Etiópia vai libertar prisioneiros políticos e encerrar campo de detenção

O primeiro-ministro da Etiópia anunciou hoje que serão retiradas as acusações contra prisioneiros políticos e que será encerrado um conhecido campo de detenção num esforço para "alargar o espaço democrático para todos" no país.

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As surpreendentes declarações de Hailemariam Desalegn surgem depois de nos últimos meses se terem registado protestos antigovernamentais nas regiões de Oromia e Amhara, que afetaram os negócios.

“Prisioneiros políticos que enfrentam processos e que já estão presos serão libertados”, disse o chefe do Governo, adiantando que o campo de detenção designado de Maekelavi “será encerrado e transformado num museu”.

“Todas estas promessas precisam de ser implementadas imediatamente”, reagiu o conhecido ‘blogger’ e antigo preso etíope Befegadu Hailu.

Desconhece-se o número de prisioneiros políticos na Etiópia, um aliado dos Estados Unidos em termos de segurança.

Grupos de defesa dos direitos humanos e da oposição etíope têm pedido a libertação dos presos políticos, indicando que foram detidos sob acusações falsas e que estão a ser punidos pelas suas opiniões.

Entre os políticos sob custódia encontram-se os líderes da oposição Bekele Gerba e Merara Gudina. Também estão detidos numerosos jornalistas.

Os meses de protestos exigindo liberdades mais amplas começaram no final de 2015 e conduziram a centenas de mortes e a dezenas de milhares de detenções, prejudicando uma das economias de crescimento mais rápido em África. Os protestos causaram ainda o deslocamento de cerca de um milhão de pessoas.

LUSA