Feira do Livro do Porto homenageia José Mário Branco

A Feira do Livro do Porto regressa a partir de hoje aos Jardins do Palácio de Cristal, onde até dia 23 vão decorrer várias atividades, numa edição marcada pela música e pela homenagem a José Mário Branco.

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feira, que vai também assinalar os 50 anos do Maio de 68, em particular com a presença de um dos rostos daquele momento histórico, Daniel Cohn-Bendit, abre-se ao público hoje às 12:00 e, horas mais tarde, vai receber a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

No sábado, às 18:00, dá-se o primeiro debate, sob o tema “No princípio era a canção”, em que Anabela Mota Ribeiro vai conversar com o músico, compositor e produtor portuense José Mário Branco, que vai passar a ter uma tília de homenagem no Palácio de Cristal, à semelhança de Agustina Bessa-Luís, Vasco Graça Moura, Mário Cláudio e Sophia de Mello Breyner.

Até dia 23, passam pelo auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett Mia Couto, Afonso Cruz, Cohn-Bendit, Filipa Martins, João Pinto Coelho, Kalaf Epalanga, Telma Tvon, Leila Slimani, José Riço Direitinho, Valério Romão, Mário de Carvalho e Ana Margarida de Carvalho.

Um dos destaques da edição deste ano, para além de Cohn-Bendit, que vai falar sobre “as revoluções imprescindíveis” com o historiador Rui Tavares, é a presença da escritora Leila Slimani, vencedora do prémio Goncourt em 2016 com “Canção Doce”, editado em Portugal pela Alfaguara.

Como escreve o programador José Eduardo Agualusa no caderno da feira do livro deste ano, “Canção Doce” “poderia ser o tema genérico da presente edição da Feira do Livro do Porto, durante a qual [serão debatidas] as ligações entre a literatura e a música”.

Nas sessões de ‘spoken-word’ vão participar nomes como Capicua, André Tentúgal, Nuno Artur Silva, Selma Uamusse e Miguel Januário, entre muitos outros.

A Galeria Municipal vai receber uma exposição com curadoria de Paulo Vinhas sobre “Cinco décadas de inquietação musical no Porto”, enquanto o mezzanine da mesma galeria vai acolher “Porto sentido de fora: Livros e guias de viagem de Portugal entre a monarquia constitucional e o Estado Novo (1820-1974)”, e o ‘foyer’ do auditório vai contar com uma exposição de cartazes do Maio de 68.

No âmbito do “curso breve de literatura”, como lhe chamou a também programadora Anabela Mota Ribeiro, António Mega Ferreira vai falar sobre Dante, Perfecto Cuadrado sobre Cervantes, Pedro Eiras sobre Pessoa, Ana Paula Coutinho vai abordar Flaubert, enquanto Ana Margarida de Carvalho vai refletir sobre os escritores russos e Luísa Costa Gomes sobre Shakespeare.

Nesta edição, a Feira do Livro do Porto mantém a mesma dimensão e tipologia de oferta do ano anterior, com 134 participantes, distribuídos por 130 ‘stands’.

“Cremos ser esta a dimensão correta para este espaço, aumentá-la poderia desvirtuar a relação dos visitantes com o parque e a paisagem, que pretendemos que seja um elemento diferenciador na experiência de visita a este projeto de cidade”, afirmou o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, no final de agosto.

De acordo com o autarca, o “orçamento total é de 200 mil euros, idêntico à [ao da] edição anterior, que se divide de forma paritária entre as despesas de logística e de programação”.

“Quanto aos 100 mil euros de logística, eles são integralmente cobertos pelos alugueres que iremos cobrar”, acrescentou.

LUSA