Licenciou-se em Biologia, na cidade de Coimbra e diz que ainda hoje faz constantemente analogias entre o comportamento animal e o humano.

Teve em tempos o sonho de trabalhar em investigação cosmética, algo que conseguiu de certa forma, numa empresa com produção. Começou como professora de ciências e na década de 90 começou a vender produtos farmacêuticos, fê-lo durante muitos anos e adorava o que fazia.

 Chegou a cargos de topo, mas o seu envolvimento era de tal modo que já afetava a sua vida familiar e decidiu, então, sair. E saiu em plena crise. Na época, pensou em constituir uma empresa de produtos de saúde, à sua imagem, ainda não era o ramo imobiliário que estava em vista, mas vivia-se a crise e teve de alienar património pessoal e com isso conheceu o mundo imobiliário, ao olhar para ele constatou que o via de uma forma diferente e começou a pensar como o poderia tornar melhor. Estava dado o primeiro passo para se lançar na área. Não se identificava com nenhuma empresa que na altura operava no mercado em Portugal até que surge a KW e Clarisse aposta. Com a formação que recebeu, passado algum tempo, percebeu que estaria pronta para arriscar. Começou como consultora porque acha que é das bases que se começa.

NÂO EXISTEM CONCORRENTES, MAS SIM PARCEIROS

A 04 nasce em parceria com um filho. Ele lida com a parte do investimento e Clarisse trata das restantes áreas da empresa: financeira e imobiliária. Agora localizados na Quinta da Marinha, em Cascais. A porta está aberta a qualquer pessoa que queira vender ou comprar casa. “Não existem exclusões nesta empresa. Todos são potenciais clientes”. A visão de Clarisse também é distinta no mercado porque para ela não existem concorrentes e sim parceiros. “Partilho os meus negócios com toda a gente e não existe no meu léxico a palavra concorrência. Somos todos parceiros uma vez que o negócio é todo em regime aberto, apenas a promoção é em exclusivo”.

O acompanhamento ao cliente é algo levado muito a sério e faz parte da abordagem ao setor. “O que é importante para o cliente é importante para nós. O nosso principal objetivo é esse”.

Com uma parceria com a Maxfinance, especializada em produtos financeiros e seguros, a totalidade da consultoria fica assegurada uma vez que a maioria dos portugueses necessitam de crédito à habitação para comprarem casa. “Ajudando no financiamento, ao procurar a melhor solução junto da banca, conseguimos que as pessoas concretizem os seus sonhos”.

“Se prestarmos um bom serviço as pessoas acabarão por nos recomendar e isso acaba por ser o melhor retorno”. Esta visão focada no cliente e orientada para os resultados é, segundo Clarisse, “o segredo para o sucesso num negócio que à partida parece simples, mas que não é fácil”.

“Se não tivermos um trabalho de rigor não vamos ter sucesso. Seja meia-noite ou sete da manhã, estou disponível. Por isso, não é qualquer pessoa que pode ser consultor”, garante.

Em fase de recrutamento, perguntámos à empresária que características procura num consultor: “têm de ser preocupados com os clientes, têm de ter uma postura muito ética, têm de ser muito resilientes, assertivos e de ter um foco”.

Hoje afirma que as pessoas têm mais importância do que as marcas “se confiar num vendedor, compro-lhe tudo. Quando estive na Indústria farmacêutica comecei a liderar pessoas e essa noção intensificou-se. Um líder é como o professor primário: ninguém esquece. Se ele tiver a capacidade de transmitir o que quer, de forma clara, tem seguidores”. Por isso, aposta muito na formação.

Aos seus colaboradores exige que tenham um conhecimento profundo do mercado imobiliário, que saibam o que é uma transação imobiliária e o que ela implica e que um mau conselho pode afetar outras vidas. Com a escolha de bons  parceiros oferece um serviço chave na mão, como: remodelação, decoração. Pretende desta forma dar o serviço mais abrangente possível, de modo a ter mais um cliente satisfeito.

 “Nunca fiz nenhum curso de neurolinguística, mas tenho uma sensibilidade apurada para as relações pessoais. Na indústria farmacêutica lidei com o rigor e imensas culturas e isso ajudou-me a fazer bem e entender pessoas diferentes”.

QUERER, APRENDER E NÃO SE DESVIAR DO FOCO

“Temos de tirar da vida as aprendizagens que ela nos vai dando, fui tendo os meus fracassos, mas foi com eles que aprendi, hoje sei que não temos só o hoje, o amanhã existe. Nunca devemos dizer às pessoas que não precisamos delas porque agora posso estar na mó de cima, mas amanhã não. Daí a minha insistência com a ética e a questão dos parceiros. Precisamos uns dos outros e não faz qualquer sentido acreditar no contrário”, diz.

“Se virmos, as pessoas mais bem-sucedidas foram aquelas que mais fracassos tiveram. Desceram um degrau e subiram dois ou três. Temos que ter a capacidade de nos reinventarmos, tal como eu, quando estive desempregada aos 50 anos, procurei algo e construí novamente o meu caminho”.

A broker afirma, para se entrar no mercado imobiliário e singrar é preciso ser competente, ter um foco, um propósito. “Se formos determinados vamos conseguir chegar lá”.