Se há cerca de uma década atrás apenas 10% dos portugueses que sofriam de incontinência urinária procuravam ajuda, hoje este número é maior, principalmente em meios urbanos, onde os pacientes procuram tratamento meses após se começarem a queixar. “Tal significa uma melhor perceção das possibilidades de tratamento e da sua facilidade atual. Já não se pensa que é uma fatalidade que a idade traz e com a qual temos que viver”, refere Dr. Luís Miguel Abranches Monteiro.

De facto, existe tratamento para solucionar este problema, a começar pelo estilo de vida que deve ser saudável e não sedentário, o que ajuda em muito a contornar um dos tipos de perda de urina, que é mais frequente na mulher e “depende da boa função dos músculos do pavimento pélvico que dão rigidez no momento em que se praticam esforços. Quando estes músculos estão deficientes, as pessoas perdem gotas de urina ao tossir ou espirrar”, explica o especialista, que aponta que nestes casos a reabilitação muscular é a chave.

Há contudo outro tipo de incontinência, que se deve à má regulação do normal reflexo da micção. Luís Miguel Abranches Monteiro explica o caso: “em condições normais, a bexiga emite informações ao cérebro sobre o seu estado de plenitude e este, conscientemente, tenta escolher o momento socialmente aceitável para que a bexiga se esvazie. Se existir alguma perturbação deste controlo, a bexiga pode tentar esvaziar-se independentemente da vontade e produzir algum grau de incontinência.

Para conhecer o problema na primeira pessoa, o Notícias ao Minuto falou com Armandina Coelho, esteticista reformada que sofre de incontinência urinária há cerca de um ano, que procurou ajuda há cerca de cinco e começou há um mês a fazer fisioterapia pélvica, graças à qual já sente “muitas diferenças e melhorias”.

Com a fisioterapia e uma atenção ao seu dia a dia, Armandina garante que não sente limitações no seu dia a dia: “Tenho de tomar algumas precauções quando saio de casa. Vou ao WC antes de sair, para ter a bexiga vazia e vejo onde são as casas de banho do sítio onde vou”.

Para portugueses que procuram ajuda, como o referido caso, a reabilitação muscular é bastante eficaz e pode “adiar uma cirurgia durante vários anos”, garante o urologista. Mas quando estas medidas são insuficientes, torna-se importante passar à inserção de pequenas próteses artificiais que o presidente da APU define como “uma cirurgia de minutos” e de rápida recuperação, “necessitando apenas de alguns dias sem executar esforços.

A par dos medicamentos via oral – que devem ter em conta o caso específico de cada paciente, de modo a evitar efeitos secundários -, esta pequena cirurgia é o tratamento mais simples e indicado, que contrasta com tratamentos mais agressivos como botox ou estimulação elétrica, que a Deco Proteste apontou como soluções para o problema e sobre as quais o especialista refere serem “de última linha” e “muitos específicos para certos tipos de incontinência.”

Sobre as limitações que um indivíduo que sofra de incontinência tenha no seu dia a dia, Luís Miguel Abranches Monteiro aponta que “no caso da incontinência de esforço as pessoas conseguem lidar melhor com o problema” e que é nos casos de produção e perda de urina a qualquer momento que se nota grande embaraço social, devido ao qual muitos “chegam a limitar a sua vida profissional e de lazer, se não conseguirem tratamento”.

Apesar desta realidade, a paciente com que falamos garante que não tem preconceitos em relação ao seu problema e aconselha “a que todos os que têm sintomas procurar ajuda médica”, uma postura cada vez mais comum e que a APU pretende que todos os portugueses adotem, através de medidas como a Semana da Incontinência Urinária que ocorre de 5 a 11 e foi organizada em parceria com a Associação Portuguesa de Neurologia e Uroginecologia.