O tema está na ordem do dia. Faz parte da agenda. E ainda bem! Falar de liderança e de empreendedorismo no feminino não pode ser entendido como uma moda, pois o assunto é demasiadamente sério. Há números a melhorar pelo que há muito trabalho a fazer mas não podemos esquecer tudo o que tem vindo a ser feito por um conjunto de mulheres com a atitude e as competências (pessoais e sociais) adequadas ao “fazer acontecer”. E é neste domínio que importa atuar: no plano da ação!

Liderar e empreender no feminino não se pode reduzir à criação e a gestão de empresas nem à criação de emprego próprio. É gerir diariamente um manancial de desafios com recursos limitados. É um mindset! É conciliar a esfera profissional com a pessoal e a social. Como diria Peter Drucker: “não é uma arte nem uma ciência, é uma prática!”. É usar a criatividade e outras soft skills: a orientação para objetivos e resultados, a capacidade de resolução de problemas de forma criativa e inovadora, a autoconfiança, o espírito de iniciativa, a influência e a resiliência. E sem esquecer o poder da comunicação: o que se diz (conteúdo) e como se diz (assertividade).

Neste contexto, gostava de destacar o papel crucial que várias organizações e/ou associações têm assumido na realização de iniciativas de capacitação e desenvolvimento pessoal, no estreitar de colaborações com o mundo corporativo e com o académico e também no estímulo à criação de redes de relacionamento (leia-se networking). Este último ponto é extremamente relevante e é efetivamente uma ferramenta que tem de ser “trabalhada” de forma continuada e consistente. Não basta “aparecer” nos eventos – é preciso pensar no pré, durante e pós evento! Participar com um objetivo em mente e com a devida preparação. Exige pensamento crítico, inteligência emocional e planeamento.

Nos últimos anos tive a oportunidade de conhecer e de me relacionar com várias organizações que têm o propósito de serem alavancas para o sucesso profissional das mulheres, enfatizando também a conciliação com a sua vida pessoal (e social), através de programas de mentoring, liderança, empreendedorismo e outros muito específicos: PWN Lisbon, Dress for Success, Women Win Win, Mulheres à Obra, Chicas Poderosas, Women in Business (WinB). Estes são apenas alguns nomes, outros existirão. Cada uma tem o seu posicionamento específico, mas há palco para todas: para executivas, empreendedoras, em transição de carreira ou desempregadas; para millennials, geração X ou baby boomers; na área digital, em comunidades online ou com presença física. Todas merecem o nosso respeito pelo trabalho que desenvolvem, sobretudo em regime pro bono. Com foco na aprendizagem, na partilha e na colaboração, com um espírito win-win. A verdadeira riqueza destas estruturas é o somatório de interações que se promove entre mulheres reais, da sua diversidade, das suas histórias de vida e experiências. Tornando acessíveis casos de sucesso, partilhando dificuldades e insucessos para se desmistificar verdadeiramente o que é a liderança e do empreendedorismo no feminino.

Foi exatamente a pensar nesta lógica de comunidade que a iniciativa Women in Business (WinB) desenhou a sua Conferência para o Dia Internacional da Mulher, a 8 de março, no LEAP CENTER (Amoreiras) sob o tema Economia e Prosperidade – women in business friendly cities. Cristina Ferreira, fundadora da iniciativa refere que “as cidades que queremos só acontecem com uma convergência de esforços para a prosperidade, com autodeterminação, capacitação, responsabilidade, partilha equilibrada de valor e participação direta e representativa, nas decisões que afetam a vida de cada um/a”. Assim sendo, todas as organizações acima mencionadas vão estar presentes e vão ter a oportunidade de “contar a sua história”, os seus resultados e desafios e os exemplos de boas práticas. E todos beneficiam com esta abordagem assente na inteligência coletiva. É assim a sharing economy que nos traz esta vertente tão participativa e democrática enquanto estilo de liderança.

Em jeito de síntese: não há uma receita para liderar e empreender no feminino. Há números, desafios e evidências. E existe um conjunto de pessoas e organizações que podem facilitar este processo e esta aprendizagem. O papel das networks neste processo é fundamental. O capital social ganha uma relevância imensa neste enquadramento. Estes são alguns dos ingredientes que podem fazer a diferença num percurso de sucesso de liderança e de empreendedorismo no feminino.

PERFIL| Rita Oliveira Pelica

Networker, curiosa e de espírito empreendedor,
é Chief Energy Officer & Founder da ONYOU –
Empowering & Learning Experiences, desenvolvendo vários projetos na área
da educação, facilitação e formação,
em empresas e nas Universidades, com ênfase nas competências comportamentais pessoais e sociais
(soft skills).