Inicio Autores Posts por Ana Rita Silva

Ana Rita Silva

3486 POSTS 0 COMENTÁRIOS

“É tão bom ser mulher!”

A M. Ramos colabora com empresas dos países de Língua oficial Portuguesa e em Espanha com empresas de avaliação que atuam em todo o país. Que importância assumem as parcerias para as organizações nos dias de hoje?

São fundamentais. Hoje temos de estar abertos ao mundo. A globalização não é algo só dos telejornais, é um novo paradigma. Preparamo-nos para isso e temos tido bons resultados.

Garantem serviços independentes e rigorosos, sendo que as avaliações imobiliárias são realizadas de acordo com as normas internacionais de avaliação. Que outros fatores têm contribuído para a solidificação e diferenciação da M. Ramos?

A formação, a ligação à Universidade e a prática do dia a dia. Estudamos todos os dias e temos dado cursos um pouco por todo o mundo. Por curiosidade, acabamos de receber cinco alunos da Universidade Autónoma da Baja Califórnia, que vieram, com uma bolsa de estudo do Ministério da Educação, fazer a sua Tese sobre avaliação de bens singulares – cada um com um caso diferente, desde imóveis históricos a zonas com águas termais e locais de interesse ambiental. Foi muito bom para todos. Aprendo sempre muito com os alunos. Não foram os primeiros e, se Deus quiser, não vão ser os últimos.

Maria Ramos é engenheira e desde muito nova que está no mercado de trabalho. O facto de ser uma profissão que até há bem pouco tempo era dominada pela presença masculina representou um obstáculo para si?

Não. E o facto de ser mulher não foi fundamental no meu desenvolvimento profissional. Em 1983 concorri a um lugar de Especialista Internacional em Desenvolvimento Urbano para um Banco e um professor – nessa altura frequentava um curso de Economia Europeia, na Católica – a quem disse que ia faltar a um exame porque ia Washington por causa das entrevistas, avisou-me: “não pense em ficar com o lugar, porque é muito nova, é mulher e é portuguesa”. Fui, não tinha aplication form, nem “proteção” de ninguém e fiquei em primeiro lugar.

Ah! Não vale a pena dizer: a primeira pessoa a quem telefonei foi a esse professor.

Tenho sido preterida, mas por outras razões. Não por ser mulher. Os meus melhores amigos são os meus colegas, as minhas melhores amigas são as mulheres dos meus colegas e o meu marido é meu colega e sócio, há 40 anos.

É cada vez maior o número de mulheres que ocupam lugares de liderança e de chefia nas empresas. Mas ainda falta um longo caminho a percorrer para chegarmos à igualdade de género?

Sabe? Sempre achei que éramos iguais. Iguais em dignidade, direitos e deveres. Quando tenho dificuldade em “acompanhar” alguém vou fazer mais um curso. Evidente que nunca serei um Einstein ou uma Marie Curie – e um foi homem e o outro, mulher -. É tão bom ser mulher!

Que desafios acarreta um cargo com funções de topo? Esses desafios são maiores pelo facto de ser mulher?

Os desafios são sobretudo porque estão repletos de responsabilidades. Alguém que tem funções de topo tem a seu cargo a “comida” da sua casa e a “comida” da casa das pessoas com quem trabalha. Tem a seu cargo o “serviço” para os clientes, para a sociedade em geral. A gestão de uma empresa é uma grande responsabilidade. Seja ela pequena ou grande. Claro que numa grande empresa muita coisa funciona por arrastamento e torna-se mais fácil.

Quanto aos desafios serem maiores pelo facto de se ser mulher, não me parece. O que a mulher tem são outras atividades paralelas que também são de grande responsabilidade: casa, filhos, pais, marido, amigos, etc.

Future Balloons associar a tecnologia à educação

É em 2010 que Clara Rodrigues e Gerhard Doppler fundam a Future Balloons, direcionada para o universo das novas tecnologias e que tem vindo a preconizar uma marca de qualidade e excelência no mundo da inovação. Mas mais do que uma tecnológica, a Future Balloons quer diferenciar-se pela vertente social intrínseca aos seus produtos e projetos.

Em colaboração com parceiros com a mesma visão e, certamente, com a mesma paixão, a Future Balloons atua em quatro áreas distintas:

Desenvolvimento de Software – Serviços de desenvolvimento de programas em contexto web e mobile, em especial em sistemas aplicados à formação, e-Learning e gestão de conhecimento;

Design para a Educação e Inovação Social – Design Social é um método criativo aplicado à resolução de problemas sociais, baseado nas técnicas do Design Thinking. Envolve o treino de empatia, uma abordagem centrada na pessoa/utilizador e na síntese colaborativa de ideias;

Formação – Cursos intensivos incorporados numa metodologia centrada no utilizador e orientados para a aquisição de competências muito tangíveis. Têm como alvo um amplo grupo de profissionais que estão comprometidos com a missão da empresa;

Por fim, Consultoria de Projetos – Focada em chegar à raiz do problema, a Future Balloons procura dar as respostas certas às necessidades das organizações, oferecendo soluções exponenciais.

A Future Balloons tem um objetivo, uma utopia, nas palavras de Clara Rodrigues, que é apoiar a transição da sociedade baseada no conhecimento para uma sociedade baseada na compreensão. “Em 2010 quando desenhámos esta missão já pensávamos assim. Vivemos na era da informação. Toda a gente tem acesso a uma panóplia de informações disponíveis em qualquer lado. Mas mais do que consumidores de informação, também nós somos produtores de informação. No entanto, as pessoas não compreendem a informação que está disponível de forma a conseguir selecioná-la e utilizá-la devidamente. É por aqui que é necessário educar e é neste sentido que a Future Balloons trabalha. Há a necessidade de que as pessoas sejam mais críticas e mais criativas sobre os próprios conteúdos”, diz-nos a nossa entrevistada.

Então, de que forma a Future Balloons procura promover essa mudança? Para Clara Rodrigues, essa mudança passa por “compreender que a nossa interação com qualquer informação vai modificá-la ou transformá-la, esta noção é literacia e uma necessidade transversal a todas as gerações; ao gostarmos ou partilharmos determinado conteúdo estamos a contribuir para um movimento ou até para uma conspiração”, acrescenta Clara Rodrigues.

Neste âmbito, a Future Balloons encontra-se envolvida no projeto “Fostering Adolescents’ Knowledge and Empowerment in Outsmarting Fake Facts” – FAKE OFF – que visa o incentivo da literacia digital nos jovens despertando a sua consciência para a desinformação intencional e permitir que identifiquem “notícias falsas” e as evitem.

“A TECNOLOGIA SÓ NOS É ÚTIL QUANDO CORRESPONDE A UMA MUDANÇA”

Quando Clara Rodrigues e Gerhard Doppler idealizam criar a sua própria empresa não imaginavam nem tinham planeado que a empresa chegasse à dimensão atual. “Era o nosso projeto, mas não pensávamos em atingir a dimensão que temos hoje. Éramos apenas nós e o nosso emprego. Não passámos por nenhum processo de incubação nem tivemos investimentos típicos de start up. Passados dois anos sentimos a necessidade de contratar um colaborador para nos ajudar em termos de secretaria e logística. Ao passarmos a ter um espaço físico próprio também passámos a ter outra capacidade de resposta. Entretanto conseguimos novos clientes e projetos de maior dimensão. Hoje somos 11 pessoas, distribuídas em equipas especializadas”, explica Clara Rodrigues.

A evolução social está patente em todos os projetos: tentam oferecer respostas tecnologicamente ativadas a questões como o emprego jovem, envelhecimento ativo ou acompanhamento de crianças com doenças crónicas. A componente da mudança é pedagógica. “O objetivo final é sempre uma melhoria social. A tecnologia só nos é útil quando corresponde a uma mudança ou transformação social, de outra maneira é apenas um produto consumível. Para nós sempre fez sentido esta componente social estar presente nos nossos projetos”, afirma Clara Rodrigues.

A título de exemplo, falemos do projeto CUVID que visa dar resposta à necessidade urgente de combater o desemprego juvenil. Foi desenvolvida uma plataforma interativa de talentos online para jovens de forma a ligá-los diretamente a potenciais empregadores. A plataforma CUVID permite que os jovens criem vídeos para autoapresentação ligados aos seus currículos digitais.

Os clientes e parceiros percebem que a Future Balloons é mais do que uma tecnológica que desenvolve software. “Esta é a nossa diferenciação e o nicho de mercado que queremos alcançar”, afirma a nossa entrevistada.

A capacidade tecnológica da Future Balloons foi crescendo à medida que a empresa foi integrando novos talentos, tornando-se capaz de responder de forma mais inovadora aos problemas dos clientes. “Aplicamos metodologias como o design thinking e a cocriação para alcançar a raiz do problema e criar resultados excecionais. Na consultoria de projetos trabalhamos de forma muito estreita com o cliente e com os utilizadores finais, de forma a perceber todos os parâmetros do problema e só depois desenhamos uma solução à medida. De facto, o que fazemos é alinhar o que o cliente quer com aquilo que ele precisa.”

A LIDERANÇA FEMININA

Enquanto líder de equipa, acha mais difícil gerir pessoas ou gerir tecnologia?

Clara Rodrigues afirma que é muito mais difícil gerir pessoas: “A tecnologia está feita para trabalhar, as pessoas, por sua vez, quando chegam a uma empresa têm as suas próprias expectativas. No fundo, o sonho é nosso. Por isso mesmo cabe-nos gerir as capacidades, os objetivos e as perspetivas de cada pessoa. bem como acompanhá-las e fazê-las sentir-se parte integrante e valorizadas no projeto”, afirma Clara Rodrigues.

Nunca se falou tanto na dinâmica dos géneros no universo do trabalho. Existem, de facto, diferenças entre uma liderança feminina e uma masculina?

“Existem sim, até porque os homens e as mulheres têm cérebros diferentes. Lideram de forma diferente tal como fazem compras de modo diferente ou abordam um problema de forma diferente. Ambos chegam a uma solução. Há quem descreva a liderança feminina como transformacional e a masculina como transacional (independentemente do género que a aplique)”.

Clara acredita que se pode aprender muito entre géneros. A empatia, a capacidade de perspetiva global e visão “por trás dos cenários” mais femininas é necessária numa empresa, assim como a parte pragmática e direcionada a objetivos de curto prazo do homem é igualmente essencial.

A questão da desigualdade de género no setor tecnológico acontece sobretudo ao nível da representação. Em média, nas empresas tecnológicas, as mulheres representam apenas cerca de 26% dos colaboradores. Na Future Balloons as mulheres representam 36,4%. “Queremos continuar a contrariar o gender gap e por isso é necessário investir também em atrair raparigas para percursos de formação ligados às tecnologias e às ciências exatas”.

QUEM É CLARA RODRIGUES?

Natural da Figueira da Foz, Clara Rodrigues é licenciada em Ciências da Educação e pós-graduada em Economia Social (Universidade de Coimbra).

Cofundadora da Future Balloons, na empresa trabalha na área da inovação e na gestão de recursos humanos.

Antes da criação da Future Balloons, Clara Rodrigues teve a oportunidade de adquirir um know-how e uma bagagem fundamental através da sua experiência no Gabinete de Projetos do Instituto Politécnico de Beja. É aqui que tem o seu primeiro contacto com a consultoria e é, ainda, convidada a lecionar aulas de metodologias de investigação e a ministrar formação de formadores e professores.

Enquanto se formava, fez uma passagem pela Rádio Universidade de Coimbra como locutora, o que talvez explique a mulher entusiasta e comunicativa que tínhamos à nossa frente durante a entrevista à Revista Pontos de Vista.

A mulher tem de mostrar sempre que vale o que vale independentemente da profissão

Hoje é CEO da Peça 21, até fundar a empresa que história pode ser contada sobre o seu percurso?

Após terminar a minha licenciatura comecei a trabalhar na área da Engenharia Civil numa empresa hoje nossa concorrente. Desde cedo senti a vontade de criar o meu próprio negócio, e assim, em conjunto com o meu sócio, que também trabalhava no mesmo gabinete e sentia a mesma necessidade e vontade, criámos a Peça21 em 2010.

A empresa nasce desta vontade de termos uma marca nossa, com a qual nos identificássemos.

O que a levou a escolheu engenharia para construir uma carreira?

Desde cedo tive queda para os números e para a resolução de problemas, assim quando chegou a altura de optar por um curso superior, as ciências foram a opção natural. Tornei-me Engenharia Civil, pois sempre gostei de ver os números tornados em algo palpável, ou seja, ver o projeto tornado em algo concreto, criar soluções para os problemas que vão surgindo quer em projeto quer em obra, sempre foi uma ambição e hoje é uma paixão.

E o mais importante que é no final da execução de um projeto ou obra ver que o nosso cliente ficou satisfeito com as soluções apresentadas e com o trabalho realizado.

Com que fatores surge a Peça 21 no mercado que marcam a diferença?

O nosso fator diferenciador em relação ao mercado é, por um lado, o foco que colocamos no nosso cliente e na satisfação das suas necessidades e, por outro lado, o atendimento personalizado que lhe é dispensado.

O cliente é acompanhado desde a primeira reunião pelo elemento da equipa que irá coordenar o seu projeto até ao momento da entrega do mesmo. Neste momento estamos a desenvolver uma plataforma informática, através da qual o cliente pode, em qualquer momento, saber em que fase está o seu processo.

A engenharia civil foi durante muito tempo tida como uma profissão masculina, alguma vez sentiu esse tipo de preconceito?

Algumas vezes sim. Sobretudo no início do projeto senti que a minha opinião não era tão valorizada, mas no decorrer do mesmo sentia que o cliente passava a valorizar-me e a confiar no meu trabalho. Na Peça21 somos três engenheiras e um engenheiro e sentimos que nos tratamos da mesma forma e com mesmo respeito.

Que fatores considera imprescindíveis para que se alcance o sucesso?

Os fatores imprescindíveis como a honestidade, o rigor e a transparência.

A honestidade na forma como aconselhamos o nosso cliente. Rigor na forma como executamos os nossos projetos e transparência no trato com o cliente.

Ser mulher e engenheira é…?

É como em qualquer outra profissão, termos de demonstrar aquilo que valemos…É ser dona de casa, mãe, mulher…coordenar e organizar uma série de tarefas!

Movijovem: explorar, envolver, evoluir

De que forma é que a Movijovem tem vindo a perpetuar este desiderato?

A Movijovem, ciente da missão que o seu objeto social encerra, tem colocado a sua rede continental de turismo juvenil, constituída por 42 pousadas de juventude ao serviço da mobilidade e das necessidades dos jovens, nacionais e estrangeiros, proporcionando-lhes experiências junto do património cultural, histórico e natural do nosso país, mas também das realidades urbanas e rurais, de praia e de natureza. É por termos sempre presente essa responsabilidade e o interesse público que ela reveste que trabalhamos todos os dias para contribuir para a sua mobilidade a preços competitivos, com produtos e serviços inovadores, mas acima de tudo para que o quotidiano da Movijovem seja um poderoso instrumento de enriquecimento social, educativo, cultural, desportivo e recreativo daqueles que a procuram e nela confiam.

No passado dia 22 de janeiro foi eleito como o novo presidente da Movijovem. O que representou para si esta vitória e quais os planos/projetos que se propõe cumprir?

A eleição como novo presidente da Movijovem representa um desafio que está ancorado numa estratégia, para o período 2018-2020, que tem como mote três E’s: Explorar, Envolver, Evoluir.

Nortearemos a nossa ação, com o envolvimento de todos os colaboradores da Movijovem, no sentido de afirmar as Pousadas de Juventude como hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental, em todo o território, colocando as energias e o potencial desta rede, dentro do quadro da sua missão, no posicionamento de Portugal como um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo.

De que forma pretende prosseguir com o aumento da vossa atividade comercial no sentido de reforçar a missão social?

Queremos tirar o máximo proveito das novas tecnologias, de novos conceitos e abordagens comerciais, de modo a dispor paulatinamente de uma rede moderna e inovadora. Os jovens e os adultos portugueses são os mais conectados à internet na Europa. É por isso que temos de responder às transformações da sociedade, simplificando processos, modernizando a nossa organização e diversificar os serviços que prestamos. Por outro lado, a nossa atividade comercial passa igualmente pela reorientação da estratégia do Cartão Jovem EYC, efetivando o seu papel enquanto programa de política pública de juventude. A conjugação destas orientações permitirá aumentar a atividade comercial sem, contudo, colocar em causa a qualidade do serviço já prestado, que faz da Movijovem uma referência.

Em 2017, a Movijovem atingiu os melhores resultados de atividade desde a sua fundação, com as Pousadas de Juventude a registarem 489.000 dormidas, o Cartão Jovem EYC 173.000 unidades e o INTRA_RAIL mais de 1.500 unidades. Com estes números tão positivos, acredita que é possível fazer melhor?

De facto, estamos a falar de excelentes resultados de atividade que orgulham a Movijovem pelo reconhecimento público das marcas e dos produtos que estão à sua gestão. Acreditamos que podemos ir ainda mais longe, aumentando a atividade das Pousadas de Juventude, apostando na comunicação e marketing, na estruturação do produto, na fidelização de novos clientes e na redução da sazonalidade. Vamos continuar a investir na ativação promocional do INTRA_RAIL, que entre outras ações, terá em Cascais – Capital Europeia da Juventude 2018 um grande momento de destaque, através da realização de um INTRA_RAIL Live Trip promocional. Como tive oportunidade de referir anteriormente, estamos igualmente apostados na reorientação da estratégia do Cartão Jovem EYC, que consistirá na sua modernização e promoção do envolvimento dos jovens em novos processos e projetos de formação pessoal, social e profissional, nomeadamente, implementando uma App e a tecnologia NFC à gestão de utilizações, dinamizando, assim, o portal web criando, por conseguinte, um sistema de reporte, avaliação e inovação permanente.

A Movijovem é membro de diversas organizações europeias e internacionais, entre as quais a EYCA (European Youth Card Association) e IYHF (International Youth Hostel Federation). A cooperação internacional será um dos pontos mais fortes da sua liderança?

Vamos continuar a aprofundar e a promover a cooperação. A Movijovem tem para com as diversas organizações europeias e internacionais de que é membro o entendimento de que o seu estatuto de fundador comporta um comprometimento acrescido. Essa visão traduz-se em ações como a coorganização da 34.ª Conferência Anual e Assembleia Geral da EYCA, que se realizará em Cascais – Capital Europeia da Juventude 2018 e na realização, em Lisboa, de uma reunião da Direção da EYCA, mas também, no estabelecimento de formas e protocolos de cooperação com outras organizações congéneres, ao nível da Hostelling Internacional, como é o caso do recentemente celebrado com a Rede Espanhola de Albergues Juvenis e que visa a promoção conjunta do património cultural no destino ibérico. Este último caso reflete, ainda, a nossa aposta na segmentação do mercado ibérico e europeu como alavanca de crescimento, sem descurar outros mercados internacionais, designadamente, o do Brasil, dos Estados Unidos e da Ásia.

A terminar, que mensagem lhe aprazaria deixar? 

Permita-me deixar duas mensagens que me parecem muito importantes. Estamos no início de um ciclo de intenso trabalho na Movijovem, num momento em que o país e a Europa celebram o Ano Europeu do Património Cultural. E nesse contexto, a primeira mensagem que quero deixar é um convite a todas e a todos que neste ano, individualmente ou em grupo, queiram explorar e desfrutar do imenso património material e imaterial que constitui a identidade do nosso país e do nosso povo. A segunda mensagem é essencialmente de agradecimento aos que fazem da Movijovem uma entidade de excelência na área da mobilidade juvenil e aos que confiam na Movijovem, nos seus serviços e nos seus produtos. É essa confiança, bem patente nos resultados da atividade da cooperativa, e o trabalho incansável dos nossos colaboradores que nos animam e inspiram na nossa missão junto dos jovens portugueses e estrangeiros, no fundo, a fazer-lhes viver Portugal.

“Somos um ser digno de respeito”

Mulheres e Homens. Na sua opinião existe alguma diferença na forma de perpetuar uma liderança segura, de qualidade e rigor ou a liderança nada se relaciona com o género?

Suponho que não devemos conotar liderança ao género. Defendo que a liderança seja uma característica nata e que se vai evidenciando durante o crescimento do indivíduo, até à formação da personalidade, pese embora nalguns casos tenhamos exemplos de homens ou mulheres que foram moldados para exercer a liderança. Quanto à liderança ser segura, de qualidade e de rigor, são requisitos próprios deste estado de espírito, acrescentando a autoridade e quiçá ascendência.

Quem é Helena Isabel Morais, e qual o modelo de liderança que aporta no seu quotidiano no sentido de aportar resultados?

É uma mulher versátil com valores morais e defeitos, nasceu e cresceu em Luanda. Concluiu a sua formação académica na Rússia, com grau Mestre em Direito Internacional. É mãe, executiva, advogada e tem como hobbie a música. Não tenho um modelo de liderança de eleição. Procuro moldar-me às situações, e com certeza no dia a dia ser desafiada a adotar métodos dos vários modelos existentes para fazer acontecer, mas existem aspetos de que não abro mão ao liderar que definem alguns traços da minha personalidade como a responsabilidade, o rigor e o bom humor.

De que forma é que define o seu percurso profissional e quais os momentos que considera mais importantes na sua carreira?

Defino como desafiante, com altos e baixos. Um período complexo desde o primeiro emprego que nada tinha a ver com a minha área de formação. Penso que todos os momentos foram importantes, porque permitiram-me aprender, desafiar-me e amadurecer profissionalmente.

Qual é, na sua opinião, o melhor modelo de liderança, se é que existe um?

Suponho que não exista o melhor modelo de liderança, mas sim uma forma de adaptarmo-nos a situação e os liderados à nossa liderança. As relações humanas são complexas. Podemos reunir as melhores práticas e métodos entendidos como eficazes, mas que não servem para todos.

Num mercado de trabalho onde as questões ligadas à liderança e à gestão de talentos são cada vez mais fulcrais, que características indicaria como sendo fundamentais para um líder e gestor de pessoas?

Presumo que as características fulcrais para um bom líder seriam: a disciplina, o respeito pela dignidade das pessoas, a integridade, o carisma, a comunicação, a flexibilidade, a resiliência, a perseverança e o bom humor, enquanto, que para gestão de pessoas, precisamos mostrar como e com que meios devemos atingir esse objetivo, pois é imperioso que estejamos dotados de valores e know-how para servir de exemplo.

Durante a sua carreira, alguma vez sentiu ou enfrentou obstáculos pelo simples facto de ser mulher?

Sempre me foquei nos meus objetivos, e a prioridade foi alcançá-los. O mercado de trabalho continua muito competitivo, independentemente do género. Se de entre o misto de obstáculos já enfrentados por mim neste percurso um deles tenha sido o facto de ser mulher, e ser discriminada por essa realidade, não me apercebi ou quiçá não tenha dado relevância, porque não me podia deixar fragilizar e distrair do foco, pois se formos afetados psicologicamente por fatores externos, bloqueamos completamente e não nos conseguimos libertar, é como se estivéssemos privados de liberdade estando livres.

O que falta, na sua opinião, para que a igualdade de oportunidades seja cada vez mais uma realidade?

Analisando o paradigma que se vislumbra em muitas sociedades em que a mulher é o género mais frágil e que deve ser totalmente submissa ao homem, deixa evidente que a corrente milenar apologista desta ideologia, o machismo, ainda é um facto nos dias de hoje. Penso que, para que a igualdade de oportunidades seja uma realidade, exige-se uma sociedade  diferente e entidades com competência para, que através de programas de ensino e/ou políticas, houvesse uma mudança cultural e de atitude, que posterior e claramente se refletiria também nas demais organizações e/ou outras instituições.

Que análise perpetua da dinâmica e da importância da mulher profissional em Angola? Ainda existe muita coisa a mudar?

Esta dinâmica ainda está aquém da ideal, mas repare que hoje mais mulheres ocupam cargos, outrora ocupados somente por homens, mulheres ávidas em obter qualificação para alcançarem outros patamares, imbuídas de vontade, competência, disciplina e justiça. Quanto à mudança, existe sem sombra de dúvida! Não vamos somente atender aquela mulher angolana que começa a destacar-se apenas pela sua qualificação académica/profissional, mas também pela sua independência como ser humano. Temos que ser realistas e afirmar que a maior parte da mulher angolana é dependente economicamente e esta subordinação torna-a vulnerável.

Que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres que irão ler a sua entrevista?

Mulheres angolanas valorizemo-nos, pois ao fazê-lo teremos o reconhecimento merecido. Independentemente de qualquer profissão que exerçamos, somos um ser digno de respeito. Sejamos unidas e solidárias com aquelas que precisam de coragem para o seu engrandecimento e demonstrarmos que a diferença de género é unicamente genética, de modo a transpormos a “barreira psicológica” imposta pelo estereótipo da sociedade. Posicionemo-nos contra qualquer tipo de assédio ou atitudes machistas e sexistas por parte de quem quer que seja. O assédio é crime, e por isso não deve ser tolerado em momento nenhum.

Roménia com surto de sarampo

Alexandru Rafila, responsável de um laboratório no Instituto Nacional Matei Bals para Doenças Infeciosas, disse à agência noticiosa norte-americana Associated Press que a rapidez da transmissão da doença deveu-se ao número elevado de romenos que esteve em contacto com diferentes estirpes do vírus do sarampo enquanto trabalhava no estrangeiro, e voltou depois para o país.

Rafila afirmou que a doença apareceu pela primeira vez numa comunidade de ciganos no noroeste da Roménia em 2016, sendo que a estirpe era desconhecida até então no país, mas encontrada frequentemente na Itália.

Alguns médicos queixam-se do número insuficiente de vacinas disponíveis.

De acordo com o Centro Nacional para a Supervisão e Controlo da Doenças Transmissíveis, desde o início do surto em 2016, cerca de 13.700 pessoas no país contraíram a doença e 55 morreram, das quais apenas uma se encontrava imunizada.

Segundo alguns médicos, o surto deve-se às baixas taxas de vacinação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma taxa de vacinação de 95%, valor que na Roménia é inferior a 84%.

Na Roménia persistem muitas superstições sobre métodos alternativos de prevenção de doenças, juntamente com celebridades que divulgam os perigos da imunização, como Olivia Steer, personalidade conhecida da televisão que promove publicamente a sua posição anti vacinação.

“As pessoas que se opõem à vacinação são publicitadas (nos meios de comunicação) de uma forma que não é ética”, disse Rafila.

Segundo médicos romenos, a população mantem-se cautelosa em relação à imunização, devido a pesquisas publicadas à 20 anos que afirmavam existir uma ligação entre a vacinação e o autismo, que atualmente se encontram desacreditadas.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças referiu que o número de casos de sarampos confirmados no continente triplicou no último ano, identificando como casos mais graves os registados na Roménia, Ucrânia e Itália.

Especialistas explicam porquê que o cabelo muda de aspeto

Explica o The Independent que a vida do cabelo passa por três fases, durante as quais a textura e aspeto do cabelo variam. A primeira, fase anagena é a de crescimento, e dura até sete anos. Segue-se a fase categene, fase de transição, em que o fio de cabelo separa-se da raiz e fica apenas ‘preso’ no couro cabeludo (esta fase dura entre uma semana e 10 dias) e por fim, a fase telogena, ou de repouso, em que o cabelo cai, dando lugar ao nascimento de novos cabelos. Esta ultima fase tem a duração de três meses.

Ora, porque o cabelo não cai todo ao mesmo tempo, cada fio tem o seu ciclo próprio. Estima-se por isso que 85% dos cabelos se encontrem na fase de crescimento e 14% na fase de repouso, sensivelmente. Porque a fase de transição dura apenas alguns dias, é difícil contabilizá-los.

Quando há menos fios de cabelo na fase de crescimento, sofre-se um desequilíbrio que se reflete em queda de cabelo acentuada e perda de cabelo. Para o evitar, é crucial que o cabelo seja devidamente cuidado, para que a primeira fase do ciclo seja a mais longa. Também na fase de transição o cabelo carece de cuidados, pois só assim se garante que o folículo libertado está preparado para o nascimento do próximo cabelo.

Porque as três fases ocorrem em simultâneo em diferentes fios de cabelo, resta-lhe adaptar os produtos de higiene e cuidado ao aspeto do seu cabelo, num todo, algo que varia por diversas questões como a idade, que torna o cabelo mais sensível ou alterações hormonais, como a gravidez, mudança de alimentação ou falta de peso.

Mas há também fatores externos que podem influenciar o seu cabelo. Andrew Jose, cabeleireiro, aponta a culpa aos próprios cabeleireiros que não tem em conta o ‘jeito’ próprio de cada cabelo, que deveria definir a forma como o corte é feito.

Apesar disso, o principal responsável não deixa de ser a própria pessoa, que expõe o cabelo a demasiados químicos de produtos específicos de pentear, modelar ou dar cor, sem contar com as altas temperaturas a que o expomos.

A solução? Aceitar que o cabelo muda com o tempo e que o mínimo de produtos é, na maioria dos casos, a melhor forma de o ter saudável.

Apresentadas propostas para a redução do plástico

O grupo de trabalho para os plásticos criado pelo Ministério do Ambiente apresentou, na quinta-feira, as conclusões da investigação relativamente ao consumo e produção de plástico em Portugal.

Face à utilização excessiva de material plástico, o grupo de trabalho defendeu ontem, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, um conjunto de iniciativas que, a serem aplicadas, terão um impacto positivo na redução da utilização deste material nocivo para o planeta.

A coordenadora do centro de informação de resíduos da Quercus, Carmen Lima, revelou ao Notícias ao Minuto aquelas que foram as principais medidas apresentadas pelos investigadores.

Assim, o sistema de depósito é considerada uma iniciativa que terá um “contributo importante, tanto para conseguir cumprir a meta de recuperar para reciclagem 90% das garrafas de plástico, como para motivar os consumidores a aderir”.

Outra medida a implementar deverá ser uma aposta em “sacos mono-materiais e de espessura mais fina”, pois assim poderá garantir-se um “consumo de material menor no fabrico dos mesmos e uma maior reciclagem destes”.

Importante é também “reduzir as tintas e coloração” dos plásticos, “otimizar as instalações de reciclagem existentes para promover uma melhoria da qualidade dos materiais reciclados” e também apostar na “recolha porta-a-porta”.

Por fim, mas não menos importante, o grupo de trabalho sublinhou a necessidade de se criarem incentivos fiscais que promovam soluções alternativas, bem como apostar mais em campanhas desensibilização e informação.

Aliás, relativamente a este ponto, Carmen Lima considera que o problema dos portugueses não é falta de sensibilidade para este tema, mas sim, a ausência de conhecimento relativamente ao que podem fazer para reduzir a produção de resíduos e aumentar a reutilização.

“Certo é, que o paradigma da política da economia circular, a estratégia europeia para os plásticos e a proposta da Comunidade Europeia para os descartáveis vão contribuir para uma mudança do paradigma da forma como vamos utilizar o plástico na nossa vida”, rematou a responsável.

Síria: Ataques noturnos atribuídos à Rússia

Os ataques atingiram na noite de quinta-feira a localidade de Zardana, controlada por rebeldes e jihadistas, na província do noroeste do país, segundo o OSDH.

Pelo menos 38 civis, incluindo cinco crianças, foram mortos nos ataques, revelou o Observatório, que num anterior balanço tinha falado em 18 mortes. Os ataques provocaram ainda 60 feridos.

O número de mortos aumentou porque vários corpos foram retirados dos escombros das casas destruídas pelas bombas, disse à Agência France-Presse (AFP) o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Após os ataques aéreos, abriu-se uma grande cratera no meio de prédios de dois ou três andares, de acordo com um correspondente da AFP no local.

Os civis ajudaram as equipas de resgate a retirar os corpos que estavam enterrados nos escombros.

Num hospital próximo são prestados cuidados médicos a mulheres feridas, crianças, idosos e socorristas.

A maior parte da província de Idleb é controlada pelos jihadistas de Hayat Tahrir al-Sham, uma coligação dominada pelo antigo ramo da al-Qaeda na Síria.

Esta província, uma das últimas a escapar em grande parte do poder de Bashar al-Assad, é regularmente alvo de ataques por parte do regime ou do seu aliado russo.

Desde o apoio russo na intervenção militar de 2015, o regime de Bashar al-Assad recuperou o controlo de mais de 60% do território nacional.

Mais de 350.000 pessoas foram mortas na Síria desde o início do conflito, em 2011.

Quais são as principais dúvidas que os pais têm sobre cuidados dermatológicos nos bebés?

Por Felicidade Santiago, Médica especialista em dermatologia pediátrica do Centro Hospitalar de Leiria

Na consulta de dermatologia pediátrica, os pais frequentemente questionam sobre três temas: cuidados de higiene e hidratação, dermatite das fraldas e fotoproteção.

O marketing da cosmética infantil, excessivo e apelativo, contribui muitas vezes para criar mais dúvidas.

O bom senso deve imperar, e os conselhos aqui descritos não constituem normas obrigatórias, devendo ser adaptados à realidade de cada família e a cada caso individual.

  1. Higiene e hidratação

A periocidade do banho varia com a idade, clima, e ambiente ao qual a criança está exposta. Para recém-nascidos e crianças pequenas, o banho completo poderá realizar-se cada 2-3 dias, mas com uma higiene diária da região das fraldas, pescoço, mãos e cara.  As crianças mais velhas poderão necessitar de um banho diário, sobretudo se brincarem ao ar livre ou em áreas públicas. A duração ideal do banho deverá ser inferior a 15 minutos (em recém-nascidos e crianças pequenas inferior a 5 minutos), usando um produto de higiene suave com um pH igual ou inferior a 7, bem tolerado e agradável.

Os banhos prolongados ou perfumados, com água muito quente e sabões muito ativos, podem provocar secura e irritação. Alerta-se, que os óleos de banho tornam a superfície da banheira escorregadia e perigosa.

Em crianças com peles normais não se justifica o uso de produtos especiais para o banho e o melhor produto é aquele que agradar à criança e aos pais.

Relativamente ao uso de champôs, nos primeiros meses de vida pelo facto do cabelo ser curto e frágil , pode usar-se o mesmo produto para o corpo e cabelo, e posteriormente, um champô suave que não provoque ardor nos olhos da criança.

Após o banho, sugere-se a aplicação imediata de um hidratante para combater a pele seca. Esta recomendação torna-se obrigatória nas crianças que sofrem de dermatite atópica.

  1. Prevenção da dermatite das fraldas

A região das fraldas é uma zona muito vulnerável a irritações, por constituir um ambiente quente e húmido, e pelo contacto frequente com urina e fezes. Deve estar sempre limpa e seca, e para tal é fundamental a muda frequente de fraldas; deixar secar ao ar algum tempo (nem sempre fácil, há quem aconselhe secador no ar frio); uma boa higiene, com água morna, loções ou óleos de limpeza recorrendo a algodão ou compressas. Podem ainda ser utilizados cremes barreira ou pastas (à base de óxido de zinco, titânio e amido), contudo se a pele for normal, o seu uso por rotina não é necessário. O recurso a toalhetes deve ser excepcional, pois podem provocar irritação.

Se a irritação na região das fraldas se mantiver ou agravar, a criança deverá ser avaliada em consulta para optimizar o tratamento.

 

  1. Fotoproteção

A fotoproteção em idade pediátrica passa antes de tudo pelo respeito das horas de exposição solar, evitando as 11-17 horas (deverá ser feita em alturas em que a sombra de um indivíduo é superior ao seu tamanho); uso de roupa adequada (escura e não molhada), chapéus que cubram a pele e óculos escuros; e ingestão frequente de água durante os períodos de exposição.

Antes do primeiro ano de idade, não se aconselha a exposição direta ao sol. Até́ aos 3 anos deverão usar-se fotoprotetores com filtros inorgânicos (minerais), que não são absorvidos. O protetor solar deverá ser aplicado em quantidades adequadas  nas áreas expostas, 30 minutos antes da exposição e a re-aplicar de 2-2 horas e após o banho. O seu uso não deve servir para aumentar a duração da exposição solar.

Nestas idades é essencial brincar ao livre, mas de forma segura, programando as atividades para a manhã ou fim de tarde, e em áreas de sombra. Sabe-se que a queimadura solar na infância aumenta o risco de cancro de pele em idade adulta.

 

(Para mais informações sugere-se consulta do site  www.spdv.pt e www.apcancrocutaneo.pt)

 

EMPRESAS