A mulher conta que assistiu juntamente com o irmão ao assassinato de Luther King, em 4 de abril de 1968, mas que nunca o revelaram porque a sua mãe incentivou-os a não o fazerem, para poderem viver uma vida normal.

Rhonda tinha apenas oito anos quando o pai lhe perguntou se queria ir com ele conhecer o o famoso líder pela luta dos direitos civis. O homem era músico e ia tocar naquela dia o tema ‘Take My Hand, Precious Lord’ para Luther King, em Memphis, no Tennessee.

Antes que isso pudesse acontecer, Luther King acabaria por ser assassinado a tiro, enquanto discursava na varanda do Lorraine Motel.

“Foi traumático, porque depois de ser alvejado só se via sangue. Não conseguíamos mexer-nos, com toda a gente que estava à volta a tentar fotografar e a polícia a tentar investigar”, começa por revelar a mulher, que diz que ela e o irmão passaram perto de seis horas sentados no carro, sem conseguir reagir, após o incidente. O susto fê-los esquecer “da fome e do cansaço”.

“O nosso pai não parava de vir ao carro para perguntar como estávamos e a tentar manter-nos calmos. Mas ele não podia sair dali, porque estavam a interrogá-lo”, acrescenta, lembrando que a caminho de casa foram mandados parar várias vezes para serem identificados.

O momento, recorda, foi traumático, motivo pelo qual também quis tentar esquecê-lo e não o quis partilhar com o mundo. Lembra, porém, as últimas palavras do ativista, dirigidas ao seu pai: “Quero que toques o Precious Lord como nunca o fizeste antes. Toca-o de forma muito bonita”.

Segundo o Daily Mail, não há provas de que Rhonda e o irmão estivessem no local do crime naquele dia, mas existe uma fotografia em que o pai dos dois surge a ser interrogado pela polícia.