A Coty pretende desafiar a indústria da beleza. O que nos pode dizer mais sobre esta companhia?

Somos apaixonados pela beleza, pela liberdade criativa e pelo espírito empreendedor, forças que foram introduzidas pelos nossos fundadores.

O propósito da Coty é celebrar e liberar a diversidade da beleza dos nossos consumidores. Alinhado a isto está a missão da Coty: tornar-se ao longo do tempo líder global da indústria, sendo o principal desafiador da beleza, encantando os nossos consumidores e criando valor a longo prazo para os nossos acionistas.

Na divisão profissional – Coty Professional Beauty – centramo-nos em celebrar e elevar os profissionais de beleza para que no seu trabalho diário no salão possam realizar transformações de beleza feitas à mão e à medida, personalizadas e artísticas, no cabelo e nas unhas. Na indústria profissional, a nível global, lideramos o combate ao enfraquecimento capilar com Nioxin, temos a marca de stylers preferida nos mercados principais com ghd (good hair day) e lideramos o cuidado profissional das unhas com OPI. A completar o nosso portfólio profissional, para além da nossa marca icónica Wella Professionals, temos a marca System Professional com um conceito de consultoria ultra personalizada, a marca Sebastian Professional com produtos de styling muito trendy e inovadores e a marca Kadus Professional.

O crescimento responsável é um dos valores da Coty. Que outros valores são intrínsecos ao percurso e estratégia da companhia?

Os nossos valores e a nossa cultura descrevem como fazemos as coisas aqui na Coty. Eles orientam o nosso comportamento e o nosso desempenho. Agir como dono do negócio (sentir que o negócio é nosso, como se o nosso nome estivesse escrito na porta do edifício); Viver e Respirar Beleza (valorizar a beleza, ter paixão por conhecer os corações e a mente dos nossos consumidores e estilistas); ter um pensamento de start – up (ser empreendedor, ágil, criativo e engenhoso); ser corajoso e ir mais além, superando objetivos (ter ambição para fazer melhor todos os dias) e finalmente, ganhar para a equipa (a equipa é mais forte do que a soma dos indivíduos por causa da diversidade de pontos de vista, de “expertise” e de conhecimento).

Atualmente estamos a desenvolver uma nova estratégia de crescimento responsável com base nos nossos valores, objetivos e questões materiais em toda a nossa cadeia de valor.

Acreditamos que o negócio desempenha um papel importante para ajudar a resolver alguns dos desafios mais urgentes que o mundo enfrenta, quer a nível social, ambiental e de políticas.

A beleza transcende culturas e países. A beleza pode ser mais sustentável, mais positiva, mais inclusiva. Ao desafiarmo-nos a nós mesmos e aos outros, podemos mudar a beleza impactando as pessoas e o mundo. Acreditamos que a beleza pode inspirar as pessoas a expressarem o seu verdadeiro eu.

Como parte da nossa estratégia de crescimento responsável e o nosso compromisso de quebrar as barreiras para a auto-expressão plena e gratuita, associamo-nos a uma organização internacional, a Global Citizen, para enfrentar e desafiar o preconceito e a discriminação que impede as pessoas de poder expressar o seu verdadeiro eu.

Manuela Silva é Country Manager Professional Beauty Portugal da Coty. Num mercado de trabalho onde as questões ligadas à liderança e à gestão de talentos são cada vez mais fulcrais, que características indicaria como sendo fundamentais para um líder e gestor de pessoas?

Para se vencer no mercado, onde o comportamento do consumidor está a mudar mais rápido do que nunca, é fundamental que os líderes tenham uma mentalidade desafiadora, um espírito empreendedor e flexível, e um focus em obter sucesso de forma sustentável.

Os líderes devem liderar pelo exemplo abraçando mudanças, novas tecnologias, novos processos, novas pessoas. Com a diversidade e a quantidade de contatos e estímulos que temos no dia-a-dia (offline e online), destaco como fundamental a capacidade de conseguirmos estar efetivamente presentes e conscientes nas diversas interações com as pessoas, olhos nos olhos, sem distrações para ganharmos esses momentos de conexão.

Acredito que um bom líder é aquele que trabalha junto da equipa, ouvindo-a, envolvendo-a e tomando decisões em conjunto. É aquele que faz com que a equipa funcione sem ele. Para isso, há que ser capaz de definir uma visão clara para criar e moldar o futuro, tentar ser o melhor mantendo a humildade, ser corajoso, ser congruente, fazer escolhas, ser e fazer o trabalho de forma simples, construir capacidades e relacionamentos, aprender e reaprender, executar com excelência e ser-se feliz a fazer tudo isto.

Outra questão muito discutida nos últimos tempos prende-se com a desigualdade de género. Desigualdade essa que pode assumir múltiplas formas. A Manuela, durante o seu percurso profissional, enfrentou obstáculos pelo facto de ser mulher?

Eu cresci numa família em que ambos os meus pais trabalhavam, sendo que a minha mãe teve um forte papel de liderança a nível profissional, pelo que, para mim, uma mulher poder ser líder era algo natural. Aliado a isto, ao longo do meu percurso académico assumi alguns papéis de liderança em grupos da faculdade. Em termos profissionais tive o privilégio de integrar durante 14 anos uma companhia cujos valores e princípios se baseavam na igualdade de oportunidades, a Procter & Gamble; essa cultura foi-me passada pelos meus colegas, chefias e mentores, aos quais estou muito agradecida. Mesmo iniciando a minha carreira como vendedora (profissão mais ligada aos homens na época), tive uma ou outra situação mais caricata com clientes, mas que nada tinha que ver com desigualdade de género, mas com alguns estereótipos que foram ultrapassados com trabalho, disciplina e dedicação. No processo de aquisição e transição da divisão profissional da Procter & Gamble para a Coty estava grávida e a Coty recebeu a notícia de forma muito natural dando-me todo o apoio. Tenho tido por isso a vantagem de trabalhar em empresas que têm no seu ADN a promoção da diversidade e da inclusão.

Parece que continuam a existir regras que raramente permitem que uma mulher chegue a cargos de liderança. Uma delas diz respeito à maternidade. Maternidade e liderança são incompatíveis como querem fazer crer?

Eu não acho que seja incompatível ser mãe e líder (tenho três filhos: 13 meses, sete anos e nove anos), contudo implica uma frequente revisão de valores e objetivos de vida, uma gestão diária de tempo, de planeamento e de muito trabalho de equipa com o meu marido (e claro, de muita compaixão). Acredito que conciliar e equilibrar o trabalho e a família potencia algumas das nossas caraterísticas, desenvolve e aperfeiçoa outras, pois as aprendizagens são diárias e, mais ainda, ajuda-nos a gerir melhor as situações de stress em casa e no trabalho. Claro que tem de existir um contexto familiar e profissional flexível a tudo isto. Temos de que nos ir adaptando às necessidades da empresa e às da família, o que nos obriga a fazer escolhas. Importante é sentirmo-nos bem com isso!

Que mensagem gostaria de deixar a todas as nossas leitoras líderes, empresárias, mães, empreendedoras ou simplesmente mulheres?

Devemos acreditar em nós, confiar nas nossas capacidades: somos todos iguais enquanto seres humanos. Às vezes, por causa da cultura, das nossas crenças ou da educação, tendemos a evitar a oportunidade: a realidade é que podemos fazer qualquer coisa (independentemente do género)!