Quem é Anabela Teixeira e de que forma é que nos pode caraterizar o seu percurso profissional, tendo sempre em linha de conta as principais vitórias e os momentos menos bons?

Anabela Teixeira é uma profissional da Banca angolana, comecei o meu percurso profissional no BCI- Banco de Comercio e Indústria. Foi uma grande escola, visto que era integrado por uma equipa de Bancários com bastante experiência, profissional e pessoal, fiz parte da equipa fundadora do Banco BAI, depois integrei o BESA- actual Banco Económico, onde me encontro até hoje com a função de Diretora Coordenadora. Principais vitórias: ter sido gerente da melhor Agência BESA, ter atingido o objetivo de abertura de trinta Agências em um ano, enquanto Directora da Rede Comercial garantindo cobertura nacional, ser convidada a gerir uma área de controlo do Banco Económico, após uma longa trajetória em áreas de negócios, e, tem sido uma experiência gratificante. Momentos menos bons, processo de saneamento do BESA.

Num mercado de trabalho onde as questões ligadas à liderança e à gestão de talentos são cada vez mais fulcrais, que características indicaria como sendo fundamentais para um líder e gestor de pessoas?

O líder deve ser uma referência a seguir, trabalhando lado a lado, buscando motivar e apoiar a equipa no desenvolvimento pessoal de cada um.

Um líder deve saber ouvir, enxergar as pessoas para além do técnico/profissional, saber que cada um tem as suas ambições e frustrações pessoais, e que vivemos em uma sociedade globalizada. portanto, não estamos imunes aos seus problemas.

Como a Anabela Teixeira como líder? Que aspetos considera reunir que lhe perpetuam uma dinâmica de líder inovador e democrático?

Considero-me uma líder muito próxima da equipa. gosto de interagir, aceito opiniões/sugestões, e partilho o meu conhecimento e experiências. À parte disso, sou bastante exigente e perfecionista.

A desigualdade do género assume-se como um obstáculo à evolução. Durante a sua carreira, alguma vez sentiu ou enfrentou obstáculos pelo simples facto de ser mulher?

O setor financeiro em Angola é composto maioritariamente pelo género feminino. Ainda assim, os lugares de topo são ocupados maioritariamente pelo género masculino, penso que esta questão merece reflexão. Este é um processo que temos estado a acompanhar. No entanto, já estivemos pior, se tivermos em conta os fatores culturais, que no passado posicionaram a mulher para os trabalhos domésticos, a maternidade e a educação dos filhos.

Existe uma pressão política para a proteção e ascensão do género feminino, mas ainda temos um caminho a percorrer. Ainda assim, existe a necessidade de mudança de mentalidade de ambos os géneros.

Graças a Deus, encontrei sempre espaço para pensar, opinar e trabalhar, isto é, sem dúvida, o grande catalisador para a minha motivação e crescimento, tanto pessoal como profissional.

Liderança no Feminino ou Masculino ou ambas? Acredita que existe alguma diferença no estilo de liderança única e exclusivamente baseada no género?

Pessoalmente defendo a liderança no feminino, sem desvalorizar os grandes líderes que tive a oportunidade de conhecer/trabalhar e outros que leio e sigo as suas diretrizes. A mulher tem o instinto materno, lidera com amor, com emoção, transmite segurança, empatia, enfim, características muito particulares do género feminino, e que as pessoas nos dias de hoje sentem falta. A mulher foi feita para liderar, desde o lar e a sociedade em geral, muitas vezes defendo sob pretexto dos amigos, que o “mundo deveria ser governado pelas mulheres”, a todos os níveis, com certeza não teríamos os problemas de desigualdade social que hoje vivemos.

Mais uma citação:  “A mão que embala o berço, é a mão que embala o Mundo”. Mulheres…

O que falta, na sua opinião, para que a igualdade de oportunidades seja cada vez mais uma realidade?

Claramente é a mudança de mentalidades de ambos (feminino e masculino). a mulher já provou que pode realizar todo o tipo de tarefas com brio e profissionalismo. Volto a realçar que é um processo gradual, o seu resultado depende das sociedades, fatores culturais, etc., umas já estão mais evoluídas do que outras, vamos chegar lá.

Sendo a Diretora Coordenadora de um Banco angolano, que análise perpetua desta dinâmica do poder feminino no país? O que ainda falta para dar o passo seguinte?

É um desafio, os homens muitas vezes querem mostrar o seu lado “macho”, entretanto na minha instituição já somos algumas mulheres em lugar de liderança. pessoalmente, em trabalho, não olho para o género, defendo as minhas ideias sem olhar para este fator, naquele momento sou a profissional que tem opinião própria.

Na sua opinião, o que ainda falta para que as mulheres tenham ainda mais voz?

Na minha opinião o que falta é percebermos que temos voz e somos livres de usá-la. Ninguém tem o poder de retirar-nos o conhecimento uma vez adquirido.

De futuro, o que podemos esperar de si e quais serão os seus grandes desafios?

Uma profissional melhor a cada dia, buscando sempre a energia divina, para continuar a trabalhar com zelo e dedicação, poder ser um exemplo de determinação, superação e humildade.