Pensar e fazer acontecer

Ângela Marcos apaixonou-se pela arquitetura no Brasil Hoje trabalha na TecBau, uma empresa de engenharia e sente que o seu trabalho é “totalmente viciante”. Conheça a mulher que afirma que “a atribuição de poder é o que torna cada indivíduo responsável por si e pelo trabalho que tem a seu cargo”.

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O que a levou a escolher arquitetura como carreira? O que ambicionava na época reflete-se no presente? 

A escolha teve um enquadramento puramente emocional. Foi o contacto com as Rotring e o papel de esquiço, na faculdade de arquitetura Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, que me levaram a ver-me neste papel. Anos mais tarde, tive o prazer de trabalhar com a arquiteta, que na altura, era estudante, e me apresentou este mundo. O que me fascinava era a possibilidade de pensar e fazer acontecer. Hoje, continua a ser o que me fascina.

Trabalha na Tecbau, uma empresa de engenharia. Como se dá o cruzamento destes dois mundos? 

Comecei a trabalhar com a Tecbau, antes de fazer parte da equipa Tecbau. Nessa altura, a empresa encontrava-se totalmente organizada para a Construção. De forma natural, as partilhas de knowhow foram surgindo e a relação entre Projeto e Obras (nos investimentos do Grupo), foi-se adensando ao ponto de expandir a área de projeto a investimentos exteriores. Hoje, está totalmente adquirida a dinâmica intrínseca ao fazer arquitetura.

A Tecbau tem sido uma excelente escola ao nível do conhecimento mais aprofundado da dinâmica das obras e do mundo empresarial. Tive a sorte de ter sido convidada para integrar um sistema profundamente vivo, agressivo no que isso tem de estimulante, e, como volátil que é, é a incubadora ideal para novas apostas e novos desafios.

Arquitetos e engenheiros formam equipas multidisciplinares, cujo conhecimento não é possível manter reservado. A partilha tem que ser tanto maior, quanto a complexidade do trabalho. O sucesso de uma obra, será sempre o sucesso da equipa. Há orgulho  e cumplicidade em fazer parte de um projeto em que os níveis de exigência foram elevados, e, consequentemente, obrigaram a muitas horas de entrega. Quem está, faz parte da história.

Quanto mais seguros tecnicamente forem os Arquitetos e os Engenheiros, mais claro está, o limite da intervenção de cada um, e a ideia de que o sucesso do trabalho de um, é o sucesso, dos outros. 

O que mais gosta no seu trabalho? 

O meu trabalho é viciante. Há sempre uma luta pela superação, quer em termos técnicos, quer em termos humanos. Nunca o consegui encarar como um trabalho, mas, antes, como um modo de vida.

Há algum projeto que a tenha marcado de forma especial?

Gosto de desafios. A possibilidade que se abre em cada nova aposta faz-nos vibrar na frequência dos sonhos. Há sempre alguma coisa de alma nova em cada novo trabalho. Todos os projetos obrigam a um envolvimento e, da cabeça para a mão e da mão para a cabeça, levam-nos para um mundo que tem sempre alguma coisa de experimental. Acredito que é necessário manter alguma “ingenuidade” para haver vontade de sair do terreno seguro. Esse pode tornar-se pouco fértil, incapaz de fazer disparar a adrenalina e de empurrar os limites mais para a frente.

Desde o projeto que parece mais insignificante ao que parece mais dignificante, de todos, tenho uma história para contar.

Alguma vez sentiu que lhe foram vedadas metas pelo facto de ser mulher?

Simplesmente não permito. Tenho orgulho em ser mulher.

Não vivo em guerra, mas se tiver que a travar…

Acredito que os lugares se conquistam por competência e por empatia. Há uma mesquinhez associada ao pensamento sexista. Nesse caso, eu nunca seria a escolha, porque não teria admiração por quem arbitrava e, consequentemente, não haveria empatia.

Três coisas que destaca como mais importantes num ambiente laboral:

Empowerment. Honestidade. Lealdade.

A atribuição de poder é o que torna cada indivíduo responsável por si e pelo trabalho que tem a seu cargo. A realização faz milagres ao nível dos resultados. As pessoas tornam-se proativas. O contrário disto, é viver constrangido. Trabalhar só para cumprir, coloca a questão: “Estou a conseguir?”

Não é possível transcendermo-nos se vivermos a medo. Os objetivos têm que estar traçados segundo a coordenação do todo. Depois, cada um, terá que tomar para si, as rédeas do seu trabalho, resolver, criar e acrescentar valor.

Quanto à honestidade e à lealdade são questões de caráter.

Uma pessoa muito capaz em termos humanos tem a possibilidade de vir a ser um excelente profissional, enquanto quem tem algum raquitismo ao nível do desenvolvimento da personalidade, pode até conseguir resultados perfeitos numa determinada altura, mas, no tempo, consegue infetar e secar uma equipa.

Considero-me uma pessoa com sorte, trabalho com uma equipa de luxo.