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Elisabete Teixeira

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Criado por Charles Schulz, o cão Snoopy já tem museu em Tóquio

O primeiro museu dedicado a Snoopy, o cão criado pelo desenhista Charles Schulz, vai abrir no sábado em Tóquio, juntando centenas de vinhetas, estátuas, fotografias e desenhos originais do autor.

O edifício está instalado no bairro turístico de Roppongi e vai receber 60 esboços originais do falecido artista escolhidos pela sua mulher e exposições temporárias dedicadas ao universo imaginado por Schulz, em que o mundo é visto pelos olhos do cão intelectual que dormia no telhado da sua casota.

Snoopy e as outras personagens da história, como um grupo de crianças algo contestatário, vão estar representados sob a forma de estatuetas, vinhetas ou fotografias.

O museu, que estará aberto até 2018, conta igualmente com uma cafetaria dedicada à popular personagem inspirada num cão da raça ‘beagle’.

Doze artistas japoneses e norte-americanos, como a escritora Banana Yoshimoto e o poeta Shuntaro Tanigawa, escolheram os seus objetos favoritos ligados ao mundo de Snoopy a expor no museu, entre os quais peluches, bandas desenhadas ou peças de roupa.

Este é o primeiro museu dedicado à personagem e aos seus companheiros, os ‘Peanuts’ (Carlitos, Lucy e Linus), e depende do centro de arte Charles M. Schulz Museum com base na Califórnia, dedicado ao criador da personagem.

A banda desenhada humorística de Schulz tornou-se numa das mais icónicas da segunda metade do século XX, ao ponto de Snoopy ter uma estrela no Passeio da Fama de Los Angeles, Estados Unidos e um dos seus companheiros, Charlie Brown, ter dado nome a um módulo lunar da nave espacial Apollo 10.

Macau quer ser centro de formação de língua portuguesa na Ásia

Macau quer assumir-se como um centro de formação de língua portuguesa na região da Ásia-Pacífico, disse esta sexta-feira o chefe do Governo do território, Fernando Chui Sai On.

Considerando que já há “uma certa base” no ensino do português, Chui Sai On afirmou que Macau “tem condições para ser uma base de formação” nesta área na zona da Ásia-Pacífico, dizendo que este é um dos objetivos estratégicos da região para os próximos anos.

O chefe do executivo de Macau considerou que é possível ir contratar mais professores em Portugal, sublinhando “o bom relacionamento” com Lisboa.

Chui Sai On falava na Assembleia Legislativa, numa sessão de respostas aos deputados, tendo sido questionado sobre o objetivo, estabelecido por Pequim, de tornar Macau numa plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa.

O apoio de Pequim ao desenvolvimento deste papel de Macau como ponte entre a China e a lusofonia consta do XIII Plano Quinquenal chinês, aprovado recentemente, o que foi lembrado por diversos deputados.

Cheang Chi Keong, eleito por sufrágio indireto, lembrou, a este propósito, a falta de quadros bilingues (português e chinês, as duas línguas oficiais de Macau) e quis saber como é que o executivo pretende responder a este problema.

Chui Sai On reconheceu que esta é uma questão central e deu como exemplo o próprio Governo, em que faltam neste momento 126 tradutores para responder às necessidades.

Garantindo que o executivo “tem dado toda a atenção” a esta questão e que o número de alunos a estudar português em Macau cresceu 20% no atual ano letivo, vincou que é preciso apostar no ensino da língua portuguesa nas escolas não superiores e apoiar ainda mais as escolas privadas na criação de oferta de ensino do português.

Chui Sai On referiu que o estudo do português é uma opção dos estudantes e encarregados de educação e que “muitos” preferem escolher estudar chinês e inglês.

A este propósito, prometeu a adoção de medidas para incentivar mais estudantes a optar pela língua portuguesa, incluindo alargar o âmbito de bolsas de estudo, como as destinadas a estudar em Portugal e noutros países.

Nas respostas que deu aos deputados, o chefe do executivo revelou que o primeiro plano quinquenal de Macau será divulgado na próxima terça-feira, para consulta pública, sendo o objetivo recolher contributos para elaborar o documento final.

Numa sessão muito dominada por questões ligadas à habitação, Chui Sai On revelou que a região vai avançar com a revisão dos diplomas que regem a atribuição de casas aos funcionários públicos e de habitação económica, que têm sido motivo de contestação e reivindicações.

Por outro lado, defendeu que Macau deve criar a licença paga de paternidade, sugerindo que se siga o exemplo das regiões e países vizinhos onde os pais têm direito a entre três e 14 dias quando lhes nasce um filho.

Sobre a situação da economia e a queda das receitas do jogo há 22 meses consecutivos, considerou que apesar de uma queda do PIB superior a 20% no ano passado, a situação não “é tão má” como se pensa e disse estar “otimista”.

Assim, lembrou que o desemprego se mantém abaixo dos 2% e que a inflação é inferior à da média mundial, por exemplo.

No entanto, realçou que a região vai continuar a estudar medidas para apoiar as PME e para diversificar a economia, para a tornar menos dependente do jogo.

Costa no Portugal Próximo: “Acompanho a visão otimista do sr. Presidente”

Foram duas horas de conversa num hotel da pacata Évora. O primeiro-ministro foi ao encontro do Presidente da República para o habitual encontro semanal e como Marcelo anda pelo Alentejo foi lá a primeira conversa entre ambos pós aprovação pelo Governo do Programa de Estabilidade. À saída, António Costa colou-se ao PR para mostrar confiança no parecer de Bruxelas.

“O senhor Presidente tem uma visão otimista e eu acompanho-o”, afirmou, sorridente. Quanto ao que Marcelo dissera na véspera em Portalegre – onde se congratulou por o Governo socialista ter deixado para trás “a ideologia”, sabendo render-se à lógica do sistema europeu -, o primeiro-ministro preferiu contornar: “o que o nosso Programa de Estabilidade mostra é que é possível mais do quem caminho para a consolidação orçamental”.

Costa prefere pôr o enfoque no Plano Nacional de Reformas – “é o mais importante para superarmos os nossos bloqueios estruturais”. Quanto às políticas de rigor, diz o que sempre disse: que quer cumprir a regras europeias, mas “sem prejuízo de entender que elas devem evoluir e que face à situação da Europa e do mundo, outras políticas económicas permitiriam outro tipo de crescimento”.

Confrontado com as críticas do Conselho de Finanças Públicas que acusa o Governo de fazer previsões “com elevado grau de incerteza”, António Costa respondeu: “não vivemos num sobressaalto permanente sobre o que vai acontecer amanhã”. O primeiro-ministro apontou duas válvulas de segurança da sua estratégia orçamental para o próximo ano: “as cativações no Estado e uma gestão cautelosa nas admissões na Função Pública”.

À porta do hotel, alguns alentejanos a assistir ao movimento e alguns, poucos, aplausos para o PM. Minutos depois, sai o Presidente da República, e a praça aquece. O carro preto é automati

mente rodeado de gente.

“Queremo-lo lá 10 anos”, grita-lhe uma a alentejana no meio dos abraços que esperam Marcelo em cada esquina. ” Acho-o magro!”. O PR diz que não:” Estou cansado mas tenho mais um quilo”. O Portugal Próximo continua.

Estação de metro de Maelbeek reabre um mês após ataque

A estação de metro de Maelbeek, cenário de um dos atentados terroristas de 22 de março passado em Bruxelas, vai reabrir na próxima segunda-feira, anunciou a empresa gestora dos transportes públicos da capital belga.

“Todas as condições estão tecnicamente reunidas para permitir de novo o acolhimento de passageiros e retomar a exploração da estação”, anunciou hoje a STIB, precisamente no dia em que se completa um mês sobre os atentados que atingiram Bruxelas, causando 32 mortos (16 dos quais na estação de Maelbeek) e mais de três centenas de feridos.

As obras de reconstrução da estação, avaliadas em cerca de 100 mil euros, decorreram ao longo do último mês e só terminam hoje à noite, indicou a STIB, acrescentando que foi instalado um “muro de memória” no átrio da estação, onde as pessoas poderão prestar homenagem às vítimas.

A empresa que explora a rede de transportes públicos da capital belga anunciou ainda que está já em curso um projeto de uma obra de arte para assinalar a tragédia, que deverá estar pronta no verão, e que foi confiada ao artista Benoît van Innis, o mesmo autor das obras em azulejo que decoravam a estação de Maelbeek, e que também sofreram danos.

A 22 de março passado, às 09:11 (08:11 de Lisboa), cerca de uma hora depois do duplo atentado suicida no aeroporto internacional de Bruxelas-Zaventem, um outro “jihadista” fez-se explodir numa carruagem de metro na estação de Maelbeek, provocando 16 mortos e dezenas de feridos.

Incêndio em Guimarães destruiu fábrica de calçado

Um incêndio destruiu esta madrugada, uma fábrica de calçado em Calvos, Guimarães, e danificou um armazém têxtil, tendo sido combatido por oito viaturas e 29 homens, informou fonte dos Bombeiros Voluntários da cidade.

Segundo a mesma fonte, o alerta foi dado às 00:43 e “as causas do incêndio não são ainda conhecidas”.

O fogo, adiantou, “teve início na fábrica de calçado e pegou depois a um armazém de uma empresa têxtil que fica mesmo ao lado”.

A mesma fonte explicou que a fábrica de calçado “ficou destruída”, enquanto a têxtil ficou “apenas danificada”.

Não há feridos a registar neste incêndio, que demorou cerca de quatro horas a ser combatido.

IndieLisboa: um filme por dia (3)

De quando em quando, aparece um filme de terror que redime o género de todo o lixo com que maus realizadores e maus argumentistas o entopem. Esse filme é “The Witch”, com que Robert Eggers se estreou a realizar, foi premiado em Sundance 2015 e passa hoje no IndieLisboa (Secção Boca do Inferno, Cinema São Jorge-Sala Manoel de Oliveira, 19.00). Eggers pesquisou uma série de contos fantásticos populares e lendas dos primórdios dos EUA sobre bruxas e bruxaria, para escrever e assinar esta fita passada na Nova Inglaterra (de onde aliás é natural) do século XVII, poucos anos depois do desembarque nas costas americanas dos primeiros colonizadores vindos de Inglaterra.

Um homem e a sua família são banidos da comunidade puritana onde vivem, e instalam-se numa cabana construída à beira de uma densa floresta, tentando subsistir à base do produto das colheitas e dos poucos animais que criam. Mas parece haver forças maléficas, nomeadamente uma bruxa, não só a trabalhar em redor deles, como também manifestando-se de forma sinistra nalguns dos animais selvagens e domésticos. As crianças da família são as primeiras vítimas, instalando a desconfiança, o desespero e o medo nos sobreviventes.

Filmado por Eggers com um rigoroso sentido da época, quer a nível da recriação material e de ambientes propriamente dita, quer das mentalidades profundamente religiosas e supersticiosas, “The Witch” está inteligente e poderosamente construído à base de sinais, sugestões e manifestações maléficas e diabólicas, que se vão acumulando e adensando o clima de “suspense”, de mal-estar psicológico e de crispação de terror, para o que muito contribuem uma banda sonora arrepiante, a filmagem com luz natural e um conjunto de atores desconhecidos, entre adultos e crianças, de onde sobressai a diáfana Anja Taylor-Joy no papel de Thomasin, a filha mais velha. A ambivalência que o realizador cultiva ao longo do filme, e que poderá levar alguns a pensar que tudo o que acontece é imaginado ou auto-induzido pelas personagens, fragilizadas pela sua situação e obcecadas com o pecado e com o mal, desfaz-se na sequência final, que um crítico inglês descreveu certeiramente como digna de Goya. Acrescente-se que Stephen King é um dos grandes entusiastas de “The Witch”, e aqui junto a minha à sua voz.

No Dia da Terra, assina-se o Acordo de Paris

No passado dia 12 de dezembro, 195 países e União Europeia chegaram a um histórico acordo para redução dos gases com efeito de estufa, em Paris. O compromisso ganhou o nome de ‘Acordo de Paris’, mas vai ser assinado nos EUA. Hoje, no Dia da Terra, em Nova Iorque, é assinado esse compromisso, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU).

São esperados em Nova Iorque cerca de 60 chefes de Estado, entre os quais o ministro português do Ambiente.

Depois da adoção do texto do Acordo de Paris, o processo segue para ratificação nacional, de acordo com as regras de cada um dos países subscritores. Poderá ter de passar pelos parlamentos, ou por simples decreto-lei.

O Dia da Terra foi criado em 1970 pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, com a finalidade de promover um protesto contra a poluição da Terra. Apesar dos esforços de diversas Organizações Não-Governamentais e de países e instituições internacionais, continua a fazer sentido celebrar o Dia da Terra.

A data que o senador e ativista ambiental Gaylord Nelson colocou no mapa, depois de um desastre petrolífero em Santa Barbara, na Califórnia (EUA), em 1969, pretendeu colocar no centro da discussão política o tema ambiental, com a proteção do Planeta Terra como inspiração dessas políticas.

O Dia da Terra, em 1970, ganhou grande adesão dos norte-americanos – mais de 20 milhões aderiram primeira celebração do Dia Mundial da Terra –, empenhados em defender o ambiente das agressões provocadas pela ação do Homem sobre o ambiente.

Naquela manifestação que está na origem do Dia da Terra (e que a Google assinala hoje com um doodle onde surgem diversos animais), participaram 2000 universidades e 10 mil escolas primárias e secundárias, bem como inúmeras comunidades locais. Foi a sociedade civil a exercer forte pressão sobre os políticos, na defesa do ambiente.

Um dos resultados deste fenómeno de consciencialização foi a criação, por exemplo da Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency), bem como a criação de diversas leis que tinham como fim a proteção do Planeta Terra.

Dois anos mais tarde, já com o mundo focado neste tema, realizou-se a primeira conferência internacional sobre o meio ambiente: a Conferência de Estocolmo. Na Suécia, tentou-se mostrar aos líderes mundiais teriam de colocar a defesa do Planeta Terra como pilar fundamental das suas políticas. Essa meta está por cumprir, em diversos países que, por exemplo, não ratificaram o Protocolo de Quioto.

O Dia da Terra assume-se como uma celebração popular de grande importância entre as populações, que, sobretudo elas, têm um papel a cumprir na defesa do meio ambiente e dos recursos naturais da Terra.

E por isso a Google criou um doodle para milhares de milhões de cibernautas, que utiliza a sua grandeza para recordar, alertar, sensibilizar, imortalizar e consciencializar os seus utilizadores. É uma política do gigante da Internet – de assinalar efemérides na sua página principal – que grande força junto dos cidadãos, os eleitores dos políticos que continuam a ignorar a defesa da Terra.

O Dia da Terra é hoje. Mas deve ser lembrado todos os dias, para que não sejamos agentes de destruição do palco que nos dá vida, persistentemente, apesar da reiterada contaminação do ar, dos solos, da água e da destruição de ecossistemas e o esgotamento de recursos não renováveis.

O Acordo de Paris parece reforçar o compromisso de defesa do meio ambiente.

A chama do Rio de Janeiro já está acesa

A mais antiga chama do mundo já está acesa. Nas ruínas do templo de Hera em Olímpia, na Grécia, a tocha olímpica ganhou vida esta quinta-feira, com destino aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a decorrer este verão no Brasil.

A cerimónia contou com a presença de uma conhecida atriz grega, que acendeu a mítica chama no papel de sacerdotisa antiga. Usando uma “skapia” – espécie de espelho côncavo grego que converge os raios solares para um determinado ponto – o fogo olímpico reacendeu-se num ritual estabelecido há 80 anos nos Jogos de Berlim, por sua vez baseado naquela que seria a cerimónia tida na Antiguidade.

Depois de aceso, o símbolo dos Jogos Olímpicos foi entregue ao ginasta grego Eleftherios Petrounias, o primeiro de uma longa lista de atletas de todo o mundo que transportarão a chama numa estafeta. Por lá estará Rosa Mota, medalha de ouro na maratona dos Jogos de Seul 1988 e atual vice-presidente do Comité Olímpico Português. A antiga maratonista transportar da tocha durante alguns quilómetros a 26 de abril, ainda na Grécia.

O momento do acender da tocha na antiga cidade de Olímpia, na Grécia

O momento do acender da tocha na antiga cidade de Olímpia, na Grécia

É tradição que a chama olímpica comece a sua travessia na Grécia, país “berço” dos Jogos Olímpicos da Antiguidade apesar de na sua versão moderna apenas os ter recebido por duas vezes (em 1896 e 2004). Depois de seis dias na Grécia, o símbolo rumará à América do Sul, chegando por fim ao estádio olímpico do Rio a 5 de agosto, mesmo a tempo da cerimónia de abertura.

UMA TOCHA EM FOGO CRUZADO

A edição deste ano dos Jogos Olímpicos será decerto conturbada. Às sucessivas polémicas sobre a construção dos estádios e à epidemia do vírus zika (que já ameaçou deixar alguns atletas de fora), junta-se a atual instabilidade política no país. A Presidente brasileira Dilma Rousseff tinha viagem marcada para assistir à cerimónia desta manhã na Grécia, mas foi forçada a cancelar a deslocação devido às complicações do processo de destituição em curso.

Junta-se ainda a atual crise de refugiados, que levou o Comité Olímpico Internacional (COI) a montar uma comitiva apenas constituída por atletas de várias nacionalidades que a guerra forçou a sair dos seus países. “Estamos a fazer história. Estes Jogos Olímpicos serão uma mensagem de esperança em tempos difíceis, esta chama irá levar essa mensagem ao mundo”, garante o presidente do COI Thomas Bach.

A tocha fará agora uma viagem de seis dias pela Grécia, onde passará por um campo de refugiados. Rosa Mota fará parte do percurso

A tocha fará agora uma viagem de seis dias pela Grécia, onde passará por um campo de refugiados. Rosa Mota fará parte do percurso

A mensagem é replicada pelo presidente do comité organizador dos Jogos, Carlos Nuzman. “[O acender da tocha] traz uma mensagem que irá unir o Brasil, um país que está a sofrer muito mais do que merece na busca por um futuro melhor”, disse, numa mensagem com claros contornos políticos.

Neste momento Portugal conta com 63 atletas apurados para o evento, espalhados por modalidades como o atletismo, judo, ciclismo, ginástica, canoagem, futebol e tiro.

Salário mínimo. Deixa de emigrar por 25 euros?

A Comissão Europeia criticara o aumento do salário mínimo nacional que o Governo prometeu subir até 600 euros no final da legislatura, considerando-o negativo para a competitividade e o emprego, sobretudo para os desempregados de longa duração há procura de trabalho há mais de um ano.

Na terça-feira, o Governo prometeu demonstrar a bondade da medida a Bruxelas com mais informação estatística. E agora o Programa Nacional de Reformas dedica uma caixa de três páginas só a defender a retribuição mínima mensal garantida (RMMG), vulgo salário mínimo.

O trabalho contém muita informação estatística mas nenhuma referência ao seu impacto no emprego. Pelo meio, argumenta o Governo, o aumento do salário mínimo desincentiva as pessoas a emigrarem e é importante para as mulheres que são quem mais aufere este rendimento mensal.

“A valorização do salário mínimo enquadra-se também numa estratégia de contenção dos intensos fluxos de emigração que se tem registado desde nos últimos anos, e da perda de capital humano que representam. Os baixos salários constituem um dos principais fatores de pressão para a emigração, condicionando as perspetivas de inserção profissional dos jovens e agravando o risco gerado pelos níveis muito elevados de desemprego e pela acentuada precarização e insegurança do mercado de trabalho português”, lê-se na página 27 do Programa Nacional de Reformas. O aumento don salário mínimo é faseado e em 2016 passou de 505 euros para 530.

Por outro lado, “importa ainda referir que a percentagem de mulheres a receber salário mínimo é quase o dobro em relação aos homens. Os aumentos beneficiam, desta forma, um maior número de mulheres, contribuindo para a redução do fosso salarial entre géneros”.

Francisco George: “O filho de um motorista de um qualquer ministro tem um acesso diferente ao SNS. Temos de acabar com isso”

Não é um mito ou segredo de Estado: muitos portugueses queixam-se que existem certos privilégios, direitos de prioridade, que só alguns têm acesso no Serviço Nacional de Saúde. Em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta sexta-feira, Francisco George, diretor-geral da Saúde, assume esse problema. “O filho de um motorista de um qualquer ministro tem um acesso diferente ao SNS por questões culturais. Temos de acabar com elas”, afirmou.

Francisco George admite a existência de uma certa “iniquidade” no acesso ao SNS: a cultura do interceder por, do pedir para. Este é um dos problemas que diz ser mais necessário combater. Durante a entrevista ao “Negócios”, relata um episódio em que uma vez, quando era delegado de Saúde, viu “um helicóptero ir buscar um doente que tinha tido um enfarte do miocárdio”. Parte da instituição hospitalar em causa começou automaticamente à procura de um coração para transplante, algo que achou estranho. A sua atitude foi de questionar a situação: e se fosse um pastor, também teria esse privilégio? Passadas algunas semanas, durante uma corrida de automóveis, foi atropelado um pastor e o mesmo voltou a acontecer, garantiu.

Mesmo com este levantar de questões sobre o SNS, o diretor da DGS lembra que a “saúde dos portugueses” não está mal entregue. “É das melhores do mundo, traduzida pelos indicadores clássicos”, disse. “Se houvesse um jornal que relatasse os sucessos das pessoas que saem cuidadas do SNS, não teriam páginas suficiente. Mas os sucessos nunca são relatados”, acrescentou.

Diz não falar de política, “porque isso divide a sociedade. Um diretor-geral da Saúde não pode dividir”. E revelou ainda que ganha mensalmente 3.100 euros líquidos, mais uma “compensação simbólica” pelas aulas que dá na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP)

Quando questionado sobre se o SNS tem regredido, Francisco George diz “não discutir questões de política”. Tem a certeza que o Governo e o nono ministro da Saúde farão tudo para diminuir a desigualdade e falhas do sistema.

Deixou elogios a Paulo Macedo, de quem ficou amigo: “Tive uma experiência fantástica com ele. Chegou sem nunca ter trabalhado em Saúde. Sabia ouvir…” Relativamente ao novo ministro da Saúde, Francisco George também é “amigo pessoal”. Os dois deram, inclusive, uma disciplina em conjunto na ENSP.

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