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Ana Rita Silva

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Inovação, empreendedorismo e tecnologia no Porto

Segundo um comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso, na agenda estão conferências, encontros, reuniões de negócios, visitas a empresas da região, atividades de rua, partilha e desenvolvimento de conhecimento.

Nas duas edições anteriores da Semana Start & Scale foram promovidas 36 atividades, envolvendo mais de 3.500 pessoas.

A semana arranca com a maratona digital Hack For Good 2018 (5 e 6 de maio), uma ação da Fundação Calouste Gulbenkian que desafia a sociedade a ser parte integrante de um movimento de desenvolvimento de soluções tecnológicas para benefício social.

Interprolog e a inteligência artificial

A Interprolog presta serviços a software houses de IA, onde se insere a spinoff LogicalContracts. De modo a contextualizar os nossos leitores, de que forma surgem ambas e que necessidades vêm colmatar?

“interprolog” é o nome de uma biblioteca para programadores, “open source”, que permite ligar programas escritos em Java a outros escritos em Prolog, uma linguagem usada para aplicações de IA. Com a primeira versão disponibilizada há 20 anos, continua até hoje a ser usada em vários sistemas. Na sequência da desactivação de outra empresa anterior, os serviços de desenvolvimento sobre aquela biblioteca tinham peso suficiente para justificar a criação de uma nova unidade de negócio em 2014, a InterProlog Consulting, http://interprolog.com.

Mais recentemente, em 2016 iniciamos uma colaboração com o Imperial College London para desenvolver ferramentas auxiliares para uma nova linguagem lá desenvolvida, “Logical Production Systems. Na sequência desse projecto apercebemo-nos do potencial da linguagem para a escrita de “smart contracts”, para aplicação em blockchainse não só; e daí a criação (em curso) da spinoff “Logical Contracts”, http://logicalcontracts.com

A Interprolog tem uma vertente de consultoria, a Interprolog Consulting que desenvolve e mantém aplicações de software e ferramentas de desenvolvimento para uma série de plataformas, de que plataformas falamos?

Programação em lógica, ou seja plataformas que permitem a escrita de programas focados em princípios declarativos (“o quê”) mais do que no operacional (“como”). Tipicamente na área da “Explainable AI”. Concretamente, a clássica linguagem Prolog, e uma extensão recente que lida com modelação de tempo e acção, “Logic Production Systems”. Ambas sempre em articulação eficaz com as linguagens “mainstream”, nomeadamente Java, Javascript, Python e componentes associados.

Que outros serviços têm disponíveis?

Nenhuns. Dedicamo-nos apenas ao desenvolvimento de software e consultoria nesta área, incluindo formação.

Na sua opinião, trabalhar com inteligência artificial implica ter em conta que critérios?

Há actualmente um défice de “saber fazer” e um excesso de oferta de produtos de fabricantes, e de necessidades… e esta combinação requer muita cautela pelos decisores. Neste momento há uma confusão generalizada sobre o que é “IA”, na medida em que a maioria das pessoas e dos media a consideram sinónimo de aprendizagem automática, ou “machine learning” e em particular de “deep learning”. Esta visão é incompleta e mesmo errada, e vai levar a equívocos desagradáveis. O “machine learning” dá-nos capacidades úteis a nível da percepção (análise de linguagem natural e de imagens, por exemplo) mas é intrinsecamente limitado às amostra fornecidas para aprendizagem, e por isso precisa complementar-se com o raciocínio lógico da IA clássica, ou “Explainable AI”, que integra teorias mais profundas. E precisa ser construído para embeber o nosso conhecimento sobre o mundo, e não apenas sobre uma amostra limitada.

Por outro lado, quando um sistema baseado em IA toma uma decisão importante, tem a obrigação de a explicar, justificar; ora isso não é possível com sistemas baseados apenas em “deep learning”.

A inteligência artificial é o futuro? Porquê?

Claramente. A IA é a fronteira do software, que por sua vez é o “artefacto universal”, com peso cada vez maior na nossa existência. O Homo Sapiens evoluiu para além do uso da simples pedra lascada ou utensílios básicos alavancando as suas mãos, no sentido de depender de ferramentas ampliando também o seu cérebro. Por outro lado a própria própria vertente social é hoje também muito afectada: há 30 anos só alguns nerds emparelhavam via “online dating”, hoje meio mundo namora via Facebook, sujeitando-se aos seus algoritmos e interesses.

Televisão síria anuncia que defesas aéreas do país abateram mísseis

Em causa estarão mísseis que terão sido abatidos na região de Homs, explica a Associated Press.

O Pentágono já fez saber que os Estados Unidos não têm nenhuma atividade militar a decorrer ali.

A garantia chegou através de Eric Pahon, porta-voz do Pentágono, dá conta a Reuters.

O alvo dos mísseis seria a base aérea de Shayrat.

H&M lança coleção cápsula com a Moschino

Depois da coleção com Erdem, que em novembro do ano passado transformou algumas lojas H&M de todo o mundo em autênticos jardins, chega a vez da italiana Moschino dedicar uma coleção aos clientes da marca sueca de Fast Fashion.

A parceria chama-se MOSCHINO [TV] H&M e será lançada a 8 de novembro deste ano, como divulgou Jeremy Scott, o diretor criativo da marca, durante a festa que anualmente organiza durante o festival Choachella. Fê-lo com o apoio da modelo Gigi Hadid que tal como o designer surgiu na festa vestida com os primeiros looks apresentados desta coleção cápsula. O anúncio foi imediatamente partilhado nas redes sociais, permitindo prever que a aceitação será grande.

Na revelação feita sábado de madrugada, foi ainda avançado que a coleção vai contar com peças para homem e mulher, vários acessórios e “algumas surpresas também”. A imagem apresentada, embora revele pouco, sugere a imagem usada por Jeremy Scott na linha ‘as seen on TV’ da sua própria marca.

“Muitos jovens gostam da minha roupa. E nós fazemos capas para telemóveis e coisas do género, mas adoro que agora seja uma coisa totalmente acessível”, refere à Vogue UK Jeremy Scott que não esconde o desejo de chegar aos fãs que não podem assumir os custos da alta-costura e que, ainda antes de assumir o cargo de diretor criativo da Moschino, já mostrava o interesse em que as suas peças não se cingissem apenas às elites, tendo já referido que o seu desejo – relativamente à sua marca homónima – era o de que as suas peças fossem revendidas em lojas em segunda mão e não que se ‘gastassem’ em coleções momentâneas.

Tal ideia, de que a moda não se deve cingir a uma só classe social, era também sugerida por Franco Moschino, o italiano que criou a marca e que em todo o seu legado fez por marcar a mensagem de que a moda não deve ser algo sério, mas sim divertido e sem barreiras. Uma ideia que marcou com a linha Moschino Cheap and Chic.

Tal como aconteceu nas parcerias anteriores, sabe-se que a coleção MOSCHINO [TV] H&M não chegará a todas as lojas da cadeia H&M. Até então, a loja no Chiado tem sido o espaço na capital que recebe a coleção. No Porto, a loja H&M no Via Catarina, também já recebeu algumas destas coleções limitadas. Em todos os casos, as parcerias esgotam quase no próprio dia, prevendo-se grande afluência às lojas selecionadas – ou online – na quinta-feira, 8 de novembro.

Temperaturas chegam aos 25ºC em semana sem chuva

Esta segunda-feira começou com uma melhoria das temperaturas, no que parece ser o mote para uma semana mais quente do que a anterior.

A melhoria das temperaturas sentir-se-á “provavelmente a semana toda”, adiantou fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera ao Notícias ao Minuto, ressalvando que “mais para o final da semana é preciso ir vendo”, uma vez que é difícil “ter-se certeza” do que o tempo nos reserva.

Segundo as informações divulgadas no site do IPMA, em Lisboa a chuva dará tréguas, pelo menos, até sexta-feira, com quarta-feira a ser o dia mais quente da semana, prevendo-se que atinja uma temperatura máxima de 25ºC.

Já no Porto, o dia mais quente será mesmo sexta-feira, onde a máxima também atingirá os 25ºC, sendo que na Invicta a chuva deve apenas regressar no sábado.

Questionada sobre se é desta vez que a primavera [leia-se tempo primaveril] chega, a meteorologista lembra que uma das maiores características desta estação é precisamente a “inconstância”.

“Basta o anticiclope mexer-se um bocadinho para o tempo mudar”, destaca, rematando: “As estações de transição, especialmente a primavera, são sempre muito inconstantes”.

Herrera marca e vinga críticas do passado

Hector Herrera acabou por ser o grande herói do escaldante clássico entre o Benfica e o FC Porto, ao apontar, já nos descontos, o golo que deu a vitória (0-1) e que permitiu aos dragões ultrapassar as águias na tabela classificativa e reassumir a liderança isolada do campeonato, com dois pontos de vantagem. Um jogo de sentimento oposto para o médio mexicano, que na última temporada foi bastante criticado após ceder um canto do qual resultou o golo do empate do Benfica, no Dragão.

Numa primeira parte dominada pelos comandados de Rui Vitória, que dispuseram de três golos situações de golo – Rafa (19′), Cervi (22′) e Pizzi (45′) – o nulo manteve-se, até porque, no último lance antes do intervalo, Marega protagonizou a única verdadeira situação de perigo dos azuis e brancos.

Após o descanso, o FC Porto melhorou, ameaçou o golo e, ao mesmo tempo, conseguiu suster a pressão das águias. O ‘tiro’ triunfar de Herrera, já depois dos 90′, acabou por premiar a equipa de Sérgio Conceição, que se revelou mais eficaz.

Confira, à lupa, a exibição dos protagonistas:  

Bruno Varela: Depois de uma primeira parte em que não teve necessidade de intervir, ‘fechou a porta’ a Marega logo no início do reatamento. Não tinha quaisquer hipóteses no lance que acabaria por ditar o desfecho do encontro.

Casillas: Tal como nos anteriores jogos com o Benfica, voltou a estar em destaque. Com duas intervenções de alto nível, negou o golo a Cervi (23′) e a Pizzi (45′) e demonstrou sempre a segurança e tranquilidade de um dos maiores guarda-redes da história do futebol.

André Almeida: Certo a defender, não teve grandes chances para se aventurar no processo ofensivo da equipa. No entanto, quando o fez, conseguiu desequilibrar. Deparou-se com alguns problemas perante Brahimi, mas resolveu sempre com eficácia, mesmo que recorrendo à falta. Viu o amarelo aos 62′.

Ricardo Pereira: Foi um dos melhores do FC Porto. Após as dificuldades iniciais em parar a dupla Grimaldo e Cervi, partiu para uma exibição brilhante, revelando-se o maior foco de desequilíbrio dos dragões. Esteve perto do golo (44′) e na segunda parte (66′) assinou uma arrancada que terminou com Brahimi a falhar o alvo por centímetros.

Jardel: Esteve seguro durante toda a partida, mas demonstrou alguma apatia no lance do golo de Herrera. Não atacou a bola e deixou o mexicano rematar para o fundo das redes da baliza de Varela. No entanto, há injusto avaliar a sua exibição apenas por esse momento infeliz.

Felipe: Tentou, juntamente com Marcano, anular Raúl Jiménez. Nem sempre o conseguiu, mas há que dizer que, à excessão da ocasião de Pizzi, ainda no primeiro tempo, não foi na sua zona de ação que o Benfica criou mais perigo.

Rúben Dias: Foi durante grande parte do jogo o ‘polícia’ de Soares e a exibição ‘apagada’ do avançado brasileiro prova que, de facto, o jovem central voltou a estar em bom plano. Na sequência de bolas paradas ofensivas ainda tentou causar estragos, mas sem sucesso.

Marcano: Tal como Felipe, cumpriu a tarefa de dificultar ao máximo a missão de Jiménez. Os constantes movimentos diagonais do mexicano a ‘cair’ para as alas baralharam-lhe a marcação, mas a experiência acabou por ser decisiva.

Grimaldo: Era uma das dúvidas no Benfica. Porém, recuperou e integrou o onze. Na primeira parte formou com Cervi uma ala temível, que criou várias situações de perigo, mas no segundo tempo, após a saída do argentino, perdeu gás e já não auxiliou tanto as ações atacantes de Zivkovic.

Alex Telles: Estranhamente, apresentou-se bem longe do nível a que acostumou os adeptos desde que chegou à Invicta. Além dos escassos envolvimentos pelo lado esquerdo, que tantos problemas têm gerado aos adversários, o brasileiro não esteve com a mira afinada nas bolas paradas. Viu ao amarelo (72′).

Fejsa: Impressionante! Voltou a funcionar como um autêntico pêndulo à frente da defesa encarnada. Possuidor de um pulmão enorme, correu imenso, recuperou bolas e assumiu o papel de primeiro construtor de jogo desde trás.

Sérgio Oliveira: Não teve um fim de tarde para recordar. Na primeira parte sentiu muitas dificuldades para ‘pegar’ no jogo portista e, sobretudo, para estancar as rápidas inclusões em velocidade, quer de Zivkovic, quer de Pizzi. Viu o amarelo logo aos 39′ e foi o primeiro jogador a ser substituído po Sérgio Conceição (74′).

Pizzi: Em cima do intervalo, teve nos pés a melhor ocasião de golo de toda a partida para o Benfica, mas não conseguiu desfeitear Casillas. Emprestou qualidade na circulação de bola da equipa, mas sem a dinâmica que lhe é característica. Deu o lugar a Seferovic numa altura em que Rui Vitória decidiu arriscar (87′).

Herrera: O herói do clássico! O mexicano marcou o golo da vitória e ‘vingou’ as críticas de que foi alvo na última época, após ter cedido um canto que acabaria por dar o empate ao Benfica, no Dragão. É esse ‘tiro’ que fica na retina, mas o que é facto é que o médio rubricou uma exibição competente, de resto, como é habitual.

Zivkovic: Esteve ‘ligado’ à corrente no primeiro tempo e foi, à semelhança de Cervi, um dos mais irrequietos do Benfica. Combinou diversas vezes com o argentino e deixou Sérgio Oliveira com a cabeça ‘em água’. Após a saída do camisola 22, derivou para a ala esquerda e perdeu ‘chama’.

Otávio: Pareceu sempre um ‘corpo estranho’ no xadrez azul e branco. À falta de bola, o brasileiro demonstrou ainda incapacidade para ligar com Herrera e Sérgio Oliveira nos momentos defensivos. Viu o amarelo (59′) e acabou substituído a 10 minutos do fim.

Rafa: Manteve-se firme no onze apesar do regresso de Salvio e é notória a confiança que tem nesta altura. Nunca se escondeu, procurou ter bola, mas, por vezes, perdeu-se em dribles. Acertou no poste naquela que foi a primeira oportunidade de golo do jogo (19′) e na segunda parte decidiu mal um lance que poderia ter sido muito perigoso (59′).

Brahimi: Tentou ‘remar’ contra a maré quando o FC Porto mais precisou. Embora menos exuberante do que noutras alturas, o argelino foi, contudo, um dos mais esclarecidos nos dragões. Ficou a centímetros de um grande golo (66′), num belo remate em arco que rasou o poste.

Cervi: Não deu descanso a Ricardo Pereira na primeira meia hora e foi seu o remate que obrigou Casillas à primeira boa defesa do clássico. Sempre em alta rotação, o argentino dinamizou a ala esquerda, mas no segundo tempo perdeu fulgor e acabou preterido para a entrada de Samaris (74′).

Marega: Foi a grande surpresa no onze de Sérgio Conceição. Voltou à competição um mês e meio depois, mas não acusou a falta de ritmo. Ameaçou o golo logo após o intervalo, mas Varela saiu bem e evitou o 21.º golo do maliano no campeonato.

Raúl Jiménez: Depois de ter sido determinante na última jornada, o mexicano voltou a substituir Jonas no onze e a verdade é que foi igual a si próprio. Esforçado e lutador, ficou perto de marcar ainda na primeira parte (32′) e ofereceu o golo a Pizzi num dos últimos lances antes do intervalo (45′). No segundo tempo teve menos bola, mas nunca deixou Felipe e Marcano em descanso.

Soares: Acabou sacrificado pela pobre primeira parte do FC Porto. Mesmo assim, foi do brasileiro o primeiro remate dos dragões na partida (25′). Já muito desgastado, deu o lugar a Aboubakar (83′).

Salvio: Até era expectável a sua inclusão no onze, mas o argentino acabou por iniciar o encontro no banco. Foi lançado pouco depois da hora de jogo (66′) e acrescentou velocidade e irreverência ao ataque encarnado.

Óliver: Primeira ‘carta’ lançada por Sérgio Conceição, o espanhol revelou-se uma mais-valia na tentativa do FC Porto ter mais posse de bola.

Samaris: Entrou com o intuito de ‘congelar’ o ímpeto portista no derradeiro quarto de hora, mas não conseguiu.

Corona: Esteve em dúvida, iniciou a partida no encontro e só foi lançado para os últimos 10 minutos. Refrescou o ataque.

Seferovic: Entrou aos 87′ e não teve tempo para se mostrar.

Aboubakar: ‘Vítima’ do regresso de Marega ao onze, o camaronês foi a terceira aposta do técnico dos dragões e viu de perto o golo de Herrera.

Análise aos treinadores: 

Rui Vitória: Voltou a não poder contar com Jonas e é óbvio que a ausência do melhor marcador do campeonato (33 golos) limita qualquer treinador. No entanto, reforçou a aposta em Jiménez e a verdade é que o Benfica, não só se monstrou confiante, lúcida e tranquila, como dominou toda a primeira parte. Com o objetivo de oferecer maior segurança defensiva, lançou Samaris no jogo, tentando formar, com Fejsa, um duplo pivot à frente dos centrais que pudesse estancar o jogo ofensivo do FC Porto. Para os últimos minutos arriscou, colocando Seferovic ao lado de Jiménez, mas, tal como todos os benfiquistas, foi surpreendido pelo grande golo de Herrera.

Sérgio Conceição: Foi ‘premiado’ com o regresso de Marega – e Corona – e causou surpresa ao lançar o maliano no lugar de Aboubakar. No entanto, não escondeu a irritação por uma primeira parte ‘apagada’ da sua equipa e no intervalo viu-se obrigado a retificar alguns aspetos. A equipa do FC Porto melhorou e, pela primeira vez no encontro, importunou Bruno Varela. Na tentativa de refrescar o meio-campo e impedir a expulsão de Sérgio Oliveira, que já tinha arriscado após ver o amarelo, lançou Óliver. Corona e Aboubakar foram as últimas opções na missão de colocar toda a ‘carne no assador’, mas seria Herrera a servir-se o… melhor ‘prato’.

Aprovado em Parlamento mudança de sexo no registo civil aos 16 anos

Está aprovado o diploma que permite a mudança de sexo e de nome no registo civil a partir dos 16 anos sem ser necessário relatório médico. A votação mostrou a divisão clara e anunciada entre direita e esquerda: o texto que substitui as propostas do Governo, do Bloco e do PAN, teve o voto a favor do BE, PAN, PS e PEV e recebeu o apoio da deputada Teresa Leal Coelho do PSD.

O PCP absteve-se e os seus 15 votos acabaram por não ser precisos para que a esquerda conseguisse aprovar o texto por 109 votos a favor e 106 contra.

A contabilização dos votos foi feita globalmente por bancada, contando com o número total dos deputados eleitos e não com os realmente presentes no plenário da Assembleia da República nesta sexta-feira. Ou seja, foram somados 86 do PS, 19 do BE, 2 do PEV e 1 do PAN, e ainda o voto da social-democrata Teresa Leal Coelho que furou a disciplina de voto da sua bancada. Do lado da direita, contaram-se os 18 deputados do CDS-PP e 88 dos 89 do PSD.

Estes números são, no entanto, diferentes dos anunciados no início do período de votações, quando os deputados se registaram no sistema informático e Eduardo Ferro Rodrigues contabilizou os que não conseguiram validar a sua presença. Seriam 206 ou 207, disse o presidente. Houve deputados que chegaram ao plenário já quando se faziam as votações de outros diplomas – como os 24 sobre a floresta e incêndios -, como foi o caso de Assunção Cristas.

Foi por faltarem deputados em quase todas as bancadas – com excepção do Bloco e do PEV – por doença ou por estarem, por exemplo, em viagem com o Presidente da República, que nem a direita nem a esquerda arriscaram pedir a votação nominal.

Em plenário, foi preciso fazer a votação na generalidade – em que o PCP votou a favor, ao lado do resto da esquerda -, a votação da avocação de duas normas do diploma que tinham sido chumbadas na Comissão de Assuntos Constitucionais por que o deputado do PAN não participa nela e que acabaram agora por ser aprovadas, e a votação final global.

Assim que Eduardo Ferro Rodrigues anunciou a aprovação do texto, as bancadas do Bloco, PS, PEV e o deputado do PAN levantaram-se e aplaudiram ruidosamente, e o mesmo aconteceu com as cerca de 30 pessoas que assistiam na galeria, na sua maioria jovens, alguns das quais se abraçaram. Mesmo depois de o presidente da Assembleia da República ter lembrando que as galerias não se podem manifestar – “nem quando estão de acordo com as decisões do Parlamento nem quando estão em desacordo”, avisou -, houve deputados do PS e do Bloco que se mantiveram de pé, de costas voltadas para a mesa da Assembleia.

Terminadas as votações, todas as bancadas à excepçaõ do PCP pediram para fazer declarações de voto, altura em que o deputado do PAN André Silva, a socialista Isabel Moreira, a bloquista Sandra Cunha, e a ecologista Heloísa Apolónia se congratularam com o passo “histórico”. A social-democrata Sandra Pereira criticou o PS por ser agora um partido da extrema esquerda nestas questões e deixou mesmo no ar a ideia de que a questão não ficará por aqui.

Resultado da fusão da proposta do Governo com os projectos-lei do BE e do PAN, a nova lei vai possibilitar que a mudança de sexo e nome próprio no Cartão de Cidadão se faça a partir dos 16 anos (actualmente a idade mínima é 18) e sem relatório médico, no que pretende ser um contributo para a “despatologização” do processo, conforme se lê na reacção que a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, fez chegar às redacções.

Considerando que a nova lei vai “mitigar o sofrimento e, essencialmente, criar condições para que as realidades e experiências de vida destas pessoas sejam mais conhecidas” e menos sujeitas a preconceitos, Rosa Monteiro sublinha ainda que, ao tornar-se no 5º país europeu a ter uma lei de identidade de género baseada na auto-determinação, Portugal se coloca uma vez mais “na linha da frente dos países empenhados na igualdade”.

Para a deputada socialista Catarina Marcelino, que, enquanto secretária de Estado da Igualdade, coordenou e concebeu o diploma do Governo, as mudanças agora aprovadas permitirão “melhorar a vida das pessoas trans” e “proteger as crianças intersexo”, na medida em que ficam proibidas cirurgias e intervenções farmacológicas a bebés intersexo (quando nascem com órgãos genitais ambíguos) até que estes possam manifestar a sua identidade de género, salvo “em situações de comprovado risco para a saúde”.

“É um avanço civilizacional muito importante do ponto de vista do quadro legal português. Parece-me óbvio que o país deu um importantíssimo passo em frente”, congratulou-se ao PÚBLICO a ex-governante.

Dizendo-se “felicíssima”, Hermínia Prata, da direcção da AMPLOS – Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género, considera que o facto de a idade mínima para a mudança de sexo no registo civil ter baixado para os 16 anos, desde que com autorização dos pais, “muda drasticamente” a vida das pessoas que não se identificam o sexo com que nasceram. “Imagine uma mulher que se sente homem, que se veste como um homem e que se apresenta como tal, mas que chega a um local, como a escola, e apresenta um cartão de cidadão com um nome de mulher. Pode ser traumático.”.

A dispensa de atestado médico para que a mudança se faça, por outro lado, vem encurtar um processo que, além de burocrático, era muito demorado. “A questão médica deve pesar – e via continuar a pesar – nas transformações que a pessoa quer ou não fazer em termos médicos, como a toma de hormonas ou uma cirurgia. Requerer um atestado médico para a mudança de nome no registo civil não fazia sentido nenhum”, acrescenta ainda Hermínia Prata, para concluir, em jeito de reacção aos críticos da nova lei: “Ninguém julgue que alguém vai agora ao registo civil mudar o nome a brincar ou com ânimo leve”.

Transavia é uma das primeiras companhias aéreas a disponibilizar solução 100 % electrónica para pilotos prepararem e gerirem voos

A partir de agora, os pilotos podem libertar-se totalmente do papel. Esta evolução para uma preparação e gestão de voos 100 % eletrónica foi iniciada em 2015, com a instalação do sistema « Electronic Flight Bag ». Em 2018, a companhia prossegue esta transformação ao disponibilizar iPads dotados da aplicação Aviobook.

20kg de papel a menos em cada voo

Entre 2015 e 2017, a Transavia suprimiu o equivalente a 20 kg de papel graças ao sistema « Electronic Flight Bag » (EFB). Este sistema, instalado no cockpit, permite aos pilotos consultar os documentos necessários à adequada preparação de um voo, habitualmente em papel : briefing, cartas meteorológicas, informações aeroportuárias, manual do avião, manual de utilização, cartas de navegação e os demais documentos necessários a uma boa operação.

No início de 2018, o sistema EFB deu lugar a uma aplicação ainda mais eficaz desenvolvida pela start-up AvioVision, a Aviobook. Por via desta colaboração, os pilotos da Transavia libertam-se igualmente dos planos de voo em papel e passam a poder executar e finalizar os seus voos diretamente na aplicação.

Graças ao seu interface muito simples e a iPads de última geração, a tripulação pode fácil e rapidamente aceder ao conjunto das informações indispensáveis à boa operação do voo : dados relacionados com o avião, número de passageiros, dados meteorológicos, etc.

« O compromisso da Transavia é de ‘low-cost with care’ para os nossos clientes e os nossos colaboradores. Graças a este novo sistema, todos os atores operacionais da companhia ganham em flexibilidade e em custo de operação. Uma verdadeira conquista tornada possível graças a relações estreitas com as start-ups inovadoras que participam no nosso desenvolvimento.» sublinha Hervé Boury, Diretor-Geral Adjunto de Exploração da Transavia France.

Para aperfeiçoar o seu desempenho, Transavia aposta em start-ups

A Transavia tem por ambição otimizar continuamente as soluções oferecidas aos seus passageiros, mas igualmente aos seus colaboradores. Por essa razão, a companhia optou, a partir de 2013, por rodear-se de start-ups que respondem aos objetivos da companhia : (i) a melhoria constante da experiência-cliente; (ii) a otimização da eficácia operacional; e (iii) a melhoria da sua pegada ambiental.

Corrida contra o cancro da mama é já no domingo

Homens e mulheres portugueses vão correr (ou caminhar) no próximo domingo, em Lisboa, por uma causa solidária.

‘Corrida Sempre Mulher’ é o nome do evento desportivo solidário que arranca às 10h30 da Praça dos Restauradores e que vai percorrer cinco quilómetros. O objetivo é o de angariar fundos para a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama.

A iniciativa, explica a organização, é composta por duas provas. Primeiro, uma “corrida de competição exclusiva para o público feminino”. Depois, e porque o cancro da mama “não é exclusivo das mulheres”, uma caminhada/corrida aberta a toda a população.

Este ano há ainda uma novidade: os participantes poderão fazer-se acompanhar pelos respetivos animais de estimação, tendo apenas de se inscrever no escalão Team Pet.

O kit de participação a que todos os participantes têm direito deverá ser levantado nos dias 12, 13 e 14 de abril, entre as 10h e as 19h, no Espaço Multiusos da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa.

O preço varia entre os 12 e os 16 euros, consoante o prazo de pagamento.

De referir que as inscrições online já estão esgotadas, pelo que se quiser participar deverá inscrever-se presencialmente na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, onde receberá o seu kit de participação.

Primeiro volume da autobiografia de Elias Canetti disponível este ano

As memórias autobiográficas de Elias Canetti confundem-se “com a atribulada história do século XX”, descreve a editora Cavalo de Ferro, que, com mais esta edição, dá sequência à publicação em Portugal das obras do romancista e ensaísta Elias Canetti (1905-1994), vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 1981.

São três os volumes a lançar em 2018, o primeiro dos quais, “A língua resgatada — História de uma juventude”, que tinha sido editado pela Campo de Letras em 2008, trata o período de vida do autor entre os anos 1905 e 1921.

Traduzido por Maria Hermínia Brandão, o primeiro volume desta “extraordinária e singular odisseia cultural” — como lhe chamou a Haper’s Magazine — divide-se em cinco partes: “Ruse” (cidade búlgara), entre 1905 e 1911, “Manchester”, de 1911 a 1913, “Viena”, para 1913 a 1916, “Zurique — Rua Scheuchzer”, de 1916 a 1919, e “Zurique — Tiefenbrunnen”, de 1919 a 1921.

Este primeiro volume oferece um retrato do contexto pessoal e do desenvolvimento criativo de Canetti, durante os anos cruciais da sua juventude, segundo a editora.

“A minha lembrança mais antiga está pincelada de vermelho” — assim começa o autor, que se recorda de sair por uma porta, ao colo de uma rapariga, e ver um chão vermelho e uma escada também vermelha.

O autor conta como, com dois anos, viu um homem aproximar-se, mandá-lo pôr a língua de fora, ameaçar cortá-la e no fim recolher a lâmina deixando a promessa de o fazer no dia seguinte.

“Todas as manhãs saímos pela porta para o corredor vermelho, a porta abre-se e aparece o homem sorridente. Já sei o que vai dizer e fico à espera da ordem para mostrar a língua. Sei que ma vai cortar e tenho cada vez mais medo. Começa assim o dia, e isto acontece muitas vezes”.

O homem era afinal o namorado da sua ama — uma rapariga de 15 anos — que, desta forma, assegurava o silêncio do rapaz, o que conseguiu durante um período de dez anos, quando finalmente o autor interrogou a mãe sobre o assunto.

A partir daí, as suas memórias prosseguem até aos 16 anos, desde a cidade búlgara da infância, cruzamento de povos e culturas, onde Canetti tomou contacto com mais de seis línguas diferentes, à cosmopolita Manchester, ou da imperial cidade de Viena, à pacata Zurique.

Estes são os cenários que moldarão o crescimento do autor, sempre sob os efeitos da conturbada relação com a mãe, narrados de uma forma íntima, mas também intensa e veloz.

Um livro que, nas palavras do escritor americano Paul Theroux, “evoca paixão e poder” e “está repleto de cidades e cenários e pessoas extravagantes — lobos, amantes, lendas, guerra e disputas”.

O segundo e terceiro volumes, inéditos em Portugal, saem, respetivamente, em junho e no segundo semestre, em data ainda a determinar, com os títulos “O archote na orelha — História de uma vida 1921-1931” e “O jogo de olhares — História de vida 1931-1937”.

A autobiografia de Elias Canetti, que a Academia Sueca considerou “o ponto cimeiro da sua obra”, é apenas uma das facetas de um escritor eclético, cuja obra abrange os mais variados géneros e estilos literários, do romance e ensaio aos cadernos de apontamentos, dos epigramas ao teatro.

Autor de “um dos mundos literários mais envolventes do século” — como descreveu o escritor Salman Rushdie -, da sua obra “desponta uma das mais originais e perspicazes reflexões sobre a condição humana em sociedade, combinando erudição com fulgor narrativo”, destaca a editora.

A ensaísta Susan Sontag também se referiu ao estilo de Canetti, afirmando tratar-se de um autor que “dissolve a política em patologia, tratando a sociedade como uma atividade mental — do tipo bárbaro, claro — que deve ser descodificada”.

Proveniente de uma família de judeus sefarditas, a juventude de Canetti foi passada entre a Áustria, a Suíça e a Alemanha, integrando-se nos círculos literários e intelectuais de Viena e Berlim do final dos anos 20, e travando conhecimento com figuras importantes do seu tempo, como Kraus, Grosz, Babel ou Brecht.

Em 1938, após a ocupação da Áustria pelas tropas nazis de Hitler, Elias Canetti emigrou para Londres e, em 1952, obteve a nacionalidade britânica.

“Auto-de-fé”, o seu primeiro romance, datado de 1935, catapultou o nome de Elias Canetti para a categoria dos principais autores europeus e para a história da literatura.

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