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Elisabete Teixeira

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A importância das Energias Renováveis Offshore

De forma a elucidar os nossos leitores, o que se entende por energias renováveis offshore?

Energias renováveis offshore inclui todas as energias geradas por fontes renováveis a partir de tecnologias que são instaladas no mar, sendo as mais comuns a energia das ondas, a energia das correntes marítimas e a energia das marés. A energia eólica offshore é também incluída nas renováveis offshore embora a força motriz não seja o oceano, mas sim o vento.

De que forma é que a WavEC, outrora Centro de Energia das Ondas, uma associação privada sem fins lucrativos, se posiciona hoje no mercado enquanto empresa especializada em energias renováveis offshore?

Na sua trajetória de evolução o WavEC tem defendido como visão ser líder no desenvolvimento de soluções inovadoras em tecnologia marinha e tem assim hoje como missão desenvolver soluções sustentáveis para a Economia Azul através da inovação, transferência de conhecimento e disseminação. Esta missão é assegurada através do suporte tecnológico e científico às empresas e administração pública, fomentando uma maior participação em projetos de I&D e Inovação, realizando consultoria e interagindo com instituições internacionais.

A nível europeu podemos considerar que Portugal, além de pioneiro no desenvolvimento desta tecnologia, é um dos países com os melhores recursos para apostar neste segmento?

Portugal é um dos países com melhores recursos naturais para explorar as energias renováveis marinhas: tem uma vasta zona costeira, uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa e um contexto climático favorável ao desenvolvimento de fontes renováveis de energia associadas ao vento e ao mar. Além disso tem boas infraestruturas portuárias e uma rede elétrica junto à costa.

Em termos de impactos económicos quais os aspetos mais positivos que se traduzem na aposta das energias renováveis offshore?

Os aspetos mais positivos em termos de benefícios económicos traduzem-se no desenvolvimento em Portugal de uma cadeia de fornecimento baseada em conhecimento, know-how e mão-de-obra qualificada, potenciadora de exportação de bens e serviços gerando valor acrescentado bruto (VAB), além da criação de novos empregos.

Recentemente alargaram a vossa atividade à aquacultura offshore e a projetos de engenharia nos oceanos. Pode falar-nos um pouco sobre os mesmos?

A nossa aposta inicial começou por ser energias renováveis offshore, mais concretamente energia das ondas e energia eólica offshore flutuante, mas, entretanto, apercebemo-nos que as nossas competências e know-how poderiam ser facilmente aplicados a outras atividades no mar, igualmente interessantes, nomeadamente à aquicultura offshore. As soluções para alguns desafios que se colocam ao desenvolvimento da aquicultura em mar aberto estão muito relacionadas com o tipo de trabalho de inovação que realizamos nas renováveis offshore e que passam por ensaios experimentais, modelação numérica estrutural e hidrodinâmica, estudo das amarrações, ferramentas de planeamento de aquacultura, incluindo o controlo da produção, monitorização dos vários parâmetros e custos associados, elaboração de planos de negócio, entre outros. É um setor em crescimento que parece atrativo para Portugal e no qual já iniciámos atividade.

A indústria da aquacultura de salmão no Atlântico enfrenta dois desafios de relevo: minimizar o impacto ambiental, e controlar epidemias associadas à alta densidade de peixes em volumes de água limitados. Uma possível solução tecnológica para estes problemas é a utilização de jaulas flutuantes, rígidas e estanques. Realizámos recentemente estudos de modelação numérica do escoamento interno deste tipo de jaulas para uma empresa Norueguesa; refinámos também o desenho das jaulas para melhorar a qualidade do escoamento interno induzido.

Também temos estado envolvidos em diversos projetos de engenharia de apoio ao aproveitamento das energias renováveis offshore. As tecnologias de energias renováveis offshore requerem serviços periódicos de inspeção, reparação e manutenção. Há uma necessidade de reduzir o custo destas operações e alguns dos projetos em que o WavEC está envolvido tem a ver com o desenvolvimento de soluções técnicas com um custo suficientemente baixo e a elevada precisão necessária para muitas destas operações. O projeto EraKRAKEN financiado pela FCT e liderado pelo WavEC é um destes exemplos: tem por objetivo reduzir os elevados custos das operações subaquáticas através do desenvolvimento de um sistema de manutenção com um braço robótico que possa ser instalado em qualquer ROV e realizar todos os serviços que usualmente são executados por mergulhadores ou ROVs de classe superior. Daqui resulta uma diminuição em 50% da logística e dos custos operacionais envolvidos nos serviços subaquáticos. O ARTIFEX com parceiros Noruegueses e financiado pelo Research Council of Norway é outro projeto muito semelhante, mas virado para operações de reparação e limpeza das redes de aquacultura. Atualmente estamos a preparar um plano de negócios para aplicação de energias renováveis em sistemas de aquacultura.

O que precisa ainda de ser aperfeiçoado no setor para melhorar o potencial de Portugal?

É preciso uma abordagem ativa e integrada para atrair para Portugal projetos e parceiros com capacidade tecnológica, comercial e financeira, desenvolver uma cadeia de fornecimento competitiva, promover e captar inovação, tendo em vista promover emprego qualificado, exportações e atividades de alto valor acrescentado. Nesta abordagem, o desenvolvimento de zonas de teste no mar, para vários níveis de TRL, deve ser uma aposta. Nestas zonas de teste, deve haver apoio integrado, disponibilizado por equipas qualificadas, e esquemas de financiamento a fundo perdido para as fases iniciais de testes no mar, uma vez que é esta a fase mais crítica para os dispositivos/protótipos conseguirem avançar e ganhar a confiança dos investidores. Estes testes no mar envolvem um elevado grau de risco técnico e custos significativos. Antes de concluir estes testes é muito difícil para as equipas atrair investimento e fazer previsões sólidas do seu plano de negócios. Em contrapartida pelo financiamento dos testes (tipicamente um ano), a entidade financiadora poderia ter acesso total aos dados de produção e desempenho.

CHEP nomeia nova Country General Manager para Portugal

A CHEP, líder mundial em soluções logísticas para a cadeia de abastecimento, acaba de nomear Filipa Ferreira Mendes como Country General Manager para Portugal, reportando a Enrique Montañés, Senior Vice-Presidente da CHEP para o Sul da Europa.

Com mais de 20 anos de experiência, a nova Country General Manager para Portugal possui um vasto conhecimento do mercado de bens de grande consumo, a nível nacional e internacional. A CHEP fortalece, assim, a sua posição enquanto empresa fornecedora de soluções cada vez mais sofisticadas e parceiro de excelência na cadeia logística, com uma capacidade de resposta cada vez maior à também crescente complexidade do mercado.

Filipa Ferreira Mendes trabalhou anteriormente na REPSOL Portuguesa, enquanto Consultora Sénior para o negócio de Non-Oil, tendo a seu cargo a implementação do plano de ação e as estratégias comerciais para as lojas de conveniência. Filipa colaborou também no desenvolvimento de um novo modelo de lojas e respetivo merchandising, levando em simultâneo o desenvolvimento de parcerias estratégicas.

Prévio a REPSOL, Filipa foi Diretora na FNAC Portugal, onde esteve à frente da gestão e crescimento das áreas de negócio de Livros, Jogos & Brinquedos, Papelaria e Revistas. Na sua experiência profissional destaca-se também a passagem pelo Departamento de Compras da MAKRO, o cargo de Diretora de Vendas na SONAE e o trabalho desenvolvido na área de marketing da COMPAL, que hoje é um dos principais clientes da CHEP, Grupo SUMOL+COMPAL, líder no segmento de bebidas não-alcoólicas.

Acreditamos que a sua vasta experiência e conhecimento do mercado nacional serão importantes para que a CHEP alcance os seus objetivos estratégicos e financeiros, de forma a assegurar o crescimento e prosperidade da empresa no futuro”, afirma Enrique Montañés.

Filipa Ferreira Mendes será responsável pela melhoria da rentabilidade, proatividade e inovação da CHEP Portugal, de modo a assegurar que a empresa seja a primeira escolha dos clientes e parceiros da cadeia logística, oferecendo serviços de qualidade superior que permitem reduzir o risco e, em simultâneo, promovem a sustentabilidade ambiental. 

Acerca da CHEP

A CHEP é líder mundial em soluções de embalagens manuseáveis, retornáveis e reutilizáveis para a cadeia de abastecimento, servindo as mais importantes empresas do mundo em sectores como os bens de consumo, produtos frescos, bebidas ou sector automóvel, em mais de 60 países. A CHEP disponibiliza uma vasta gama de serviços ambientalmente sustentáveis que contribuem para aumentar o nível de eficiência dos clientes, enquanto reduz o risco operacional e os danos nos produtos. Os mais de 11.500 colaboradores e 275 milhões de paletes e contentores proporcionam uma abrangente cobertura e valor excepcional, apoiando mais de 500.000 pontos de contacto de clientes para marcas globais, tais como Procter & Gamble, Sysco, e Nestlé. A CHEP faz parte do Grupo Brambles, que opera um portfólio que inclui a IFCO, fornecedor líder de RPCs (Contentores Plásticos Reutilizáveis) à cadeia de abastecimento de alimentos frescos a nível global, bem como soluções de contentores especializadas para os sectores de petróleo e gás, automóvel e aeroespacial. Para obter mais informações sobre a CHEP, visite www.chep.com

A descarbonização da mobilidade: da retórica à necessária transformação da prática

Em Portugal, nos últimos 20 anos, triplicamos o peso do transporte individual motorizado na repartição modal (ou seja, o peso do carro nas nossas deslocações diárias passou de 20 para cerca de 60%). Notar que este crescimento aconteceu essencialmente com base na perda de importância do modo pedonal e dos transportes públicos (que perderam 20 e 10% da sua quota, respetivamente).

Perante este fenómeno, contrário à retorica dominante sobre a importância da descarbonização da mobilidade, creio existirem duas atitudes complementares a ter em conta.

Primeiro, importa não encobrir a realidade e reconhecer que a fase atual é, ainda, a do automóvel. A urbanização extensiva, que tem marcado as transformações territoriais mais recentes, assim o exige e determina. A cidade compacta, densa e com limite bem definido, deu lugar a um urbano vasto, disperso, fragmentado e absolutamente dependente da mobilidade assente no transporte individual. O carro é hoje uma peça chave na organização e funcionamento da cidade contemporânea, sendo que ocultar esta realidade significa, em grande medida, com ela pactuar.

Segundo, há que embarcar na “agenda” da “descarbonização da mobilidade” porque nos permite, “remando contra a maré”, defender uma transformação mais ordenada do território, isto é, minimizar custos (energéticos, ambientais e financeiros) e melhorar a qualidade de vida coletiva. Neste ponto, importa sublinhar que a mobilidade elétrica, tida hoje como a panaceia para todos os males do carro, apesar de contribuir para atenuar o seu impacto ambiental, é ainda manifestamente insuficiente para resolver outros tantos problemas. O congestionamento, a obesidade crescente (associada nomeadamente ao sedentarismo e à inatividade física), os acidentes rodoviários, a perda de autonomia dos cidadãos não motorizados e sobretudo, a necessária qualificação do espaço público das nossas cidades (que carece de intervenções que assegurem uma maior humanização), exigem outro tipo de ações e soluções.

Para atingir tais resultados é assim necessário definir um percurso multissectorial, uma estratégia persistente e de médio/longo prazo.

Sintetizando, a efetiva descarbonização da mobilidade, exige uma alteração da prática instalada, seja entre decisores políticos ou mesmo entre técnicos. Para o efeito, no meu “Ponto de Vista”, importa criar “Planos de Descarbonização da Mobilidade”, que combinem quatro tarefas distintas:

  • Articular o planeamento da mobilidade e do uso do solo, distinguindo áreas da cidade para as quais deverá haver clara aposta no transporte público e nos modos suaves (e onde, em consequência, deve ser dificultado o uso do automóvel particular, nomeadamente através de uma política de estacionamento dissuasora).
  • Definir e rever políticas urbanísticas, fiscais e financeiras indutoras de localizações precisas de novos usos e atividades, especialmente dos grandes geradores de tráfego.
  • Identificar e qualificar as centralidades já existentes, avançando com propostas específicas para a qualificação de determinados espaços públicos, sobretudo reforçando a sua dimensão e o seu desempenho pedonal.
  • Envolver a comunidade, em particular as escolas, explicitando e discutindo em cada caso, vantagens e objetivos das ações a implementar em cada espaço da cidade.

Professor Frederico Moura e Sá


Perfil

Urbanista, Doutor em Arquitectura pela FAUP (Perfil de Urbanismo), Mestre em Planeamento do Território (Ordenamento da Cidade) pela UA e Licenciado em Engenharia Civil (Opção de Planeamento do Território, Transportes e Ambiente) pela FEUP.

Iniciou a sua atividade profissional em 2002, enquanto investigador do CITTA e colaborador da SPTTA da FEUP, onde esteve envolvido em diversos projetos, nomeadamente: no Estudo para a Reabilitação da Baixa do Porto, na revisão do PDM de Chaves, na elaboração de “Planos de Mobilidade Sustentável” para vários concelhos, no Plano Estratégico para a 2ª Fase do Metro do Porto e na Avaliação do Impacto Global da 1ª fase do Projeto do Metro do Porto na cidade e área metropolitana. Mais recentemente, pelo IC-FEUP foi um dos responsáveis pelo “Estudo e Avaliação da Procura Estrutural das Linhas Alternativas para a Expansão da Rede do Metro do Porto”.

É Docente da UA e membro do GOVCOPP desde 2008, onde está envolvido em diversos projetos de investigação, projetos europeus e de prestação de serviços nas áreas da reabilitação urbana, do planeamento urbano, da mobilidade e da qualificação de espaços públicos (com destaque para a coordenação: de Planos de Urbanização, de Projetos relacionados com Bikesharing e do Projeto para Qualificação da Avenida Dr. Lourenço Peixinho em Aveiro).

É sócio gerente da Jorge Afonso Carvalho Urbanistas Lda. estando envolvido em diversos trabalhos nas áreas do planeamento urbano e da mobilidade, e na execução urbanística.

Tem como principais áreas de interesse: o planeamento do território e da mobilidade, as infraestruturas urbanas e a qualificação do espaço público urbano.

RGPD: “confusão e desconhecimento mantêm-se”

O RGPD assenta no pressuposto que os dados pessoais devem ser protegidos e que são um direito individual, esta legislação foi criada para garantir que os dados pessoais, para além de protegidos, sejam utilizados apenas em caso de necessidade garantido, desta forma, a integridade dos mesmos.

Nas organizações, o RGPD não deve ser encarado como algo que só diz respeito às Tecnologias da Informação ou aos departamentos legais, mas sim a toda a organização uma vez que esta é afetada num todo – do departamento comercial, ao marketing e à comunicação, dos recursos humanos ao departamento financeiro. As mudanças devem ocorrer nas partes para que se materializem no todo.

Neste sentido, podemos dividir as organizações em dois grandes grupos:

  • As que trabalham no sentido de estar em conformidade com o RGPD para não estarem sujeitas a coimas.
  • As que aproveitam esta alteração na legislação para efectuarem alterações profundas na sua organização.

Não há nada de errado com nenhuma das abordagens anteriores, errada é a premissa de que existe uma solução milagrosa para se estar em conformidade com o RGPD.

Não existe uma fórmula secreta que ao ser cumprida termine num resultado mágico ou num certificado para que a organização esteja em conformidade com a legislação. Quando não se sabe o que uma legislação pretende, também não se conseguirá, certamente, atuar no sentido de se cumprir com ela.

Segundo um estudo lançado no final de Maio passado – no auge do buzz do RGPD – pela IDC e a Symantec, as organizações não podem, de maneira alguma ignorar o RGPD e, pelo contrário, devem inclui-lo nos processos de negócio:

  • Devem avaliar o estado de cumprimento com o RGPD
  • Devem formar parcerias com especialistas em ciber segurança
  • Organizar uma task-force multi-disciplinar para proceder à implementação de todas as alterações necessárias (o RGPD não é somente um problema de IT)

A conformidade com o RGPD é um caminho, é uma adaptação, é ser vigilante e estar ciente de que existe transparência suficiente em todos os processos da organização, os internos e os externos sendo necessário para isso iterar, reavaliar, alterar e aplicar todas as alterações necessárias até porque as organizações não são estanques, evoluem e reinventam-se.

Para acelerar o processo para a conformidade com o RGPD existem várias ferramentas no mercado, existem até alguns “certificados de compliance”, quando não é um certificado que o regulador pretende.

Escolher a melhor ferramenta ou parceiro poderá ser o primeiro grande passo para a conformidade com o RGPD porque, e voltamos a reforçar, ao não se ter conhecimento daquilo que é o resultado pretendido pelo regulador, não se consegue optar pelo caminho mais eficiente para lá chegar.

A dayzero_ apoia-se nos conhecimentos e experiência próprios e dos seus parceiros, para apoiar os clientes nos projectos de implementação do RGPD, com produtos pensados e desenhados para acompanhar e guiar na implementação, seja em consultoria in-house, ou com o Playbook RGPD ou com as soluções de cibersegurança.

Tornar a sua organização compliant com o RGPD pode e deve ser um projecto apoiado em conhecimento, parcerias e produtos que foram desenhados para esse fim.

No passado dia 10 de Julho,  a dayzero_ e a sua parceira Marbral Advisory levaram a cabo um Webinar explicativo do RGPD e daquilo que são as nossas soluções e produtos, em especial o Playbook RGPD.

Nuno Godinho, Managing Partner da dayzero_

Data Science: Qual é o seu papel na economia?

É Cofundador e Vice-Presidente da Data Science Portuguese Association (DSPA), a primeira do género no território nacional. Qual é a missão da DSPA?

A DSPA é uma associação privada sem fins lucrativos, fundada por pessoas ligadas a variados setores de atividade, públicos e privados, que tem como missão o fomento do recurso à Data Science para a construção de um mundo melhor. A DSPA quer ser o veículo para a cooperação nacional e internacional entre agentes do setor, com vista ao seu desenvolvimento nas vertentes económica, de investigação, de divulgação e de desenvolvimento de competências.

A DSPA pretende representar a criticidade e o impacto crescentes deste setor no mundo pessoal e empresarial. A verdade é que Data Science ou Ciência de Dados é uma área que já existe há mais de 30 anos. Qual é, portanto, o impacto deste setor nos dias de hoje?

A Data Science é importante porque permite reduzir custos e aumentar receitas, mas, para ser eficaz, necessita da congregação de evoluções tecnológicas, científicas, e económicas, que, não sendo novas, somente agora atingiram uma maturidade profícua.

Em primeiro lugar, o desenvolvimento tecnológico originou computadores velozes capazes de tratar grandes quantidades de dados em tempo oportuno. Em segundo lugar, o desenvolvimento científico deu-nos novos algoritmos para tratar esses dados. Por último, os dados – matéria prima para os algoritmos e computadores -, são hoje ubíquos na economia dada a crescente transformação digital verificada nas organizações. Estão assim criadas as condições para que a Data Science assuma um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento económico sustentado.

É, ainda, autor do primeiro livro português sobre Blockchain, “Introdução à Blockchain”. Os negócios podem estar à beira de uma mudança fundamental e radical graças a esta nova tecnologia, a blockchain?

Sim. Quando uma tecnologia reduz substancialmente o preço de algo importante para um conjunto significativo de consumidores, essa tecnologia prevalece sobre as outras propostas, entrando, estas últimas, primeiro em crise de competitividade e, por último, porventura desaparecendo. A Google fez descer significativamente o preço da pesquisa e isso fez desaparecer serviços alternativos como as Yellow Pages. A tecnologia digital permitiu reduzir substancialmente o preço de produção de fotografias dizimando toda uma indústria baseada na alternativa química. Lembremo-nos do que sucedeu à Kodak. A Blockchain ainda não está suficientemente amadurecida, mas existe uma probabilidade grande de no futuro ela permitir reduzir significativamente o preço da confiança, das transações e da automação das relações contratuais. A acontecer, os negócios atuais baseados em propostas alternativas entrarão em crise de competitividade.

Afinal, o que é tecnologia Blockchain e que importância assume?

É uma resposta tecnológica nova a um problema antigo, o de como conseguir gerar confiança suficiente entre duas entidades para que estas possam realizar trocas de forma pacífica, nomeadamente, trocas de valor.

Reduzindo custos, a Blockchain poderá no futuro prevalecer sobre as alternativas atuais, colocando em crise os atuais modelos de negócio nelas baseados. Baseando-se num modo de relacionamento descentralizado, fará uma enorme pressão para a mudança das estruturas das redes económicas atuais no sentido da desintermediação.

A necessidade de basear a tomada de decisão na análise de dados é crescente face ao aumento exponencial de dados ao dispor das empresas. É aqui que entra o Business Analytics. De que se trata?

O Business Analytics corresponde à aplicação de técnicas avançadas de análise de dados sobre conjuntos de dados captados no interior e exterior duma organização tendo em vista o incremento da eficácia e eficiência dessa organização. Por exemplo, para reter clientes e captar novos, para incrementar vendas e reduzir custos, para desenhar novos produtos e serviços, ou para melhorar a experiência de utilização.

Qual é a diferença entre Business Intelligence e Business Analytics?

É usual encontrarmos as seguintes subcategorias de Analytics: a Descriptive e Diagnostic Analytics, que nos dá uma visão descritiva do que ocorreu e porque ocorreu; a Predictive Analytics, que nos dá previsões sobre o que poderá ocorrer; e a Prescriptive Analytics, que nos dá recomendações de atuação. É usual chamar-se Business Intelligence à primeira e Busines Analytics ou Advanced Analytics às duas últimas. Assim, o Business Intelligence está orientado à explicação do passado e o Business Analytics à previsão e atuação no futuro.

Live Press

Protocolo para formação sobre violência doméstica assinado hoje

© iStock

As ações de formação, que se estendem à violência de género, começam em setembro depois de terem sido detetadas falhas na resposta imediata às vítimas.

A iniciativa resulta de uma colaboração entre a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, a Procuradoria-Geral da República, a secretaria-geral do Ministério da Administração Interna, a Direção-Geral da Administração da Justiça, a GNR e a PSP.

Magistrados irão apoiar as formações, assim como a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

LUSA

Tailândia: Equipas mostram confiança antes de recomeçar resgate

© Lusa

Sem autorização para falarem, junto ao ‘acampamento’ que dá apoio logístico às equipas, limitaram-se a mostrar os polegares para cima, antes de partirem para a gruta localizada a cerca de dois quilómetros e cujo acesso está agora bloqueado aos meios de comunicação social.

No horizonte, a neblina, mas sobretudo a chuva que as autoridades tailandesas tanto temem, ‘escondem’ a gruta da qual, no domingo, as equipas de resgate conseguiram retirar quatro dos 13 elementos da equipa de futebol Wild Boars que ficaram presos na gruta Tham Luang, situada na província de Chiang Rai, no norte da Tailândia, junto à fronteira com Myanmar (antiga Birmânia) e o Laos.

Mas uma manhã sem chuvas fortes, depois de uma noite que fez justiça ao tempo das monções que se vive neste período no Sudeste Asiático, está hoje e para já a afastar os piores receios das autoridades tailandesas.

“A segunda operação começou pelas 11h00 locais [05h00 em Lisboa]”, confirmou, entretanto, à imprensa o chefe da unidade de crise.

Narongsak Osottanakorn, líder da equipa de resgate que tenta hoje retirar o grupo (oito rapazes e o treinador) preso na gruta inundada assegurou que anunciaria “boas notícias em poucas horas”.

“Em poucas horas teremos boas notícias” para anunciar, garantiu.

Os quatro primeiros rapazes a sair da gruta no domingo, numa operação urgente e perigosa, tiveram de mergulhar e atravessar diversas passagens apertadas e tortuosas da caverna.

Os jovens estão ainda a ser submetidos a diversos exames médicos no hospital e ainda não estão autorizados a entrar em contacto direto com a família. Devido ao perigo de infeções, só puderam ver os familiares através de uma divisória de vidro.

Não obstante, as autoridades dão conta de que estão bem de saúde.

O grupo encurralado, recorde-se, é composto por jogadores com idades entre os 11 e os 16 anos, e o treinador, de 25 anos.

Os 12 rapazes e o treinador foram explorar a gruta depois de um jogo de futebol no dia 23 de junho.

Na altura, as inundações resultantes das monções bloquearam-lhes a saída e impediram que as equipas de resgate os encontrassem durante nove dias, uma vez que o acesso ao local só é possível via mergulho através de túneis escuros e estreitos, cheios de água turva e correntes fortes.

Nas operações de socorro participam 90 mergulhadores, 40 tailandeses e 50 estrangeiros.

O local onde os jovens ficaram presos situa-se a cerca de quatro quilómetros da entrada da gruta, num complexo de túneis com zonas muito estreitas e alagadas pelas chuvas da monção que afetam a zona, o que obriga a que parte do percurso tenha de ser feito debaixo de água e sem visibilidade.

LUSA

Equipas de resgate lutam contra o tempo e falta de oxigénio na caverna

“Não podemos continuar à espera de ter condições porque as circunstâncias estão a pressionar-nos”, disse o comandante dos fuzileiros tailandeses Arpakorn Yookongkaew numa conferência de imprensa.

“Pensávamos que os rapazes ficariam seguros dentro da caverna por algum tempo, mas as circunstâncias mudaram. Temos um tempo limitado”, acrescentou.

A operação que estava a ser levada a cabo na gruta de Tham Luang Nang Non, no norte da Tailândia sofreu a primeira baixa quando um antigo fuzileiro tailandês desmaiou debaixo de água sem que fosse possível reanimá-lo.

Os níveis de oxigénio estão a diminuir por causa dos trabalhadores que estão dentro da caverna e que estão a tentar levar mais oxigénio para as câmaras, além das botijas de oxigénio usadas pelos mergulhadores, segundo o governador da província de Chiang Rai, Narongsak Osatanakorn.

Um comandante do Exército, o major-general Chalongchai Chaiyakam, disse que a missão mais urgente é a instalação de uma linha de oxigénio, ligada a uma linha telefónica que sirva de canal de comunicação com as crianças, que estão presas no complexo, mas estão a ser acompanhadas por quatro fuzileiros, incluindo um médico.

Os rapazes, com idades entre 11 e 16 anos, e o seu treinador de 25 anos foram explorar a caverna depois de um jogo de futebol no dia 23 de junho.

As inundações resultantes das monções bloquearam-lhes a saída e impediram que as equipas de resgate os encontrassem durante nove dias, já que a única maneira de chegar até ao local onde se encontram é mergulhando através de túneis escuros e estreitos, cheios de água turva e correntes fortes.

As autoridades têm bombeado a água da caverna antes que as tempestades previstas para os próximos dias aumentem os níveis novamente.

Neste momento, porém, o mergulho é o único método possível de fuga, apesar dos especialistas avisarem que é extremamente perigoso, mesmo para mergulhadores experientes.

A morte do antigo fuzileiro evidencia os riscos. O mergulhador, que estava a trabalhar como voluntário, morreu quando tentava colocar botijas de oxigénio ao longo do percurso que os mergulhadores usam para chegar às crianças, disse Arpakorn.

As botijas estrategicamente posicionadas permitem que os mergulhadores fiquem submersos por mais tempo durante o caminho de cinco horas que levam para chegar até à equipa encurralada.

O governador adiantou que os 13 jovens poderão não ser retirados ao mesmo tempo, dependendo da sua condição física. Estão fracos, mas na maioria são fisicamente saudáveis. Estão a praticar o uso de máscaras de mergulho e respiração, preparando-se para a possibilidade de mergulho.

As autoridades querem retirar as crianças o mais rapidamente possível pois esperam-se chuvas fortes no sábado.

Esperam conseguir baixar o nível de água, para conseguir algum espaço para que os rapazes não dependam do aparelho de mergulho durante muito tempo e possam manter as cabeças acima da água.

Especialistas em resgate de cavernas disseram que poderia ser mais seguro fornecer mantimentos aos rapazes no local e esperar que as inundações diminuam.

No entanto, isto pode levar meses, dado que a estação das chuvas na Tailândia geralmente dura até outubro e sem níveis adequados de oxigénio, ficar parado também pode ser fatal.

LUSA

Mais de 80% dos professores querem reforma antecipada

© iStock

Durante os meses de fevereiro e março, cerca de 19 mil professores responderam a um questionário com mais de 100 perguntas que resultou no “Inquérito Nacional sobre as Condições de Vida e Trabalho na Educação em Portugal”, hoje apresentado em Lisboa.

Dos inquéritos recebidos foram validados mais de 15 mil que revelam que “mais de 75% dos professores estão com exaustão emocional” e “95% é a favor de mudanças no sistema de aposentadoria”, anunciou hoje a investigadora da Universidade Nova de Lisboa, Raquel Varela, que é coordenadora do trabalho pedido pela Federação Nacional de Professores (Fenprof).

Hoje foram divulgados apenas alguns dos resultados do estudo, que ainda não está concluído, uma vez que os investigadores receberam “mais de dois milhões de dados”, explicou Raquel Varela, saudando o trabalho da Fenprof em garantir a distribuição e recolha de milhares de inquéritos pelas escolas de todo o país.

Dos professores com exaustão emocional, a investigadora sublinha que cerca de metade apresentam “sinais preocupantes”: 11,6% revelam sinais intensos de esgotamento emocional, 15,6% sinais críticos e 20,6% marcas plenas de exaustão emocional.

Apenas 23,6% não revelaram ter este problema, segundo os dados hoje apresentados.

Segundo Raquel Varela, esta situação leva a que os docentes “anseiem pelo sábado e detestem a segunda-feira”, um sintoma que deve ser olhado com atenção.

A exaustão emocional faz com que “esta categoria profissional queira deixar de trabalhar, porque este é um sentimento de defesa contra a loucura do trabalho”, explicou.

A investigadora lembrou que quando os profissionais entram em sofrimento no local de trabalho usam várias estratégias para se defender, tais como a toma de medicamentos ou o absentismo.

“Constatamos no nosso dia-a-dia tantas dificuldades de colegas que não se encontram bem e sabemos que deveriam ir para casa descansar, mas não vão”, corroborou o presidente do Sindicato de Professores da Madeira, Francisco Oliveira, durante o Encontro Internacional sobre o Desgaste dos Professores, que decorreu no Fórum Lisboa.

A atual situação laboral dos docentes leva a que “84% seja a favor da reforma antecipada” e “95% a favor de mudar o sistema de aposentadoria”, segundo o inquérito.

“O resultado deste estudo vem realçar e dar força às reivindicações da Fenprof”, sublinhou José Alberto Marques, presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), referindo-se a exigências dos sindicatos como a revisão da aposentação e a clarificação dos horários de trabalho.

A excessiva burocracia e a indisciplina dos alunos são duas das razões que levam aos “índices elevadíssimos” de exaustão emocional, que atinge mais os docentes com mais de 55 anos.

As outras duas características de ‘burnout’ – a despersonalização e diminuição da realização pessoal e profissional – não apresentam níveis tão elevados, apesar de o índice de realização ser preocupante: Quase metade dos professores (42,5%) não se sente realizado profissionalmente.

Já os índices de despersonalização são “baixíssimos”, segundo Raquel Varela que explicou que este sintoma se verifica quando o professor deixa de ver os alunos como indivíduos, mas sim “como uma linha de montagem”, passando a haver um afastamento emocional.

O inquérito mostra que, “para a maioria dos professores, os alunos continuam a ser importantes. Apesar do elevado grau de exaustão emocional, os professores gostam dos alunos”, sublinhou.

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