“O conhecimento foi sempre o principal elemento diferenciador dos indivíduos na sociedade”

Esta é a visão de Carla Galrão. Uma mulher que tem a formação como algo constante na sua vida. Esta é uma mulher que conquistou espaço para ter tudo: uma família e um percurso profissional consolidado. Conheça-a na primeira pessoa.

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Que história pode ser contada sobre o seu percurso marcado pela participação em vários cargos públicos (que até agora variou entre cargos relacionados com a política e de ação social)?

A minha primeira ligação ao setor social aconteceu em 2006 quando integrei os corpos sociais de uma IPSS no cargo de Vice-Presidente da Direção, lugar que ainda hoje ocupo nesta Instituição. À política local cheguei um pouco mais tarde, precisamente, nas eleições autárquicas de 2013, onde fui eleita para a Assembleia Municipal. No ato eleitoral de 2017 continuei ligada à politica autárquica, agora como Presidente de Assembleia de Freguesia. Ao nível da política partidária, sou vogal na Comissão Política Concelhia de um partido político, já tendo integrado os gabinetes autárquico e de estudos desta secção concelhia. Sou também catequista e, pela segunda vez, presidente da direção da organização de um evento lúdico cultural de grande visibilidade na minha região.

Na sua opinião, o mundo do trabalho ainda é discriminatório face às mulheres? Pessoalmente, lidou com algum tipo de preconceito?

Creio que o mundo do trabalho é hoje menos discriminatório em relação às mulheres, notando-se que a condição das mulheres no mundo tem vindo a mudar e a registar avanços significativos nas últimas décadas, como é o caso dos níveis qualificacionais e de educação e, igualmente, de uma participação mais ativa na sociedade e no mercado de trabalho. No entanto, continua a existir alguma discrepância na distribuição uniforme de papéis e de poderes entre o homem e a mulher. Sinto que na política, por exemplo, ainda que esteja a crescer o número de mulheres a ocupar cargos políticos, a sua representação neste setor continua longe do homem, além de que, os lugares de topo no poder político continuam a pertencer ao domínio masculino.

A sua formação académica é também diversificada uma vez que é licenciada em Engenharia Zootécnica, mestre em Sociologia (variante Recursos Humanos e Desenvolvimento Sustentável) e tem uma pós-graduação em Gestão de Instituições Sociais e outra em Comunicação e Marketing Politico. Atualmente, continua em formação?

Comecei a minha formação académica superior pelas ciências agrárias, no entanto, a integração na ação social e na política autárquica fez crescer em mim a vontade de adquirir novos conhecimentos nas áreas das ciências sociais e políticas a fim de reunir mais competências e maior capacidade de intervenção enquanto autarca e dirigente no setor social. Atualmente, continuo em formação, frequentando um doutoramento na área das ciências sociais e uma pós-graduação em gestão autárquica.

Que papel considera que a formação desempenha numa carreira de sucesso?

O conhecimento foi sempre o principal elemento diferenciador dos indivíduos na sociedade. É através do saber que o homem se destaca, quer no exercício da sua atividade profissional, quer na participação cívica enquanto cidadão ativo com intervenção na comunidade envolvente. Uma carreira de sucesso depende, indiscutivelmente, das competências adquiridas pela formação.

Além de toda uma vida profissional bem-sucedida, casou e teve dois filhos. Como foi conciliar a maternidade com a carreira?

Para conciliar a vida profissional com a atividade pública, os estudos e a família é imperativo ter uma grande força de vontade, um enorme espírito de sacrifício e trabalhar muito. Naturalmente que tudo isto só começou a ser possível quando os filhos se tornaram mais autónomos.

Atualmente trabalha na empresa Rações Galrão, S.A. Quais são as suas principais funções?

Nas empresas familiares todos temos de ser mais ou menos polivalentes, no entanto, as minhas principais funções são o apoio técnico à produção e o setor financeiro. 

Que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres que vão ler a sua entrevista?

Digo-lhes que a afirmação da mulher no mundo empresarial, na política ou no dirigismo associativo passa pela demonstração da sua competência, capacidade de trabalho, espírito de liderança e de empreendedorismo e inovação. Não são movimentos de rua que resolvem as questões de género, mas sim ações concretas que evidenciem as capacidades das mulheres para integrarem um mundo que outrora pertencia aos homens.