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“A construir o mundo” é o lema da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. Que aspetos se destacam no trabalho que a FAUL tem vindo a desenvolver?

A nossa principal característica é a formação através do Projeto no 1.º e 2.º ciclo, onde os conhecimentos adquiridos em todas as disciplinas são aplicados na conceção de objetos que podem ir desde a escala da mão à escala do território.

A instituição dispõe, neste momento, de licenciaturas em Design e Design de Moda e mestrados em Design de Comunicação, Design de Produto e Design de Moda. Para além disso, possui dois mestrados integrados, em Arquitetura e em Arquitetura, com especialização em Interiores e Reabilitação do Edificado.

No caso do mestrado integrado em Arquitetura, existem duas opções de especialização – a Arquitetura ou o Urbanismo, escolha é feita somente ao nível do 2.º ciclo, em vez de logo no momento do ingresso. Este modelo proporciona aos estudantes 3 anos para amadurecer as suas preferências e escolher a sua área de especialização – no 2.º ciclo – tendo já experienciado diversas escalas. Paralelamente, está na forja a criação de outras especializações, em áreas emergentes da formação de Arquiteto. 

Hoje, que desafios se colocam a uma escola que, a par da posição a nível nacional, importa destacar-se, igualmente, a nível internacional?

João Cottinelli Monteiro, Diretor da FAUL

A FAUL tem vindo a implementar estratégias indutoras de sucesso que já deram excelentes resultados e que a colocam no pódio das escolas mais atrativas nas áreas que leciona, tanto a nível nacional, como internacional. Exemplo disso são as dezenas de alunos estrangeiros que frequentam a faculdade, provenientes de instituições de ensino superior de todas as partes do mundo, com as quais a instituição detém protocolos de intercâmbio e mobilidade e que a tornam a segunda faculdade mais expressiva da Universidade de Lisboa, em termos de internacionalização. A Faculdade de Arquitetura tem vindo a solidificar um perfil cada vez mais multicultural, estando a ser delineados novos acordos que mundializam a faculdade, que permitem a captação de novos públicos, tendo sempre como objetivo fomentar a cooperação e o diálogo com congéneres internacionais. 

Também é uma referência no que diz respeito à produção de investigação especializada e interdisciplinar. Este é um pilar importante para a escola, mas também o é para a sociedade no geral. Quando falamos de uma ponte entre o conhecimento científico e o universo empresarial, o que falta fazer em Portugal?

Uma das grandes apostas da FAUL é a de formar profissionais capazes de trabalhar com a sociedade portuguesa, contribuindo para o aumento do seu potencial de inovação, competitividade e exportação. Nesse sentido, temos fomentado o desenvolvimento de projetos finais e de dissertações científicas, em colaboração com entidades públicas e privadas, apoiando deste modo o empreendedorismo e a criação de oportunidades futuras para os alunos. Desta forma, a FAUL tem trabalhado diariamente para o estabelecimento de parcerias com entidades públicas e privadas, como é o caso do protocolo com a CM.Lisboa, que consiste no levantamento das ruas do Bairro Alto, para depois ser feito o seu estudo morfológico, ficando os alunos inseridos em equipas pluridisciplinares.

No entanto, em termos de política nacional, não podemos deixar de referir o enorme retrocesso legislativo da profissão de arquiteto, que estende a inúmeros técnicos “projetistas”, que não são arquitetos, o exercício do ato do Projeto. Isso falta fazer, enquadrar a profissão com base na qualificação e na formação contínua.

As universidades portuguesas têm obtido classificações positivas nos rankings internacionais. As classificações refletem, de facto, o ensino superior em Portugal?

Muito pela aposta na internacionalização por parte das Universidades portuguesas, hoje estamos nos principais rankings internacionais para o Ensino Superior e investigação científica. Seja pela qualidade da produção científica ou do ensino, as universidades portuguesas finalmente aprenderam a comunicar para fora o nível de excelência que sempre tiveram. 

A Universidade de Lisboa (ULisboa) é a instituição portuguesa com melhor classificação no ‘ranking’ de Leiden 2017, ocupando a 117.ª posição entre 902 universidades a nível mundial no que diz respeito à produção científica. É importante captar sinergias para continua a subir neste prestigiado ranking?

Claro que sim, e vamos subindo porque temos o melhor Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design do país, com uma equipa coesa e plural de 402 membros investigadores (171 permanentes e 231 colaboradores).