O Surf das nossas vidas

O surf faz parte da minha vida. Não sou um grande surfista, nem tão pouco sou um praticante muito assíduo. Contudo, resolvo escrever sobre surf, não porque pretendo partilhar os ensinamentos da disciplina, que de resto domino menos bem, mas por aquilo que o ritual de pegar na prancha e ir para as ondas me tem ensinado.

461

Todos sabemos que sendo o surf um desporto individual, o processo de decisão não é partilhado. Estou sozinho na água e é exclusivamente minha a decisão de apanhar uma determinada onda, executar as manobras que considero serem as melhores para que, no final, possa concluir que fiz uma boa onda, tive uma boa performance. Se isto não parece ser muito relevante para um surfista como eu, extrapolado para o surf de competição, dita sumariamente a diferença entre vencer ou perder.

Quando estou na água, sentado na prancha, perscrutando o horizonte à procura de mais uma onda, tenho os meus momentos de reflexão, só meus, não partilhados com ninguém. É aqui que nascem muitas das decisões que tomo na vida, a forma como encaro as responsabilidades profissionais que diariamente tenho de gerir.

Depois vem o momento da partilha. Porque, ao contrário do surf, no trabalho tenho uma equipa que é minha e à qual pertenço. Aqui é o espaço de expor as ideias, debater pontos de vista, questionar, duvidar, testar e, no final, decidir qual a onda que queremos apanhar e quais as manobras que vamos executar “para que, no final, possamos concluir que fizemos uma boa onda, tivemos uma boa performance”.

É claro que não é necessário fazer surf para poder ter momentos de reflexão, treinar os processos de decisão, pôr em prática os projetos que acreditamos serem os melhores. Já direi que é fundamental parar, em determinadas alturas, com regularidade, e fazer uma reflexão sobre o modo como conduzimos as nossas vidas e que impacto causam as nossas decisões em tudo o que nos rodeia, pessoas, resultados, meio ambiente.

O “não ter tempo” para definir estratégias eficazes, duradouras e sustentadas significa limitarmo-nos a apanhar ondas pequenas, com pouco potencial, e executar manobras que não têm grande valor. Significa viver na mediania, pontuar a meio da tabela. E os competidores, o mercado, não se compadece de resultados fracos.

No surf, como em tudo na vida, apenas vencem aqueles que definem um plano, o executam, falham, aprendem e executam de novo. E desse processo alimentam a sua Resiliência.

Boas ondas!