melhor forma de descrever a epopeia da qual Turim foi esta terça-feira palco é ter a consciência de que daqui a várias décadas os grandes amantes do futebol vão recordar a obra-prima a que todos assistimos com… saudade. Tudo porque um génio, daqueles que o mundo do futebol se orgulha de revelar, ainda que muito raramente, voltou a provar que não há impossíveis e que, de facto, tem o nome gravado a ouro no trono da história do desporto rei. Sim, falamos de Cristiano Ronaldo, o herói da vitória (0-3) do Real Madrid sobre a Juventus, que uma vez mais surpreendeu tudo e todos com uma exibição monstruosa, permitindo à sua equipa começar praticamente a pensar no… sorteio das meias-finais da Liga dos Campeões.

A história brilhante de mais uma noite europeia pintada com as iniciais de CR7 começou a ser escrita logo aos 3′ minutos, quando Isco ofereceu o melhor do Mundo a oportunidade de iniciar o reforço da sua onda de recordes. Buffon, o mais mítico guardião de todos os tempos, voltou a render-se ao português, que, por seu lado, se tornou o primeiro jogador a marcar em 10 jogos consecutivos na história da Champions, superando Ruud Van Nistelrooy, e logo em tempo recorde.

Além do golo mais rápido de Ronaldo na competição, nunca nenhuma equipa tinha conseguido chegar ao golo tão cedo (166 segundos) na condição de visitante da Juventus em partidas a contar para a liga milionária. No entanto, esta era apenas a primeira pincelada de um artista que viria ainda a revelar uma das suas maiores obras. Quando a equipa mais precisava, uma vez que a Vecchia Signora pressionava em busca do empate, o craque português voltou… a voar. Carvajal cruzou no lado direito e Cristiano Ronaldo, entre os defesas italianos, ‘deu ao pedal’, ‘sacou’ uma bicicleta e deixou o estádio (incluindo Zidane)… de mãos na cabeça.

Um golo daqueles que vai perdurar para sempre na história do futebol, que será visto e revisto pelos mais novos e que baterá todos os máximos de visualizações na internet. O prémio Puskás tem agora, no mínimo, o mais forte candidato. Buffon, esse histórico das balizas, provou novamente o ‘veneno’ do melhor do Mundo. Ao todo, são já oito as vezes que viu o português ‘destruir’ o seu ‘templo’. Os 119 golos na Liga dos Campeões conferem-lhe o estatuto de rei dos goleadores para quem se multiplicam… as vénias.

Foi o que o público de Turim fez. De pé, os adeptos da ‘Juve’ aplaudiram o brilhantismo de Ronaldo e deixaram claro que, felizmente, ainda existe sinceridade, reconhecimento e gratidão nesta modalidade que move multidões. Até ao final, o capitão da Seleção Nacional ainda assistiu Marcelo para a sentença final e fez tremer o público de Turim com duas oportunidades flagrantes para assinar o hat-trick. Contudo, o mais importante estava conseguido. Depois desta noite astronómica em Itália, mais nenhum jogador tem mais vitórias do que Cristiano Ronaldo na Champions (98, tal como Iker Casillas).

O Real Madrid, por seu lado, mantém bem vivo o sonho do ‘tri’, e consequente conquista da 13.ª Champions, enquanto CR7 vai demonstrando jogo após jogo que, independentemente das preferências, das críticas ou até de certas tendências ‘anti’, como disse um grande senhor um certo dia, “já não tem adversários, apenas testemunhas”.