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Elisabete Teixeira

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Paul McCartney revela que quase desistiu da música depois sair dos Beatles

O ex-Beatles Paul McCartney revelou que começou a beber muito e quase desistiu da música depois da banda se ter separado, numa entrevista que vai ser publicada esta semana.

O ícone da música, agora com 73 anos, admitiu que se refugiou no álcool para lidar com o fim da banda em abril de 1970, segundo um excerto de uma entrevista à rádio BBC publicada terça-feira.

“Eu estava a separar-me dos meus amigos de longa data, sem saber se ia continuar no mundo da música”, disse McCartney.

“Refugiei-me na bebida. Foi ótimo no início mas depois, de repente, não estava assim tão bem. Não estava a funcionar. Eu queria voltar ao começo da banda, por isso acabei por formar os Wings”.

Os Wings – que também incluíam Linda, a mulher de McCartney — foi formada em 1971 e começou por dar pequenos concertos não anunciados a estudantes.

A banda teve sucesso, mas McCartney sabia que algumas críticas feitas nos primeiros tempos eram válidas, quando a sua primeira mulher, uma música novata, ainda estava a aprender a tocar teclado.

“Para ser honesto, nós não éramos assim tão bons. Nós éramos horríveis. Nós sabíamos que a Linda não tocava bem mas ela aprendeu e, olhando para trás, fico muito contente por termos conseguido”, disse.

“Eu podia ter formado um grupo grande e ter chegado ao nível do Eric Clapton e do Jimmy Page e John Bonham, mas nós tornamo-nos especialistas a tocar em universidades e pequenas cidades, o que foi bastante engraçado uma vez que eu tinha estado no Shea Stadium recentemente”.

McCartney disse que estava satisfeito por ter resolvido a relação tensa que tinha com o colega dos Beatles, John Lennon, antes de este ter sido assassinado em 1980.

“Fiquei muito grato por nos termos voltado a dar antes de ele ter morrido. Porque teria sido muito difícil de lidar com isso se… bem, foi difícil de qualquer maneira”, disse.

Em 1982, McCartney escreveu a música “Here Today” sobre Lennon.

Depois de tocar uma parte da canção, disse: “Eu estava a pensar em todas as coisas que lhe deveria ter dito. Sou muito reservado e não gosto de me abrir muito. Por que é que as pessoas têm de saber os meus pensamentos mais íntimos? Mas uma canção é o sítio onde os posso expressar. Em “Here Today” eu digo ao John, “Gosto de ti”.

“Pode-se pôr estas emoções, estas verdades por vezes profundas e estranhas, numa canção”.

McCartney referiu que a rivalidade entre os Beatles e a ascensão a uma fama mundial ajudou-o a escrever algumas das suas melhores músicas.

“Quando se é jovem, há coisas mágicas que acontecem: fazer parte de uma banda, a competição com John, ser-se jovem, de repente tornar-se famoso… tudo o que vinha com bom trabalho”, disse.

“Se o John aparecesse com uma canção brilhante, eu diria: ‘Está bem, vamos tentar e ser ainda mais brilhantes’”. O programa estreia no sábado.

Mulher aparece morta numa barragem em Castelo Branco

Uma mulher com cerca de 60 anos foi esta terça-feira encontrada morta na barragem do Pisco, em S. Vicente da Beira, Castelo Branco, disse fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Castelo Branco.

A mesma fonte explicou que “o corpo foi encontrado dentro da barragem e retirado pelos bombeiros para a margem”.

Segundo o CDOS de Castelo Branco, o alerta foi dado às 15:19 e o óbito foi confirmado no local pelo médico da viatura médica de emergência e reanimação (VMER) de Castelo Branco.

Ao local deslocaram-se os bombeiros de Castelo Branco, com duas viaturas e quatro operacionais, a VMER do Hospital Amato Lusitano e a GNR.

À Lusa, fonte da GNR disse que o corpo foi transportado para o Instituto de Medicina Legal de Castelo Branco.

Adiantou ainda que, face aos dados recolhidos no local, vai ser decidido se a investigação fica a cargo da GNR ou se irá passar para o âmbito da Polícia Judiciária (PJ).

L’Artusi. Quando a comida italiana é um livro aberto (com 790 receitas)

Para explicar o conceito do L’Artusi nada como transportá-lo para a realidade portuguesa. Imagine-se, para esse efeito, que alguém pegava no mítico Livro de Pantagruel e decidia abrir um restaurante em que todos os pratos da ementa não eram criações de um chef ou cozinheiro mas antes reproduções fidelíssimas das receitas compiladas e selecionadas pelos autores da obra, Maria Manuel Limpo Caetano, Bertha Rosa-Limpo e Jorge Brum do Canto.

Foi precisamente isso que o italiano Paolo Morosi, 67 anos, fez com La Scienza In Cucina e L’Arte di Mangiar Bene de Pellegrino Artusi. “Não é bem um livro, preferimos antes chamar-lhe um manual”, avisa a filha Isaura, a responsável pelo restaurante. Seja então: é um manual feito entre o final do séc. XIX e o princípio do séc. XX que reúne 790 receitas de cozinha tradicional italiana, de todas as regiões. E isto não é, de todo, um pormenor — foi a primeira obra deste género a abranger a totalidade da, à época, recém-unificada Itália.

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A obra que deu origem ao restaurante, na respetiva montra.
(foto: © Divulgação)

A relação de Paolo com o manual em questão não é de agora. Não só o ofereceu de presente de casamento ao irmão, em 1974, como, garante a filha, “já tinha a ideia de abrir um restaurante com as receitas do Artusi”. Há uns anos, vendeu os negócios que tinha no Brasil, no ramo da hotelaria e restauração, e mudou-se para Lisboa. Quando Isaura — que é italo-brasileira — decidiu vir ter com o pai, surgiu a oportunidade ideal para passar das ideias aos atos. Pegaram no antigo restaurante Merca-Tudo mas não fizeram obras revolucionárias. “Como a comida é caseira, a ideia é que isto pareça uma casa e tenha um ambiente familiar”, diz Isaura. Dia 1 de maio abriram portas.

Mas quem era esse Pellegrino Artusi?

Isaura elucida. “Ele não era cozinheiro, era um comerciante muito interessado pela gastronomia.” Tão interessado que decidiu, por si, compilar uma série de receitas de origens diversas. “Muitas eram-lhe enviadas por carta, por donas de casa, e ele experimentava-as com a sua cozinheira Marietta. Mas também acontecia ele experimentar um prato num restaurante e gostar tanto que ia à cozinha e pedia para o refazerem à sua frente”, conta a responsável. Depois, Artusi não se limitava a descrever a receita. “No livro ele conta sempre uma história engraçada à volta de cada prato, com muitas expressões toscanas”, explica Isaura.

Curiosamente, a primeira edição do livro foi um fiasco. “Ninguém o queria publicar, teve de pagar do próprio bolso essa primeira edição”, recorda a responsável. Mas o reconhecimento acabaria por chegar, antes mesmo da sua morte, em 1911. Data desse ano a versão de La Scienza In Cucina que usam no L’Artusi. “É a mais completa, porque ele foi sempre acrescentando receitas”, justifica Isaura. Das 790 que compõem a dita edição, foram escolhidas 17 para o primeiro menu do restaurante. Tanto se podem pedir à carta, como optar por um menu degustação para duas pessoas, com sete pratos, que fica por 100€.

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Isaura Morosi ao balcão do L’Artusi. O restaurante ocupa o antigo espaço do Merca-Tudo, na rua homónima. (foto: © Divulgação)

Como seria de esperar, a oferta tem muito pouco a ver com a dos outros restaurantes italianos de Lisboa. “Aqui percebe-se que a comida italiana não é só pasta e pizze.”A provar a afirmação de Isaura estão coisas como língua de vitela com molho picante (14€), caldeirada à livornese (18€), empadão de pombo (18€) ou o chamado assado morto com cheirinho a alho e alecrim (18€). Com uma base de trabalho tão grande é natural que a ementa vá rodando. E Isaura confirma-o: “Sim, só trabalhamos com produtos frescos e por causa da sazonalidade algumas receitas vão entrando e outras saindo.”As bebidas que acompanham são todas italianas, para evitar que o velho Artusi dê voltas na tumba. Vinhos, claro, mas também cerveja, refrigerantes ou até água.

E até a banda sonora foi pensada de acordo com o conceito da casa. Nada de Eros Ramazzotti nem Toto Cutugno (o de “L’Italiano”): Paolo Morosi fez uma playlist com música contemporânea da obra de Pellegrino Artusi e a filha Isaura intercalou-a com gravações das receitas, declamadas pelo recém-falecido ator italiano Paolo Poli.

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O bacalhau Monte Branco (11€(, outra das receitas de Artusi.
(foto: © Divulgação)

A partir de 1 de junho o restaurante abrirá também ao almoço mas só na esplanada. A sala interior ficará disponível sob reserva para quem quiser um almoço de trabalho, num ambiente mais recatado. Nesse período serão servidas receitas mais rápidas e económicas, mas também elas retiradas do manual de Artusi. E nem podia ser de outra forma. Afinal, como Isaura faz questão de dizer: “Os cozinheiros aqui são meros intérpretes do livro.” Capisce?

Nome: L’Artusi
Morada: Rua do Merca-Tudo, 4 (São Bento), Lisboa
Telefone: 21 396 9368
Horário: Das 19h às 22h30. Encerra às terças. A partir de 1 de junho abre também aos almoços, exceto ao domingo.
Preço Médio: 50€ (menu degustação, sem vinhos) ou 35€ (à carta)
Reservas: Aceitam
Site: lartusiristorante.com

Avião da EasyJet aterra de emergência na Madeira

Um avião Airbus 320 da EasyJt aterrou de emergência no aeroporto de Porto Santo, na Região Autónoma da Madeira, no início da tarde de esta terça-feira. O piloto terá detetado a presença de fumo na cabine do avião que fazia a ligação entre Tenerife, nas ilhas Canárias, e o aeroporto de Gatwick, em Londres. Já em terra, os bombeiros verificaram que não havia qualquer anomalia no aparelho.

Todos as 173 pessoas a bordo do avião, entre os quais 163 passageiros, foram evacuados por motivos de segurança. O voo vai ser retomado ainda esta terça-feira às 19h30 com destino ao mesmo aeroporto britânico.

Empresa de conservas troca porto de Lisboa por estabilidade de porto espanhol

Uma empresa de conservas de peixe, sediada em Vila do Conde, passou a utilizar o porto de mercadorias da cidade espanhola de Vigo, depois de acumular prejuízos devido à greve dos estivadores no porto de Lisboa.

No passado mês de abril, a Gencoal ficou com três contentores carregados de salmão, oriundos do Chile, retidos no porto de Lisboa, algo que, além de causar prejuízos operacionais na ordem dos 8 mil euros, fez com que a empresa se atrasasse nas entregas aos clientes.

Perante este cenário, a empresa, cuja produção é totalmente para exportação, teve de redefinir a sua estratégia e não hesitou em passar usar os serviços do porto de Vigo, no norte de Espanha, considerando que passou a ter “maior estabilidade”.

“É um porto que trabalha bastante bem e em que não vou ter surpresas, e se as tiver certamente serão resolvidas mais rapidamente. Aqui em Portugal é para esquecer, a minha empresa e os meus funcionários não podem passar por isto, tenho de pagar salários no final do mês”, partilhou à Lusa Manuela Gilman, diretora geral da empresa.

Para a gestora, as diferenças de custos entre os serviços do porto de Lisboa e o de Vigo “não são significativos”, lembrando que o porto espanhol “até fica bem mais perto de Vila do Conde”, não hesitando em afirmar “será, a partir de agora, o porto de eleição”.

Questionada pela razão de não ter optado, por exemplo, pelo porto de mercadorias de Leixões, bem mais perto sede da empresa, Manuela Gilman lembrou que “nem todas as companhias de navegação descarregam em Leixões” e que em Vigo, “além de ser um porto maior, não existe uma restrição tão grande com as empresas de navegação com que podemos trabalhar”.

A empresária partilhou, ainda, que no recente incidente com o porto de Lisboa ficou com 650 mil euros de mercadorias retidas em três contentores durante 15 dias, e que apesar de a matéria-prima não se ter estragado, causou prejuízos que ainda estão ser contabilizados.

“Tivemos uma linha de produção, com cerca de 40 pessoas, parada, com todos os prejuízos inerentes ao não cumprimento de contratos com clientes e ao facto de ter as pessoas a não desempenharem as funções”, partilhou.

“Ainda estamos a contabilizar os custos do não cumprimento dos contratos de entrega com os clientes, mas só de imobilização dos contentores foram 8 mil euros”, completou Manuela Gilman.

Sendo toda a produção de conservas de peixe de Gencoal para exportação, a empresária afirmou que os clientes estrangeiros tiveram dificuldade em compreender o que se está a passar nos portos nacionais.

“Acharam muito estranho que um porto essencial à vida económica de um país, como é o de Lisboa, não esteja a funcionar há tanto tempo devido a greves sucessivas”, desabafou.

A empresária reconhece que os “trabalhadores têm direto à greve”, mas disse “não compreender a razão de os serviços mínimos não terem sido realmente efetuados”.

“Em outras greves podia haver um atraso de dois ou três dias na entrega dos contentores, mas os serviços mínimos funcionavam. Desta vez, e apesar dos nossos pedidos ao Governo, nada funcionou”, apontou.

A agressividade canina pode ser prevenida

Está provado que as experiências vividas pelos cães até aos quatro, cinco meses de idade têm um impacto extraordinário no desenvolvimento do temperamento e dos comportamentos que estes terão na idade adulta. Nesta fase os canídeos estão especialmente permissivos face a novos estímulos, pelo que a sua exposição segura a inúmeras situações benignas contribui para sedimentar temperamentos autoconfiantes e equilibrados.

Os investigadores americanos Kenneth Martin e Debbie Martin demonstraram num estudo recente que aulas de socialização de cachorros conduzidas por profissionais habilitados e em ambiente seguro não só ajudam a educar os cães, como reduzem a propensão destes para desenvolver medos e agressividade motivada pelo medo.

Um outro estudo, liderado por Ai Kutsumi, concluiu igualmente que um bom programa de socialização de cachorros pode prevenir alguns problemas comportamentais tais como o medo de estranhos.

Kersti Seksel, por seu turno, identificou outra vantagem associada às aulas de socialização de cachorros – ajudam a evitar comportamentos problemáticos como morder/roer objectos e a eliminação em locais inapropriados.

Um bom programa de socialização contribui ainda para o desenvolvimento de aptidões de comunicação entre cães a qual facilita as suas inter-relações.

Indirectamente, a socialização ainda previne o abandono e o abate de animais uma vez que fortalece o vínculo entre cão e dono, pois este passa a compreender melhor o seu fiel amigo.

Apesar da importância extrema da socialização precoce (promovida até aos quatro/cinco meses de vida do cão), este é um processo que deve manter-se na idade adulta, com vista à prevenção continuada de medos e ao fortalecimento de temperamentos equilibrados.

Apesar de a socialização de animais de companhia ainda não ser frequente em Portugal, ela reflecte o mais actual conhecimento científico e é defendida pelas mais reconhecidas instituições mundiais de comportamento e bem-estar animal como a AVSAB – American Veterinary Society of Animal Behavior, a WSAVA – World Small Animal Veterinary Association, entre outras.

Se as aulas de socialização se tornarem um hábito em Portugal, como nos países mais desenvolvidos, teremos seguramente menos acidentes por agressividade canina e menos casos de abandono de animais. Oxalá esse dia esteja próximo.

Sílvia Machado                                                                                                                                                                                             Professora universitária e Directora Geral do Instituto do Animal

PGR moçambicana sem provas de valas comuns mas as investigações prosseguem

A Procuradoria-Geral da República de Moçambique disse esta segunda-feira que ainda não encontrou a vala comum denunciada em abril por camponeses no centro do país, assegurando que vai continuar a averiguar o caso.

“A procuradoria provincial de Sofala foi ao terreno lá onde se diz que há valas, trabalhou juntamente com outras entidades e com a população local, constatou-se que não há vala comum. Pelo menos nos pontos onde o Ministério Público foi, não encontrou nenhuma vala comum”, afirmou Taíbo Mucobora, porta-voz e procurador-geral adjunto da República, à margem da IX sessão do Conselho Coordenador da Procuradoria-Geral da República.

Segundo Mucobora, a Procuradoria-Geral da República na província de Sofala vai continuar a averiguar os relatos de existência de uma vala comum na região.

“Logo que tomámos conhecimento, a procuradoria provincial de Sofala trabalhou com outras entidades, fez um trabalho no terreno, para ver, de facto, o que é que estava a acontecer”, acrescentou o porta-voz.

Em relação à descoberta de corpos abandonados no distrito de Macossa, província de Manica, centro de Moçambique, Taíbo Mucobora afirmou que uma equipa da Procuradoria-Geral da República enviada ao local identificou a existência de 11 corpos e instaurou um processo visando o apuramento das circunstâncias das mortes.

“A procuradoria foi ao local para ver o que estava a acontecer, acompanhada de outras entidades que são chamadas ao caso e com destaque para um técnico de medicina, que fez a vez de um médico legal. Já se instaurou um processo que está a correr seus termos, e os corpos encontrados foram em número de 11”, disse Taíbo Mucobora.

Na semana passada, o ministro do Interior de Moçambique, Basílio Monteiro, afirmou que há vestígios de crime no caso de cadáveres descobertos ao abandono no centro do país, assinalando que, apesar de os corpos terem sido sepultados, as investigações vão continuar.

A 30 de abril, jornalistas de vários órgãos de comunicação social, incluindo a Lusa, testemunharam e fotografaram 15 corpos espalhados no mato, apontando a localização da descoberta como o distrito da Gorongosa, província de Sofala.

Uma semana mais tarde, o canal televisivo moçambicano STV mostrou 13 corpos em decomposição no distrito de Macossa, província de Manica, confirmando a existência de cadáveres abandonados junto à principal estrada do país.

As zonas apontadas quer pela Lusa quer posteriormente pela STV ficam muito próximas, no limite das fronteiras entre os distritos de Gorongosa e Macossa e também entre as províncias de Sofala e Manica, e os corpos devem ser os mesmos.

Os corpos foram abandonados nas proximidades do local onde camponeses alegam ter observado uma vala comum com mais de cem cadáveres, até ao momento desmentida pelas autoridades, e sem confirmação dos jornalistas, numa zona de forte presença militar, no quadro do conflito que se vive no centro do país.

Apesar de vários desmentidos, a descoberta de corpos abandonados e as denúncias dos camponeses levaram a Comissão Nacional de Direitos Humanos de Moçambique, instituição estatal, a pedir o “acesso incondicional” de entidades nacionais ou internacionais aos locais.

O escritório do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos afirmou estar em contacto com as autoridades moçambicanas para aceder à zona dos corpos abandonados.

Espião português preso em flagrante delito a vender segredos a serviço de informações estrangeiro

Um espião português foi detido em Itália por suspeitas de estar a passar informações a um funcionário dos serviços secretos de um outro país. Segundo avança o Diário de Notícias, o funcionário português do Serviço de Informações e Segurança (SIS), foi apanhado em flagrante a passar informações a um espião russo do SVR. A PJ apenas refere “a existência de suspeitas da prática de um crime de espionagem, por parte de um funcionário, a favor de um serviço de informações estrangeiro”.

Segundo o comunicado da Polícia Judiciária, foi desencadeada “uma complexa e sensível operação, que decorreu desde o final da passada semana e findou ontem, na sequência da qual foi possível esclarecer factos referentes à prática dos crimes de espionagem, corrupção e violação de segredo de Estado”.

Há uma segunda pessoa detida, mas a PJ não faz grandes revelações no comunicado publicado no site.

Fruto da excelente articulação entre o Ministério Público, a Polícia Judiciária e o Serviço de Informações de Segurança, bem como ao nível da cooperação internacional com as autoridades italianas, foram detidas duas pessoas, em Roma, pela presumível prática dos crimes de espionagem, corrupção e violação de segredo de Estado.
O comunicado dá a entender que os suspeitos foram apanhados em flagrante delito e que já foi iniciado o processo de extradição:

Os dois detidos, a quem foram apreendidos elementos com relevante valor probatório, foram presentes à Autoridades Judiciárias italianas competentes, tendo sido determinado que aguardem a extradição em prisão preventiva.
Buscas domiciliárias em Portugal

A Procuradoria Geral da República também já emitiu um comunicado sobre a operação “Top Secret”, assim se chama, acrescentando que, ao mesmo tempo que em Roma eram detidos os dois homens, “foram realizadas, igualmente, buscas domiciliárias em Portugal”.

Os suspeitos estão detidos em Itália.

As autoridades portuguesas fizeram deslocar funcionários a Itália, sendo que a operação contou com o apoio das autoridades italianas, da Interpol e do Eurojust.

Zika é resultado do abandono das políticas anti-mosquito nos anos 70

A epidemia do vírus zika na América Latina é o resultado do abandono das políticas anti-mosquito nos anos 70, considerou a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) esta segunda-feira.

“Acima de tudo, a propagação do Zika, o reaparecimento do dengue e a ameaça emergente do chikungunya são o resultado da política desastrosa dos anos 70 que conduziu ao abandono do controlo dos mosquitos”, declarou Margaret Chan, na abertura da Assembleia Mundial da Saúde, que reúne em Genebra esta semana cerca de três mil participantes.

 O zika, o dengue e o chikungunya são três doenças transmitidas pelo mosquito de tipo Aedes Aegypti.

A epidemia de zika, que se transmite igualmente através de relações sexuais, declarou-se na América Latina em 2015 e rapidamente alastrou na região.

A infeção em mulheres grávidas pode provocar graves malformações dos fetos, em particular microcefalia (malformação da caixa craniana) e doenças neurológicas raras nos adultos, entre as quais a síndroma de Guillain-Barré.

Como a microcefalia é acompanhada de um crescimento insuficiente do cérebro, os recém-nascidos afetados podem apresentar problemas de desenvolvimento.

Muitas crianças nascidas com microcefalia podem não apresentar qualquer sintoma à nascença, mas ao crescer, sofrerão de epilepsia, paralisia cerebral, problemas de aprendizagem e problemas de visão.

A epidemia de zika revelou “a incapacidade” de alguns países afetados “para propor o acesso universal aos serviços de planeamento familiar”, disse Margaret Chan, sublinhando que “a América Latina e as Caraíbas têm a maior percentagem de gravidezes indesejadas em todo o mundo”.

O Brasil é o país mais afetado pela epidemia, com 1,5 milhões de pessoas contaminadas e cerca de 1.300 casos de microcefalia.

No maior país católico do mundo, a epidemia reabriu o debate sobre o aborto, atualmente apenas legal em caso de violação, quando a vida da mãe estiver em perigo ou em caso de feto acéfalo (sem cérebro).

Em fevereiro, a ONU exortou os países atingidos pelo Zika a autorizarem o acesso das mulheres à contraceção e ao aborto.

Na América Latina, o facto de o aborto e a pílula do dia seguinte continuarem proibidos em muitos países não impediu alguns deles — El Salvador, Colômbia, Equador — de aconselharem que se evitem as gravidezes.

Em El Salvador, a interrupção da gestação é punida com até 40 anos de prisão.

“O Zika apanhou-nos de surpresa, sem vacina e sem teste de diagnóstico fiáveis e amplamente disponíveis”, admitiu a diretora-geral da OMS.

“Para proteger as mulheres em idade fértil, o que podemos fazer? Dar conselhos: Evitar as picadas de mosquitos; Adiar a gravidez; Não viajar para as regiões afetadas”, enumerou.

Na sexta-feira, a OMS anunciou que a estirpe do vírus Zika responsável pelos casos de microcefalia na América Latina, a chamada estirpe asiática, se propagou pela primeira vez a um país africano, Cabo Verde, uma evolução considerada “preocupante”.

Feira do Livro de Lisboa: guia prático para não se perder

Todo os anos é igual, só muda (e pouco) a data. Desta vez é a 26 de maio, esta quinta-feira, que o Parque Eduardo VII, em Lisboa, se enche para receber a Feira do Livro. É a 86.ª edição, que se estende até ao Dia de Santo António, segunda-feira, 13 de junho. São mais de duas semanas a celebrar a literatura, numa festa que é feita de livros, escritores e leitores, mas também de farturas, algodão doce e tudo o que faz destes dias passados na feira um programa irresistível. Para que não perca nada, o Observador diz-lhe o que há de novo e as tradições que se mantêm.

Pavilhões

Como já vem sendo habitual, ao longo das laterais do Parque Eduardo VII espalham-se os pavilhões das várias editoras e alfarrabistas participantes. Este ano os números batem recordes: estarão presentes 123 (10 deles pela primeira vez na feira) divididos em 277 pavilhões, que representam 600 editoras/chancelas. Será difícil ver tudo em apenas um dia. Um truque? Numa ida à feira conheça a lateral da esquerda, na ida seguinte a da direita. Ou então não siga plano nenhum, também não é má ideia.

Hora H

Começou há poucos anos mas é já um sucesso. É a Happy Hour dos livros. A partir de dia 30, de segunda a quinta, entre as 22h e as 23h, é possível adquirir, nos pavilhões dos editores participantes, livros com 50% de desconto (que se aplica a todos os que estão fora da Lei do Preço Fixo, ou seja, que foram editados há mais de 18 meses). As filas podem ser extensas: vá uma ou duas horas antes, veja que editoras vão aderir a esta happy hour, escolha os livros que lhe interessam e, a partir das 22h, corra para os pagar.

Crianças

Não há programa melhor que um dia passado no jardim, com farturas, pipocas, algodão-doce e livros. Além de deixar os mais novos folhear os livros, permitindo-lhes escolher que mundo encantado levar para casa, há atividades a não perder. Uma das novidades é a iniciativa Acampar com Histórias, dirigida a miúdos entre os 8 e as 10 anos. São oito noites em que será possível acampar na Estufa Fria e passar uma noite dentro da Feira, na companhia de escritores, ilustradores, contadores de histórias. Os telemóveis não entram e na mochila deverá ir um saco-cama, escova e pasta de dentes e uma toalha de rosto. A inscrição custa dez euros mas esta promete ser uma noite verdadeiramente inesquecível (a 27 e 28 de Maio, 3, 4, 9, 10, 11 e 12 de Junho). Para os que vão apenas durante do dia, como já é tradição, a feira conta com vários espaços dedicados aos mais novos: além das zonas reservadas nos pavilhões de cada participante, onde será possível conhecer os autores favoritos e ouvir contar diversas histórias ou encontrar uma personagem de encantar, as Bibliotecas Municipais contam com um espaço com atividades, que vão desde o Yoga Mágico em Família (a 29 de Maio, pelas 11h30) ao workshop Pão a Pão (4 de Junho, às 18h).

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Cinema

É uma das novidades desta edição. Para celebrar o aniversário de Virgílio Ferreira vai ser projetado o filme “Manhã Submersa”, numa parceria com a Cinemateca. Antes do filme, será possível assistir a uma conversa entre o realizador, Lauro António, e Lídia Jorge (a 3 de junho, às 21h).

App Mobile Feira do Livro de Lisboa

A feira está cada mais tecnológica. No dia de abertura será lançada a aplicação e, aqueles que a descarregarem, terão no seu telemóvel, entre outros conteúdos, o mapa da feira, a programação e os livros do dia.

Comida

As farturas Otário marcam presença, tal como as pipocas, o algodão doce e as bifanas. Mas há mais. São vários os restaurantes a marcar presença no parque: ao todo são 40 espaços de restauração, 10 deles em estreia na feira, como as Piadinas, os pastéis de massa tenra da Maria Tenra e a comida biológica da The Cru. De resto, há comida para todos os gostos: pizzas, hamburgures, comida de autor, comida mexicana, bagels, cachorros, bolas de Berlim e muitas outras iguarias.

Dê Nova Vida aos Livros

É a campanha promovida pela APEL e o Banco de Bens Doados. No seu pavilhão será possível deixar um ou mais livros nas estantes. Livros esses que serão, no fim, entregues a crianças de instituições que fazem parte da rede do Banco de Bens Doados. No ano passado foram angariados três mil livros. Este ano a organização esperar superar este número.

Escritores

Ninguém esquece o encontro com o escritor favorito. Serão centenas os que passarão pela feira nestas duas semanas, entre sessões de autógrafos, lançamentos de livros e debates. O Observador deixa-lhe alguns destaques:

26 de junho: Sessões de autógrafos com Pepetela, Inês Pedrosa, Maria Teresa Horta, Sandro William Junqueira.

28 de junho: Sessões de autógrafos com António Lobo Antunes, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Patrícia Reis, Rita Ferro, João Tordo e João de Melo. Rui Cardoso Martins lança Levante-se o Réu Outra Vez. John Banville apresenta A Guitarra Azul.

29 de junho: Sessões de autógrafos com Manuel Alegre, David Machado, Ana Margarida de Carvalho e Gonçalo M. Tavares. Lançamento de Putinlândia, de Bernardo Pires de Lima. Showcooking de comida vegetariana pelo casal David Frenkiel e Louise Vindahl e de Sopas, Saladas e Chás Detox por Lillian Barros.

3 de junho: Debate e Leituras em torno de As Coisas que os Homens me Explicam, de Rebecca Solnit. Debate e leituras em torno de As Coisas que os Homens me Explicam, com Patrícia Müller, Maria do Rosário Pedreira, Andréa Zamorano, Ana Cássia Rebelo, Helena Vasconcelos, Filipa Martins e Tânia Ganho

04 de maio: Sessões de autógrafos com Lídia Jorge, Inês Pedrosa e Rui Miguel Tovar. Entrega do Prémio Leya a António Tavares; lançamento deO Cão que Comia a Chuva, de Richard Zimler e Júlio Pomar.

05 de junho: Sessões de autógrafos com Maria Teresa Horta, Ondjaki, Afonso Cruz e Pepetela. Showcooking de Ágata Roquette.

08 de junho: Lançamento de Vinte Poemas para Camões, de Manuel Alegre.

09 de junho: Lançamento de Para lá do Relvado: o que podemos aprender com o futebol, de Raquel Vaz-Pinto. Apresentação por Ricardo Araújo Pereira, António Lobo Xavier e Bernardo Pires de Lima.

10 de junho: Sessões de autógrafos com Nuno Júdice e Manuel Alegre.

11 de junho: Sessões de autógrafos com Luís Sepúlveda, João de Melo e Maria Teresa Horta

12 de junho: Sessões de autógrafos com Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Inês Pedrosa e João Tordo. Debate sobre a liberdade de expressão, com Fernanda Câncio, Daniel Oliveira e Ricardo Araújo Pereira.

13 de junho: Daniel Sampaio e Ondjaki estarão na Praça Leya.

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