Quando foi edificado o Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA) e de que forma é que o mesmo tem vindo a contribuir decisivamente no âmbito de novos produtos, processos e serviços?

O TEMA tem procurado a excelência através da investigação e inovação de vanguarda desde 1996.

Com base no seu capital humano, equipamentos e laboratórios, o TEMA está focado em dois desafios societais, procurando contribuir para uma indústria sustentável e para o bem-estar das pessoas.

As soluções de fabrico sustentável estão focadas no desenvolvimento e na inovação em engenharia e tecnologias de produção, com aplicações industriais subsequentes. Pretende-se aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos produtos e reduzir o desperdício nos processos de produção. A estratégia sobre tecnologias para o bem-estar visa aumentar a qualidade de vida da sociedade por meio de sistemas de engenharia, focando as pessoas e as suas necessidades.

O estudo e o desenvolvimento de novos materiais e processos técnicos promove maior eficiência e sustentabilidade dos recursos. Como é que perpetuam essa dinâmica no sentido de apoiar as empresas?

O TEMA trabalha diariamente com empresas. Neste momento temos mais de 40 projetos em colaboração, que vão desde as PMEs até às grandes empresas. O problema, normalmente, não é o “fazer o trabalho”, é o “quem paga?”. O desenvolvimento de novos materiais e processos é muito caro. Por vezes as empresas, especialmente as PMEs, não dispõem de recursos, quer financeiros, quer humanos. Nós temos uma solução: o TEMA dispõe de uma equipa de profissionais que desenvolve o projeto, faz a candidatura e obtém o financiamento via fundos nacionais ou europeus. Cerca de 50% dos trabalhos de I&D feitos no TEMA são dedicados a empresas.

Em que áreas é que atuam? Existe alguma vertente que tenha maior preponderância na dinâmica da instituição? Se sim, qual e porquê?

Dou-lhe dois exemplos:

Hoje em dia a poluição da água tornou-se um dos problemas mais graves do mundo, com escassez de água potável ameaçando a sustentabilidade de um número cada vez maior de comunidades. Em 2016, investigadores do TEMA desenvolveram um material que usa grafeno para a remoção de metais pesados ​​de águas contaminadas. É de fácil preparação e de baixo custo. O protótipo foi avaliado em comparação com produtos de carvão ativado comercialmente disponíveis para remoção de mercúrio. Sob as mesmas condições experimentais, o material por nós desenvolvido mostrou uma melhoria na eficiência de remoção, permitindo alcançar concentrações residuais de mercúrio cerca de 21 vezes menores do que aquelas obtidas por outros processos.

Noutro projeto, investigadores do TEMA projetaram e patentearam um novo conceito de bateria que tem o potencial de conseguir armazenar energia à escala industrial, com baixos custos, alta densidade de energia e maior segurança do que as soluções disponíveis. O novo sistema de bateria de estado sólido é extremamente estável, seguro e tem uma densidade de energia específica 40% superior às atuais.

Que análise faz deste setor em Portugal? O que ainda falta para que a vertente do investimento em investigação e inovação seja maior e mais preponderante?

Não acho que hoje o investimento em investigação e inovação seja pequeno em Portugal. Pelo contrário, estamos a conseguir captar financiamento das empresas, dos fundos regionais e europeus, etc. Acho que o que falta é dar utilidade à imensa quantidade de investigação que já se faz. Nós procuramos fazê-lo. Sem descurar a investigação fundamental que também é necessária, envidamos todos os esforços para que a investigação seja direcionada para um produto, para uma aplicação que seja útil a alguém.

Como analisa o Centro de Tecnologia Mecânica e Automação a ligação com o universo empresarial? As empresas já compreenderam a importância do «Saber» para o seu crescimento?

As empresas já procuram o saber das Universidades e dos Centros de Investigação há muito tempo. É um mito pensar que os Investigadores estão dissociados do “mundo real”. Só nos falta chegar a todos; mas há muitas empresas e pessoas que já estão convencidas.

O que podemos continuar a esperar do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação?

O nosso lema é “procurando a excelência e o impacto através da investigação e inovação desde 1996 para as pessoas”. Contem com isso!.

O TEMA tem o apoio dos projetos UID/EMS/00481/2013-FCT e CENTRO-01-0145-FEDER-022083