A M. Ramos colabora com empresas dos países de Língua oficial Portuguesa e em Espanha com empresas de avaliação que atuam em todo o país. Que importância assumem as parcerias para as organizações nos dias de hoje?

São fundamentais. Hoje temos de estar abertos ao mundo. A globalização não é algo só dos telejornais, é um novo paradigma. Preparamo-nos para isso e temos tido bons resultados.

Garantem serviços independentes e rigorosos, sendo que as avaliações imobiliárias são realizadas de acordo com as normas internacionais de avaliação. Que outros fatores têm contribuído para a solidificação e diferenciação da M. Ramos?

A formação, a ligação à Universidade e a prática do dia a dia. Estudamos todos os dias e temos dado cursos um pouco por todo o mundo. Por curiosidade, acabamos de receber cinco alunos da Universidade Autónoma da Baja Califórnia, que vieram, com uma bolsa de estudo do Ministério da Educação, fazer a sua Tese sobre avaliação de bens singulares – cada um com um caso diferente, desde imóveis históricos a zonas com águas termais e locais de interesse ambiental. Foi muito bom para todos. Aprendo sempre muito com os alunos. Não foram os primeiros e, se Deus quiser, não vão ser os últimos.

Maria Ramos é engenheira e desde muito nova que está no mercado de trabalho. O facto de ser uma profissão que até há bem pouco tempo era dominada pela presença masculina representou um obstáculo para si?

Não. E o facto de ser mulher não foi fundamental no meu desenvolvimento profissional. Em 1983 concorri a um lugar de Especialista Internacional em Desenvolvimento Urbano para um Banco e um professor – nessa altura frequentava um curso de Economia Europeia, na Católica – a quem disse que ia faltar a um exame porque ia Washington por causa das entrevistas, avisou-me: “não pense em ficar com o lugar, porque é muito nova, é mulher e é portuguesa”. Fui, não tinha aplication form, nem “proteção” de ninguém e fiquei em primeiro lugar.

Ah! Não vale a pena dizer: a primeira pessoa a quem telefonei foi a esse professor.

Tenho sido preterida, mas por outras razões. Não por ser mulher. Os meus melhores amigos são os meus colegas, as minhas melhores amigas são as mulheres dos meus colegas e o meu marido é meu colega e sócio, há 40 anos.

É cada vez maior o número de mulheres que ocupam lugares de liderança e de chefia nas empresas. Mas ainda falta um longo caminho a percorrer para chegarmos à igualdade de género?

Sabe? Sempre achei que éramos iguais. Iguais em dignidade, direitos e deveres. Quando tenho dificuldade em “acompanhar” alguém vou fazer mais um curso. Evidente que nunca serei um Einstein ou uma Marie Curie – e um foi homem e o outro, mulher -. É tão bom ser mulher!

Que desafios acarreta um cargo com funções de topo? Esses desafios são maiores pelo facto de ser mulher?

Os desafios são sobretudo porque estão repletos de responsabilidades. Alguém que tem funções de topo tem a seu cargo a “comida” da sua casa e a “comida” da casa das pessoas com quem trabalha. Tem a seu cargo o “serviço” para os clientes, para a sociedade em geral. A gestão de uma empresa é uma grande responsabilidade. Seja ela pequena ou grande. Claro que numa grande empresa muita coisa funciona por arrastamento e torna-se mais fácil.

Quanto aos desafios serem maiores pelo facto de se ser mulher, não me parece. O que a mulher tem são outras atividades paralelas que também são de grande responsabilidade: casa, filhos, pais, marido, amigos, etc.