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Elisabete Teixeira

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Banca. PSD volta a acusar Governo de interferência. BE fala em notícias “preocupantes”

A alegada interferência de António Costa e do Governo português no diferendo entre o BPI e Isabel dos Santos continua a fazer correr tinta. Esta terça-feira, no Parlamento, os sociais-democratas confrontaram o PS com o suposto encontro o primeiro-ministro e a filha de José Eduardo dos Santos e o assunto tomou conta do debate. Bloco de Esquerda e PCP a querem o controlo estratégico do sistema financeiro português, mas os bloquistas admitem que ficaram preocupados com as notícias dos últimos dias. Já o PS aponta baterias ao anterior Governo.

Amigos no Governo, mas as críticas não param na Assembleia da República. Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, acabou por atingir os socialistas nas palavras: “As notícias que saíram nos últimos dias são preocupantes”, afirmou a bloquista, já depois de ter lembrado que “há muita gente do Bloco Central sentada das administrações de bancos”.

A bloquista defendeu, ainda, que “o problema da espanholização” da banca portuguesa “não se resolve não fazendo nada ou entregando a banca à família de José Eduardo dos Santos”. “O sistema financeiro é um bem público” e o Estado devem reassumir o controlo estratégico da banca, reiterou Mariana Mortágua, antes de deixar uma crítica ao PSD: para a deputada do Bloco, os sociais-democratas já se “renderam à ideia de Portugal ser uma colónia financeira completamente dependente” dos interesses espanhóis ou dos interesses angolanos. O mesmo plano de insistir no necessário controlo público da banca pelo Estado português.

Tudo começou com uma intervenção inicial do deputado do PSD Carlos Costa Neves. O deputado, e ex-ministro dos Assuntos Parlamentares, começou por perguntar se era verdade que António Costa tinha tomado a “iniciativa de se encontrar” com Isabel dos Santos e se o fizeram “à margem das administrações das instituições financeiras presumivelmente envolvidas, bem como do ministro das Finanças e, sobretudo, à margem das competentes entidades reguladoras de supervisão do sistema financeiro e do mercado de capitais, nacionais e europeias”.

A isto, o socialista João Galamba respondeu, contra-atacando: se hoje temos problemas no sistema financeiro devem-se, em grande parte, ao facto de o anterior Governo se ter “demitido” das funções que lhe competiam. E isso, garantiu Galamba, este Executivo não vai fazer.

De resto, o socialista lembrou que uma das competências do ministro das Finanças e, por inerência do primeiro-ministro e do Governo português, é garantir e salvaguardar, precisamente, a estabilidade do sistema financeiro.

O debate acabaria por subir de tom quando o socialista se referiu a Pedro Passos Coelho como “primeiro-ministro em exílio”, já depois de ter acusado o anterior Governo de nada ter feito para resolver os problemas da banca por “razões eleitoralistas”.

Na resposta, Carlos Costa Neves aconselhou João Galamba a deixar de “ser insolente” e devolveu as acusações: sim, o Governo português deve garantir a estabilidade do sistema financeiro português, mas isso não lhe dá competências para interferir nas estruturas societárias dos bancos – o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares acabou por lembrar, à semelhança do que já fizeram Pedro Passos Coelho e António Leitão Amaro, as interferências do anterior Governo socialista na PT, na Caixa Geral dos Depósitos e no BCP.

João Almeida, deputado do CDS, já tinha levantado este ponto: os centristas não discutem “a competência que o Ministério das Finanças tem como garante da estabilização financeira”, mas o Governo “não pode intervir de forma direta e indireta na estrutura societária dos bancos. Interferir é perverter as regras do mercado de forma ilegítima“.

6 dicas para ficar um entendido em vinhos

Falar de vinho nunca é demais, pelo menos para quem gosta. Enófilo que se preze vai aguçando a curiosidade de cada vez que bebe um trago, seja de tinto, branco ou rosé — e por que não vinhos fortificados ou espumantes? O universo da bebida que Baco ajudou a imortalizar tem muito que se lhe diga, pelo que há oportunidades que são de aproveitar. É o caso dos cursos a cargo do crítico de vinhos e jornalista Rui Falcão, marcados para o mês de março (não se apoquente que outras datas, em outros meses, virão; é apenas uma questão de estar atento/a).

Ficar a par do bê-á-bá do vinho pode, à partida, parecer tarefa difícil, mas não é nada de extremamente complicado, sobretudo quando o professor facilmente mete os seus alunos à vontade e tenta, ao longo dos dois dias de cada curso, desmitificar o vinho e os preconceitos a ele associados. As “aulas” acontecem num ambiente íntimo q.b.: as inscrições estão abertas a um máximo de 12 participantes, de modo a promover uma relação de proximidade entre formandos e formador, e decorrem no novíssimo espaço Kuc, junto ao Jardim das Amoreiras.

Dito isto, e para que saiba ao que vai, aqui ficam algumas das ideias que retivemos das aulas de Rui Falcão no curso “Os meus primeiros passos no vinho”. Tome nota, decore a matéria e faça brilharete da próxima vez que for escolher um vinho.

1. Há fatores que podem influenciar a prova de um vinho

Primeiro há que esclarecer uma diferença óbvia, isto é, beber vinho não é a mesma coisa que o provar. Se o primeiro conceito está relacionado com tirar pura e simplesmente prazer de um copo de vinho, o segundo remete para a procura do que está errado no néctar. “É como se estivéssemos a dissecar o vinho”, argumenta Rui Falcão, que acrescenta que “quando provamos vinho estamos profundamente condicionados”. Sem mais demoras, o crítico apressa-se a anunciar as tais condicionantes:

a sequência/ordem em que os vinhos são provados; exemplo disso é quando um vinho com muita acidez e/ou estrutura vem primeiro do que um mais parco nessas características — a ordem faz com que o segundo vinho pareça automaticamente inferior;
a luz artificial, capaz de influenciar a forma como se olha para o vinho;
a falta de acesso aos aromas, seja o sítio onde provamos o vinho, no sentido em que há ambientes que podem inibir os seus aromas (tal como uma cozinha muito movimentada), seja o facto de, por exemplo, os fumadores terem mais dificuldade em identificar aromas fumados.
Quem é Rui Falcão?

Rui Falcão escreve na revista Wine – Essência do Vinho e tem uma coluna de opinião e crítica de vinhos semanal no Fugas, suplemento do jornal Público, além de escrever em diversos meios internacionais. Falcão também investe muito do seu tempo a orientar masterclasses para profissionais em representação da ViniPortugal, IVBAM (Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira), CVRA (Comissão Vitivinícola Regional do Alentejo) ou IVDP (Instituto dos vinhos Douro e Porto) tanto em Portugal como no Brasil, Canadá, Suécia, Estados Unidos da América, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Holanda, França, Hong-Kong, Macau ou China.

2. O vinho é à escolha, mas o copo não devia ser

Quando o assunto é desfrutar de um bom vinho, o copo certo também entra na equação — e não, não vale servir vinho num copo onde também entra água, sumos e afins. Não é apenas uma questão de elegância, mas também de otimização da experiência de levar o néctar à boca:

O copo tem de ter pé para que seja mais fácil (e correto) segurar nele — é que segurar pelo seu corpo é altamente desaconselhável, uma vez que isso faz com que o vinho aqueça;
O copo deve ser mais largo na base e estreito na boca de forma a concentrar os aromas;
Quanto mais grosso for o copo, pior será a apreciação da bebida;
Antes de servir o vinho, o melhor é lavar os copos até porque, como diz Rui Falcão em tom jocoso, “um dos aromas mais conhecidos no vinho é o cheiro a armário”; caso não esteja numa de limpezas pode sempre vinhar o copo, como quem diz passá-lo por vinho e não por água;
E por falar em limpar, o crítico aconselha a atacar o lava-loiças (e em particular os copos) no dia a seguir ao jantar, só numa tentativa de não se partir tanta loiça.

3. A temperatura é para respeitar

O mesmo vinho servido a temperaturas diferentes vai ter, como seria de esperar, comportamentos diferentes. Quer isto dizer que a temperatura pode resultar numa apreciação muito positiva ou negativa de um mesmo néctar. Tendo isso em conta, o aclamado crítico de vinhos assegura queos brancos devem ser servidos entre os sete e os 12º graus — abaixo dos seis graus as nossas papilas gustativas são incapazes de sentir o quer quer seja. “Se o vinho for mau sirvam-no muito frio”, brinca Rui Falcão, argumentando ainda que “quanto melhor for o vinho, mais próximo dos 12º graus pode estar”. Já nos tintos, a equação matemática fica-se entre os 16 e os 17 graus. Mais: não precisa de ter receio em pedir para arrefecer um tinto, mesmo que, uma vez no restaurante, o empregado escolha olhá-lo de lado por achar que está a cometer uma espécie de crime. E, já agora, a temperatura ambiente é um mito.

Quando a tónica recai sobre os vinhos fortificados a conversa é outra, até porque estes apresentam quantidades de álcool superiores aos vinhos de mesa (entenda-se os tintos, brancos e rosés). Em causa estão uns meros 14 graus, sendo que “quanto mais doce e mais alcoólico for o vinho, mais fresco deve estar”. Os espumantes, esses, devem chegar à mesa a seis ou sete graus — quanto mais alta for a temperatura, mais o gás foge (e ninguém gosta de levar com as borbulhas gaseificadas nos olhos enquanto beberica o espumante que, defende o crítico, nem por isso deve ser servido numa flute).

4. A cor dá pistas sobre o vinho

Enquanto os vinhos brancos vão ganhando cor com a idade, adquirindo aquilo que pode ser interpretado como um tom acastanhado, os tintos perdem-na com o passar do tempo. É por isso que a cor, ou a sua ausência, são capazes de sugerir idade. Já o depósito que algumas vezes encontramos no fundo do copo é sinónimo de que a cor pulverizou e não significa menos cuidado na produção de um vinho, tal como explica Rui Falcão. “Tanto os brancos como os tintos podem ter depósito. É algo cultural — valorizado em Portugal e mal visto nos Estados Unidos da América — e uma opção enófila. Se se filtrar o vinho não há depósito, embora não haja certezas do que estamos a retirar à bebida.”

5. Não menospreze os aromas

“No vinho anda quase tudo à volta de aromas, mas o olfato consegue cansar-se muito rapidamente e sem ele não se consegue provar um vinho”, atira Rui Falcão, que assegura que provar vinho é um exercício de memória — só conseguimos identificar aromas que já conhecemos, daí a importância de construir uma biblioteca de aromas. Dito isto, o crítico esclarece que, para uma mais fácil identificação do que nos chega ao nariz, é possível agrupar os cheiros em famílias de aromas, tais como florais, frutados, fumados ou químicos, entre outros. E se os frutados e os florais dizem respeito aos aromas primários, provenientes da uvas, ossecundários (cheiros lácteos, por exemplo) estão relacionados com a forma como o vinho foi vinificado. Já os terciários (terrosos ou de torrefação) vêm com o tempo e do sítio onde os vinhos são guardados. Naturalmente, os vinhos velhos são aqueles que já perderam os aromas primários. Não esquecer ainda que o processo da fermentação é capaz de criar cheiros próprios.

6. Os taninos dão estrutura ao vinho

Os taninos — sobretudo associados aos tintos, apesar de também existirem nos brancos embora em menores condições — são responsáveis pela estrutura/textura dos vinhos. São quase um sinónimo da adstringência, aquela sensação ligeiramente amarga que fica na boca depois da prova de um vinho taninoso. “Um vinho sem taninos é quase como beber um sumo, não tem piada nenhuma”, afirma Falcão, que explica ainda que os taninos, tidos como conservantes, evaporam-se ao longo do tempo. É porque isso que um vinho de guarda — daqueles que podem ficar guardados durante muito tempo à espera de uma ocasião que justifique o sacar da rolha — têm de ter taninos.

O próximo curso acontece a 29 e 30 de março, das 18h00 às 21h00, no Espaço Cook (Travessa da Fábrica dos Pentes, 8, Lisboa) e é dedicado aos “Vinhos fortificados — Madeira, Moscatel e Porto: são Portugueses e estão entre os melhores vinhos do mundo!”. Custa 150 euros por pessoa e as reservas podem ser feitas através do e-mail falcao@ruifalcao.com.

Beckenbauer suspeito de comprar votos em 2006

Há seis alemães que têm algo em comum. Wolfgang Niersbach, Helmut Sandrock, Theo Zwanziger, Horst R. Schmidt, Stefan Hans e Franz Beckenbauer foram todos dirigentes da Federação Alemã de Futebol (DFB), antes ou depois de o país ganhar o direito a organizar o Campeonato do Mundo. Só que nenhum tem o nome, a história e o palmarés do último, que é um senhor que ganhou tudo e mais alguma coisa no futebol e que, agora, é suspeito de ter feito “possíveis pagamentos indevidos e contratos para ganhar vantagem no processo de seleção do anfitrião do Mundial de 2006”.

O Comité de Ética da FIFA anunciou esta terça-feira, via comunicado, que começou a investigar os seis antigos dirigentes germânicos. Franz Beckenbauer é a cara mais conhecida entre eles — enquanto jogador, conquistou o Europeu de 1972, o Mundial de 1974 e três Taças dos Clubes Campeões Europeus seguidas (entre 1973 e 1976), antes de vencer um Campeonato do Mundo como selecionador alemão (1990). É por isto, e pela forma como jogava à bola, que é visto como um dos melhores futebolistas de sempre e que ganhou a alcunha de Der Kaiser (O Imperador).

Beckenbauer, hoje com 70 anos, é um de quatro ex-dirigentes que é suspeito de ter efetuado pagamentos em trocos de votos a favor da candidatura alemã ao Mundial de 2006 (os outros são Zwazinger, Schimdt e Hans). Já Niersbach e Sandrock serão investigados por alegadamente não terem reportado à FIFA uma violação do Código de Ética da entidade.

Wolfgang Niersbach demitiu-se do cargo de presidente da Federação Alemã de Futebol em novembro do ano passado, quando as suspeitas de corrupção começaram a rodear a candidatura germânica ao Campeonato do Mundo. Um mês antes, o Der Spiegel publicou uma investigação que deu conta da alegada existência de uma conta bancária, na Suíça, que serviria para alojar os fundos com que seriam realizados os pagamentos ilegais e os subornos. Niersbach sempre negou a existência de tal conta, embora Theo Zwanziger, homem que o antecedeu na presidência da DFB, admitisse o contrário, escreve o The Guardian.

Quanto a Franz Beckenbauer, o ex-internacional germânico já negou, por várias vezes, que tenha efetuado qualquer pagamento ou suborno. “Nunca dei dinheiro a ninguém para garantir votos. E tenho a certeza que nenhum outro membro do comité de candidatura fez algo do género”, chegou a dizer, em outubro de 2015.

Primavera na cidade: Lisboa vai ter música em palcos improváveis

A iniciativa “Primavera na Cidade” chama as pessoas a espaços muitas vezes desconhecidos por serem locais de culto. O programa desta primeira edição começa no sábado 26 com o Festival das Cores no Templo Radha Krishna, da Comunidade Hindu, que estará aberto a todos. Haverá a oportunidade de conhecer o templo, de assistir a danças e experimentar a gastronomia indiana. Às 17h há um DJ e a celebração do Holi com as cores.

E como se pretende ter um programa musical variado dia 29, o Centro Ismaili recebe o pianista João Paulo Esteves da Silva e o fadista Ricardo Ribeiro, num concerto intimista.

A Primavera na Cidade passará por algumas das mais belas igrejas, entre as quais está um prémio Valmor, terminando com um concerto ao ar livre no Jardim do Arco do Cego. Dia 31 de março, e para fechar o mês em beleza as vozes do Grupo Vocal Olisipo enchem a Igreja de Santa Catarina.

A EGEAC deseja, assim, promover o convívio dentro da cidade através da música. E o mês de abril começa na Igreja da Graça ao som das vozes do Coro de Câmara Lisboa Cantat.

No dia 2 de abril, o palco é uma igreja com um prémio Valmor, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, onde se ouvirão o Coro de Câmara e a Orquestra Académica da Universidade de Lisboa.

A 3 de abril dá-se o encerramento desta iniciativa, ao ar livre e com um concerto no Jardim do Arco do Cego. Estarão em palco três cantores com diferentes estilos musicais, do fado ao pop, passando pelas mornas cabo-verdianas: Carolina Deslandes, Dino D’Santiago e Maria Emília Reis.

Programa:

26 março
Comunidade Hindu – Jardim Mahatma Gandhi
Feliz Holi – 15h, 16h e 17h

29 março
Centro Ismaili de Lisboa
A Sombra e a Luz nas Canções
21h30

31 março
Igreja de Santa Catarina
Tenebrae
21h30

1 abril
Igreja da Graça
A “Idade de Ouro” da Polifonia Portuguesa
21h30

2 abril
Igreja do Sagrado Coração de Jesus
Magnificat em talha Dourada
21h30

3 abril
Jardim do Arco do Cego
Primavera no Jardim
16h30

Bruxelas: Estado Islâmico reivindica autoria dos atentados através da sua agência Amaq

As autoridades belgas fizeram há poucos minutos um ponto de situação sobre o que se passou e está a passar em Bruxelas.

  • Sabe-se que entraram três bombas no aeroporto de Zaventem. Duas delas explodiram pelas 7h e fizeram 14 mortos e 96 feridos. A terceira bomba foi encontrada e desativada pela polícia.
  • Pouco depois, um homem fez-se explodir na estação de metro de Maelbeek, perto do centro de Bruxelas e das instituições europeias. O número de mortos ainda não é totalmente certo, podendo ser entre 15 e 20. Ficaram feridas 106 pessoas.
  • Feitas as contas, pelo menos 34 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas.
  • Ao início da tarde, o Estado Islâmico reivindicou os dois ataques e, numa nota divulgada pela agência noticiosa do grupo, prometeu fazer mais atentados na Europa.

Marcelo repudia “ataque cego e cobarde” no coração de Bruxelas

Marcelo Rebelo de Sousa mostrou solidariedade para com os belgas e apelou aos valores da democracia como arma contra o terrorismo, num dia em que houve “um ataque cego e cobarde, que atingiu o coração da Europa”. Foi assim que o Presidente da República se referiu, esta manhã aos atentados em Bruxelas. Marcelo fez, pela primeira vez, uma declaração em Belém, depois de receber os cumprimentos dos líderes parlamentares e do Presidente da Assembleia da República. E defendeu que esta é altura de “reafirmar” os valores essenciais.

“O que nos une é a luta pela democracia, liberdade e direitos humanos. É nos momentos crucias de crise aguda que sentimento a necessidade de reafirmar esses valores”, disse logo no início da intervenção.

Aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa reforçou a mensagem, dizendo que sem um desenvolvimento económico, a paz fica mais difícil: “É tão importante o apelo aos nossos valores, aos valores da liberdade, democracia e direitos humanos que é neste instante a ocasião de os reafirmar. A construção da paz, a construção de um mundo com mais desenvolvimento económico e mais justiça social, mas também a segurança das pessoas e a segurança dos bens são indissociáveis”, disse.

Marcelo contou ainda que transmitiu uma mensagem de “pesar, repúdio e a solidariedade do povo português” aos reis belgas e afirmou que está a seguir a situação, incluindo a situação da portuguesa ferida nu dos ataques.

António Costa: “Combate ao terrorismo é de longa duração”

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta manhã que tem de haver mais mobilização no combate ao terrorismo, que tem de começar com uma intervenção nos bairros periféricos. Durante uma visita à Madeira, o chefe do Governo falou aos jornalistas para reagir aos atentados em Bruxelas. Disse Costa que este atentado mostra que “este combate ao terrorismo tem de nos mobilizar a todos e é de longa duração”, uma mensagem repetida.

“Não é um combate que se resolva rapidamente. Pelo contrário, exige trabalho em profundidade, cooperação internacional cada vez mais forte, mas também com a promoção do diálogo intercultural e com uma intervenção profunda naquilo que são as periferias, bairros críticos”, disse António Costa Acrescentando que esta inserção tem de ser feita “porque há um problema de inserção que é preciso resolver de forma a termos sociedade com maior sentimento de segurança”, defendeu.

Donald Trump diz que Cuba tem potencial e admite abrir um hotel

O magnata do imobiliário e aspirante republicano à presidência dos Estados Unidos Donald Trump disse, na segunda-feira, que consideraria abrir um dos seus hotéis em Cuba e assegurou que a ilha tem “um certo potencial” para os investidores.

Coincidindo com a histórica viagem do Presidente norte-americano, Barack Obama, à ilha, Trump, que lidera a corrida à nomeação do Partido Republicano à Casa Branca, foi entrevistado na CNN, onde colocou a hipótese de abrir um hotel em Cuba no futuro.

“Cuba tem um certo potencial”, indicou o magnata, apontando, no entanto, que a “taxa de juro de 49%” deveria ser ajustada e defendendo que seria necessário estabelecer, de forma clara, quais seriam as responsabilidades dos investidores, de modo a evitar pedidos do Governo cubano.

Trump foi o único candidato republicano, dos que ainda estão na corrida, que manifestou interesse em manter as relações diplomáticas com Cuba caso seja eleito Presidente, já que a tónica geral dos conservadores continua a ser de rejeição à aproximação à ilha enquanto não se registarem mudanças políticas substanciais.

No último debate, os senadores de origem cubana Marco Rubio (que já abandonou a corrida) e Ted Cruz prometeram cortar relações com Cuba se chegassem ao poder, enquanto o governador de Ohio, John Kasich, se limitou a indicar que acabaria com a política dos Estados Unidos de “tratar melhor os seus inimigos que os amigos”.

Trump afirmou que não está “de acordo com o Presidente Obama” sobre a política em relação a Cuba, mas encontra-se “a meio caminho” entre a posição do mandatário e a rejeição absoluta dos seus rivais republicanos.

“Creio que tem de haver algo [que mude a relação com Cuba]. Depois de 50 anos, chegou a hora, amigos”, defendeu.

O magnata defendeu que faz falta “um acordo melhor” do que aquele que se alcançou no passado mês de julho para restabelecer as relações diplomáticas e avançou que provavelmente encerraria a embaixada norte-americana em Havana até que se chegue a um novo acordo com Cuba.

“Gostaria de alcançar um acordo forte e bom, porque neste momento todos os aspetos deste acordo favorecem Cuba”, argumentou.

Supremo nega recurso da defesa de Lula

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux negou esta terça-feira de madrugada um pedido de anulação da decisão do ministro Gilmar Mendes, que impede a nomeação do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Ministério da Casa Civil. Na sua decisão, Luis Flux explicou que o Supremo tem um entendimento consolidado de que um mandado de segurança não pode ser usado como recurso para tentar reverter uma decisão do próprio Supremo.

O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, havia entrado com um mandado de segurança alegando que Gilmar Mendes era suspeito para analisar o caso. José Eduardo Cardozo também frisava que a nomeação de qualquer ministro é um ato privativo da Presidente Dilma Rousseff.

Na avaliação de Luis Fux, porém, a decisão de Gilmar Mendes foi “expressivamente fundamentada” e não aponta “flagrante ilegalidade”. Além deste pedido, existem outras ações protocoladas pelo Governo brasileiro para tentar garantir a nomeação, que estão a ser analisados pelos ministros do Supremo Teori Zavascki e Rosa Weber.

Os trabalhos no plenário do Supremo estão suspensos devido à Semana Santa, e o tribunal só volta a reunir depois do dia 30 de março.

Discriminar investimento estrangeiro? Era o que faltava, diz António Costa

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta terça-feira que o país precisa de investimento estrangeiro e de ter um sistema financeiro “estabilizado e devidamente capitalizado”, salientando que Portugal é “uma economia aberta”.

“O país precisa de investimento direto estrangeiro em todos os setores, também no setor financeiro”, declarou o chefe do Governo da República numa conferência de imprensa no âmbito da visita oficial que efetua hoje à Região Autónoma da Madeira, quando questionado sobre os negócios da empresária angolana Isabel dos Santos no setor bancário.

O semanário Expresso noticiou na passada semana que António Costa e a empresária angolana Isabel dos Santos, para ultrapassar o impasse no BPI, reuniram-se em Lisboa e terão conciliado com o grupo financeiro espanhol La Caixa, com a filha do Presidente de Angola a vender a sua participação no BPI aos espanhóis e o BPI a ceder as suas ações do banco de angolano BFA a capitais angolanos

Sem confirmar o encontro, o governante sustentou ser importante que Portugal tenha “um sistema financeiro estabilizado e devidamente capitalizado, certamente com capital nacional, mas também com capital estrangeiro, seja ele espanhol, seja ele angolano, seja ele alemão, seja americano”.

António Costa argumentou que Portugal é “uma economia aberta” e tem que ter “um sistema financeiro aberto”.

“E era o que faltava que em Portugal pudesse haver qualquer tipo de discriminação em razão da nacionalidade para o investimento na economia portuguesa e, designadamente, no sistema financeiro”, disse.

O primeiro-ministro recordou que o anterior Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, aquando da tomada de posse do atual Governo, sublinhou que “uma das missões espinhosas” que o executivo nacional tinha pela frente seria “contribuir para estabilização do sistema financeiro”, assegurando: “É o que temos procurado fazer”.

António Costa vincou ser necessário “criar condições para que os bancos nacionais possam ter o seu capital fortalecido, seja com capitais nacionais, seja com capital internacional, que seja possível atrair”.

“Naturalmente, nós vemos com bons olhos que todos aqueles que, sendo espanhóis, angolanos, alemães, chineses ou qualquer outra nacionalidade, queiram investir no nosso sistema financeiro, tendo em vista fortalecê-lo”.

Segundo o primeiro-ministro, “um sistema financeiro forte significa melhores condições para investimentos das empresas nacionais e para maior segurança das poupanças das famílias portuguesas”.

Polícia investiga dois suspeitos a monte

Najim Laachraoui e Mohamed Abrini estão a ser investigados como possíveis suspeitos de serem os responsáveis pelos atentados de Bruxelas, adianta o The Telegraph. Segundo a polícia belga, os dois homens eram também suspeitos nas investigações aos atentados de Paris, em novembro.

Laachraoui e Abrini fugiram na sequência da captura, pela polícia belga, de Salah Abdeslam na passada sexta-feira.

Najim Laachraoui, de 24 anos, é suspeito de ser um dos fabricantes das bombas que explodiram em novembro, em Paris. O ADN de Laachraoui foi encontrado nos coletes usados pelos bombistas do Stade de France e do Bataclan. Segundo o The Telegraph, o jovem belga terá alegadamente viajado para a Síria em fevereiro de 2013 e regressado a França como um suposto refugiado em fuga do conflito na Síria.

Já Mohamed Abrini, cidadão belga de 30 anos que nasceu em Marrocos, foi visto com Abdeslam dois dias antes dos ataques de Paris, num carro que foi usado durante o massacre. Familiares afirmam que Abrini não participou nos atentados da noite de 13 de novembro porque estava em Bruxelas. O suspeito terá viajado para a Síria em 2014.

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