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Elisabete Teixeira

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Espanha fora do Euro? Então vamos apoiar… Portugal!

“Todos com Portugal e com Cristiano!” É com este entusiástico título que Juanma Rodríguez pede aos adeptos espanhóis que apoiem a seleção portuguesa e Cristiano Ronaldo, no Euro 2016, no seu blogue publicado no site do jornal Marca.

“Com a nossa seleção infelizmente eliminada do Euro, é claro que Portugal tem de ser, de agora em diante, a equipa de todos os espanhóis”, escreve o conhecido jornalista espanhol que sente “carinho” pelo nosso país, um sentimento despertado pela poesia de Camões, que não hesita em citar: ‘Falem de castelhanos e de portugueses, porque espanhóis somos todos’ “, escreve Juanma Rodríguez.

Os elogios estendem-se a Cristiano Ronaldo, que “está no seu lugar natural, entre os melhores” — relembrando que é o jogador com mais campeonatos europeus no currículo e poderá vir a ultrapassar Michel Platini em número de golos marcados nestas competições — e que representa neste europeu “a Liga espanhola, que não seria a mesma sem ele”.

Por estas e outras razões, Juanma Rodríguez termina reforçando que “Espanha não pode estar com outra seleção que não seja a portuguesa.”

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O que fazer se lhe exigirem cópia do Cartão de Cidadão

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) tem salientado que, ao ceder uma Cópia do Cartão de Cidadão, não só está a dar fácil acesso ao próprio número do documento como disponibiliza automaticamente o número de contribuinte, o de Segurança Social e o de utente do Serviço Nacional de Saúde, permitindo que seja fácil usurparem-lhe a identidade.

Primeiro passo: negar
Sempre que lhe pedirem uma cópia do Cartão de Cidadão, seja onde for, deve relembrar que essa exigência é ilegal. Se continuarem a insistir, deve pedir para identificarem a lei que obriga à entrega da fotocópia. Como a maioria dos locais não lhe vai disponibilizar o acesso à lei, poderá exigir o livro de reclamações e denunciar o caso.

A cópia da denúncia deverá ser enviada para o Instituto dos Registos e do Notariado (IRN). Poderá também apresentar queixa à CNPD, que tem competência para abordar as entidades envolvidas.

Tudo sobre as novas alterações ao Cartão de Cidadão:
– O prazo de validade vai mudar. Atualmente, cada Cartão de Cidadão é válido durante cinco anos e, se for emitido depois dos 65 anos, passa a ser vitalício. A nova proposta, discutida na Assembleia da República, sugere que não exista uma validade fixa, ou seja, o prazo passa a ser definido para todas as idades através de uma “portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da modernização administrativa e da Justiça”;

– Bebés obrigados a ter Cartão de Cidadão. Terão de ter o documento logo nos primeiros dias de vida;

– Tem direito a reclamar se o Cartão de Cidadão vier com informação errada. Deve pedir um novo documento, que lhe será entregue gratuitamente;

– Pode pedir um novo número de identificação civil se mudar de sexo ou vir a sua identidade roubada. Mas atenção: só o poderá fazer se o documento estiver dentro do prazo de validade;

– É obrigatório que o Cartão de Cidadão tenha o nome próprio do titular, fotografia de rosto e número de identificação civil. Até agora, nada disto era obrigatório por lei;

– Pode usar o Portal do Cidadão para renovar ou cancelar o documento. Só não pode renovar o documento, através da Internet, duas vezes consecutivas. Antes desta proposta de lei, apenas o poderia fazer nos balcões de atendimento do Instituto de Registos e do Notariado (INR), nos balcões do INR nas Lojas do Cidadão e nos postos Consulares Portugueses;

– Associar o Cartão de Cidadão ao número de telemóvel e email. Isto também poderá ser feito através do Portal do Cidadão, onde, além disso, será possível pedir uma segunda via dos códigos de ativação, do código pessoal (PIN) e do código pessoal para desbloqueio (PUK).

Adopção só é “projecto de vida” para 10% das crianças que vivem em instituições

Cada criança que entra numa instituição de acolhimento tem direito a um “projecto de vida individual”. É uma espécie de plano de intervenção com os olhos postos no futuro — porque a ideia é que a criança fique o menos tempo possível a cargo do Estado. E que projectos de vida estão a ser traçados? Para apenas 882 (10,3% do total), eles passam por uma eventual futura adopção. São números que se têm mantido estáveis — em 2008, por exemplo, a percentagem era de 10,6%.

A lei prevê que uma criança só possa ser adoptada até aos 15 anos. O que exclui quase metade das 8600 crianças e jovens que vivem em casas de acolhimento. Se se fizer a análise por grupo etário percebe-se o seguinte: para cerca de 40% das que têm até cinco anos os técnicos consideram que a adopção é o caminho; o mesmo acontece com 20% das que têm entre seis e 11 anos mas já só com 2,6% das que têm mais de 12. Os dados constam do relatório CASA 2015 — Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens, apresentado nesta quarta-feira.

Contudo, para que a adopção seja uma possibilidade real para estes meninos, haver um projecto de vida nesse sentido, definido pelas instituições e pelos gestores dos processos das crianças, não basta. É preciso que um tribunal decrete uma “medida de adoptabilidade” — e só aí a criança pode vir a ser encaminhada para uma família que se adeque ao seu perfil. Apenas 359 (menos 32 do que em 2014 e apenas 40% das que vivem em instituições que acham que o melhor para elas é serem adoptadas) tinham, no final de Outubro de 2015, uma medida de adoptabilidade decretada por um juiz.

Manda a lei que é obrigação dos lares e centros de acolhimento trabalharem para a “rápida reposição de todos os direitos” que as crianças viram comprometidos, definindo um projecto de vida que tanto pode passar pela manutenção do acolhimento residencial, pela reunificação familiar, como pela autonomização dos jovens (a partir dos 15 anos). A adopção, como se viu, tem pouca expressão (aparece em 3.º lugar). O projecto de vida “autonomização” é o mais frequente: está pensado para 2838 jovens (33% das que estão no sistema de acolhimento), sobretudo rapazes e raparigas “cuja reunificação familiar ou encontro de outra solução familiar se encontraram comprometidas ou mesmo inviabilizadas”.

Em segundo lugar aparece o projecto “reunificação na família nuclear” — há 2703 crianças e jovens (31,4% do total) que se prevê que se juntem às famílias.

Olhando para os que ao longo do ano de 2015 foram saindo das casas de acolhimento (2612), quase metade (1291) regressaram à sua família nuclear e 315 foram integrados em famílias adoptantes — menos 32 do que em 2014.

Problemas de comportamento e de saúde disparam nos lares de crianças

No final de Outubro de 2015 viviam em instituições de acolhimento 8600 crianças e jovens. O número dos que foram identificados como tendo problemas de comportamento, de saúde mental, de debilidade mental, de consumo de substâncias ou de algum tipo de deficiência física ou mental aumentou 38%, num só ano — em 2014 já tinha existido um aumento de 10% face a 2013.

A maioria (5032) das crianças e jovens era acompanhada em psiquiatria e/ou pedopsiquiatra — um aumento de cerca de 22% face a 2014. E um em cada quatro tomava medicação prescrita por um psiquiatra ou por um pedopsiquiatra. “São crianças que trazem percursos de vida extremamente traumatizantes e que precisam de um grande apoio para poderem reencontrar o seu equilíbrio”, sublinhou nesta quarta-feira a secretária de Estado da Inclusão Ana Sofia Antunes durante a apresentação do relatório CASA 2015 — Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens, feita aos jornalistas.

O relatório nota que se mantêm “os gravíssimos constrangimentos já registados nos anos anteriores nas situações que carecem de internamento/acolhimento em resposta específica de saúde mental”. Lembra que há seis anos que está prevista a criação uma rede de Cuidados Continuados de Saúde Mental, mas que esta “ainda não foi concretizada, fazendo com que estes jovens fiquem acolhidos em casas de acolhimento não adequadas às suas problemáticas específicas”. Resultado: quando entram em crise ou descompensação, “colocam-se muitas vezes a si próprios em perigo, bem como às outras crianças e jovens acolhidos” e aos profissionais que com eles trabalham.

Ana Sofia Antunes promete uma “revisão do regime de funcionamento das casas de acolhimento, de modo a apetrechá-las” melhor, para fazer face aos novos desafios colocados pela mudança que tem vindo a registar-se no perfil das crianças e jovens que nelas habitam. E o aumento dos problemas de comportamento e de saúde mental é um grande desafio. Mas haverá mais mudanças, diz.

Medidas que não resultam
Antes de serem retirados às famílias, por se considerar que estavam em perigo, quase metade (49,5%) das crianças e jovens que viviam em instituições no final de Outubro de 2015 já tinham sido sinalizados, algures no passado, pelo sistema de protecção de menores, e já tinham sido alvo das chamadas “medidas de protecção em meio natural de vida” — ou seja, a Segurança Social, ou instituições com quem esta coopera, tinha disponibilizado às famílias algum tipo de apoio (económico, social ou técnico) para ajudá-las a ultrapassar as suas dificuldades com as crianças. Essas medidas, contudo, acabaram por não resultar. E os menores foram mesmo encaminhados para uma instituição.

“Poderão levantar-se questões sobre a eficácia das medidas em meio natural de vida, e sobre o real investimento que nelas é efectuado, quer sob o ponto de vista do acompanhamento técnico, quer na intervenção desenvolvida”, admite o CASA, que faz o ponto de situação sobre o acolhimento de crianças em instituições comparticipadas pela Segurança Social, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Casa Pia entre 1 de Novembro de 2014 e 31 de Outubro de 2015.

O documento, da responsabilidade do Instituto da Segurança Social (ISS), prossegue: “Poderá ter existido desadequação na definição dos planos de intervenção definidos, dificuldades na sua implementação e nos apoios efectivamente prestados às crianças, jovens e respectivas famílias.” Pelo que pode ser necessário reforçar o “investimento técnico e financeiro” nesta área.

A secretária de Estado reconhece que a falta de recursos nas comissões de protecção de crianças e jovens poderá estar a dificultar o trabalho de quem tem como missão aplicar e avaliar as “medidas em meio natural de vida” e garante reforços.

Uma avaliação do que pode melhorar está a ser levada a cabo pelo ISS — afinal, o acolhimento é uma resposta de fim de linha, quando todas as outras medidas anteriores se esgotam. O CASA sublinha, de resto, que nas casas de acolhimento também estão 3364 crianças e jovens (cerca de 40% do total) “que não tiveram quaisquer das medidas em meio natural de vida aplicadas anteriormente ao seu acolhimento”, o que “poderá remeter para uma necessidade de apuramento do sistema de detecção e de intervenção precoce e atempada por parte das entidades com competência em matéria de infância e juventude”.

O aumento do peso dos adolescentes é outro desafio: actualmente, o grupo etário que tem menor expressão no sistema de acolhimento é o que vai dos zero aos três anos — 745 crianças (8,7% do total das acolhidas). Mais de dois terços (69,1%) das crianças e jovens em situação de acolhimento têm 12 ou mais anos

Dados inquietantes
Muitos jovens têm já várias experiências de acolhimento: um em cada três dos 8600 que viviam numa instituição já tinham estado, algures na vida, noutra instituição — ou em duas, três ou mais. “A leitura destes dados, além de inquietante, por supor que estas crianças e jovens, ao longo do seu crescimento, foram expostas a várias mudanças e sujeitas a inúmeras rupturas, permite prever sérias complicações relacionais e de vinculação”, acrescenta-se.

O aumento do peso dos adolescentes é outro desafio: actualmente, o grupo etário que tem menor expressão no sistema de acolhimento é o que vai dos zero aos três anos — 745 crianças (8,7% do total das acolhidas). Mais de dois terços (69,1%) das crianças e jovens em situação de acolhimento têm 12 ou mais anos. O CASA sublinha a importância de garantir que há “uma intervenção cada vez mais diferenciada” que possa “fazer a diferença na vida destes jovens, prestando especial atenção às suas fragilidades emocionais e às características e desafios inerentes a esta fase da vida”.

A revisão do funcionamento das casas de acolhimento deverá ter em conta, precisamente, o peso crescente da população adolescente, diz Ana Sofia Antunes. A pensar nas crianças mais pequenas, “serão lançados projectos-piloto para que famílias, apoiadas pela Segurança Social, se disponibilizem a receber crianças e sejam uma alternativa ao acolhimento em instituições”.

O CASA mostra ainda que a esmagadora maioria (74%) dos que integravam o sistema de acolhimento tinham dado entrada nas instituições em anos anteriores. Mas houve também um ligeiríssimo aumento das “novas entradas”: 2202 (mais 59 do que em igual período de 2014).

A principal razão (60% dos casos) para a retirada às famílias prende-se com a “falta de supervisão e acompanhamento familiar”, o que na terminologia do CASA significa isto: “A criança é deixada só, entregue a si própria ou com irmãos igualmente crianças, por largos períodos de tempo.”

Ana Sofia Antunes diz ainda que está particularmente preocupada com o insucesso escolar registado nesta população: por exemplo, 46% dos meninos com dez e 11 anos ainda estão no 1.º ciclo do ensino básico quando já deviam estar no 2.º.

Raides da Força Aérea iraquiana matam 150 jihadistas e destroem 260 veículos

As tropas iraquianas reivindicaram esta quinta-feira ter morto 150 guerrilheiros do grupo Estado Islâmico (EI) e destruído 260 veículos militares em raides aéreos sobre os jihadistas que fugiam de Falujah após terem sido derrotados pelo exército do Iraque.

Fontes do Centro de Coordenação das Operações (CCO) iraquiano indicaram que os ataques aéreos começaram na madrugada de terça para quarta-feira, à medida que centenas de veículos militares e de transporte de armamento e de munições tentavam abandonar as últimas posições detidas pelo EI a oeste de Falujah.

“Os nossos heróis da aviação militar destruíram mais de 200 veículos”, disse o porta-voz do CCO, Yahya Rasool, indicando que foram também apreendidas “largas quantidades” de armas e munições.

A reivindicação da morte dos 150 elementos do EI está, porém, ainda por confirmar, aguardando-se pela respetiva identificação no terreno.

O porta-voz do CCO iraquiano reportava inicialmente os resultados da primeira série de ataques aéreos a um vasto comboio com centenas de veículos em direção ao deserto a sul de Falujah, área que próxima da fronteira da Síria que, aparentemente, está ainda controlada pelo EI.

Na segunda série de ataques aéreos, realizada mais tarde, foram destruídos “pelo menos outros 60 veículos militares” do EI, parte de um outro “comboio” que seguia para norte de Falujah, indicou outro porta-voz do CCO iraquiano, Ismail Mahalawi, líder do Comando de Operações de Anbar.

Mahalawi disse também desconhecer o número de combatentes do EI mortos no segundo raide, liderado pela Força Aérea Iraquiana e com o apoio da coligação militar liderada pelos Estados Unidos.

Após uma vasta operação militar iniciada em maio, as forças iraquianas retomaram recentemente o controlo total de Faluja, um emblemático bastião jihadista situado 50 quilómetros a oeste de Bagdad.

“Ar abençoado de Fátima” à venda por três euros

O ar abençoado de Fátima já pode ir para o outro lado do mundo. É essa a intenção de Sergey Pankovets, um ucraniano a viver em Portugal há 16 anos, que abriu um negócio de enlatar e vender ar de Portugal. Há o de Fátima, que pelo que se lê na lata é abençoado, e há o de Lisboa, mas, em breve, poderá haver mais, como o do Estádio da Luz.

O empresário, com negócio instalado na Venda do Pinheiro, garante ao Jornal de Notícias que cada lata, à venda por três euros, tem ar da cidade em causa. Ou seja, “todas as latas passam pelos locais para encher e só depois são seladas”. Sergey pondera até filmar esse processo para que os clientes não tenham dúvidas em relação à origem do ar que adquirem. Para breve, será comercializado o ar da Batalha.

A ideia vem de Moscovo, na Rússia, mas está a ter muito sucesso em Portugal, diz Sergey, sobretudo junto dos turistas asiáticos e sul-americanos. O empresário garante que a lembrança tem uma validade de 99 anos, que é um produto feito à mão e “uma experiência sensorial única”.

Ideias não faltam: Sergey Pankovets que enlatar o ar do Estádio da Luz, do Porto, da ilha da Madeira e do Algarve. Em Lisboa, quer abrir um quiosque em forma de lata para vender os seus produtos.

Marcelo celebra 40 anos de autonomia da Madeira

Marcelo Rebelo de Sousa aterra esta quinta-feira à tarde na Madeira para uma visita oficial de dois dias. A agenda inclui uma passagem pelo Porto Santo e a inauguração de um hotel, mas o ponto alto da deslocação é a sessão solene dos 40 anos da autonomia regional na Assembleia Legislativa. O Presidente da República, garante o gabinete de Miguel Albuquerque, conhece bem os problemas e sabe que o grande desafio da autonomia madeirense é de ordem financeira.

A visita tem um carácter institucional e foi preparada em vários encontros desde que Marcelo Rebelo de Sousa chegou a Belém. Além de Miguel Albuquerque, o Presidente da República recebeu delegações de partidos da oposição e até quis ouvir as razões que levaram o PCP a apresentar uma moção de censura ao Governo Regional. A proposta dos comunistas foi chumbada a meados de Junho, mas a Presidência da República não a deixou passar em claro.

A chamada da delegação do PCP a Belém comprova aquilo que diz o gabinete da presidência do Governo Regional da Madeira: “o Presidente da República está por dentro do que se passa na Madeira, de quais são os problemas que se colocam à autonomia regional”. Ou seja, está a par das dificuldades em financiar os serviços públicos regionalizados, sobretudo a saúde. Foram os problemas na saúde que levaram os comunistas a apresentar a moção de censura a Miguel Albuquerque. E é para a saúde – para a construção do novo hospital central do Funchal – que o Governo Regional precisa de 340 milhões de euros.

O financiamento é o problema maior da autonomia na Madeira já que, além dos compromissos para pagar a dívida de seis mil milhões de euros, o Governo Regional tem de assegurar dinheiro para manter o sistema regional de educação, o serviços regional de saúde e os salários de toda a administração pública. E é com este quadro em fundo que o Presidente da República irá discursar na Assembleia Legislativa na próxima sexta-feira, dia da Região.

Tal como Jorge Sampaio, em 2001 e por altura dos 25 anos da consagração do regime na constituição de 1976, Marcelo Rebelo de Sousa assinala uma data marcante para a autonomia regional, mas numa conjuntura diferente. Sampaio encontrou uma Madeira com Alberto João Jardim na liderança, com 80% da dívida pública regional saldada e sem aparentes dificuldades de dinheiro. À época todos os discursos passavam pela reivindicação de mais poderes legislativos e mais autonomia.

Se as questões da autonomia no ano em que faz 40 anos – as primeiras eleições regionais realizaram-se a 27 de Junho de 1976 – deverão marcar o primeiro dia da visita oficial, será a dupla insularidade do Porto Santo a fechar a passagem pela Madeira. A agenda integra uma visita ao projeto ambiental para tornar o Porto Santo uma ilha livre da dependência energética do petróleo. O Presidente da República irá ainda inaugurar o novo hotel do grupo Pestana na ilha.

Da visita consta também um almoço na Quinta Vigia, uma missa e um concerto do Rui Veloso e da Orquestra Clássica da Madeira.

Supremo do Japão autoriza vigilância generalizada de cidadãos muçulmanos

O Supremo Tribunal do Japão confirmou o direito do governo nipónico em manter os programas de vigilância generalizada da comunidade muçulmana do país, recusando um segundo recurso apresentado por um grupo de muçulmanos que acusavam o executivo de invasão de privacidade e violação da liberdade religiosa.

Ficheiros internos de 114 departamentos da polícia nipónica que foram divulgados em 2010 revelaram nesse ano que existia um programa de vigilância massiva e generalizada dos muçulmanos em todo o país, com os seus locais de culto, restaurantes halal e diversas organizações ligadas ao Islão a serem monitorizados em Tóquio.

Ao longo das semanas seguintes, houve mais de 10 mil downloads desses ficheiros em 20 países diferentes num website de partilha de dados onde tinham sido disponibilizados. Nessa altura, um grupo de 17 japoneses muçulmanos decidiu levar o Governo nipónico a tribunal por violar os seus direitos constitucionais.

“Eles tornaram-nos suspeitos de terrorismo, quando nunca fizemos nada de mal, muito pelo contrário”, denunciou à Al-Jazeera Mohamed Fujita, um nativo do Japão que se converteu ao islamismo há mais de 20 anos.

Depois da interposição de dois recursos, o caso foi chumbado pelo Supremo Tribunal, que ilibou o governo nipónico e autorizou a manutenção dos programas de vigilância generalizada à comunidade.

Por causa da divulgação dos ficheiros, o tribunal decidiu que os queixosos devem receber 90 milhões de ienes (cerca de 792 milhões de euros) de compensação por violação da sua privacidade. Contudo, o conjunto de juízes do Supremo disse que as táticas de vigilância usadas pela polícia são “necessárias e inevitáveis” para proteger o país do terrorismo internacional.

Citado pelo “The Independent”, um dos advogados de defesa do grupo de muçulmanos, Junko Hayashi, explicou aos jornalistas que “ainda estão a tentar perceber como é que este não é um caso constitucional”.

Reagindo à decisão, Edward Snowden, o ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA tornado delator, que denunciou a existência de programas de vigilância massiva de cidadãos norte-americanos, lembrou que “as pessoas de fé muçulmana são mais vulneráveis [à vigilância estatal] mesmo não tendo registo de atividades nem associações criminosas, simplesmente porque as pessoas estão com medo”.

De acordo com estudos universitários recentes, e apesar de não haver estimativas oficiais do Estado, serão cerca de 70 mil os muçulmanos no Japão, dos quais 10% são nativos e os restantes 90% estrangeiros a residir legalmente no país.

Polícia francesa investiga novas ameaças de morte contra o “Charlie Hebdo”

As autoridades francesas estão a investigar novas ameaças de morte contra a equipa do jornal satírico “Charlie Hebdo”, com uma fonte próxima dessa investigação a avançar ao jornal “Le Parisien” que a primeira das ameaças foi feita na wall de Facebook do jornal antes de um desconhecido a ter removido e que a investigação foi aberta no passado dia 22 de junho.

O autor dessa primeira ameaça dizia que vários membros da equipa editorial do “Charlie Hebdo” iam ser alvos de um ataque. Uma segunda ameaça semelhante foi feita diretamente ao diretor da publicação poucos dias depois.

“As mensagens elevaram a ideia de matar vários membros da equipa editorial, outra vez”, disse a fonte, em referência ao ataque de 7 de janeiro de 2015 à redação do jornal em Paris, levado a cabo pelos irmãos Saïd e Chérif Kouachi, que abateram 11 pessoas a tiro e feriram outras 11.

Desde esses ataques, o jornal está sob segurança reforçada e, de acordo com o “the Local”, a redação, que até ao fatídico dia estava localizada no edifício do jornal “Libération”, foi mudada para uma localização secreta.

Rajoy rejeita eventual adesão escocesa à UE. “Se o Reino Unido sai, a Escócia sai”

Jean-Claude Juncker defendeu esta quarta-feira que “a Escócia ganhou o direito a ser ouvida” pelas instituições europeias no rescaldo do referendo ao Brexit, após 62% dos habitantes do país terem votado a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia.

Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia sublinhou, antes do encontro com a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, que a situação escocesa é diferente da da Catalunha, que luta há vários anos pela secessão com Espanha como forma de pressão ao governo central conservador de Mariano Rajoy — que está no poder desde 2011 e que, no domingo, voltou a vencer as eleições antecipadas mas sem maioria absoluta.

Para Rajoy, contudo, as situações são absolutamente semelhantes e, por essa razão, o líder de Espanha diz que vai opor-se a quaisquer tentativas da Escócia vir a aderir à UE como Estado-membro de plenos direitos, em rota de colisão com Inglaterra e o País de Gales, que juntos firmaram a saída do bloco regional no referendo de há uma semana.

À hora em que Sturgeon chegava a Bruxelas no segundo dia de uma cimeira de emergência dos líderes da UE para discutir o Brexit, Rajoy disse que “se o Reino Unido sai, a Escócia também sai”.

O chefe do governo espanhol, que ocupa o cargo interinamente desde que perdeu a maioria absoluta nas eleições gerais de dezembro, teme que dar força a uma Escócia independente terá repercussões nas regiões autonómicas espanholas com aspirações separatistas, como é o caso da Catalunha e do País Basco.

Por essa razão, diz-se “extremamente contra” a ideia de a Escócia se tornar independente do Reino Unido, uma aspiração que foi chumbada em referendo por pouco mais de metade dos escoceses em 2014 mas que agora deverá ser reavivada pelo resultado da consulta popular ao Brexit.

“Quero ser muito claro. A Escócia não tem competências para negociar com a União Europeia. A Espanha opõe-se a qualquer negociação com qualquer outra entidade que não o Governo do Reino Unido”, declarou Rajoy ontem. “Eu sou extremamente contra isso, os tratados [da UE] são extremamente contra isso e toda a gente é contra isso.”

Rajoy e os tratados-base da união podem não aceitar essa possibilidade, mas há muita gente que é favor dela, sobretudo os escoceses. Depois de Sturgeon ter dito que é “altamente provável” que haja um novo referendo independentista na Escócia no rescaldo da consulta britânica de há uma semana, uma sondagem divulgada esta quinta-feira mostra que 47% da população do país quer uma nova consulta à secessão com o Reino Unido, contra 42% que querem continuar a integrá-lo sob pena de serem forçados a abandonar a UE.

Sturgeon encontrou-se ontem com Juncker ao final do dia, depois de uma reunião com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz. Depois dos encontros, a primeira-ministra escocesa disse aos jornalistas que “o processo ainda está no início” e que é muito cedo para tentar prever o que vai acontecer.

“Apresentei o desejo da Escócia de proteger a nossa relação com a União Europeia, [mas] não subestimo os desafios que nos esperam enquanto tentamos encontrar um caminho.” Ainda assim, a líder voltou a sublinhar que “a Escócia, ao contrário de outras partes do Reino Unido, não quer deixar a UE”.

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