Com o clima de tensão na Síria a um nível sem precedentes, Donald Trump utilizou a rede social Twitter para afirmar que os mísseis “estão a chegar à Síria”, deixando um aviso a Moscovo.

Depois de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas que chegou ao fim sem entendimentos entre Washington e Moscovo, Estados Unidos e Rússia continuam a trocar acusações relativamente à guerra na Síria, nomeadamente sobre o alegado ataque com armas químicas em Douma, que causou dezenas de mortos.

Trump, com o apoio do Reino Unido e da França, prometeu uma resposta, cuja iminência é cada vez maior, como confirmam os últimos tweets do presidente norte-americano.

“A Rússia diz que vai abater qualquer míssil disparado contra a Síria. Prepara-te, Rússia, porque eles estão a chegar, suaves, novos e ‘inteligentes’. Não deviam ser aliados de um animal assassino que mata o seu povo com gás e desfruta com isso”, escreveu Trump.

Donald J. Trump

@realDonaldTrump

Russia vows to shoot down any and all missiles fired at Syria. Get ready Russia, because they will be coming, nice and new and “smart!” You shouldn’t be partners with a Gas Killing Animal who kills his people and enjoys it!

Entretanto, um porta-voz do ministério russo dos Negócios Estrangeiros disse que o lançamento de mísseis contra a Síria poderá ser uma forma de os Estados Unido destruírem provas relativamente ao alegado ataque químicos. Para além disso, disse a mesma fonte citada pela Associated Press, os “mísseis inteligentes deveriam ser utilizados conta terroristas e não contra um governo legítimo”.

Cerca de 40 minutos depois do tweet em que Trump praticamente anuncia o lançamento de mísseis contra a Síria, o presidente norte-americano deixou uma possibilidade de trégua no ar: “vamos parar com a corrida ao armamento?”.

Donald J. Trump

@realDonaldTrump

Our relationship with Russia is worse now than it has ever been, and that includes the Cold War. There is no reason for this. Russia needs us to help with their economy, something that would be very easy to do, and we need all nations to work together. Stop the arms race?

“A nossa relação com a Rússia está pior do que nunca, e isso inclui os tempos da Guerra Fria. Não há razão para isto. A Rússia precisa da nossa ajuda para a sua economia, algo que seria bastante fácil de fazer, e precisamos que todos as nações trabalhem em conjunto. Vamos parar com a corrida ao armamento?”, escreveu Trump.

Esta terça-feira, a Rússia afirmou que não vai tolerar um ataque contra a Síria e, nesse sentido, o embaixador russo no Líbano, Alexander Zasipkin, garantiu que qualquer míssil disparado contra o regime de Bashar al-Assad será intercetado. No entanto, esta resposta de Moscovo não parece ter surtido qualquer efeito em Trump, que, com o seu tweet, dá a entender que a intervenção militar vai mesmo acontecer e que, além disso, a Rússia não terá capacidade para interceptar os mísseis lançados.

A Síria e a Rússia negam o ataque químico atribuído ao regime de Assad, e já mostraram disponibilidade para receber a  Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), para que seja averiguada a utilização deste tipo de armamento. No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que 500 pessoas revelaram sinais de exposição a químicos tóxicos após o ataque de sábado em Douma

O clima de tensão é de tal modo elevado que a Eurocontrol, organização europeia de segurança na navegação aérea, emitiu um alerta de aviação civil para possíveis ataques aéreos.

Em abril de 2017, recorde-se, Donald Trump bombardeou uma base militar da Síria na sequência de um ataque com gás sarin perpetrado pelo regime de Bashar al-Assad. Já na passada segunda-feira, outro aeroporto militar sírio foi alvo de um ataque, atribuído a Israel, que causou pelo menos 14 mortos, entre eles sete iranianos. O Irão é, ao lado da Rússia e do Hezbollah libanês, o maior aliado de Assad na região e há muito que Tel-Aviv e Teerão vivem numa ambiente de constante ameaça, o que contribui para o agudizar de uma guerra na Síria onde várias potência mundiais combatem entre si.