Segundo os dados do relatório do Comité de Ajuda Pública ao Desenvolvimento da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em 2017, a APD atingiu a soma de 146.600 milhões de dólares (quase 120.000 milhões de euros), valor que 0,6% abaixo do que foi concedido em 2016.

Os dados indicam que Portugal aumentou a APD de 0,17%, em 2016, para 0,18%, em 2017 – um aumento de 343 milhões de dólares (279 milhões de euros) para 378 milhões de dólares (307 milhões de euros) — abaixo da média dos países doadores, que se situa nos 0,31% do RNB.

Em termos absolutos, a APD teve um ligeiro recuo em relação a 2016, mas, se se tiver em conta as despesas de 2017 em favor dos refugiados (14,2 mil milhões de dólares — 11,6 mil milhões de euros), igualmente em baixa de 13,6%, o APD propriamente dito sobre um pouco (1,1%), indica o relatório.

Em 2017, com 26 mil milhões de dólares (21,1 mil milhões de euros), os países menos avançados (PMA) receberam mais 4% do que no ano anterior, obtendo, porém, uma parte minoritária (30%) do envelope global.

Os fundos destinados ao continente africano, por seu lado, aumentaram 3%, atingindo os 29 mil milhões de dólares (23,6 mil milhões de euros).

Da parte dos doadores, e em volume financeiro, os Estados Unidos são o país que mais dinheiro disponibilizaram, com 35 mil milhões de dólares (28,4 mil milhões de euros), à frente da Alemanha (24 mil milhões de dólares — 19,5 mil milhões de euros), Reino Unido (18 mil milhões de dólares — 14,6 mil milhões de euros), Japão (11,5 mil milhões de dólares — 9,35 mil milhões de euros) e França (11,3 mil milhões de dólares — 9,2 mil milhões de euros).

Em relação ao Rendimento Nacional Bruto (RNB), a generosidade dos países altera totalmente a classificação.

Apenas a Suécia (1,01%), Luxemburgo (1%), Noruega 0,99%), Dinamarca (0,72%) e Reino Unido (0,7%) atingiram os 0,7% do RNB tal como definiram as Nações Unidas para que se concretizem os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODS).

Foi nesse sentido que o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, ao apresentar os resultados, insistiu no facto de a APD “ainda não ser suficiente”.

“Os países doadores devem aproveitar o atual período de crescimento económico para intensificar os esforços e assegurar que a ajuda chegue aos países mais necessitados, uma vez que o APD é a forma mais rápida de se manter a estabilidade e o crescimento inclusivo”, sustentou.

LUSA