Por um lado, a indumentária individual expressa inquestionavelmente a personalidade própria, promovendo-a. Em contrapartida, com o uso de uniformes há menos “rivalidade” entre crianças e jovens e como tal, menos necessidade de usar as roupas “certas”. Assim sendo, em escolas onde o uso de uniforme é obrigatório, há muito menos bullying. Por este motivo, apresentamos aqui a história de sucesso da Colex S.L. uma empresa de confeção situada no país vizinho que duplicou a capacidade e as vendas em apenas ano, através de uma compreensão clara das necessidades dos clientes, oferecendo vestuário personalizado e mantendo o ritmo dos investimentos em tecnologia.

Sob a sua forma atual, a empresa Colex Uniformes, SL (colexuniformes.com), com sede em Moncada i Reixac / Barcelona, foi fundada em 2005. Em 2016 foram fabricados mais de 200.000 uniformes, sendo este valor ultrapassado em 2017 para as 400.000 unidades. A duplicação da produção num ano foi possível graças ao foco atribuído ao produto, ao aumento das oportunidades de venda como resultado da política comercial e à capacidade de responder através de um aumento das instalações de produção. A implementação da tecnologia certa foi a base deste passo em frente.

Como tudo começou

Apesar de ser uma empresa liderada entretanto pela terceira geração, a Colex é uma empresa muito jovem que começou praticamente do zero: Os avós confecionavam capas têxteis para TVs, dado que havia empresas naquela área que fabricavam esses televisores. A partir do momento em que as proteções de Porexan substituíram estas capas, a pequena empresa começou a confecionar casacos escolares para venda em lojas especializadas. A segunda geração deu seguimento ao negócio, abrindo uma loja de uniformes escolares, sweatshirts e outro vestuário, concentrando-se agora também na venda a retalho.

Quando a terceira geração, liderada pelo atual proprietário Xavier Colmenero, assumiu o negócio, deu a volta por cima em apenas dois anos. A Colex aumentou significativamente as suas instalações, passando de uma cave de 40m2 para uma loja de 160m2. Em 2009, foi dado o próximo passo: atualmente a empresa reside nas imediações de Barcelona, onde foram recentemente anexados dois prédios para produção, armazenamento e administração perfazendo uma área total de 1 200m2. A Colex conta agora com cerca de 90 funcionários para cobrir o volume de produção atual.

O crescimento foi rápido mas sustentado, mantendo o foco no design, qualidade de produto e venda de uniformes escolares, descontinuando a venda na pequena loja original – embora muito recentemente as atividades de venda a retalho direto tenham sido iniciadas na loja online – a Colex Online Shop.

Uma nova dimensão de uniformes escolares.

Primeiro o produto: Precisamente por ser uma empresa muito jovem, com um proprietário e gerente de renome, relembrando a sua própria experiência dos dias de estudante, Xavier Colmenero sabia que teria uma oportunidade ao lançar os uniformes com uma nova abordagem. As crianças estavam entediadas com uniformes quase idênticos em todos os lugares, e cada vez mais as escolas aspiravam a distinguir as suas próprias roupas através de elementos de personalização.

“Capturamos a filosofia da escola e transferimo-la para o uniforme alterando golas, cores e design”, referiu Xavier Colmenero, gerente e fundador da empresa na sua forma atual.

A roupa standard para os alunos em Espanha era até recentemente um casaco às ricas, calça/saia cinza, com um polo branco e uma sweater azul-marinho ou castanha, mais um agasalho. Além da linha clássica, a Colex também oferece coleções diferentes, com detalhes que as tornam únicas. A Colex começou a lançar uniformes escolares trabalhando especialmente para as escolas públicas das redondezas, uma vez que este ramo está tradicionalmente ligado a fornecedores das proximidades, havendo apenas algumas grandes empresas a trabalhar à escala nacional.

Em 2008, surgiu a recessão econômica no país, os orçamentos familiares diminuíram e muitas escolas públicas, com a intervenção de associações de pais organizadas, tornaram-se menos exigentes em termos de uniformidade. Houve por exemplo uma proliferação de Sweatshirts de 9.95€ distribuídas por lojas de desporto low-cost como a Decathlon. A Colex estava então em fase de crescimento, conquistando novos clientes e quase não foi afetada pela recessão. A empresa começou a trabalhar com agrupamentos escolares compostos por várias escolas. Um agrupamento de 3 escolas pode ter até 1 500 estudantes com alunos de diferentes províncias ou comunidades.

A extensão das vendas para além da região da Catalunha representou o próximo passo empresarial subsequente para a Colex no novo milênio. A presença em feiras e congressos foi apenas uma das várias atividades para que isso acontecesse: Atualmente a Colex SL tem clientes em todas as províncias espanholas, incluindo as Ilhas Canárias, e também vende para o mercado externo. Na Guiné Equatorial, estabeleceu contatos com a França e países latino-americanos, onde Xavier Colmenero identificou oportunidades para um maior crescimento. Formar alianças estratégicas com empresas de diversos setores fez com que, coletivamente, esses parceiros pudessem oferecer soluções conjuntas às escolas, desde a uniformidade ao material para o desporto, passando pela logística e pelos serviços.

Três Canais de marketing

O mercado de uniformes escolares tem as suas particularidades. Xavier Colmenero explica que existem três canais de venda para o segmento:

O canal clássico com intermediário, pode ser uma loja ou um grossista especializado nas necessidades de um ou mais clientes. Eles recebem os pedidos e obtêm os artigos de fabricantes como a Colex.

A negociação direta entre escolas e fabricantes, que está ganhando força: as escolas montam a sua própria loja onde os pais podem comprar os uniformes e todos os materiais escolares. Nesse caso, o negócio é feito diretamente entre o fabricante e a escola.

A terceira opção, completamente nova é a venda online. Colocando os pais diretamente em contato com o fabricante. Esta é a fórmula complementar implementada pela Colex que chega a acordo com o fabricante, mas prefere não trabalhar como uma loja ou lidar com os pedidos. Em vez disso faz a compra no início da campanha, mas não lida com reabastecimentos ou compras adicionais ao longo do ano, que os pais delegam no fabricante através da loja online.

Desafios: Personalização, previsão e garantia de qualidade

O pico de atividade de produção de uniformes escolares vai de Maio a Outubro, incluindo as encomendas para o início do ano e os ajustes da previsão de pedidos, determinada pela quantidade de crianças que necessitam de sua primeira roupa, a procura de nova compra com a mudança de tamanho, sucesso ou fracasso em antecipação ao sortimento de tamanhos, etc.

“A diferença entre a indústria de moda e o mercado de uniformes escolares está na relativa previsibilidade dos volumes, no entanto, não há certezas absolutas”, explica Xavier Colmenero: o fabricante de uniformes trabalha com a procura e pedidos individuais, assim como programas baseados no número de alunos que a escola possui, faixas etárias e a distribuição aproximada dos tamanhos usuais.

Além da procura para produzir programas de vestuário personalizado com tudo o que é preciso e mantê-los em stock, a garantia de qualidade é fundamental também continuar a competir com as importações asiáticas com preços mais acessíveis.

O critério de qualidade aplica-se ao uniforme escolar sob todos os aspetos. “A t-shirt ou polo-shirt que todos nós vestimos não é usada com tanta frequência como a dos alunos na escola”, o empresário alerta-nos para o fato de que os uniformes escolares “são usados e lavados com frequência. Somos obrigados a produzir um produto de qualidade. Se desbotar ou estiver danificado a consequência é a devolução. Por exemplo, usamos os melhores zipes do mercado, cujo preço é dez vezes superior aos mais baratos. Eles têm que durar sob as mais duras condições…».

Investimento: recursos humanos e tecnologia

A evolução da Colex de um pequeno player para uma empresa forte, com altas expectativas de crescimento, foi apoiada por investimentos em equipamentos. “Sem a tecnologia contemporânea, não estaríamos onde estamos hoje”, enfatiza o nosso interlocutor. Enquanto que o departamento de costura, com exceção dos protótipos é tratado por empresas subcontratadas, as competências centrais são cobertas internamente na Colex: para otimizar o desenvolvimento de produtos, a modelagem e o corte, era necessário investir num software CAD com estendimento semiautomático.

Em 2016, o volume de produção cresceu ao ponto de ser necessário aumentar a aposta. Após uma avaliação cuidadosa, a escolha foi para o software e hardware da Gerber Technology: atualmente a Colex conta com o software de modelagem AccuMark PDS-GMS , um plotter e ainda com um equipamento fundamental que mobilizou as outras duas aquisições em prol da mais perfeita integração e compatibilidade: o GERBERcutter Paragon® HX.

O que é que a Colex mais valoriza na Gerber Technology – perguntamos: “Basicamente, a produtividade”, afirma Xavier Colmenero. “A máquina de corte Paragon trabalha a alta velocidade e é muito confiável. A manutenção não é barata, mas o custo é compensado pelo desempenho desse sistema automatizado de alto nível. Estamos também muito satisfeitos com o serviço e suporte fornecido pela equipa técnica da Gerber, que nos ajudou muitíssimo na integração de todos os sistemas nos nossos processos de trabalho”.

Foram feitos Investimentos adicionais em duas máquinas de bordar da Barudan e dois silkscreen, de quatro e doze cabeças, para integrar mais processos de personalização dos produtos no fluxo de trabalho. A implementação de um sistema ERP para melhorar o planeamento dos recursos da empresa é agora o próximo passo a dar para a Colex.

Adicionalmente, um dos segredos de qualquer negócio bem sucedido é os recursos humanos, enfatiza Xavier Colmenero. “Na Colex, estamos todos muito próximos e todos os nossos colaboradores estão altamente envolvidos em suas tarefas reais. Além disso, mantemos o nível de formação muito alto e – crescemos juntos”.

* O Christ’s Hospital School, em Londres, acredita-se ter sido o primeiro instituto educacional a usar uniformes escolares em 1552.

 

[Nota de rodapé:]

Este Case-Study foi-nos facultado
por Humberto Martinez, TEXTIL EXPRES,

www.aramo-editorial.com/aramo/  and Yvonne Heinen-Foudeh.