Por Felicidade Santiago, Médica especialista em dermatologia pediátrica do Centro Hospitalar de Leiria

Na consulta de dermatologia pediátrica, os pais frequentemente questionam sobre três temas: cuidados de higiene e hidratação, dermatite das fraldas e fotoproteção.

O marketing da cosmética infantil, excessivo e apelativo, contribui muitas vezes para criar mais dúvidas.

O bom senso deve imperar, e os conselhos aqui descritos não constituem normas obrigatórias, devendo ser adaptados à realidade de cada família e a cada caso individual.

  1. Higiene e hidratação

A periocidade do banho varia com a idade, clima, e ambiente ao qual a criança está exposta. Para recém-nascidos e crianças pequenas, o banho completo poderá realizar-se cada 2-3 dias, mas com uma higiene diária da região das fraldas, pescoço, mãos e cara.  As crianças mais velhas poderão necessitar de um banho diário, sobretudo se brincarem ao ar livre ou em áreas públicas. A duração ideal do banho deverá ser inferior a 15 minutos (em recém-nascidos e crianças pequenas inferior a 5 minutos), usando um produto de higiene suave com um pH igual ou inferior a 7, bem tolerado e agradável.

Os banhos prolongados ou perfumados, com água muito quente e sabões muito ativos, podem provocar secura e irritação. Alerta-se, que os óleos de banho tornam a superfície da banheira escorregadia e perigosa.

Em crianças com peles normais não se justifica o uso de produtos especiais para o banho e o melhor produto é aquele que agradar à criança e aos pais.

Relativamente ao uso de champôs, nos primeiros meses de vida pelo facto do cabelo ser curto e frágil , pode usar-se o mesmo produto para o corpo e cabelo, e posteriormente, um champô suave que não provoque ardor nos olhos da criança.

Após o banho, sugere-se a aplicação imediata de um hidratante para combater a pele seca. Esta recomendação torna-se obrigatória nas crianças que sofrem de dermatite atópica.

  1. Prevenção da dermatite das fraldas

A região das fraldas é uma zona muito vulnerável a irritações, por constituir um ambiente quente e húmido, e pelo contacto frequente com urina e fezes. Deve estar sempre limpa e seca, e para tal é fundamental a muda frequente de fraldas; deixar secar ao ar algum tempo (nem sempre fácil, há quem aconselhe secador no ar frio); uma boa higiene, com água morna, loções ou óleos de limpeza recorrendo a algodão ou compressas. Podem ainda ser utilizados cremes barreira ou pastas (à base de óxido de zinco, titânio e amido), contudo se a pele for normal, o seu uso por rotina não é necessário. O recurso a toalhetes deve ser excepcional, pois podem provocar irritação.

Se a irritação na região das fraldas se mantiver ou agravar, a criança deverá ser avaliada em consulta para optimizar o tratamento.

 

  1. Fotoproteção

A fotoproteção em idade pediátrica passa antes de tudo pelo respeito das horas de exposição solar, evitando as 11-17 horas (deverá ser feita em alturas em que a sombra de um indivíduo é superior ao seu tamanho); uso de roupa adequada (escura e não molhada), chapéus que cubram a pele e óculos escuros; e ingestão frequente de água durante os períodos de exposição.

Antes do primeiro ano de idade, não se aconselha a exposição direta ao sol. Até́ aos 3 anos deverão usar-se fotoprotetores com filtros inorgânicos (minerais), que não são absorvidos. O protetor solar deverá ser aplicado em quantidades adequadas  nas áreas expostas, 30 minutos antes da exposição e a re-aplicar de 2-2 horas e após o banho. O seu uso não deve servir para aumentar a duração da exposição solar.

Nestas idades é essencial brincar ao livre, mas de forma segura, programando as atividades para a manhã ou fim de tarde, e em áreas de sombra. Sabe-se que a queimadura solar na infância aumenta o risco de cancro de pele em idade adulta.

 

(Para mais informações sugere-se consulta do site  www.spdv.pt e www.apcancrocutaneo.pt)