Quais têm sido os eixos estratégicos de atuação do Lispolis?

Em primeiro lugar, é sempre bom ouvir esse tipo de testemunhos, pois significa que, enquanto LISPOLIS, estamos a cumprir a nossa missão.

O LISPOLIS tem uma estratégia definida, denominada “Nova Ambição”, assente em cinco eixos: Parcerias / Redes, relacionado com a colaboração com atores estratégicos; Conhecimento, que tem a ver com a proximidade com focos de saber, como Universidades ou as próprias empresas; Empreendedorismo, muito relacionado com inovação e com a necessidade de fazer coisas novas; Investimento / Empresas, que tem a ver com a atração de empresas diferenciadas e com capacidade de crescer e atrair mais empresas; Internacionalização, não só do LISPOLIS, mas também das suas empresas.

Tendo em conta que o LISPOLIS acolhe startups, micro, pequenas, médias e grandes empresas, incluindo multinacionais, unidas por um cariz tecnológico e pela capacidade de diferenciação, é importante a proximidade às empresas, a criação de uma relação de confiança mútua e a capacidade de as apoiar no que elas necessitam e no momento em que a necessidade é sentida, seja no apoio ao desenvolvimento do negócio, no estabelecimento de contactos ou na procura de investimento.

O Lispolis integra a Rede de Incubadoras de Lisboa, a TECPARQUES – Associação Portuguesa de Parques de Ciência e Tecnologia, a Rede Nacional de Incubadoras e o IASP – International Association of Science Parks and Areas of Innovation. É também Ignition Partner da Portugal Ventures. Que desafios enfrenta atualmente enquanto parque empresarial/tecnológico?

Um dos desafios do LISPOLIS é continuar a manter a colaboração com as redes aqui referidas, assim como com as entidades que as integram de forma a manter a sua posição de parceiro no desenvolvimento de iniciativas e um ator na proposta de políticas públicas orientadas para o setor.

O LISPOLIS tem vários desafios concretos para 2018: posicionar-se como local de destino para startups e empresas tecnológicas provenientes de incubadoras ou de programas de aceleração; tornar a comunidade de empresas LISPOLIS cada vez mais cooperante (ou colaborativa) – acolhemos presentemente mais de 120 empresas que faturam mais de 100M€ / ano; melhorar os serviços de apoio às empresas, seja através do reforço de competências internas ou de parcerias – está previsto para este ano lançar a Rede de Mentores LISPOLIS; lançar iniciativas exclusivas do LISPOLIS – este ano vamos fazer a segunda edição de um concurso de ideias cujo prémio é o MVP de uma APP e vamos lançar a primeira edição de um programa de aceleração focado em ajudar negócios a passarem do modelo físico ou em loja para o digital.

Como parque empresarial / tecnológico, para além dos desafios no apoio aos empreendedores e às empresas, e esta é a principal função das incubadoras, temos que nos preocupar também com questões como continuar a garantir as condições de mobilidade no LISPOLIS – a instalação e possível expansão da Universidade Europeia veio tornar o estacionamento, algo tão vulgar, numa das nossas grandes preocupações enquanto gestores do parque a par do reforço do transporte público. Outra preocupação, e acreditamos que não é só do LISPOLIS, é continuar a investir na digitalização dos nossos serviços.

Que principais diferenças se encontram entre o panorama empresarial atual em Portugal e o momento em que o projeto Lispolis iniciou?

O LISPOLIS iniciou a sua atividade em julho de 1991, acolheu a primeira empresa em 1994, e desde então acolheu mais de 330 empresas.

Identificamos três diferenças muito significativas que ilustram bem a mudança de paradigma. Uma primeira, relacionada com as startups, e com todo o ecossistema que se construiu, e que inclui redes de incubadoras, programas de aceleração, investidores, mentores, e também uma mudança muito significativa nos objetivos dos jovens que hoje em dia frequentam a Universidade: o objetivo já não é apenas trabalhar numa grande empresa ou consultora por conta de outrem,  iniciar um negócio próprio passou também a ser uma forte alternativa de carreira ou opção profissional. A segunda diferença está relacionada com os serviços de near shore, ou seja, a deslocalização de serviços, seja porque se encontram condições mais favoráveis ou a mão-de-obra necessária noutras localizações: no LISPOLIS acolhemos empresas que fazem desta a sua atividade, existindo já casos de empresas que têm a seu cargo não a prestação de serviços de manutenção (mais comuns de serem deslocalizados) mas assegurar o desenvolvimento do core do próprio negócio. A terceira diferença é a escolha de Portugal para instalação de grandes empresas, como o caso recente da Google.

É também importante realçar que toda esta mudança começou a acontecer, pelo menos de uma forma mais consistente, em plena crise, suportada na excelência da qualificação dos nossos quadros e reforçada com a vinda do Web Summit para Lisboa, que veio definitivamente sinalizar a cidade e o país como local de eleição para acolher iniciativas empresariais. E isto era algo que não acontecia em 1991, quando se falava apenas em spin off dos laboratórios do Estado.

No âmbito da estratégia nacional para o empreendedorismo, designada de StartUP Portugal, foi incluída a medida Vale Incubação. Quais são as expectativas?

O LISPOLIS apoia presentemente dois projetos ao abrigo do programa Vale Incubação, um na área da manutenção industrial e outro na área da impressão online. A expectativa será assegurar que empresas em fase inicial possam continuar a ser apoiadas por esta medida. A expectativa do LISPOLIS é utilizar o Vale Incubação para apoiar empresas cuja atividade envolva não só o desenvolvimento de software mas também o hardware, empresas relacionadas com robótica, IoT ou prototipagem rápida, todas estas alinhadas com a nova política do LISPOLIS de atração de empresas.

O Centro de Incubação e Desenvolvimento do LISPOLIS é uma incubadora acreditada. Qual é, portanto, o seu papel?

O papel do Centro de Incubação e Desenvolvimento é idêntico ao de outras incubadoras, isto é, apoiar empreendedores e empresas através de um programa de incubação que visa o apoio ao seu desenvolvimento em diversas vertentes (mercado, financiamento, quadro legal, etc.) que está para lá da mera cedência de espaços e serviços conexos. Como incubadora acreditada, diferenciamo-nos por sermos “parceiros” da Startup Portugal – Estratégia Nacional para Empreendedorismo, que inclui medidas como o Vale Incubação (apoiámos 2 projetos em 2017), já aqui referida, e o Startup Voucher (apoiámos 9 projetos em 2017 que atingiram a fase final do programa).

Para contextualizar o nosso leitor, o que é a Rede Nacional de Incubadoras e o Vale de Incubação?

A Rede Nacional de Incubadoras é também uma medida da Startup Portugal – Estratégia Nacional para Empreendedorismo que contribui, sobretudo, para demonstrar a expressão da incubação em Portugal e permitir uma melhor articulação entre todos os que têm interesse neste tipo de atividade, sejam incubadoras ou incubados.

O Vale Incubação apoia projetos com menos de um ano na contratação de serviços de incubação prestados por incubadoras de empresas previamente acreditadas, como o Centro de Incubação e Desenvolvimento do LISPOLIS.

Por fim, de que se trata este novo Programa Start Up Visa?

Este novo programa destina-se a empreendedores extracomunitários, caracterizando-se pela concessão de um visto de residência ou autorização de residência. Os empreendedores que necessitam de ser incubados numa incubadora previamente acreditada têm de desenvolver atividades inovadoras e “internacionalizáveis”, têm de criar emprego qualificado e ter capacidade de atingir, em 3 anos, o valor de 325.000€ ou um volume de negócios superior a 500.000€/ano.