Podologia é uma palavra não muito comum no léxico académico e até à data apenas uma faculdade, no norte do país, tem um curso dedicado a esta ciência responsável pelo estudo, diagnóstico e tratamento do pé. No entanto, a sua importância começou a ser notada pela Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha, que abre este ano letivo o curso de Podologia.

Ao longo dos anos a Podologia tem vindo a evoluir, fruto da contínua aposta dos seus profissionais na formação, assim como, devido ao avanço das novas tecnologias, permitindo novos métodos de diagnóstico e de tratamentos, tornando assim a Podologia numa área da saúde altamente especializada e diferenciada em que os seus profissionais actuam nas mais diversas áreas. Assim quando falamos de Podologia, falamos de saúde, a dos seus pés.

De forma genérica a Podologia pode ser definida como o ramo das ciências da saúde que tem por objectivo o estudo e a investigação, assim como a prevenção, diagnóstico e o tratamento das patologias do pé.

Cuidados, patologias e causas

A saúde do pé começa a ganhar relevância em Portugal segundo os nossos entrevistados, que explicam que mesmo assim, ainda existem cuidados básicos que têm de ser relembrados como a questão da higiene e a escolha adequada do calçado.

“Nesta época do ano, a ausência de protecção do pé é um factor a ter em consideração pois pode desencadear um conjunto de alterações prejudiciais ao pé. A hidratação adequada do pé deve ser um hábito diário pois a pele é a primeira barreira protectora do pé ”, completa João Martiniano.

As micoses (dermatomicose referente à pele) são uma das patologias mais frequentes e no caso das unhas (Onicomicose) dependendo da afectação destas, o tratamento pode demorar de alguns meses a quase um ano. “Muitas vezes o problema prende-se com o facto de os pacientes apresentarem já uma grande destruição da unha”, alerta João Martiniano.

“O Verão é mesmo a altura mais crítica pois os pacientes procuram tratamentos milagrosos e de resolução rápida mas isso não existe”, explica Joana Silva.

Cuidados como secar muito bem o pé, em especial entre os dedos, evitar repetir o mesmo calçado todos os dias, mudar diariamente as meias, preferindo fibras naturais em vez das sintéticas são hábitos que devem ser incutidos. No verão, com o tempo mais quente, há uma tendência, em especial nas mulheres em utilizar calçado mais aberto, levando ao aparecimento de desidratação assim como de patologias inflamatórios do sistema músculo-esquelético. O calçado deve ser um aliado e nunca um inimigo!

“De um modo geral as pessoas não sabem escolher o calçado. A componente estética é a que prevalece e isso é um grave erro”, refere o especialista.

Existem diferentes patologias e por isso diferentes abordagens nos tratamentos a aplicar e estes devem ter em consideração algumas características individuais como a idade, o estilo de vida ou até mesmo a profissão. Um paciente geriátrico, em regra tem mais dificuldade, ou mesmo impossibilidade, em alcançar os pés, como tal os tratamentos efectuados e prescritos devem ter em conta essa particularidade.

Nas crianças, o diagnóstico e o tratamento precoce do pé é fundamental para assegurar um crescimento correto e prevenir o aparecimento de alterações funcionais e estruturais, que muitas vezes são estas que estão na base das queixas não só do próprio pé como também ao nível do membro inferior e região lombar.

O desporto também é um excelente exemplo da importância que o pé tem no rendimento e saúde do atleta. Nestes casos a preocupação do Podologista vai direccionada essencialmente para duas situações. Por um lado temos o estudo e avaliação do atleta sob ponto de vista do rendimento e performance desportiva e por outro lado a questão das lesões e a influência que o pé tem no aparecimento destas quando estas não são no próprio pé. Dai a importância da Podologia em equipas multidisciplinares.

Quanto aos pacientes geriátricos os principais problemas que nos surgem nas consultas são as alterações estruturais como a sobreposição dos dedos, dedos em garra assim como diminuição da “almofada” adiposa na região plantar, em que nalguns destes casos o tratamento cirúrgicos não estão indicados, havendo a necessidade de se recorrer a calçado com modificações específicas, ortóteses digitais e suportes plantares personalizados ao pé de modo a reduzir a dor e a reverter alguma falta de mobilidade.

O manter da mobilidade é importante não só neste tipo de paciente como é também em quadros de patologias sistémicas como é o exemplo da Diabetes. Nos diabéticos é fundamental o cuidado com os pés em especial nos diabéticos que já apresentam alterações da sensibilidade (neuropatia) e ou diminuição da circulação periférica (insuficiência vascular). Nestes casos consultas periódicas e regulares de Podologia são necessárias para que uma simples situação de calosidade ou unha encravada não se possa transformar num quadro infeccioso de difícil resolução e que entre outras coisas pode causar o aparecimento de úlceras e de amputações.

O aconselhável, de acordo com os dois podologistas, é que se visite pelo menos uma vez por ano um especialista, no caso de não sofrer de nenhuma patologia como o pé diabético.

Actualmente existe uma maior concentração de Podologistas no Norte de Portugal pelo facto de até ao momento a Instituição formadora destes Profissionais estar sedeada precisamente nesta região do País. Neste sentido e pelo facto de existir uma enorme procura Podologistas não só em instituições privadas como também no Sistema Publico em especial para trabalharem em equipas multidisciplinares na área do Pé diabético, a Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa entendeu ser oportuno e uma mais valia ampliar a sua oferta formativa com a Licenciatura de Podologia.

 Assim, pela primeira vez abrirá um curso destes em Lisboa, algo que só foi possível actualmente devido ao aumento de doutorados e mestres  no país, um dos requisitos necessários para se obter a autorização da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior.

Esta será uma licenciatura, com unidades curriculares transversais às diferentes áreas da saúde, em que “À medida que vamos avançando nos anos diminuem a Unidades Curriculares Base e vão aumentando as que são mais específicas para a formação de um profissional em podologia”, elucida João Martiniano.

“Este curso será cimentado e terá uma estreita colaboração com a Universidade de Sevilha, em que está preconizado o intercâmbio de professores e alunos”, avança o professor.

Em termos de saídas profissionais, o futuro podologista poderá, trabalhar de forma autónoma nas suas próprias clinicas ou em clinicas/hospitais privados, assim como no sistema de saúde públicos.

No próximo ano letivo é esperada uma boa adesão ao curso de Podologia, uma vez que, além do renome da instituição, os professores são profissionais de saúde com uma vasta experiência e altamente formados a nível nacional e internacional.