As fotografias dos protestos estão a concentrar-se na página My Stealthy Freedo, da jornalista e activista Masih Alinejad, nas redes sociais Twitter e Facebook. Alinejad, que vive desde 2009 nos EUA e que teme ser detida se regressar ao Irão, começou um movimento online, sob a hashtag #WhiteWednesdays, em que às quartas-feiras, muitas mulheres usavam um lenço branco ou vestiam-se de branco para protestar contra o uso obrigatório do véu. Algumas tiravam o lenço brevemente, acenando como que fazendo um sinal de trégua ou paz. Os protestos eram então fotografados ou filmados e as imagens publicadas por Alinejad.

A primeira mulher dos mais recentes protestos parece inspirada por este movimento –- tinha um lenço branco –, mas fez mais do que isto: manteve-se a protestar cerca de 45 minutos até que a polícia a levou. A sua identidade só foi divulgada quando a advogada defensora de direitos humanos Nasrin Sotoudeh revelou que estava presa. Soube-se entretanto que se chama Vida Movahed e que foi libertada na segunda-feira, depois de um mês de detenção.

No mesmo dia em que Movahed era libertada, e também em Teerão, era detida uma segunda mulher que imitou o gesto da primeira, após apenas dez minutos de protesto, diz o diário britânico The Guardian. Tinha uma pulseira verde, uma possível referência ao Movimento Verde de 2009 cujos líderes estão ainda sob prisão domiciliária.

Segundo o Financial Times, pelo menos outras seis mulheres levaram a cabo protestos semelhantes nos últimos dias. Não há informação sobre se foram detidas.

No Irão o uso do hijab é obrigatório desde a Revolução Islâmica de 1979, mas muitas mulheres testam os limites usando um lenço muito solto (arriscando uma multa por “mau hijab”) ou tirando-o enquanto conduzem. Correm sempre o risco de haver um castigo.

Fotografias da caixa de electricidade na Avenida Enghelab (da Revolução) de Teerão em que a primeira mulher protestou mostram que alguém lá escreveu: “Aqui podes vestir o que quiseres.” Há um carro da polícia parado mesmo atrás.

Na página há imagens mais surpreendentes, todas publicadas nas últimas duas semanas: uma mulher de chador, indicando conservadorismo, com uma mensagem a favor da liberdade de escolha, ou um homem agitando o lenço branco.

O protesto parece ganhar força mesmo após a repressão das manifestações de Dezembro, em que centenas ou milhares de pessoas foram detidas, com relatos de maus tratos e de mais de 20 mortes na prisão.

O regime anunciou que se mantém na prisão cerca de 300 pessoas detidas durante os protestos, mas que a maioria já está em liberdade. As autoridades apresentaram este protesto como obra dos inimigos do Irão.

Os dois movimentos parecem muito diferentes: aquele que visou as condições económicas e corrupção ocorreu sobretudo fora de Teerão, e parecia envolver sobretudo trabalhadores, o do lenço parece estar concentrado na capital e ser levado a cabo pela classe média, escrevem ainda os correspondentes do Financial Times em Teerão.

A advogada Nasrin Sotoudeh declarou que este movimento é “um ponto de viragem”, com mulheres que “não mostram medo nenhum”. “Estes novos protestos são uma rejeição pública e pacífica de repúdio do controlo total dos políticos de todos os aspectos da vida das pessoas”, disse ao FT.

“O hijab forçado é o símbolo mais visível de opressão das mulheres no Irão”, disse Masih Alinejad ao Guardian, “por isso lutar contra o seu uso é o primeiro passo para a igualdade total”.