Criada por uma mulher e a pensar em todas as mulheres do mundo, a Natural Cycles é uma aplicação móvel que se assume como fiel alternativa à convencional pílula contracetiva.

Pelas mãos da sueca Elina Berglund – mulher que, como tantas outras, queria deixar de tomar um químico todos os dias para prevenir uma gravidez indesejada -, a aplicação de telemóvel recorre a um algoritmo que analisa a temperatura do corpo feminino e, com esses dados obtidos, determina se a mulher está ou não em período fértil.

“O algoritmo da Natural Cycles analisa a sua temperatura e também considera outros fatores, como a sobrevivência do esperma, as flutuações de temperatura, os ciclos anteriores e as irregularidades do ciclo, de modo a determinar a presença ou a ausência de fertilidade e a calcular os seus dias vermelhos e verdes. Os testes de ovulação (LH) opcionais também ajudam a aplicação a identificar a sua ovulação e a determinar esses dias”, lê-se no site da aplicação.

Os dias a verde representam aqueles em que o casal pode fazer sexo sem recorrer a um preservativo, já os dias assinalados a vermelho requerem o uso de um contracetivo de proteção (como o preservativo) ou a abstinência, pois o risco de gravidez é mais elevado.

Aprovada pela União Europeia e registada pelo Infarmed este ano, a Natural Cycles – cujo uso não possui efeitos secundários – tem um custo de 8,99 euros por mês, mas conta já com mais de 100 mil instalações através da loja de aplicações da Google e está avaliada em 4,5 no iTunes da Apple.

A eficácia desta aplicação foi já colocada à prova num estudo com mais de quatro mil mulheres. Publicada na revista científica The European Journal of Contraception and Reproductive Healthcare, a investigação mostrou que o uso correto da aplicação poderia resultar em cinco gravidezes indesejadas em cada mil, sendo que o número de gestações fora dos planos subiria para nove em cada mil se fosse feito um mau uso da aplicação ou a mulher se esquecesse de a usar.

No que diz respeito à pílula ‘tradicional’, conta o El País, a toma correta poderia resultar em sete gravidezes não desejadas em cada cem, enquanto a toma incorreta (com atrasos, esquecimentos, etc.) poderia dar origem a nove gestações em cada cem.

Um outro estudo, citado pelo Mirro, destaca uma eficácia por parte da app na ordem dos 93%. Porém, importa salientar que este contracetivo digital deve ser entendido apenas como um substituto/alternativa à pílula e não ao preservativo, uma vez que não protege o homem e a mulher de doenças sexualmente transmissíveis.