Quando foi edificada a Rio-a-Dentro e como é que a marca tem vindo a perpetuar um percurso assente na qualidade, rigor e excelência?

A Rio-a-Dentro surgiu através de um projeto pensado por dois irmãos: Rui e Luís Domingos. Nasce em 2011, mas trata-se de um projeto que já levava alguns anos de pesquisa e trabalho, digamos que foi sendo sonhado e trabalhado desde os finais dos anos 90. É algo que foi devidamente planeado e desenhado para o nosso rio Tejo, na zona da nossa aldeia, o Escaroupim, Salvaterra de Magos. Escolhemos este troço porque o conhecemos desde crianças. Foi com o nosso avô José Tomás que aprendemos a amar e a respeitar este rio. O nosso avô era um pescador Avieiro, alguém que respeitava e conhecia o rio como ninguém. Com ele descobrimos todos os seus recantos. Era um prazer navegar rio a dentro e ouvi-lo falar do rio. Contava histórias e mais histórias, falava das plantas, dos peixes, das aves, dos lugares, tudo tinha um nome e uma história para contar. Foi através dos seus “olhos” que descobrimos este rio maravilhoso, cheio de vida e paisagens únicas. E é desta forma que o damos a descobrir aos nossos clientes, “através dos seus olhos e das suas palavras”.

Como operador marítimo-turística de renome, como é que a Rio-a-Dentro promove o rio Tejo?

A Rio-a-Dentro sente que tem duas responsabilidades, que só aparentemente são muito simples: dar a descobrir, mas, sobretudo, preservar o rio Tejo. Enquanto pessoas acreditamos que a “natureza está primeiro” e enquanto operadores acreditamos que a nossa atividade empresarial reflete isso mesmo. Promovemos e criamos produtos que respeitam estes princípios éticos. Produtos baseados na descoberta, nas potencialidades e na preservação da natureza e do rio.

Embora esteja a menos de 50 minutos de Lisboa, poucas são as pessoas que conhecem o rio Tejo. As suas margens são de difícil acesso e, para além de alguns pescadores, poucos são aqueles que por cá andam. É um rio desconhecido e “quase selvagem”, mas bem preservado. Um rio cheio de vida ao longo de todo o ano.

Em que outro lugar se podem ver ilhas, canais secundários, praias, margens verdejantes com uma fauna e uma flora luxuriante, com milhares de aves e cavalos que pastam livremente pelas ilhas? Na voz de alguns dos nossos clientes, é “um autêntico paraíso” que, como todos os potenciais paraísos, tem de ser cuidado e preservado a todo o custo.

Que género de ofertas possui a marca para todos aqueles que pretendem conhecer melhor as belezas do Rio Tejo?

Na Rio-a-Dentro os nossos produtos têm sempre como base a natureza, somos e gostamos de ser uma empresa “amiga do ambiente”. O nosso produto padrão é o “Passeio de Natureza Rio-a-Dentro”, com uma duração de 2h30, em que percorremos entre 15 a 17 km, por canais secundários e troços mais pequenos do nosso Tejo. Vamos vendo a fauna e flora, vamos observando bem de perto as muitas aves e cavalos que nesta altura do ano nidificam ou habitam. Embarcamos sempre no cais do Escaroupim, passamos pela Ilha das Garças, onde nidificam sete espécies diferentes, (Colhereiro, Ìbis-preta, Garça-cinzenta, Garça-branca-pequena, Garça-boieira, Garça-nocturna e Garça-laranja), passamos pelas Ilhas dos Cavalos, onde se podem ver os cavalos em liberdade, a vila ribeirinha de Valada e pelas Aldeias Avieira da Palhota e do Porto da Palha.

Oferecemos, ainda, produtos para públicos mais específicos. É o caso dos observadores de aves e dos fotógrafos, pessoas com quem aprendemos muito e com quem adoramos trabalhar. Sem esquecer os “Programas Escolares e ATL” especialmente desenhados para Crianças. Adoramos dar-lhes a descobrir este rio maravilhoso e único que é o rio Tejo.

O rio Tejo é o maior rio da Península Ibérica e um dos mais importantes do país, quer do ponto de vista ambiental quer ao nível económico. Na sua opinião, crê que estamos a aproveitar bem e a potenciar as valias do rio Tejo?

O rio Tejo é o típico segredo que está escondido à vista de todos. É um rio ainda quase selvagem, porque teve a sorte de ter ficado esquecido. Um local onde o desenvolvimento económico do país passou ao lado e talvez tenha sido essa a sua sorte. Ainda hoje, no século XXI, poucas são as pessoas que se encontram quando nele navegamos. Se hoje ainda temos toda esta riqueza é porque o acesso ao rio sempre foi de uma alguma forma controlado. E pensamos que essas são as suas mais-valias que devemos preservar. Tudo o que se possa fazer no rio deve ter em conta a sua preservação. Só esse tipo de investimento e desenvolvimento deve ser bem-vindo.

Todo o progresso e desenvolvimento económico que o rio terá deve ter sempre em conta o seguinte: se é necessário fazer, como vai a natureza reagir?

Que lacunas ainda identifica e que na sua opinião urgem dar resposta?

O rio Tejo é o último terço navegável e onde chegam as marés. Um dos maiores dramas é o assoreamento em algumas zonas como no cais do Escaroupim, onde ficamos sem acesso ao cais na maré vazia.

Preocupa-nos a proteção ambiental e da vida selvagem. Urge criar em lei “zona de proteção especial” às muitas aves que por cá vivem. Há que deixar espaço para a natureza. Há que devolver às margens as zonas de proteção e replantar árvores. Estes corredores ecológicos são fundamentais para o desenvolvimento saudável, não só dos mamíferos como para das aves. Há que regulamentar e definir as atividades turísticas que no rio. O rio Tejo não comporta mais empresário sanguessugas, focados em retirar dividendos do rio, sem olhar a meios. Precisamos urgentemente de uma visão de futuro. Um olhar amigo do ambiente que traga investimentos positivos, mas que, sobretudo, cuide deste rio e o ame.

Quais são os grandes desafios da marca para o futuro?

Como qualquer outra empresa, o nosso maior desafio é crescer para garantir a nossa sobrevivência. Queremos crescer como até aqui, de forma sustentada e amiga do ambiente. Queremos continuar a liderar na promoção e na proteção do nosso rio Tejo. Precisamos de criar os meios para receber os nossos clientes (e todos os que cá venham em visita) com dignidade. Vamos continuar a desenvolver a nossa aldeia, o Escaroupim.

Quando uma empresa tem peso e dimensão, tem os meios para poder influenciar o desenvolvimento turístico local na direção certa. O futuro do rio Tejo passa pelo turismo de natureza, baseado na proteção do rio, da fauna e da flora local. E a Rio-a-Dentro tudo fará para ser um exemplo na proteção e desenvolvimento local. De outra forma não vale a pena.

Escolher a Rio-a-Dentro para conhecer o Rio Tejo é…?

Navegar Rio-a-Dentro é ficar a conhecer um troço do rio cheio de vida, rio quase selvagem, com pouca presença humana e que estranhamente fica a menos de 60km de Lisboa. É acima de tudo descobrir o rio Tejo com Guias que sabem o que estão dizer. Guias que conhecem os locais, as historias e a história do rio. E isto só é possível, porque conhecemos o rio desde crianças. (Por cá andamos com o nosso avô Tomás.) Com a Rio-a-Dentro, vai ficar a conhecer aves e plantas com quem as conhece. Vamos poder navegar por canais secundários por entre salgueiros e juncos. Vamos descobrir as ilhas das Garças, a a ilha dos Cavalos entre outras. Vamos poder observar e fotografar bem de perto aves e mais aves de muitas espécies diferentes. Não podemos esquecer os cavalos que vivem pelas ilhas em total liberdade. Vamos conhecer as Aldeia e Vilas Ribeirinhas. E no Verão vamos poder tomar banho nas muitas praias desertas e tudo isto sem pressas e stress. São 2h30 que passam a correr. Conhecer o Rio Tejo não se consegue ao andar de barco pelo meio.