negociador do governo de Londres, Michael Bernier, afirmou recentemente que o acordo pode ser alcançado no próximo mês de outubro, concedendo ao Parlamento Europeu e ao Parlamento britânico tempo suficiente para a respetiva aprovação antes de março de 2019.

Por outro lado, David Davis, responsável do governo britânico para o Brexit, já admitiu em público que o prazo pode “resvalar um pouco”, mas fontes oficiais da agência Bloomberg referiram “em privado” que o acordo vai atrasar-se até janeiro do próximo ano.

Na quinta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que o Reino Unido deve apresentar “soluções reais” referindo-se objetivamente às posições de Londres sobre a questão da fronteira na Irlanda.

Para Tusk, o governo britânico deve “evitar o estabelecimento de uma fronteira na Irlanda” e o afastamento da província do mercado único após a saída da União Europeia.

Donald Tusk reuniu-se em Dublin com o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, a quem disse que todos os líderes da União Europeia, sem exceção, “estão contra a existência de uma ‘fronteira física'” que pode vir a prejudicar o processo de paz e as economias da República da Irlanda e da província britânica da Irlanda do Norte.

“O Brexit é uma questão que diz respeito aos 27 países, incluindo a Irlanda e o Reino Unido, e não afeta apenas a Irlanda e o Reino Unido”, sublinhou Tusk criticando todos os que pensam que a posição de Dublin pode impedir o avanço das negociações.

O governo de Theresa May insiste que “todo o país, incluindo da Irlanda do Norte, deve abandonar a união alfandegária e o mercado único após o Brexit” apesar de manter aberta e inalterada a atual fronteira entre a província e a República da Irlanda.

Se Londres não apresenta “soluções reais” para ultrapassar este objetivo, Bruxelas propõe que a província britânica se mantenha dentro dos espaços económicos para manter a livre circulação entre os dois territórios, uma questão que é encarada como vital para o processo de paz.

Na semana passada, May rejeitou a opção proposta por Bruxelas o que levou Tusk a recordar que a falta de clareza por parte de Londres pode impedir que se venham a conseguir “progressos substanciais” na segunda fase das conversações sobre o Brexit.

Varadkar agradeceu o apoio aos líderes da União Europeia e assinalou que a opção de Dublin é a adequada para evitar o estabelecimento de uma fronteira.

“Tudo isto obriga o governo do Reino Unido a fornecer mais detalhes. Mesmo assim, temos de ter a certeza de que se a melhor opção não é realizável tem de ser aplicada a opção que prevê manter a Irlanda do Norte alinhada totalmente com as regras do mercado único”, acrescentou o dirigente democrata cristão irlandês.