A LISBONLAW surge no mercado alicerçada em valores como proximidade e agilidade. Sentem que estas eram as principais lacunas que careciam de atenção?

VFC: A Lisbonlaw surge de uma iniciativa informal, com quatro pessoas com uma perspetiva comum do direito e numa ótica de criar uma marca que se diferenciasse no mercado. Vínhamos todos de grandes sociedades e entendemos que tínhamos experiência e conhecimento para traçarmos o nosso próprio caminho, com ideias diferentes das que existem no mercado. Proximidade e agilidade, porque queremos oferecer aos clientes alguma informalidade na comunicação connosco, mas também mais rapidez de resposta. A agilidade tem a ver com a nossa estrutura que é pequena, tornando-se por isso mais fácil dar uma rápida resposta aos problemas dos clientes.

PG: Por vezes é mais difícil numa grande estrutura dar resposta rápida às solicitações dos clientes, e esse é um dos pontos em que nos tentamos diferenciar. Gostamos de nos sentir como uma espécie de departamento jurídico “in-house” dos nossos clientes.

 

Tendo por base as competências e experiência profissional dos sócios da LISBONLAW, qual será, certamente, o papel do escritório no mercado? De que forma se irá diferenciar?

VCF: O nosso escritório alia a agilidade e a proximidade com uma equipa de advogados com currículos com mais de dez anos em grandes sociedades, onde assessoraram diversas operações de clientes nacionais e internacionais. E o facto de sermos relativamente novos é interessante para quem, estando na mesma faixa etária, está a começar o seu negócio. Percebemos que os clientes se sentem mais à vontade no contacto, aliás poucas pessoas ligam para o telefone fixo, a maior parte liga-nos diretamente para os telemóveis.

Hoje, a LISBONLAW é já consultora permanente de alguns grupos económicos e empresas de diferentes setores. Que posição já assumem nacional e internacionalmente?

VFC: 20 a 30% da nossa faturação provém de clientes estrangeiros ou de capital estrangeiro, o que é interessante para uma estrutura recente, continuando estes valores a crescer, felizmente, de uma forma continuada.

O facto de serem uma sociedade de advogados recém-criada é uma mais-valia ou acarreta mais desafios devido ao mercado atual da advocacia?

PG: Nunca sentimos desafios maiores por sermos mais novos. Penso que o maior desafio foi o de “dar a conhecer” o escritório e dizer que estamos no mercado, ou seja, o desafio foi todo ele numa vertente comercial, obter uma carteira de clientes que nos permitisse começar a trabalhar e, posteriormente, crescer de forma contínua.

 

São um escritório de Advogados que atua com especial enfoque nas áreas de Societário, M&A, Imobiliário, Laboral, áreas em que se verificou um crescimento significativo em 2017. O mesmo acontecerá este ano?

VFC: Societário, M&A, Imobiliário e Laboral são as áreas que queremos desenvolver porque são as mais ligadas à realidade diária das empresas. E é aí que queremos estar porque mais de 90% dos nossos clientes são sociedades comerciais, que estão a crescer e por isso com necessidade de apoio jurídico. Acreditamos que são áreas que vão continuar a crescer este ano, razão pela qual fizemos crescer a equipa recentemente e devemos voltar a fazê-lo ainda este ano.

Sente-se que o interesse e o investimento em Portugal tem crescido, muito devido aos Golden Visa. Mas há quem defenda que esse investimento poderia melhorar se os Golden Visa tivessem “um processamento rápido ao nível do que fazem os países que concorrem connosco”. Qual é a sua opinião?

PG: Os Golden Visa começaram com um processo relativamente rápido e eficiente. No entanto, com o número de processos a aumentar mas, especialmente, com os problemas judiciais relacionados com os Golden Visa, todo o procedimento se tornou mais demorado. Independentemente da questão da demora nos processos, julgo que seria importante clarificar o que acontecerá aos investidores Golden Visa no final dos cinco anos de duração do programa. Uma vez obtido o visto de residência permanente, bastará a estes investidores serem detentores do visto permanente por um ano para, posteriormente, conseguirem a nacionalidade portuguesa? O problema reside neste momento na decisão que o Governo irá tomar relativamente a este tema uma vez que só agora temos investidores a chegar a esta fase. Um Golden Visa requer que a pessoa esteja no mínimo sete dias por ano em Portugal num período de cinco anos. Por outro lado, a lei da nacionalidade determina que está habilitado a obter nacionalidade portuguesa quem resida em Portugal há pelo menos seis anos. Ou seja, o detentor do Golden Visa – que apenas tem que estar em Portugal sete dias por ano – vai poder considerar o referido período de cinco anos para efeitos de obtenção de nacionalidade Portuguesa? A maior parte dos clientes tem o objetivo de obter a nacionalidade portuguesa, porém, neste momento, esta situação não é clara.

Portugal é hoje uma realidade muito diferente e que voltou a merecer a confiança sustentada dos investidores. Os indicadores económicos e de confiança são suficientemente positivos?

VFC: Diria que sim, Portugal alia uma série de características muito positivas mesmo para países tão estáveis quanto o nosso, mas que têm um nível de vida mais caro. Particularmente quanto ao imobiliário, consideramos que ainda há espaço para crescer por comparação com outras cidades europeias.