Deste ponto de vista, a aposta no empreendedorismo de pequenas e médias empresas é fundamental como fonte de criação de emprego, aliás, a mais imediata que se pode ter. Ao implementarmos um negócio, geramos e respondemos a necessidades e, consequentemente, criamos postos de trabalho que têm ser imediatamente preenchidos.

Em segundo e terceiro lugares, o papel do empreendedorismo é decisivo na introdução de inovação na cadeia económica, contribuindo para o desenvolvimento da nossa comunidade, bem como para o desenvolvimento regional e crescimento da economia.

Por último, o empreendedorismo constitui uma opção de carreira extremamente aliciante, na ótica de uma nova geração à descoberta de novas profissões, de práticas da inovação, de fomento da criatividade e de necessidade de autonomia.

Devemos, pois, deixar de lado o empirismo que nos guia nestas áreas e verificar que os países com mais atividade empreendedora detêm um crescimento do PIB mais elevado, onde o empreendedorismo explica um terço da diferença de crescimento entre países, sobretudo ao nível das PME, a tipologia responsável por triplicar as exportações, com a vantagem do reinvestimento ser superior às filiais de grandes empresas.

Eis as razões pelas quais se justifica uma política integrada, tanto mais quanto, já em 2002, Portugal foi identificado como o único país da União Europeia onde eram desenvolvidas ações que tinham como objetivo fomentar o espírito empresarial, sem qualquer enquadramento no quadro do sistema nacional de educação.

Contudo, foi no interior, mais concretamente na Covilhã, que o “Parkurbis – Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã” – implementou um dos primeiros projetos educativos nesta área, nomeadamente o Projeto Empresários na Escola – Percursos de Acompanhamento à Criação de Novas Empresas de Base Tecnológica que tinha como objetivo primordial o desenvolvimento de competências empreendedoras dos jovens.

Todas estas razões evidenciam a importância considerável do empreendedorismo para o desenvolvimento de uma região ou de um país. Como diria o Prémio Nobel, Hayek (1974), “o empreendedor é a chave para o desenvolvimento”. Mas que instrumentos temos para se apoiarem os empreendedores de forma organizada?

Para além da formação especializada de que tanto carecemos, existem dois instrumentos fundamentais que têm de ser incentivados, tanto por instituições bancárias como universitárias e ainda por medidas governamentais e políticas. Salientamos aqui a urgência do apoio de fundos de capital de risco, sobretudo porque, em Portugal, o número de empresas que recebem apoio de capital de risco é muito baixo quando comparado com o que acontece noutros países. Uma boa incubação de empresas é outro instrumento particularmente importante para o incremento do empreendedorismo no nosso país que pode ser a almofada de apoio que evite as elevadas taxas de mortalidade das PME empreendedoras nos primeiros 5 anos de vida.

Termino, desafiando os leitores a analisarem toda a faixa interior de Portugal, de norte a sul, e a encontrarem o local onde todos estes instrumentos se reúnam e possam construir um verdadeiro ecossistema de empreendedorismo.

A verdade é que, neste momento, esse local simplesmente não existe.

No entanto, um verdadeiro Eldorado empreendedor no interior poderá bem vir a ser a Covilhã, cidade que reúne as condições necessárias, tanto ao nível académico (com uma das 150 melhores universidades do mundo com menos de 50 anos), como ao nível empresarial (um dos concelhos com maior taxa de exportação de todo o  interior), com um clima e uma cultura de juventude e inovação dinamizados pelos quase 7500 alunos que podem propiciar uma das atmosferas académicas mais eletrizantes do nosso país, terminando pela respetiva localização geográfica (praticamente no centro de um triângulo quase perfeito entre Lisboa-Porto-Madrid com Salamanca à espreita).

Replicar, redimensionar e diversificar, constitui per si, a condição necessária ao desafio de empreender no interior… Será que não temos coragem e força coletivas para o fazer?

Opinião de Luís Santos, Presidente do PSD Covilhã