A Direção Regional de Cultura do Norte tem vindo a desenvolver um trabalho de excelência no que diz respeito à promoção e preservação da cultura a Norte. Tem sido um trabalho fácil?

Tem sido um trabalho de persistência e muita determinação para assegurar o objetivo último da nossa missão que visa, sobretudo, a salvaguarda, valorização e divulgação do património arquitetónico e arqueológico.

Para além de uma vertente muito importante de acompanhamento das atividades e apoio das estruturas de produção artística financiadas pelo Ministério da Cultura, a Direção Regional de Cultura do Norte tem desenvolvido a sua atividade visando a criação de condições de acesso aos bens culturais, para que estejam disponíveis para a fruição do público. Conjugar a salvaguarda do património com a demanda turística atual é o grande desafio que se coloca.

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Na sua ótica qual é a realidade cultural da região Norte do país?

A região Norte do País tem um património riquíssimo que resulta da sua diversidade geográfica e humana, mas também da sua História e vivências locais. Se ao património edificado juntarmos todos os outros elementos distintivos da nossa herança cultural, poderemos afirmar que estamos perante um território com enorme potencial a vários níveis, assente, não só, mas também, no dinamismo cultural.

Como a própria Direção Regional de Cultura do Norte refere, num mundo cada vez mais globalizado, a cultura e a identidade dos povos são valores que importa cada vez mais preservar. O que urge fazer pela cultura a Norte do país?

De facto, a cultura e a identidade dos povos são valores que importa cada vez mais preservar e transmitir de geração em geração. É nossa responsabilidade assegurar o legado dos valores culturais, identitários e patrimoniais que herdamos do passado. É nossa responsabilidade, também, desenvolver um trabalho agregador e consensual, na medida que permita sensibilizar para a riqueza do património na construção de uma identidade.

Pelo 4º ano consecutivo, aumentou o número de visitantes nos museus e monumentos tutelados pela Direção Regional de Cultura do Norte. Trata-se de uma mudança de mentalidade ou de um maior investimento e promoção da cultura?

As mais-valias de cada território, a serem exploradas como potencial de diferenciação, assentam nas suas especificidades e na capacidade de gerar inovação aliada à competitividade, com resultados inequívocos na dinamização dos territórios.

Pelo 4º ano consecutivo, aumentou o número de visitantes nos museus e monumentos tutelados pela Direção Regional de Cultura do Norte, registando, em 2017, uma subida de 6,1% em relação ao período homólogo.

Desde 2013, já se registaram cerca de 2,7 Milhões de visitantes no conjunto museológico composto pelo Museu de Lamego, Museu dos Biscainhos e Museu D. Diogo de Sousa (Braga), Paço dos Duques e Museu de Alberto Sampaio (Guimarães), Museu da Terra de Miranda (Miranda do Douro) e Museu do Abade de Baçal (Bragança).

Se a estes resultados se somarem os registos de entradas nos principais monumentos geridos pela DRCN, constata-se um valor próximo dos 5 Milhões de visitantes.

O crescimento verificado nos últimos anos deve-se a um reforço da estratégia de trabalho em rede por todo o território, onde temos vindo a desenvolver uma política descentralizadora de investimentos, envolvendo os agentes culturais e autarquias locais na prossecução de um esforço comum de salvaguarda, preservação e divulgação do Património a Norte.

Em 2018 Santa Maria da Feira será a Capital da Cultura do Eixo Atlântico. É a quinta cidade portuguesa a receber o título por parte da associação transfronteiriça. O que acarreta este título?

A Capital da Cultura do Eixo Atlântico visa potenciar a cultura em todas as suas expressões nas cidades do Eixo Atlântico contando sempre com a presença cultural dos países historicamente ligados a Portugal e à Galiza. É uma excelente oportunidade para reforçar o papel da cultura na construção de uma sociedade mais enriquecida.

A Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) está a investir 2,3 milhões de euros na Operação Mosteiros a Norte. O que já pode ser dito sobre esta Operação Mosteiros? Quais são as expectativas?

A Operação Mosteiros a Norte é apenas uma das várias ações que a DRCN tem curso no território, aproveitando os fundos comunitários do Portugal 2020.

Em concreto, a Operação «Mosteiros a Norte» visa dar continuidade às intervenções de consolidação do edificado já anteriormente realizadas nos Mosteiros de Arouca, Grijó, Rendufe, Tibães, Pombeiro e Vilar de Frades. Pretende-se melhorar e criar espaços de receção/acolhimento, reforçar as iniciativas culturais e artísticas, divulgar os espaços monásticos como pólos de atração no território e atrair novos públicos.

A operação «Mosteiros a Norte» constitui um itinerário de valor patrimonial, resultante do aprofundamento dos modos de intervir em monumentos, da criação de condições de receção e acolhimento dos visitantes.