Enquanto International Business Advisor, João Faria respondeu-nos a algumas questões sobre o paradigma atual da internacionalização. Será que o crescimento de uma organização e a sua estratégia, passam, inevitavelmente, pelo processo da internacionalização? O nosso entrevistado responde que não. A internacionalização não tem de ser forçada. É algo que acontece naturalmente, é um estágio de evolução e de maturidade de uma organização e, inclusive, tem de existir um DNA para esse processo. “Há um conjunto de questões que, inclusive, levanto nos meus workshops que devem ser tidas em conta. Temos de fazer perguntas como “será que esgotei o mercado nacional?”, “tenho dimensão para internacionalizar?”. As empresas têm de ter noção que para internacionalizar têm que ter uma resiliência financeira de, pelo menos, quatro anos. Se não tiver dimensão, segurança ou estrutura interna suficientes não devem dar este passo”, começa por referir João Faria.

O PAPEL DO STRATEGY ADVISOR

Para João Faria é fulcral que as organizações respondam, igualmente, a outras questões. “Temos de perceber se fazemos a diferença no país onde estamos, para onde queremos ir e, sobretudo, se o nosso portefólio por si só e a nossa oferta de produtos e serviços marcam e vão marcar a diferença. Que modelo adaptar e que parcerias fazer. Tudo tem de ser ponderado. São questões que devem ser respondidas antes do processo de internacionalização”, explica o nosso entrevistado.

Considerando que possa ser uma voz dissonante, João Faria acredita que a maior parte das empresas não têm que dar prioridade à internacionalização, têm é de se adaptar à realidade e necessidades atuais do mercado onde operam. “Aí, quando perceber que tenho o meu mercado dominado e estofo para crescer é que analiso a possibilidade de internacionalizar. Temos de esquecer a ideia de que se uma organização não se internacionalizar não é bem-sucedida. É uma questão de adaptação e estratégia”, afirma o nosso interlocutor que também viu uma oportunidade de mercado em Portugal, concretamente em Sintra, e a qual não passaria pelo processo de internacionalização, mas sim pelo processo de adaptação à realidade do mercado português atual.

João Faria abriu um negócio onde a cultura e história do nosso país se aliam ao comércio e oferta de produtos diversificados e diferenciadores: o Celeiro Popular. Ao longo da sua história (desde 1952) o Celeiro Popular, sempre foi um ponto de encontro onde se potenciam os sabores tradicionais de Portugal. Hoje é um local de excelência para uma verdadeira experiência gastronómica onde se reinventam os sabores tradicionais de Portugal, numa verdadeira galeria de arte.

Mais uma vez, a internacionalização não é um passo obrigatório para o crescimento de uma empresa. E mais. É preciso perceber a diferença entre internacionalizar e exportar. “São conceitos diferentes, com custos e dimensões diferentes e com riscos diferentes. É um debate interno de uma organização que precisa de ser mediado e bastante ponderado”, afirma o nosso entrevistado. É neste âmbito que se enquadra o trabalho de João Faria como International Business Advisor.

OS DESAFIOS DA INTERNACIONALIZAÇÃO

Estará o tecido empresarial português preparado para este processo de internacionalização? O que é que implica este processo? João Faria explica que há um conjunto de players que falam em internacionalizar sem nunca terem saído do país. Recolhem todas as informações e dados que são necessários, mas existem coisas que têm de ser vividas. As questões culturais e sociais, as diferenças e os impactos locais nos negócios envolvem uma vivência de longa duração no país de destino. “É aqui que me quero posicionar. Apoiar os empresários e ajudar as empresas a viver esta experiência imprescindível que faz a diferença para o processo de internacionalização”, acrescenta João Faria para quem humildade, aqui, é a palavra de ordem. “Temos de saber olhar para as oportunidades de internacionalização e perceber que não podemos ir sozinhos. Isso implica estudar o país de destino e o que vamos fazer nesse mercado”, explica o nosso entrevistado.

“Faz sentido empresas portuguesas irem para o mesmo mercado concorrer ou faz sentido as empresas irem para o mesmo mercado complementarem-se?”, questiona João Faria. “Isto é algo que os empresários portugueses ainda não fazem, aproveitar as mais-valias das parcerias”, diz-nos.

“Quando internacionalizamos não temos de ter obrigatoriamente a ideia de que vamos liderar, mas sim enriquecer um parceiro que já existe e complementar uma oferta nesse mercado. É por aqui que as empresas portuguesas deveriam ir”, conclui o nosso entrevistado.

A internacionalização implica preparação, a todos os níveis, estado de espírito (aceitar desafios, empreendedorismo) e, acima de tudo, maturidade.