Começou nas telecomunicações e mais recentemente conheceu o mundo das novas tecnologias, “duas indústrias para as quais gerir sem metodologias de gestão de projeto como base não faria qualquer sentido, na medida em que a natureza do próprio negócio assim o exige”. Já com uma experiência notável, a gestora teve uma experiência internacional em dois países, e afirma que “mudou a forma de como hoje olha para as empresas e para as pessoas”.

Dubai e Angola

Saiu de Portugal em 2012 e partiu primeiramente para o Dubai enquanto PMO, enquadrada num programa de excelência, que visava a consolidação da empresa e a otimização de processos. Lá permaneceu um ano, e afirma que o choque cultural é significativo para uma mulher expatriada – no Dubai não é significativo ser-se expatriado, salvo o facto de ser mulher, mãe, divorciada e numa posição de liderança – estava preparado um cocktail que define como “desafiante”.

No edifício onde trabalhou lidou com pessoas de 52 nacionalidades e por isso garante que a sensibilidade e a compreensão para as diferenças são características que ficaram mais aguçadas, porque “apesar de falarmos todos inglês as dissemelhanças são muitas”.

Ao final de um ano surge a oportunidade de ir para Angola e Cátia aceita.

“Sempre tive uma paixão e curiosidade por África, apesar de na altura não conhecer praticamente nada do continente, sentia que em algum momento aquela terra faria parte do meu percurso e assim foi”.

A vida assim aconteceu e Cátia esteve quatro anos em Angola, três anos e meio dos quais na Angola Telecom, na implementação do projeto de reestruturação da empresa. Descreve-se como uma pessoa que precisa de motivação e de sentir que tem uma missão a cumprir e que não serve para apenas “marcar passo”, por isso percebeu que o seu tempo na Angola Telecom estava esgotado e era altura de abraçar outro desafio. “Neste sentido, surge a hipótese de deixar as telecomunicações e abraçar o mundo das TI’s. O projeto era muito interessante, passaria por criar uma direção com três áreas de negócio distintas, com uma dimensão financeira muito atrativa e difícil de encontrar a nível mundial”, explica. Abraçou o desafio, que classifica como “muito interessante” e onde conseguiu traçar objetivos e atingi-los num curto prazo. No entanto, tinha chegado a altura de ponderar a vida de expatriada, que para a nossa interlocutora teve desde o início uma data de validade, e voltou. Na época, sabia que o destino seria a Europa, o país seria ainda incerto. Foi contudo em Portugal que encontrou um lugar onde hoje diz ser feliz e que a fez encerrar o capítulo África.

Blue-Infinity Linked by Isobar

“Muito embora as minhas raízes estejam em Portugal, estava à procura de uma nova oportunidade que me permitisse crescer profissionalmente, enquanto em paralelo fosse possível alavancar e tirar partido da minha experiência na gestão de projetos de elevada complexidade e dimensão. A blue-infinity Linked by Isobar pareceu-me muito interessante, já que é uma organização verdadeiramente global, com clientes em todas as indústrias operando a uma escala mundial, com equipas internacionais, que trabalham independentemente do lugar físico onde se encontram para criar e desenvolver soluções digitais.

A blue-infinity Linked by Isobar é uma empresa dinâmica e desafiadora, o local certo para expandir a minha carreira já que aqui verdadeiramente se acreditam em ideias sem limites. É uma organização especializada em transformação digital, ajudando as marcas e os negócios a agarrar todo o potencial do digital através de uma combinação única de estratégia, marketing, criatividade e tecnologia. As nossas competências técnicas especializadas ao nível do design, consultoria e tecnologia asseguram soluções de market-leading brand commerce para os nossos clientes a uma escala global.

Na blue-infinity Linked by Isobar sou responsável pela gestão da unidade de Digital Marketing Project Management e pela implementação de um quadro metodológico ao nível da gestão de projetos, comum a toda a organização. Sou por isso responsável pela gestão e acompanhamento de todos os Project Managers de forma a garantir os mais elevados padrões de performance e qualidade na gestão de projetos. Também trabalho junto do PMO no sentido de assegurar que as melhores práticas e processos são seguidos por todos, e alvo de uma melhoria contínua, para se adaptarem à constante mudança nos paradigmas dos projetos e da procura dos nossos clientes.”

A organização opera globalmente e a sua sede é na Suíça. Neste momento a operação está ainda potenciada pelo poder e escala da Dentsu Aegis Network, que conta com 45.000 especialistas em 145 países. Portugal é a região que apresenta um maior crescimento com equipas de “Digital Addicts” tanto em Lisboa como em Leiria. As sinergias que criaram ao trabalhar como uma equipa única estão a projeta-los para a frente e as perspectivas de crescimento são muito animadoras. “São tempos muito entusiasmantes!” Refere Cátia. 

Vida profissional vs maternidade

Mãe de uma menina com dez anos, a Laura, Cátia não é só mais uma mãe que equilibra uma vida profissional com a familiar, é uma mãe que está na vida da filha o máximo de tempo que consegue porque é ela o seu maior projeto de vida. Porém, o trabalho é por si considerado um complemento essencial sua realização pessoal e por isso “há que equilibrar tudo”, garante.

“O primeiro dia em que tive que voltar a trabalhar após a minha licença de maternidade foi horrível, senti-me a pior mãe do mundo. Chorei imenso. Achei que era algo muito ingrato. Passada essa fase aprendi ao longo do tempo, até porque gosto muito daquilo que faço, que preciso deste complemento (trabalho) enquanto ser humano, e que também é necessário garantir que há espaço para as duas coisas. Quando estou a trabalhar, estou de olho no telemóvel para o caso de acontecer alguma coisa mas estou sempre focada e dedicada. Quando estou em casa ou em algum momento de lazer com a minha filha, sou 100% dela. Desligo de tudo. Estou a sério.

Não fui mãe por acidente mas por opção, e com isso obviamente a consciência da responsabilidade inerente veio juntamente. Se eu preferia ter mais tempo? Sim, claro! Mas olho para a vida dela e vejo que ela tem tão pouco tempo quanto eu, que é algo que me custa, o facto de ela quase não ter tempo para brincar faz-me confusão. O fim-de-semana torna-se o nosso tempo de qualidade, temos de arranjar sempre algo que nos arranque de casa e que permita descobrir algo diferente”.

SE PUDESSE MUDAR ALGO NO MUNDO EMPRESARIAL O QUE SERIA?

“Talvez mudasse muita coisa. Não é o caso da blue-infinity Linked by Isobar, até porque é a primeira empresa em que estou e que sinto que as coisas são realmente diferentes e que passam da teoria à prática, nomeadamente no que toca ao tratamento das pessoas. A minha experiência diz-me que as empresas são as pessoas, e enquanto não trocarmos a mentalidade de que é realmente importante dar valor ao indivíduo e à equipa para que a empresa possa crescer, vai ser impossível. Os números são essenciais, claro, sem eles não fazemos grande coisa, mas sem pessoas não fazemos mesmo nada! Esta é a minha experiência pessoal… de quem liderou várias equipas completamente diferentes”.

Cátia conta que na blue-infinity Linked by Isobar, o espírito de valorização e de envolvimento das pessoas não está escrito em nenhuma parede, vive-se diariamente, na forma como as pessoas trabalham, descontraídas, valorizadas e, por isso, mais produtivas.

“Quem gere empresas deve ter em perspetiva que as pessoas têm de se sentir confortáveis e que sintam que fazem parte de um objetivo, seja ele qual for”, prossegue.

“Outra coisa que considera importante mudar é referente ao papel da mulher. A mulher é completamente vital – e este não é um comentário sexista – na Europa o que temos é uma paridade maior mas se olharmos do ponto de vista salarial, essa paridade não existe. Curiosamente em África quem quiser implementar um projeto, seja de que tipo for, se não tiver mulheres envolvidas, está condenado ao fracasso. Há países mais matriarcais que outros, mas mesmo em países mais patriarcais as mulheres estão muito melhor preparadas, porque têm vidas muito mais duras e exigentes, nomeadamente do ponto de vista da responsabilidade familiar, elas educam, alimentam… Apesar de em algumas culturas esse facto não ser reconhecido, elas têm um enorme poder que nem sempre elas mesmas o reconhecem. No entanto, se lhes dermos esse empoderamento elas vencem sem dúvida nenhuma”, conclui.

A nossa entrevistada garante que a mentalidade pouco orientada para a valorização do capital humano a par da falta de paridade efetiva não traz grandes benefícios, e que aquilo a que tem assistido mostra “que se dermos a oportunidade a quem merece obtemos inevitavelmente bons resultados”.