loT), permitindo uma maior colaboração entre as cadeias de suplementos, melhorando o tempo de produção e a eficiência geral.

Isso é muito ambicioso para a indústria, se considerarmos que aproximadamente 70% do tempo de processamento para a confeção de uma peça de vestuário refere-se ao processo de costura e, até à data, 90% da costura é manuseada manualmente ou semi preparada automaticamente. No momento, sistemas de costura automatizados já se encontram disponíveis. Estamos a promover uma associação à Automation Softwear, Inc., uma visionária, de Atlanta, na Geórgia, nos EUA, que já alcançaram resultados notáveis. Para alterar a indústria para a costura robotizada não será barato, mas será um benefício de custo a longo prazo. Acredito que vamos ver essas mudanças nos próximos cinco a dez anos, já que a Hugo Boss e a Adidas estão já a usar costura robótica, sendo que mais empresas estão a considerar a ideia. Quero ainda reconhecer que na Gerber temos uma longa história, ou seja, começámos a adicionar sensores aos nossos Gerbercutters para torna-los preparados, e isto há vários anos. o nosso principal produto, o Paragon multiply Gerbercutter tem mais de 100 sensores que permitem uma monitorização remota e captura de dados. Também possuímos uma plataforma chamada Gerberconnect que permite aos nossos técnicos possuir sistemas de monitoramento remoto para identificar inoportunidades de manutenção para melhorar o tempo de espera e aproveitar o poder dos dados operacionais, permitindo que os nossos clientes criem relatórios do painel para avaliar a eficiência da produção.

Do seu ponto de vista, qual é a melhor estratégia para as empresas de têxtil e de vestuário para transformar as suas próprias organizações para lidar com a digitalização e tudo o que concerne à mesma?

Na Gerber lançamos uma campanha de comunicação com o tema “Embrave Your Digital Reality™”. Sabemos que todos estão em pontos diferentes da sua jornada de adoção de tecnologia e agora é o momento de «abraçar» ou reconhecer que a digitalização é real, ou seja, este é o momento de ativar e acelerar esforços de digitalização. Assim, estamos a encorajar os nossos clientes a enfretar este desafio e a começar a jornada para capturar os benefícios que terão com a digitalização. O primeiro passo assenta no envolvimento de um parceiro confiável, para ajudar no mapeamento de processos, identificando processos manuais que podem ser digitalizados. Em Portudal, Francisco Aguiar e a sua equipa, nas instalações de Vila Nova de Gaia, estão prontos a ajudar os nossos clientes a «abraçar a sua realidade digital», que têm todo o apoio dos nossos especialistas tanto a nível local como na nossa sede corporativa em Connecticut.

Estamos presentes para colaborar, para alavancar o nosso pessoal, com conhecimento da nossa indústria e com o nosso abrangente portfólio de produtos para que os nossos clientes confiem na sua transformação digital. Em suma, as empresas não precisam de uma estratégia digital, mas necessitam de um suporte digital para fortalecer a sua estratégia individual.

Acredita que a Indústria 4.0 e a digitalização aportem um nível superior de produção a Portugal? 

Historicamente, a nossa indústria perseguiu o trabalho de costura de custo mais reduzido, às vezes referido como “perseguindo a agulha”. Quando olhamos para todas as eficiências que podem ser alcançadas através de sistemas de integração digital, acredito que há uma grande promessa e uma oportunidade para a fabricação crescer em muitas partes do mundo. Embora a costura possa limitar a eficiência ideal da Indústria 4.0, a digitalização pode afetar todos os outros aspetos do fluxo de trabalho do vestuário, desde o design e desenvolvimento de produtos, à prototipagem virtual 3D até à produção totalmente integrada.

Levando tudo isso em consideração, acredito que veremos uma mudança nas tendências de abastecimento global. A localização aumentará, especialmente porque a necessidade de manter a tendência e a necessidade de acelerar gerarão sucesso. Isso combinado com o custo e benefícios ambientais associados à produção mais próxima do P.O.S. (Ponto de Venda), que se tornará esmagadora. Então, sim, a produção vai retornar para países altamente industrializados e, em particular, Portugal, o que parece ser lógico.
Como é que a Indústria 4.0 e a Transformação Digital mudarão a forma como funcionam as empresas portuguesas de têxteis e vestuário? 

A Transformação Digital é o passo inicial e natural rumo à Indústria 4.0 e exigirá uma grande mudança de mentalidade por parte das empresas. O desafio das empresas portuguesas é agir, como já salientei anteriormente, ou seja, para abraçar a realidade individual, trabalhar com parceiros de tecnologia certos. Será importante desafiar esses parceiros a fornecer consultoria e suporte personalizados, sendo que é importante entendermos que necessitamos de parceiros com conhecimento e experiência.

Dito isto, as empresas devem analisar como construir uma estratégia individual, ou seja, estarem preparadas para se reposicionar ou mesmo reinventar-se. Sugiro que comecem por perceber e avaliar o seu propósito principal, porque eles existem e são o que os torna diferentes. Então, interessa reimprimir as viagens dos clientes, percebendo como eles devem evoluir. Por último, devem formar uma equipa com foco na digitalização. É importante começar agora, e mesmo que seja numa dimensão pequena, depois expanda. Não deixe esta oportunidade para trás.

Acerca da Gerber Technology

A Gerber Technology fornece soluções líderes de mercado, em software e automação, a clientes na confeção de vestuário e noutras aplicações industriais que melhoram os processos de fabricação e design, e permitem gerir e conectar de forma mais eficaz a cadeia de fornecimento. Estas soluções intervêm desde a fase de desenvolvimento de produto e fabrico, até ao retalhista e cliente final. A Gerber serve mais de 78.000 clientes em 130 países, incluindo mais de 100 empresas que constam da lista Fortune 500 nos setores do vestuário e acessórios, lar e lazer, transportes, embalagem e sinalética e artes gráficas. A empresa desenvolve e fabrica os seus produtos em várias localizações nos Estados Unidos e Canadá, possuindo capacidades de produção adicionais na China. Com sede em Connecticut nos Estados Unidos, a Gerber Technology é propriedade da AIP, uma empresa de investimentos privados, especializada no setor de tecnologia, com mais de três mil milhões de dólares em ativos sob a sua gestão. A AIP está sediada em Nova Iorque. www.gerbertechnology.com 

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