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Ambientalistas alertam para riscos ambientais de centrais solares fotovoltaicas no Alentejo

“Os benefícios a obter poderão ser inferiores aos custos ambientais previstos”, afirmou hoje a Zero em comunicado enviado à Lusa, referindo-se a duas das quatro centrais solares fotovoltaicas a ser instaladas em herdades alentejanas.

As incidências ambientais da instalação das centrais foram avaliadas numa consulta pública que terminou na terça-feira, mas a associação alerta para os possíveis impactos negativos, nomeadamente os elevados riscos de erosão, a destruição de cerca de 135 hectares de sobreiros e azinheiras e a afetação de cabeceiras de linhas de água.

As centrais previstas para as herdades de Alcaboucia (concelho de Portel, distrito de Évora) e Vale da Cota (Santiago do Cacém, Setúbal) são as que mais preocupam a Zero, que calculou um prejuízo em termos de emissões de dióxido de carbono de cerca de cinco mil toneladas, em 20 anos, nos dois casos, considerando a área afetada e a alteração de uso dos solos em causa.

“Os projetos têm custos ambientais não recuperáveis nas próximas décadas, mesmo sem contar com os potenciais efeitos negativos que a instalação pode induzir na biodiversidade local, na afetação do regime hídrico e na facilitação da erosão do solo e também na artificialização de uma paisagem rural”, acrescentam os ambientalistas.

Referindo-se aos resultados da avaliação das incidências ambientais, a Zero aponta a ausência localizações alternativas e a omissão de informações relativas aos valores naturais existentes e a eventuais medidas compensatórias, denunciando também que os impactes da instalação de linhas elétricas para transporte de energia não foram avaliados.

A Zero admite que os outros dois projetos, previstos para as Herdades de Mourata (Arraiolos, Évora) e do Monte do Outeiro (Vidigueira, Beja), possam vir a avançar no futuro, “desde que sejam clarificadas as omissões de informação e sejam definidas medidas compensatórias de recuperação de habitats em áreas classificadas”.

No seu conjunto, os projetos previstos ocupam uma área total de cerca de 270 hectares.

Apesar de considerar positiva a tendência para o investimento na energia solar fotovoltaica de grande escala para que o país alcance a neutralidade de emissões de carbono em 2050, a associação ambientalista alerta para a necessidade de regras para prevenir impactes e conflitos.

Excluir investimentos que ponham em causa a mais-valia natural das áreas classificadas, e de áreas florestais e agrícolas sempre que os custos ambientais superem os benefícios são algumas das sugestões da Zero, bem como o incentivo ao uso de áreas degradadas.

Cebal e um Alentejo a inovar

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O CEBAL reporta o início da sua atividade cientifica em janeiro de 2008, com a contratação de quatro investigadores doutorados. A prioridade do CEBAL foi criar um laboratório de Biologia Molecular, que desse apoio à região, na área da biotecnologia agrícola. O apoio financeiro dos sócios, bem como do Município de Beja, foi e continua a ser importantíssimo. O CEBAL hoje em dia conta com uma equipa jovem de 32 investigadores, dos quais 11 doutorados, 18 mestres (7 a fazer doutoramento) e 3 alunos de mestrado. Os 5 grupos de investigação orientam as suas linhas de trabalho em resposta às necessidades da região, como opção estratégica fundamental para o estímulo à endogeneização do conhecimento tecnológico, e à sua conversão em realidades mais produtivas, inovadoras e competitivas. Esta estratégia tem permitido ao CEBAL o desenvolvimento de um perfil de especialização diferenciadora, científica e tecnologicamente, que se traduz no progressivo reconhecimento, por parte de outras instituições de I&D, empresas e entidades financiadoras, do potencial instalado. 23 projetos aprovados, quase 4 M€, 8 empresas envolvidas, várias associações de produtores e diversas unidades de I&D nacionais e internacionais.

Quais são as principais lacunas e dificuldades que ainda enfrentam atualmente na vossa orgânica quotidiana? Sente que esta vertente da Biotecnologia ainda carece de mais apoios dada a sua relevância?

O CEBAL enfrenta obviamente a necessidade de consolidação da sua estrutura técnico-científica, aumento do número de investigadores, ambicionando alcançar uma dimensão média com 70-80 investigadores.

As discrepâncias em termos de investimento público em I&D entre as várias regiões do país, e a ausência de medidas de discriminação positiva para as entidades que desenvolvem atividades de I&D em áreas de baixa densidade populacional, é uma realidade à qual o CEBAL não está indiferente, e não-alinhada com a Estratégia Europa 2020, que aponta para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. Ainda assim, o CEBAL numa conjuntura mais regional tem conseguido medidas de apoio à sua atividade, mas que não permitiram ainda o crescimento inicial espectável.

Em que ponto está o desenvolvimento do setor da Biotecnologia em Portugal e a té que ponto a Biotecnologia já está presente, nos alimentos e produção agrícola nacionais?

O setor tem tido um crescimento muito significativo. Nos últimos anos tem-se assistido a uma profunda alteração do setor agroalimentar, denotando-se elevado esforço de modernização, com mais aposta na inovação, na eficiência e sustentabilidade. Estas novas exigências associadas às tendências de consumo criaram uma nova dinâmica entre quem produz, quem transforma e a I&DT. Foi este incrementar de “valor em rede” que despoletou positivamente, a afirmação do setor da biotecnologia em Portugal, com imenso potencial de crescimento e afirmação futura.

Um dos pilares em que assenta a Estratégia para a Europa 2020 é o reforço da liderança industrial em inovação, estando previsto, neste quadro, um investimento em tecnologias-chave e um melhor acesso ao capital como forma de apoiar as PME. Nesta direção, a Biotecnologia assume-se como uma tecnologia facilitadora essencial, promotora de processos e materiais inovadores e sustentáveis?

No seguimento da questão anterior, a pressão exercida, sob a indústria, a diferentes níveis, potencia, e potenciará ainda mais a necessidade de aliança entre I&I, alicerçada na transferência do conhecimento e tecnologia. O setor da Biotecnologia terá também uma grande responsabilidade, como alias tem tido, na capacidade de potenciar o acesso a novos produtos, a tecnologias diferenciadoras e mais sustentáveis.

Quais os projetos de maior referência que o CEBAL tem vindo a desenvolver e de que forma têm tido os mesmos impacto?

Os projetos que o CEBAL desenvolveu ou desenvolve contribuem todos de igual modo para a estratégia institucional. Há obviamente projetos que pelo impacto que têm dentro de determinadas fileiras produtivas, são naturalmente referências. Para o setor Agroalimentar, uma referência será o projeto RefinOlea, financiado pela ADI, liderado pela União de Cooperativas Agrícolas do SUL, e que se centrou no desenvolvimento de novas estratégias de valorização do bagaço de azeitona. Outra referência no setor Agroflorestal é o projeto de sequenciação do Genoma do Sobreiro, liderado pelo CEBAL, num consórcio nacional alargado a várias instituições de Investigação, e cofinanciado pelo Programa INALENTEJO.

O CEBAL está a desenvolver um projeto denominado por ValBbio TecCynara. Quais os desideratos deste projeto? Que aplicações terá na vertente da Biotecnologia?

O CEBAL lidera o projeto ValBiotecCynara – “Valorização económica do Cardo (Cynara cardunculus): estudo da sua variabilidade natural e suas aplicações biotecnológicas”, em parceria com seis entidades do SCTN, nomeadamente Faculdade de Ciências e Tecnologia/Universidade Nova de Lisboa, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, Instituto Politécnico de Beja, Universidade de Aveiro, Universidade Católica Portuguesa: ICSViseu, e Universidade de Évora. Projeto financiado pelo Programa Alentejo 2020, no âmbito do Sistema de Apoio à Investigação Científica e Tecnológica, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

O ValBioTecCynara pretende promover economicamente o cardo através da avaliação da variabilidade genética natural de populações de cardo, distribuídos pela região Alentejo, no sentido da valorização dos seus perfis bioquímicos. Esta variabilidade natural está a ser explorada na área da valorização bio-farmacêutica, através da identificação das plantas com maiores quantidades de uma lactona sesquiterpénica, denominada cinaropicrina. O projeto está a desenvolver/otimizar procedimentos de extração, purificação e formulação de bioprodutos de cardo (matrizes poliméricas para revestimento de feridas crónicas e formulações biocidas). O perfil bioquímico e tecnológico (cardosinas e capacidade proteolítica) dos pistilos das flores será explorado na influência sobre as características finais de queijos DOP Alentejo (Serpa, Évora e Nisa), combinando inovação com os produtos tradicionais portugueses.

De que forma é que o ValBbio TecCynara assenta numa estratégia combinada para a valorização económica do cardo?

Portugal submeteu recentemente à União Europeia, nos termos e por imperativos regulamentares em vigor, um pedido de inclusão do extrato bruto tradicional de Cynara cardunculus na lista de enzimas alimentares autorizados na EU, para utilização em queijaria. O aprofundamento do conhecimento referente à variabilidade relativa da planta e perfis bioquímicos/enzimáticos é crítico para o melhoramento e sustentabilidade da queijaria tradicional, permitindo no futuro uma base para a certificação ou garantia das fórmulas enzimáticas usadas no fabrico de queijo.

Os indivíduos/plantas selecionados no ValBioTecCynara serão preservados, com o estabelecimento de um campo experimental de cardo (em instalação), como pedra basilar para futuras valorizações económicas do cardo. A abordagem integrada (folha e flor) potenciará esta cultura, associando-a a soluções tecnológicas de elevado valor acrescendo.

Quais são os grandes desafios de futuro do CEBAL? O que podemos continuar a esperar da vossa dinâmica de futuro?

O CEBAL irá continuar o seu caminho, com uma estratégia de desenvolvimento alicerçada na excelência das atividades de I&D, mas com um claro reforço da promoção da transferência de conhecimento e tecnologia. Em 2016 a equipa construiu um slogan, que simbolicamente aponta o caminho que já percorremos, e o desafio para o futuro “ 10 anos de Ciência para um Alentejo a Inovar”.

 

Alentejo: autoridades detetam novos casos de trabalho escravo

o autarca de Vidigueira, no Alentejo, denunciou o caso de uma centena de imigrantes a viver em condições indignas e a Autoridade para as Condições de Trabalho e autarquias pedem legislação que proteja imigrantes da exploração laboral.

As empresas agrícolas dizem que a falta de trabalhadores obriga a contratar através de empresas de trabalho temporário.

UM BOM VINHO NUNCA É FRUTO DO MERO ACASO

Em 1990 a antiga propriedade “Courelas da Casqueira” foi adquirida por uma nova família, a Ramiro, que não tinha experiência agrícola. Quais foram os maiores desafios dos primeiros anos?

Os principais desafios que surgiram no imediato foram precisamente “aprender” a cultura da vinha e o comportamento de cada casta naquele local. Principalmente, como rentabilizar a terra que tanta aptidão teria para a mesma cultura.

Como surge o projeto de tornar a propriedade apta para produção vinícola?

Com o sonho de podermos vir a ter a nossa própria marca de vinhos no mercado, iniciámos o projeto de reconversão de toda a propriedade, uma vez que na propriedade estavam plantadas videiras de todas as castas tradicionais, mas todas misturadas. Foi principalmente com a intenção de efetuar uma grande seleção de castas que iniciámos a reconversão, plantando igualmente castas tradicionais da nossa região.

“Produzido com base nas melhores castas do Alentejo, “Courelas da Casqueira” é a primeira marca vinícola desta empresa de caráter familiar”. Que “peso” tem o facto de a empresa ser uma empresa familiar?

É com grande gosto e orgulho que eu e o meu pai (mentor de todo o projeto) trabalhamos a terra, diariamente. Assim, trata-se de uma empresa familiar que se dedica diariamente aos nossos vinhos. Os nossos clientes gostam de ver uma marca que é trabalhada por nós desde a poda das videiras até a entrega do vinho junto do nosso cliente, cada garrafa que entregamos é um pouco do nosso trabalho diário e o público dá cada vez mais apreço a esse esforço desenvolvido por nós.

Que marcas considera que se destacam enquanto identidade da propriedade vinícola?

Sem dúvida que a marca que mais se destaca é o nosso vinho RESERVA, que tem pontuação elevada na apreciação das conceituadas revistas da especialidade, bem como um vinho de uma série especial de apenas 2500 garrafas que decidimos apelidar de “Courelas da Casqueira – 25 anos. Estrategicamente decidimos comemorar os 25 anos de propriedade da vinha. De qualquer forma penso que todas as nossas marcas destacam um vinho para cada ocasião, desde o nosso vinho “Selecção” até ao elevado grau de qualidade do vinho RESERVA, desde o que foi elaborado em 2011 até ao de 2012 que está presentemente ao dispor dos nossos clientes. Trata-se de um grande vinho de reserva com as castas da nossa região.

Que características possuem os vossos vinhos que os torna especiais?

Penso que a principal característica é, sem duvida, que temos um vinho especial para cada ocasião, desde o vinho que se toma diariamente até ao que se degusta em ocasiões especiais, isto é o “Seleção” que dá prazer beber em cada refeição, até ao vinho de momentos especiais, tendo para isso um vinho de “Reserva” com sabor a madeira, encorpado, etc.

“Courelas da Casqueira” foi a primeira marca a ser comercializada… e de futuro, estão previstos mais lançamentos?

O futuro só a Deus pertence, no entanto temos vários projetos em carteira, com o lançamento de novas marcas, dando a conhecer aos nossos clientes alternativas para cada ocasião.

Temos ainda, para muito breve, o lançamento dos nossos azeites, igualmente produzidos nas nossas terras que possuem um terroir excelente para a produção destes néctares que tanto prezamos.

“SERPA É UMA EXPERIÊNCIA FORTE EM TODOS OS SENTIDOS”

Enquanto Presidente da Câmara Municipal de Serpa que missão o define perante a sua população?

A Câmara Municipal, enquanto órgão executivo do município, tem como missão definir e executar políticas que promovam o desenvolvimento do Concelho. Por conseguinte, temos como objetivo melhorar a qualidade de vida da população, através do desempenho das competências do Poder Local e exigindo do Poder Central políticas que defendam os interesses das populações e que promovam o desenvolvimento e coesão territorial, nomeadamente no que respeita à qualidade dos serviços públicos, às vias de comunicação e ao investimento. Enquanto presidente da Câmara estou fortemente empenhado nesta missão, que é um missão coletiva como já referi, cumprida todos os dias com o maior gosto e determinação.

Que balanço autárquico é possível fazer desde a tomada de posse até agora?

O balanço é positivo, se falarmos do trabalho que fizemos e que estamos a fazer, é positivo também a nível funcionamento interno, mas já é negativo se falarmos no investimento, sobretudo com o atraso do Portugal 2020 e com a redução das transferências para os municípios. Os nossos investimentos estão muito dependentes das verbas disponibilizadas pelo Portugal 2020, as indefinições e demoras têm sido mesmo um dos maiores condicionalismos, correspondendo a um atraso de muitos meses e dificultando o planeamento das intervenções.

Que iniciativas estão em curso e que contribuem de forma direta para o aumento da qualidade de vida da população?

O nosso trabalho tem sido sempre baseado numa lógica de continuidade e melhoramento, apostando fortemente nas dinâmicas culturais, sociais e educativas, no apoio ao movimento associativo e no desenvolvimento económico e na promoção turística do concelho. Refiro alguns dos projetos em que estamos a trabalhar, que foram agora aprovados pelo Portugal 2020 e que vão criar dinâmicas muito importantes no desenvolvimento do concelho, como é o caso da requalificação das infraestruturas educativas, com intervenções de melhoria nas escolas de 1º ciclo e novos equipamentos informáticos em todas as salas de aula, a beneficiação do Jardim Municipal de Serpa, cujo concurso publico está a decorrer, ou o conjunto de projetos no âmbito do desenvolvimento económico, muito direcionados para o apoio e qualificação das empresas locais, apostando também na internacionalização, designadamente do Queijo Serpa, uma das nossas maiores imagens de marca.

Serpa, situada no Baixo Alentejo, é uma região do interior de Portugal, considera este facto como um entrave à evolução económico-social?

O entrave não é estar no interior, porque este território tem muitas potencialidades. O entrave são as políticas centrais: menos serviços públicos, más vias de comunicação, falta de estratégia em algumas áreas nomeadamente na agricultura…Estar no interior só é uma dificuldade na medida em que não existe uma política central de desenvolvimento regional, que combata as assimetrias, que promova a coesão territorial e o desenvolvimento destes territórios. E é isto que acontece, apesar de todo o trabalho que temos vindo a fazer, a nível local, em defesa das populações, potenciando os recursos, promovendo a qualidade de vida das populações, fomentando o desenvolvimento económico e social.

Considera questões como inovação e modernização cruciais para a melhoria do município? Que medidas podem ser apontadas como exemplos?

Sim, a modernização administrativa, a inovação, a criatividade são fundamentais. O município de Serpa há muito que apostou na modernização administrativa como uma forma de garantir um trabalho de aproximação aos munícipes, com melhores e mais rápidas respostas e neste momento apresentámos uma candidatura no âmbito do Alentejo 2020, que tem como objetivo aprofundar todo o trabalho já feito. De igual forma estamos muito atentos às questões da inovação, em todas as áreas, desde a cultura e indústrias criativas, às questões relacionadas com o desenvolvimento económico e às atividades ligadas à agricultura, nomeadamente na transformação agroalimentar e, também, na agricultura em modo de produção biológica.

Para quem ainda não conhece, visitar Serpa é…?

Visitar o concelho de Serpa é ter uma oportunidade única de conhecer um património imenso…Temos para oferecer a hospitalidade das nossas gentes, a nossa excelente gastronomia, com destaque para o queijo, o vinho, o pão, os enchidos, os muitos pratos típicos, o Cante Alentejano, nosso principal património imaterial e também Património da Humanidade, um património construído de grande valor, um património ambiental importantíssimo, um clima excelente. Temos o Centro Histórico da Cidade de Serpa, os Museus, a Casa do Cante, o Musibéria, as nossas aldeias tradicionais, a rede de percursos temáticos no concelho, pedestres e em BTT, temos ao longo do ano uma agenda de eventos para todos os gostos e idades…Visitar Serpa é, sem dúvida, uma experiencia afetiva, uma experiencia forte em todos os sentidos…

Qualquer dia mato-me

«Matou-se o meu pai. Matou-se a minha mãe. Matou-se um irmão meu. Matou-se um irmão da minha mãe. Matou-se um tio do meu pai.» Desatento à cronologia, Eduardo, 63 anos, desfia o catálogo de desaparecimentos familiares. Assinala o fado genealógico ao ritmo de batidas na mesa da cozinha, diferente da da sua infância – aqui tem luz de rede e água canalizada, «luxos» que muitos nesta zona, nas áreas mais isoladas, não têm. Isolamento é palavra-chave para explicar um fenómeno que historicamente tem a maior expressão no Alentejo, em particular no Alentejo Litoral, de que Odemira, o mais extenso e parcamente povoado concelho do país, é o expoente: o suicídio, sobretudo na população mais idosa.

Os dados mais recentes do Comando Territorial de Beja da GNR, que elenca os suicídios de todo o distrito, atribuem a Odemira 102 vítimas com mais de 60 anos entre 2003 e agosto de 2016, comparativamente aos 404 de todo o distrito de Beja no mesmo período e faixa etária. Porquê Odemira?

ALENTEJO… CONHEÇA A HISTÓRIA, AS PESSOAS E AS OPORTUNIDADES

Por que missão se rege a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo?

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo tem por missão assegurar a coordenação e a articulação das diversas políticas setoriais de âmbito regional, bem como executar as políticas de ambiente, de ordenamento do território e cidades, e apoiar tecnicamente as autarquias locais e as suas associações, ao nível da respetiva área geográfica de atuação.

Para além disso, no âmbito do Portugal 2020, o Presidente da Comissão Diretiva do Programa Operacional Regional do Alentejo é, por inerência, o Presidente da CCDRA., pelo que tem ainda por missão a gestão dos fundos comunitários afetos a este Programa, que importam até 2020 em cerca de 1.000 milhões de euros. Estes fundos comunitários destinam-se também à sub-região da Lezíria do Tejo, ou seja, em termos gerais ao Ribatejo.

Que projetos de dinamização estão neste momento em curso com vista ao desenvolvimento da região?

Há um conjunto muito variado de apoios ao investimento e à internacionalização das empresas, à formação profissional, à investigação e à ciência, a infraestrutuas e equipamentos públicos e de apoio à atividade económica que o Portugal 2020 consagra.

Há no entanto um conjunto de iniciativas específicas lançadas no corrente ano que importa identificar pelo contributo que podem dar para um melhor desempenho da economia regional, com crescimento da riqueza produzida, criação de mais emprego e melhorar qualidade de vida aos cidadãos mediante o acesso a melhores equipamentos sociais.

O Programa Capitalizar cujo objetivo é o apoio à capitalização das empresas, dispõe de uma Linha de Crédito com Garantia Mútua para empresas da Região do Alentejo no valor de 102 milhões de euros.

O Plano de Dinamização de Investimento de Proximidade destinado a apoiar investimentos de construção e requalificação de infraestruturas sociais e de saúde, construção e requalificação de infraestruturas escolares, eficiência energética na administração local e requalificação do património cultural e natural, em especial no âmbito dos Pactos para o Desenvolvimento e Coesão Territoriais, contratados com as Comunidades Intermunicipais. Este plano dispõe de 40 milhões de euros.

Plano 450. Na sequência do sucesso do Plano 100 que pagou incentivos a PME superiores a 100 milhões de euros nos primeiros 100 dias do Governo, foi agora  lançado um novo Plano, o Plano 450, cujo objetivo é atribuir até ao final do ano 450 milhões de euros de Incentivos às Empresas em todo o pais, sendo obviamente as empresas do Alentejo também suas beneficiárias.

O recente Programa Acelerador de Investimento PT 2020 prevê a possibilidade de atribuir uma majoração «execução do investimento», com um limite máximo de 10 pontos percentuais, a projetos no âmbito da inovação empresarial que cumpram ou antecipem o plano de execução dos investimentos aprovados em candidatura. Este programa prevê ainda majorações similares em operações de iniciativa municipal no âmbito do desenvolvimento urbano e regeneração urbana.

Do ponto de vista empresarial, qual o papel perante o investimento quer nacional quer internacional no desenvolvimento das infraestruturas que reforçam o posicionamento geoeconómico do Alentejo?

O Alentejo dispõe hoje de um conjunto de infraestruturas de grande interesse geoeconómico estratégico para o desenvolvimento da Região e do pais, cujos resultados já são bastantes visíveis.

O Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva tem permitido alterar o perfil de produção agrícola do Alentejo e apostar nas culturas de regadio, nomeadamente olival e vinha, existindo já hoje um conjunto alargado de projetos empresariais assentes na disponibilidade de água do Alqueva, que, recorde-se,  é a maior reserva estratégica de água da Europa.

A área portuária, industrial e logística de Sines constitui um ativo estratégico nacional que tem revelado grande capacidade competitiva no contexto europeu, proporcionando à Região e ao país e ao conjunto de atividades no âmbito da cadeia logística um importante ativo territorial para a internacionalização da economia nacional.

O Aeroporto de Beja constitui outro ativo regional relevante com potencial latente para desenvolver quatro pilares essenciais da sua vocação: espaço privilegiado para a instalação de unidades industriais, com destaque para a manutenção de aeronaves, capacidade de organização de carga aérea, transporte de passageiros e mesmo para estacionamento de aviões por períodos de média/ longa duração.

O Alentejo dispõe igualmente de um conjunto alargado de infraestruturas de apoio ao desenvolvimento económico (zonas industrias, incubadoras de empresas de base tecnológica, parques empresariais,…) que dispõem de excelentes condições para a instalação e expansão de empresas, com acessibilidades físicas e digitais aos mercados nacional e internacional.

Ainda neste âmbito, e num contexto nacional e internacional em que as questões do desenvolvimento tecnológico e da inovação são decisivas para a competitividade dos territórios e das empresas, o sistema regional de ciência e tecnologia encontra-se estruturado e cada vez mais vocacionado para o trabalho conjunto com as empresas, de que a recente criação em Évora do Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo é um bom exemplo, com um número já significativo de empresas instaladas.

A aeronáutica é outro setor em que o Alentejo tem vindo a consolidar capacidades e competências empresariais, de que a EMBRAER e outras empresas já sedeadas em Évora são um bom exemplo, bem como o Campus Aeronáutico recentemente inaugurado em Ponte de Sor.

Para a consolidação destas e outras áreas de negócio, dispõem os agentes económicos e as Câmaras Municipais do Alentejo de apoios financeiros significativos no âmbito dos programas com fundos comunitários até 2020, de que o Programa Operacional Regional – Alentejo 2020, cuja estrutura de missão afeta à CCDR Alentejo, é uma componente fundamental.

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Com 170 km de zona costeira de que forma o mar e toda a sua potencialidade tem sido aproveitada para o desenvolvimento de atividades relacionadas com o transporte marítimo (Porto de Sines) e com o turismo?

O porto de Sines detém uma posição geoestratégica privilegiada relativamente ao cruzamento das grandes rotas mundiais de transporte marítimo, e o porto e a sua plataforma logística possuem condições naturais e infraestruturais de excelência, com uma forte especialização em produtos energéticos e para carga geral, com amplas áreas envolventes disponíveis, especialmente vocacionadas para acolher a implantação de atividades industriais e serviços relacionados com as atividades do próprio porto e das empresas localizadas na sua envolvente.

De acordo com os dados divulgados pelo INE sobre a atividade dos transportes, no primeiro trimestre de 2016, o movimento de mercadorias nos portos nacionais continuou a aumentar e totalizou 21,3 milhões de toneladas. O porto de Sines, com 10,7 milhões de toneladas movimentadas, foi responsável por 50,3% do movimento total de mercadorias nos portos nacionais e no tráfego internacional registou um movimento de 9,6 milhões de toneladas, correspondendo a 53,3% do movimento internacional nos portos de Portugal.

Perante estes números fica evidente a crescente e significativa relevância do Porto de Sines, para o Alentejo e para a economia do país, para o que muito contribuíram as grandes empresas nacionais e internacionais que carecem de proximidade ao porto e que progressivamente se vão instalando nas Zonas Industriais que lhe são adjacentes, como é o caso da GALP, da EDP, da REPSOL.

O turismo no Litoral Alentejano tem-se afirmado no segmento sol e praia, com um progressivo número de visitantes, nomeadamente espanhóis,  beneficiando das excelentes condições naturais mas também da melhoria progressiva nas acessibilidades e nas infraestruturas de apoio às zonas balneares, bem como com a criação de novas unidades hoteleiras.

O turismo de natureza tem também evoluído muito favoravelmente, quer com a criação de percursos, quer com a criação de novas empresas de animação turística.

Esta situação não nos pode no entanto fazer esquecer que a exploração cada vez mais intensiva do litoral, pode criar situações de conflito com os objetivos de proteção dos valores naturais e ambientais da faixa costeira, importando por isso que os instrumentos de ordenamento e gestão do território que se encontram em vigor e responsabilizam fundamentalmente as Câmaras Municipais e a administração central pela conciliação entre proteção daqueles valores com o desenvolvimento das atividades próprias da orla costeira, designadamente o turismo.

Só um turismo sustentável, assente na preservação do património natural da nossa orla costeira, enquanto mais-valia ambiental e fator de atratividade de visitantes, de investimento e mesmo de novos residentes, contribuirá para afirmar a Região Alentejo como um destino turístico de excelência.

 

O Alentejo tem uma vasta oferta de produtos típicos como a cortiça, rochas ornamentais; artesanato, gastronomia, vinhos e azeites. De que forma está posicionado a Região do Alentejo no mercado com os seus produtos?

O Alentejo tem efetivamente um conjunto muito diversificado de produtos regionais, seja no setor agroalimentar, seja artesanato, sejam recursos naturais.

Para alguns desses produtos regionais já foi possível criar medidas para a sua proteção com denominação de origem protegida (DOP) ou controlada (DOC); para um conjunto de outros, as respetivas associações ainda estão a trabalhar nesse sentido.

Existe hoje uma maior perceção da sociedade da mais-valia deste tipo de produtos e da necessidade da sua preservação. O grande desafio é criar condições no interior para empresas e recursos humanos que valorizem os recursos endógenos, já que as apoios das politicas públicas existem e encontram-se em análise por parte do Governo com vista ao seu aprofundamento.

No que respeita à produção de azeite o Alentejo tem vindo a aumentar progressivamente a sua quota na produção nacional, passando de 64% em 2011 para cerca de 74,3% em 2015.

A vinha e o vinho continuam a aumentar as suas quotas a nível nacional, sendo atualmente o Alentejo a região líder no mercado nacional, tanto em volume de produção como em valor, na categoria dos vinhos engarrafados de qualidade com classificação DOC e IG.

Não é por acaso que a Estratégia Regional de Especialização Inteligente, desenvolvida no quadro da preparação do ciclo de fundos comunitários a alocar ao Alentejo entre 2014 e 2020 e que constitui uma das componentes fundamentais da estratégia de desenvolvimento definida para a Região, identifica como setores a apoiar pelo seu potencial no perfil de especialização produtiva do Alentejo, as rochas ornamentais e as iniciativas destinadas à valorização económica do montado, da cortiça e das produções agro alimentares.

 

Enquanto território extremamente bem posicionado a nível geográfico o que tem sido realizado no sentido de dinamizar esta vantagem?

Na conjuntura em que o país tem vivido nos últimos anos, não é fácil avançar com um conjunto de grandes projetos, há muito desejados pelos alentejanos. No entanto o porto de Sines e o corredor rodoviário Lisboa/Madrid em torno da A6, têm-se conseguido afirmar como infraestruturas de dinamização da atividade económica e atracão de investimentos muito relevantes para a economia regional.

Também as autarquias locais e os empresários têm feito um grande esforço no sentido de dotar os seus territórios de condições de atratividade e de investimentos competitivos na economia regional, nacional e internacional.

Para potenciar este posicionamento geográfico e algumas infraestruturas económicas já existentes é desejável a realização de alguns investimentos públicos, alguns já com calendarização prevista e outros também já em curso.

 

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O Alentejo está perante um claro plano de internacionalização?

Embora não haja um plano estruturado para a internacionalização do Alentejo, esta componente do desenvolvimento regional está muito presente um todos os documentos de planeamento estratégico, o que foi consagrado em concreto nos  apoios financeiros públicos que nas mais diversas formas, estão ao dispor dos agentes económicos que promovam iniciativas nesse âmbito.

 

Algumas iniciativas já no terreno:

Foi lançado recentemente o projeto “Alentejo Exportar Melhor”, também com apoio dos fundos europeus no âmbito do Alentejo 2020, pelas Associações Empresariais com o objetivo de melhorar a internacionalização das empresas e a aumentar as exportações.

Também a EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva lançou recentemente, em parceria com o NERBE/AEBAL – Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral e com o apoio do Alentejo 2020, a plataforma eletrónica “Alqueva Exporta” para divulgar as potencialidades associadas ao projeto de Alqueva e a capacidade exportadora das empresas da região.

A Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo também tem uma estratégia de promoção da Região e dos seus produtos, sejam gastronómicos, culturais, naturais, … e de captação de turistas, delineada e apoiada pelo Alentejo 2020, em curso.

Estes são apenas alguns exemplos das inúmeras iniciativas e projetos em desenvolvimento na Região. Muitos outros estão em curso ou a serem delineados pelos agentes económicos do Alentejo, com identificação de ativos singulares e de vantagens competitivas que possam mobilizar o crescimento económico da Região e melhorar a sua competitividade e internacionalização, numa economia global cada vez mais globalizada.

 

Neste momento quais as prioridades da CCDR Alentejo para a região?

A CCDR Alentejo tem como desígnio que a Região, em 2020, continue a manter o seu capital simbólico e identidade distintiva, num território com infraestruturas, conhecimento e competências, aberto ao mundo e capaz de reforçar a sua base económica, atraindo investimento, visitantes e novos residentes, criando emprego e coesão social, preservando a sua mais-valia ambiental.

Como contributo para este desígnio e estes objetivos da Região, a CCDR Alentejo deve focar-se em algumas linhas de intervenção prioritárias, nomeadamente:

Plena e eficaz operacionalização e gestão do Programa Operacional Regional – Alentejo 2020 que se vão verificando, num quadro de competitividade regional e coesão territorial

Contribuir para a implementação da Lei de bases do ordenamento do território

Dinamização e sensibilização de entidades publicas e privadas e dos cidadãos em geral para o desenvolvimento sustentável, designadamente a economia circular e a adaptação às alterações climáticas Apoio técnico às autarquias locais e suas associações

Aprofundamento da ligação aos seus stakeholders externos, nomeadamente Comunidades Intermunicipais, autarquias locais e serviços desconcentrados da administração central Reforço da sua coesão interna e qualificação dos seus recursos humanos.

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Qual o contributo do Alentejo a nível económico-social para o país?

Acompanhando a tendência nacional recente de crescimento, tendo em conta os dados mais atuais, o Produto Interno Bruto do Alentejo é da ordem de 11,2 mil milhões de euros, corresponde a 6,6% do total do país e apresentou, na última década, um crescimento anual médio de 1.2%.

O PIB per capita do Alentejo da ordem de 15,1 milhares de euros, tem acompanhado o andamento do observado a nível nacional, sempre com valor inferior, atingindo, no entanto, um dos valores mais próximos do nacional em 2012 e 2013. Este índice de 92.3 para o Alentejo, quando ao PIB per capita do país se atribui o valor de 100, é o culminar de um período de crescimento constante, com início em 2009.

A importância da agricultura no Alentejo é conhecida e 27% do VAB agrícola do país tem origem no Alentejo.

Com uma balança comercial positiva, o Alentejo exporta 2.9 mil milhões de euros, 6% do total das vendas ao exterior em Portugal. A taxa de cobertura das importações pelas exportações na região é de 131%, enquanto que no país é de 82%. Já o peso das exportações no PIB no Alentejo é de 25%, face a 28% em Portugal.

O grau de abertura do Alentejo medido pelo peso dos fluxos de entradas e saídas de bens e serviços no total do VAB é de 44%, mais baixo que a nível nacional, com um peso de 60%.

As exportações destinam-se, essencialmente, para o mercado intracomunitário, sendo Espanha, Alemanha, Países Baixos e França os principais países de destino das vendas ao exterior, com mais de dois terços das exportações da região. A Espanha é responsável por mais de um quarto das exportações do Alentejo.

Entre os bens mais vendidos ao exterior, encontram-se os produtos da indústria agroalimentar, os minérios e minerais, plásticos e produtos da indústria química e máquinas e que são responsáveis por mais de 60% das exportações do Alentejo.

O setor mineiro regional tem muito significado no contexto do país. As exportações nacionais deste tipo de produtos têm origem, maioritariamente, no Alentejo.

Seca inquieta vários concelhos do Baixo Alentejo

Numa ronda efetuada hoje pela agência Lusa junto de vários municípios do distrito de Beja, foi possível constatar que a escassez de chuva, não só este ano, mas também durante 2015, está a causar problemas neste período de verão para fornecer água aos habitantes de algumas localidades e ao efetivo pecuário.

Segundo informação disponibilizada hoje na página da Internet do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), as regiões do sotavento Algarvio e Baixo Alentejo encontravam-se no final de julho em situação de seca fraca.

De acordo com o índice meteorológico de seca, referido no Boletim Climatológico do IPMA referente ao mês de julho, verificou-se em relação a junho um ligeiro aumento da área em situação de seca nas regiões do sotavento Algarvio e do Baixo Alentejo, que representa agora 9,3 por cento do território de Portugal continental.

Mértola, no distrito de Beja, é um dos concelhos “a braços” com a falta de água, com o presidente da câmara, Jorge Rosa, a lembrar que “há dois anos que não chove nada de especial” e a reclamar do Governo “o estado de seca ou de seca extrema” para que possam ser adotadas medidas extraordinárias para apoiar os agricultores e produtores pecuários.

Ao nível do abastecimento às populações, a falta de água afeta, para já, “duas localidades”, com cerca de 100 residentes, onde os depósitos locais têm de ser abastecidos por autotanque. “E temos mais duas localidades, com perto de 150 habitantes”, onde, de acordo com a monitorização dos furos efetuada pela câmara, “a água está a acabar”, relatou.

Mas a situação “mais complicada”, segundo o autarca, prende-se com a agricultura. Tal como acontece com ribeiras e riachos, “boa parte das charcas e das barragens não tem água”. Há agricultores de “várias explorações agrícolas e pecuárias”, indicou, que têm de ir buscar água para dar de beber ao gado “ao rio Guadiana e a outras barragens com mais capacidade, a vários quilómetros e distância”, com depósitos transportados por tratores.

É insustentável para eles e muito complicado fazer isto diariamente”, disse, referindo existirem outras explorações “em que a água deve acabar nas próximas semanas”.

Jorge Rosa defendeu que “se justifica, sem margem para dúvidas”, a adoção de medidas por parte do Ministério da Agricultura para “tentar minimizar este problema e ajudar os agricultores, para que possam dar água aos seus animais e continuar a sua atividade pecuária”.

“Temos estado em contacto com a Secretaria de Estado da Agricultura”, que “está a acompanhar a situação”, afirmou o autarca, manifestando-se esperançado de que, “nos próximos dias”, possa “haver algum desenvolvimento” que contribua para solucionar o problema.

Já no município de Almodôvar, por terem secado os furos locais de captação de água, estão a ser abastecidas por autotanque, semanalmente, oito localidades, num total que deve rondar os “300 a 400 habitantes”, disse o presidente da câmara, António Bota.

Nem as pessoas se apercebem, porque os bombeiros vão com o autotanque da Proteção Civil Municipal, enchem os depósitos e todos têm água nas torneiras”, explicou.

Os bombeiros, afiançou, “vão dando ‘conta do recado’, mas se mais localidades ficarem sem água”, as autoridades locais “passam a não ter capacidade de resposta”, tornando-se necessária a colaboração da Águas Públicas do Alentejo, empresa gestora do sistema multimunicipal de abastecimento público, e da Proteção Civil distrital.

A autarquia, em parceria com estas entidades, definiu mesmo um plano com medidas para reduzir problemas de falta de água para abastecimento público, devido à seca, como a disponibilização de pontos de água potável: “Temos as coisas mais ou menos preparadas para entrar em ação, caso venha a ser necessário”, frisou António Bota.

Em Almodôvar não há tantas “dores de cabeça” como em Mértola, em relação à agricultura. “Além de terem sido instalados dois pontos de água onde os agricultores podem ir buscar a que precisam para dar de beber ao gado, existem inúmeros poços de água não potável, que servem para os animais”, explicou o autarca.

Ainda no distrito de Beja, o presidente da Câmara de Ourique, Marcelo Guerreiro, admitiu também à Lusa alguns “problemas de seca” no concelho, apesar de estarem “salvaguardadas todas as questões de abastecimento de água” às populações, a partir da barragem do Monte da Rocha.

“A agricultura é que está a ser afetada. A barragem ainda tem água suficiente para o abastecimento público, mas, se o nível de armazenamento baixar, poderá estar em risco a rega na área de regadio” local, afirmou, acrescentando que os produtores pecuários, apesar de terem furos, “estão a sentir problemas”, sendo previsível que estes “se agravem até ao final do verão”.

Alentejo começa a sofrer com falta de água e em Mértola já se fala em calamidade na pecuária

Após dois anos de seca consecutiva, as populações das comunidades isoladas de Mértola, localizadas na margem direita do Guadiana, sofrem as consequências. Jorge Rosa, presidente da autarquia, refere ao PÚBLICO que “a falta de água tem vindo a agravar-se desde final da Primavera” e apresenta um cenário pouco tranquilizador: “Estamos a meio do Verão e as coisas estão a complicar-se a ponto de se poderem tornar caóticas.”

Neste momento, as viaturas da Câmara de Mértola, com autotanque, estão a transportar água para meia dúzia de pequenos aglomerados populacionais que não têm mais de 50 habitantes. Consequência do estio e da falta de chuva, a falta de água tem ainda outra razão: as altas temperaturas “rebentam” com as ligações e as tubagens do sistema de abastecimento e as autoridades são “confrontados com o esvaziamento dos depósitos devido às rupturas na rede”, conta Jorge Rosa. Adianta que, para além da reparação dos pontos da rede danificada, “tem de se atestar os depósitos que nestas pequenas localidades respondem ao consumo humano”.

Noutras localidades que não são fornecidas pela rede pública é necessário recorrer aos furos artesianos. Mas à medida que o tempo quente se acentua, estas captações de água, que deveriam ter sido repostas pelas chuvas do Outono/Inverno, estão secas.

A autarquia de Mértola está a viver um crescendo de dificuldades para tentar responder ao aumento do número de localidades sem água para consumo humano desde o passado mês de Abril. “Se chegarmos aos 20 ou 30 aglomerados sem água, estamos numa situação complicada e podemos não ter condições para lhe fazer frente”, admite Jorge Rosa.

Se é assim com as pessoas, com o abeberamento animal as dificuldades “estão muito mais acentuadas”, refere o autarca, descrevendo um cenário que começa a revelar-se dramático.

As reservas de água de superfície, ribeiras, charcas e pequenas barragens “estão secas” por não terem sido repostas nos últimos dois anos com as chuvas de Outono/Inverno. Em alternativa, alguns produtores pecuários estão a recorrer aos furos artesianos, mas o seu débito é cada vez menor e boa parte já não tem água. Abrir novos furos implica ter meios de financiamento, o que não acontece com a maior parte dos criadores de gado.

Esta realidade “indica que podem vir a surgir situações caóticas” num curto período de tempo, se as altas temperaturas persistirem. Em boa parte da margem direita do Guadiana, as explorações agrícolas só encontram água em rios e ribeiras a dezenas de quilómetros de distância, tornando impraticável fazer o transporte de água para os animais.

“Receio que esta situação desemboque na morte de cabeças de gado [à sede e à fome]”, admite o autarca, apelando ao Governo para que seja aplicado rapidamente “um plano de contenção” que atenue os riscos acabados de descrever e venha “em auxílio das pessoas afectadas pela falta de água”.

Em Almodôvar a situação não é melhor. A autarquia já disponibilizou a partir de 1 de Agosto dois pontos de abastecimento de água potável, com contador, no depósito do Morgadinho (Corte Zorrinho) e na Estação de Tratamento de Águas da Rabaça (Almodôvar).

Estão ainda disponíveis, paralelamente, os Poços de São Pedro, do Chafariz, Poço de Ourique e Poço de Santo António, em Almodôvar. Estes locais servirão apenas para consumo animal, uma vez que se trata de água imprópria para consumo humano.

Ao mesmo tempo, a Proteção Civil Municipal foi posta em estado de alerta para a eventual mobilização de um conjunto de viaturas autotanque que possam vir a ser necessárias para abastecimento de urgência. A autarquia conta com o apoio dos Bombeiros Voluntários de Almodôvar para os abastecimentos mais regulares.

Pelo menos oito localidades de Almodôvar estão já a ser abastecidas por autotanques desde Abril. O presidente da autarquia, António Bota, assume que está preocupado com as consequências do tempo mais quente, com Agosto a começar, e receia que a seca “piore” nos próximos meses.

Por sua vez Francisco Duarte, presidente da Câmara de Castro Verde, garante que no seu concelho “não há situações críticas”, frisando que a situação “felizmente está dentro da normalidade”.

Azeite alentejano eleito o melhor do mundo

Nem só nos vinhos se contam medalhas, com o azeite português a dar nas vistas dentro e fora de fronteiras, em particular aquele do Alentejo. O Azeite Moura DOP da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB), que desde 1954 anda empenhada em apanhar e transformar azeitonas, ganhou o primeiro prémio no concurso internacional Mário Solinas, o principal na área de azeites virgem extra, organizado pelo Conselho Oleícola Internacional.

O azeite premiado arrecadou uma medalha de ouro na categoria de frutado maduro e competiu com outras 110 marcas de diferentes países, desde a Argentina, Austrália, Chile e Israel ao Perú, Tunísia e Uruguai.

O prémio Mário Solinas distingue os melhores azeites virgem extra em quatro categorias, consoante critérios organolépticos, e é tido como o mais prestigiado no setor oleícola internacional, segundo se lê num comunicado de imprensa enviado às redações.

Apesar da distinção, vai ser preciso esperar para molhar o dito azeite no pão ou para regar o prato de bacalhau cozido, uma vez que o lote vencedor será apenas comercializado entre finais de agosto e início de setembro.

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