De génese gaulesa, a Eurofins Scientific comemorou o ano passado três décadas de existência, assumindo-se como um grupo internacional líder na área de laboratórios, e que oferece um vasto portefólio ao nível de vertentes distintas, tais como alimentos, produtos farmacêuticos, testes ambientais, entre outros. Em Portugal a marca está presente desde 2005, ano em que se começaram a realizar os primeiros projetos de co-incineração no país. Se existe uma característica marcante da Eurofins, essa assenta na constante necessidade e vontade em promover e fomentar o crescimento.

Esse mesmo plano de expansão da Eurofins em Portugal levou a marca a apostar em Paredes, em 2015, numa dinâmica que tem tido resultados bastante positivos. Mas qual é o foco da Eurofins Lab Environment Testing Portugal? Assumidamente o grande fito passa pela análise de fibras totais e de amianto em ar e materiais, “ou seja, procuramos analisar os materiais de construção para verificar se existe ou não amianto nos mesmos”, esclarece a nossa entrevistada.

A busca pelo amianto é, portanto, o principal core da marca em Portugal, mas não só, pois existe também um departamento, uma business unit, que assume a responsabilidade das vendas de serviços analíticos na área de ambiente de outros laboratórios do grupo. “Procuramos fazer a ligação entre o mercado nacional e os laboratórios do grupo em amostras de solo, de água, entre outros e acabamos por usar a imensa oferta que temos no seio do grupo para dar uma resposta personalizada ao mercado nacional”, assume Helena Varela, revelando que esta área de negócio existe desde 2012, “ano em que desenvolvemos este departamento, que nutre de alguma autonomia”.

Salienta ainda o facto de não haver legislação nacional relativa à prevenção da contaminação e remediação dos solos que faz com que sejam escassos os laboratórios em Portugal, com experiência na oferta deste tipo de análises e, portanto, a Eurofins posiciona-se como um interlocutor chave nessa área com ofertas analíticas exclusivas como o TerrAttesT® e apoio com o know-how existente dentro do grupo.

O Amianto e os perigos para a saúde pública

O amianto, devido às suas propriedades, como a elevada resistência a altas temperaturas, teve no passado numerosas aplicações, nomeadamente na indústria da construção, encontrando-se presente em diversos tipos de materiais como telhas de fibrocimento, gessos, tintas, vedantes, cabos elétricos, estuque e até nos próprios pavimentos.

Assim, o amianto é uma realidade concreta em Portugal e vai continuar a ser, mesmo que o mesmo esteja proibido desde 2005. Uma das grandes questões, passa pela inexistência de legislação específica de controlo dos materiais de construção, ao contrário do que acontece
noutros congéneres europeus, que assumem um controlo rigoroso ao nível da utilização dos materiais de construção, como por exemplo em França. “Em Portugal esse controlo não existe por escassez dessa legislação e assim o nosso laboratório não está dimensionado para dar resposta ao mercado nacional, mas sim ao europeu”, assevera a nossa entrevistada.

Desta forma, é legítimo afirmar que o que se pretende do Eurofins Lab Environment Testing Portugal segue a estratégia do próprio grupo Eurofins, ou seja, assenta na vontade e necessidade em possuir centros de competências com capacidade para receber amostras com escala para dar essa tal resposta ao mercado internacional, europeu, e não ao local. “Se fosse para o mercado português não teríamos este laboratório porque a quantidade de análises de amianto aos materiais de construção é extremamente diminuta.

Temos de compreender que em Portugal o modus operandi passa pela análise das fibras totais, em filtros de ar e não das fibras de amianto. Isso faz-se através de uma técnica mais acessível, ou seja, por microscopia ótica e não microscopia electrónica de transmissão”.

Mas haverá atualmente perigo para a saúde pública? Recusando-se a confirmar tal afirmação, Helena Varela assume, contudo, que as fibras de amianto são de facto prejudiciais à saúde, existindo diversas patologias que podem advir da respiração das fibras de amianto. “Não sei qual o impacto no nosso país ao nível de doenças e mesmo de taxa de mortalidade, mas que existe risco, isso sim. Temos de apostar mais no controlo”.

Eurofins – Inovação no ADN

Que não subsistam dúvidas, o quotidiano da marca passa por testar vida. Assumidamente, a Eurofins é um líder mundial que tem a inovação no seu ADN e que permite uma contínua e incessante vigilância, tendo criado, ao longo dos anos, um sentido de rigor e transparência tal que sabemos que podemos confiar nas diretrizes da marca de origem francesa. Basta perceber que a Eurofins partiu do desenvolvimento científico para estar na frente no âmbito do desenvolvimento de tecnologia que promova a segurança alimentar, sendo que a estratégia seguinte assenta no desenvolvimento e evolução. “O nosso grande foco passou sempre por juntar os melhores, não tanto em dimensão, mas ao nível do talento de técnicas de análise especializadas. Queremos sempre potenciar o desenvolvimento e a inovação, no sentido de aportarmos uma capacidade inequívoca de resposta aos grandes produtores e empresas, num curto espaço de tempo.

O universo dos laboratórios em Portugal

A aldeia global em que atualmente vivemos promove mudanças e mutações constantes, por vezes diárias, o que obriga a uma atenção diferente e a um foco sustentado em estratégias fortes. O universo dos laboratórios não escapou a essas alterações, sendo que é legítimo afirmar que houve uma mudança de paradigma nos laboratórios a nível mundial. “Hoje os laboratórios não são, ou não podem ser, aquele laboratório clássico em que o técnico recebe a amostra e emite também o relatório final. Este modelo desapareceu, até porque começou a ser dada uma maior relevância à organização dos laboratórios e à eficiência dos mesmos, que tem sido cada vez mais dimensionada”, revela a nossa interlocutora, assumindo que esta mudança também passa pelo consumidor que hoje é mais exigente e informado. “Hoje queremos respostas céleres e não queremos esperar por um resultado de uma análise. Isto só é possível se otimizarmos processos de forma completamente diferente em relação ao passado. E, portanto, esta é uma realidade que está a chegar a Portugal, embora atrasada, mas está a chegar e a provocar mudanças bastante acentuadas e visíveis. A automatização é uma realidade atual e assim estamos a industrializar o processo laboratorial, realidade que em Portugal só agora começa a dar os primeiros passos.

Sendo um país exíguo, em Portugal existem imensos laboratórios, realidade que cria dificuldade de escala. Nesse contexto, para a nossa interlocutora, “muito vai mudar e acontecer ao universo dos laboratórios no nosso país. Temos necessariamente que  aumentar a escala de atuação dos laboratórios, e acredito que a mudança nesta área começa a acontecer, o que pode  provocar  dissabores em alguns laboratórios em Portugal, principalmente os mais pequenos”, afirma, convicta.

Mas pode a Eurofins ganhar algo com essa realidade? “Sem dúvida. Na Eurofins o desiderato passa sempre por querermos que os melhores façam parte desta estrutura e o nosso crescimento passa também pela aquisição ou fusão, pelo crescimento orgânico e mesmo pela criação de start ups e daí que em Portugal estejamos a aumentar a nossa presença em novas áreas, nomeadamente em serviços analíticos no setor agrícola (agro testing) e alimentar”, assevera Helena Varela que não tem dúvidas que esta mudança de paradigma vem promover a seleção e, eventualmente, o fim de alguns laboratórios, principalmente daqueles que não souberam acompanhar a inovação.

Portugal é talento e crescimento

“Claramente a ideia da Eurofins em Portugal é continuar nesta senda de crescimento”, afirma convicta Helena Varela, lembrando que Portugal não está apenas na moda na área do turismo. “Após a última crise económica que passámos, conseguimos ter a capacidade de mostrar e demonstrar que temos talento e que somos eficazes e altamente competitivos, e a própria Eurofins olha para nós de uma forma diferente, tendo a noção que somos pessoas competentes e capazes de crescer, tendo em Portugal um foco para continuar a promover o seu desenvolvimento e evolução”, conclui Helena Varela, managing director da Eurofins Lab Environment Testing Portugal.