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“É preciso ousadia de mostrar ao mundo que em Angola há angolanos que fazem bem”

A DEFENDIDEIAS surge em 2009 em Luanda, Angola, como empresa de design. Estamos a falar de quase dez anos de existência. Para si são dez anos de…?

De completos desafios, em que todos os dias te “reinventas” para conseguir ultrapassar as situações anómalas que surgem… São dez anos de realização total porque o dia-a-dia vai muito para além do aspeto meramente profissional… acabas por ser a chefe, a mãe, a amiga…

A DEFENDIDEIAS é mais do que uma empresa, é um projeto de vida. Pode falar-nos um pouco mais sobre como surge este desafio?

Sim, é o projeto da minha vida que mais não é que a continuidade do projeto de vida dos meus pais, numa outra dimensão e em ‘parâmetros’ diferentes. Prometi ao meu pai que voltaria à terra que ele amou como sua, honraria o trabalho deles com o meu trabalho conferindo-lhe a mesma dignidade e respeito pelos outros, a mesma garra e o mesmo amor!

Pretende elevar o nome de Angola e promover a valorização da identidade angolana. Trata-se mesmo de uma missão? Sente que tem sido bem-sucedida nesse propósito?

Sim, é uma missão, sinto-o quase como a missão da minha vida… Sabe? Durante muitos anos senti-me ser inferiorizada por ser angolana, como se a terra onde nasci fosse “menor”, fiz-me mulher num sítio onde havia pessoas que me faziam sentir isso todos os dias…

É preciso ousadia de mostrar ao mundo que em Angola há angolanos dignos, sérios, capazes de bem-fazer…

Acho que tenho conseguido esse propósito através das nossas peças que ”gritam” a alma angolana, que provam ao mundo que os angolanos têm muito mais para dar, que vai para além da imagem que uma pequena elite criou.

Um dos projetos mais recentes e marcantes diz respeito aos Mussulus. Pode dar-nos a conhecer os Mussulus?

Os MUSSULUS, são fruto de todos os sonhos que fui tendo do colorido da minha terra enquanto geri, por um lado, as saudades e, por outro, a angústia de ver os meus pais “definharem” pela distância da terra que tanto amaram…

Os MUSSULUS são os chinelos orgulhosamente angolanos, pintados com a cor da nossa alma e da nossa esperança.

No auge deste projeto deu-se o início da exportação dos Mussulus para Portugal. Era algo que já ambicionava ou surgiu naturalmente?

O projeto “MUSSULUS” que, para além dos chinelos, engloba uma linha de praia mais alargada, (sacos de praia, saídas de praia, óculos de sol, bolsas, etc.) é um projeto ambicioso, que nasceu com a pretensão de calçar os pés de todos os africanos, e depois, os pés do mundo…

Curiosamente, a primeira oportunidade que surgiu, foi para exportarmos para Portugal, o que a mim me enche de duplo orgulho: é algo criado por mim na terra que me viu nascer, algo feito por angolanos que chega à terra onde me fiz mulher! Esperamos que no verão do próximo ano os MUSSULUS possam estar já por Portugal inteiro.

Isso pode significar que existem mais facilidades de trabalhar em Angola e que há maior abertura no apoio ao investidor nacional?

Significa que a Defendideias tem à frente alguém que tem tanto de empreendedor como de louco (risos), ou seja: trabalhar em Angola não é fácil, todos os dias temos desafios novos para serem ultrapassados, todos os dias surgem situações anómalas que noutros sítios seriam impensáveis, todos os dias há “barreiras” que surgem sem sabermos como… Então o segredo é, em 1º lugar ter a audácia de contornarmos as situações sem ferir suscetibilidades e em 2º lugar ter a capacidade de “denunciar “ e de ir junto das competentes entidades e fazermo-nos ouvir… eu faço isso quase todos os dias pois considero que só a boa vontade do Executivo em mudar as “regras do jogo” não será suficiente se não puder contar com o apoio de todos os empresários que têm vontade de trabalhar e de dar o seu contributo.

Compete a nós empresários ir chamando a atenção para o que não está bem, é necessário que haja mais e melhor fiscalização para que os projetos que se criam para apoio às empresas nacionais possam vingar. Digo isso em todas as reuniões para as quais sou convidada a participar: “sem fiscalização competente continuarão a ‘morrer’ empresas todos os dias”.

Estamos perante uma empreendedora revolucionária?

Não, de forma alguma. Recuso esse rótulo assim como recuso o rótulo de “destemida” como alguém já me chamou…

Sou só uma empresária angolana que respeita os seus colaboradores, o seu país, pagando os salários e os impostos sempre atempadamente e, por isso se acha no direito de reclamar as situações com as quais não concorda tentando assim dar o seu contributo para que o ‘slogan’ de companha eleitoral: «Corrigir o que está mal e melhorar o que está bem» se cumpra!

A única coisa que pretendo é conseguir exercer o meu trabalho cumprindo, através dele, a minha missão de vida que é a de mostrar ao mundo que ANGOLA FAZ E FAZ BEM!!!

Tem tido apoio do poder executivo no desenvolvimento do seu projeto?

Não sei bem ao que se refere quando fala em apoio, é assim: tudo o que fiz até aqui tem sido com capitais próprios e assim continuará.

Apoio moral vou tendo de algumas entidades que fazem parte do nosso executivo e que acreditam no meu trabalho.

Falemos da atribuição do Prémio IAE Frankfurt, atribuído pela instituição BID na categoria de liderança, qualidade, excelência e inovação. O prémio BID à qualidade é um indicador de excelência conquistado por uma empresa que procura a qualidade total nas suas atividades. E para si o que representa este reconhecimento?

É motivo de enorme orgulho pois sentimos todos que é a “coroação” de uma caminhada feita com resiliência, determinação e sempre com o  foco no trabalho, fazendo bem e com  qualidade! Tenho um grupo de trabalho que todos os dias se esforça por fazer melhor, que todos têm um orgulho enorme por fazerem parte desta equipa fantástica, a equipa do “VAMU LÁ” como gostamos de nos auto apelidar.

A empresa continua a crescer e a dar cartas no mercado. Prova disso é o início de relação comercial com a Shoprite, o maior retalhista do continente Africano. Que passos ainda faltam ser dados para consolidar a presença da empresa no mercado africano?

Ainda temos muito para fazer…A shoprite concretizou-se agora depois de muitos meses de negociações… isto é só o início… Estabelecemos o prazo máximo de dois anos para estarmos em todo o continente africano.

Tivemos contactos e reuniões com uma grande cadeia espanhola mas que houve necessidade imperiosa, da nossa parte, de não prosseguirmos as negociações pois não teríamos capacidade de resposta de acordo com os nossos parâmetros de qualidade, pela falta de espaço físico para trabalharmos… Infelizmente e, apesar das necessidades que o nosso país tem de dinamizar a sua economia, tivemos de abortar essas negociações.

Brevemente irá ser lançada uma loja online. É mais um passo conquistado para elevar e levar o nome de Angola aos quatro cantos do mundo?

A necessidade da loja online surge na sequência dos contactos que vamos tendo de pessoas de todo o mundo que, de alguma forma, vão conhecendo os nossos produtos e perguntam como podem adquirir. A loja no centro comercial Colombo em Lisboa onde se podem encontrar os MUSSLUS também tem sido uma “montra” para nós.

Têm projetado a construção de uma unidade fabril, é verdade? Para quando?

Sim, é verdade, estamos há dois anos a construí-la, a lutar com capitais próprios para conseguir concretizar aquilo que considero ser uma das maiores façanhas da minha vida. Teremos 2000 metros quadrados de área de produção, 500 metros quadrados para área administrativa e mais 500 metros quadrados destinados a balneários e refeitório. Não sei quando conseguirei concluir a obra e, finalmente, podermos trabalhar num espaço condigno e com capacidade de maior produção para não perdermos oportunidades como já aconteceu. Infelizmente os bancos não acreditam no nosso projeto… resta-me, pois, respeitar isso e continuar a trabalhar no sentido de concretizar os objetivos que são meus mas que acompanham os objetivos que o país precisa de alcançar para dinamizar a sua economia.

A DEFENDIDEIAS é descrita como uma empresa que nos transporta aos sons, cores e formas de Angola. Essas características continuarão bem presentes na nova coleção? Quando será o seu lançamento?

A nova coleção que, garantidamente, será apresentada este ano continuará a ter bem patente a identidade angolana.

Cilene Correia, natural do Seles – Kwanza Sul, é a mentora deste projeto. Quem é Cilene Correia enquanto mulher?

Uma sonhadora, uma amante da sua terra, uma ‘sentimentalona’ e… uma mulher furacão (risos)

E quem é Cilene Correia enquanto empresária, empreendedora e líder?

Sabe? Tenho um defeito: não consigo ser só empresária e “despir-me” da mulher que sou… às vezes poderá ser menos bom mas eu acho que é isso que faz de mim uma verdadeira líder.

É fácil ser mulher no mundo empresarial? Ainda existem entraves à ascensão das mulheres a cargos de topo?

Eu não sinto nem nunca senti entraves pelo facto de ser mulher… reconheço que não é fácil mas, por isso, temos de saber impor-nos pelo respeito e pela auto valorização do que sentimos ser e podemos fazer!!!

“Não existe sucesso sem trabalho e isto é o que me define”

A Inês Andrade assume-se como a Designer da Defendideias. Começaria por perguntar como surge esta relação com a marca e que balanço é possível fazer da ligação com a mesma?

Sempre tive uma paixão por Angola. Cresci com as histórias da minha avó que me marcaram e que despoletaram este amor pelo país.

Depois de pisar pela primeira vez a terra vermelha de Angola, apercebi-me que tinha que honrar a terra da minha avó e decidi abraçar este projecto de corpo e alma. Não podia estar mais feliz com tudo o que já conquistei até hoje. Se hoje me fosse embora iria consciente de que deixei a minha marca.

O que é para si ser um elo importante no âmbito da dinâmica da Defendideias?

É ser tudo, o braço esquerdo e o direito. É olhar para a Defendideias como se fosse minha e dar o melhor de mim. Só assim é que os restantes colaboradores da equipa, que eu supervisiono, conseguem ver que também são especiais e orgulharem-se do que fazem diariamente.

E como surge o contato e a relação com Cilene Correia, CEO da Defendideias e mentora de todo o projeto? De que forma é que a vossa dinâmica enquanto personalidades tem sido essencial para que esta união seja positiva e de sucesso?

A nossa relação profissional iniciou-se após a minha licenciatura em Design com a execução da primeira peça: as chávenas da Independência de Angola em 2011. Isto aconteceu antes de decidir abraçar o projeto de corpo e alma em 2014.

Esta relação vive de dois lados: o profissional e o familiar, pelos laços de sangue que nos unem.  A dinâmica move-se pela existência de dois carateres quase opostos, um extravagante, ambicioso e emotivo; o outro racional, minucioso e criativo.  Assim sendo, conseguimos juntas encontrar pontos de vista diferentes, ideias que se complementam e consensos, para abarcar a diversidade da noção do “belo” espalhado pelo mundo.

Como mais que uma colaboradora da marca, como é que caracterizaria o seu contributo para o crescimento da Defendideias? De que forma é que se inspira para fazer a diferença?

Não existe sucesso sem trabalho e isto é o que me define. A entrega, a dedicação e a persistência são algumas das características que fazem parte de mim e do meu dia-a-dia.

Contribuo para a formação dos colaboradores para que possam desenvolver autonomamente o seu trabalho. Somos uma equipa integrada numa empresa com missão, valores e cultura que valorizamos.

Inspiro-me nas cores, na cultura, na música e na diversidade cultural. Sou amante das cores e adoro tudo o que sejam cores fortes e mistura de padrões. Não podia estar num lugar melhor para vivenciar esta experiência. Não vejo a arte enquanto concorrência, a arte é livre e eu tenho o meu estilo próprio e bem definido.

Nos produtos e imagens desenvolvidas por si para a marca, de que forma é que tenta que os mesmos tenham um pouco da personalidade de mentora deste projeto, Cilene Correia?

Nas peças, vou mais além do que é cultural, tento sempre passar uma história que faz parte das memórias da minha família. Muitas delas é a Cilene que me conta e eu transporto-as para uma peça que será sempre especial. Sinto que só assim é que faz sentido porque sei que também é a realidade de muito angolanos.

O que podemos continuar a esperar no futuro de Inês Andrade e da Defendideias?

Ainda me falta fazer muita coisa. Queremos lançar a linha dos fatos de banho que é algo que desejo muito fazer com a Defendideias e que prevemos concretizar brevemente. Sinto que nos próximos anos vamos poder desenvolver e inovar a produção angolana. Mostrar ao mundo que aqui existem pessoas capazes de contribuir para a divulgação da cultura angolana resultante da produção nacional.

Escolher a Defendideias é…? Que palavra descreveria melhor Cilene Correia?

Um desafio constante, sem dúvida.  Batalhadora, aquela que não desiste.

Administração de Isabel dos Santos na Sonangol investigada pela PGR

Em comunicado enviada hoje à agência Lusa, em Luanda, a PGR refere que o inquérito é dirigido pela Direção Nacional de Prevenção e Combate à Corrupção e “encontra-se sob segredo de Justiça”.

“As conclusões do inquérito serão oportunamente levadas a conhecimento público, sem prejuízo do segredo de Justiça”, refere a nota da PGR angolana.

Acrescenta que a Procuradoria teve conhecimento da situação através da denúncia pública feita em conferência de imprensa, na quarta-feira, pelo presidente do conselho de administração da petrolífera, Carlos Saturnino, sobre “transferências monetárias irregulares ordenadas pela anterior administração da Sonangol e outros procedimentos incorretos”

O inquérito visa “investigar os factos ocorridos, bem como o eventual enquadramento jurídico-criminal dos mesmos”, esclarece a nota da PGR.

O presidente do conselho de administração da Sonangol, petrolífera estatal angolana, denunciou na quarta-feira em Luanda a realização de uma transferência de 38 milhões de dólares (31,1 milhões de euros), pela administração cessante, após a sua exoneração.

Carlos Saturnino, que falava em conferência de imprensa, no âmbito dos 42 anos de existência da petrolífera, enumerou algumas constatações sobre o grupo Sonangol, que encontrou após a exoneração da anterior administração, liderada por Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

“Tomámos posse no dia 16 de novembro de 2017 e nesse dia, à noite, apercebemos que o administrador que cuidava das finanças na Sonangol, embora tivesse sido exonerado no dia 15, ordenou uma transferência no valor de 38 milhões de dólares para a Matter Business Solution, com sede no Dubai”, acusou.

Segundo Carlos Saturnino, a referida transferência foi realizada através do banco BIC, “que passou a ser um dos bancos preferenciais a nível da Sonangol”.

“Acho que isso dispensa comentários. Não foi o único caso. No dia 17 de novembro, houve o pagamento de mais quatro faturas também. Ou seja, como é que pessoas que tinham sido exoneradas pelo Governo ainda faziam transferências. Não pode ser um ato de boa fé de certeza absoluta”, observou Carlos Saturnino, numa aparente alusão ao facto de Isabel dos Santos ser igualmente acionista de referência do BIC.

Isabel dos Santos foi presidente do conselho de administração da Sonangol entre junho de 2016 e novembro de 2017, até ser exonerada pelo novo Presidente da República, João Lourenço, que colocou Carlos Saturnino na liderança da petrolífera.

LUSA

AULP quer mais cooperação e lança projeto Erasmus

A primeira palavra que Orlando da Mata refere como essencial e, sem a qual nada funciona, é cooperação. “Cooperação entre as universidades que fazem parte dos países de expressão de língua portuguesa”, começa por dizer, e explica que este é um objetivo do seu mandato e dos outros que marcaram os já 30 anos da associação.

Por outro lado, continuar a promover ações que visam fortalecer um relacionamento entre instituições de países de expressão da língua portuguesa é também um dos grandes objetivos do recente presidente, uma vez que “o português é uma língua falada em vários continentes e devemos aproveitar ao máximo este trunfo que temos”.

Relativamente aos desafios, “passam por fortalecer as relações de colaboração entre a comunidade lusófona e as suas instituições superiores, a partilha de experiências, de conhecimentos, de resultados de produção científica relevantes, alargar o número de associados da AULP (que neste momento são quase 140) e continuar a apostar fortemente naquilo que é a mobilidade internacional”.

“No caso de Angola, até 2009 havia uma única instituição pública de ensino superior no país e três privadas, hoje são mais de 70 públicas e privadas”, com este exemplo, Orlando da Mata explica assim o crescimento exponencial do país em relação ao ensino superior.

A Universidade Mandume Ya Ndemufayo, na cidade do Lubango, capital da Província da Huila, é uma instituição recente, que surgiu em 2009, e com o seu mandato, o presidente pretende criar sinergias para a universidade angolana ganhar relevo pela sua qualidade, a nível nacional e internacional. “Com a eleição da Universidade Mandume Ya Ndemufayo para a presidência da AULP praticamente conseguimos alcançar este objetivo. Ela já é conhecida em todos os países da CPLP”, confirma.

Para o ensino superior em Angola, esta presidência traz algumas vantagens, segundo o professor. O crescimento das instituições poderão contribuir para o crescimento da associação e, desta forma, criar parcerias e projetos com países da CPLP aos mais variados níveis, desde a investigação à mobilidade internacional. “Apesar da crise, Angola está a crescer com ela e isso verifica-se na qualidade do ensino superior, mas há sempre aspetos a melhorar”. 

XXVIII Encontro da AULP 2018 em Lubango, Angola 

Ainda sem data definida, mas com previsão para final de julho de 2018, o 28º encontro AULP pretende continuar com a missão primordial da associação – fomentar uma conexão que prospere entre os países que fazem parte da experiência. O facto de ser em Angola é em boa parte uma mais-valia, uma vez que existe maior proximidade com os países africanos e, por essa razão, estima-se uma maior participação de académicos desses países. “Do ponto de vista geográfico existe uma maior proximidade com os países desta região africana, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, e muitas universidades angolanas têm acordos de cooperação com universidades africanas. Angola desponta e há curiosidade por parte dos nossos amigos e parceiros em visitarem o nosso país. Hoje, Angola já não é apenas Luanda, o turismo cresceu e com ele o interesse por outras partes do país, como Lubango que oferece experiências incríveis e que as pessoas ainda não conhecem mas têm curiosidade”.

Erasmus AULP

Este é um projeto novo, em construção, e visa facilitar a mobilidade entre as instituições-membro da AULP. Estão a ser verificados os meios necessários para o projeto ser posto em prática. “Se 50% das instituições associadas à AULP conseguirem receber dois ou três estudantes neste âmbito já seria ótimo. Fazendo as contas, seriam muitos estudantes a beneficiar deste programa”. Apesar das ambições, Orlando da Mata afirma que cada passo que a AULP dá é ponderado, com foco na obtenção de bons resultados.

O projeto foi aprovado no último encontro da AULP, em Campinas, no Brasil. Sendo um programa mais restrito, ao contrário do Programa Erasmus já comumente conhecido, o Erasmus AULP primará pela exclusividade na participação – apenas estará disponível para instituições de ensino superior dos países de língua oficial portuguesa, membros da associação. O primeiro passo será estruturar uma plataforma e definir os moldes em que será concretizado.

O Erasmus AULP é um projeto pioneiro já que até à data não existe nada do género concretizado. O presidente, que não tem dúvidas de que as coisas acontecem quando são bem pensadas e bem estruturadas porque, afinal, quando se quer muito, elas acabam por acontecer, faz o convite a todos os associados: “Venham a Angola, participem neste encontro, que pretendemos transformar numa festa académico-científica, com um pouco de turismo e cultura.”

Serão três dias repletos de conhecimento com direito a uma visita cultural.

Isabel dos Santos regressa aos negócios com marca própria de cerveja ‘made in’ Angola

Isabel dos Santos, daughter Angola President Jose Eduardo dos Santos and one of the main shareholder of ZON OPTIMUS, during the general assembly of the new telecommunications company held at Champalimaud Foundation, Lisbon, 1 October 2013. ZON OPTIMUS is the telecommunications company that resulted from the merging of Sonaecom and ZON in wich Isabel dos Santos was the main shareholder.. TIAGO PETINGA / LUSA

A empresária, que cessou funções na quinta-feira como presidente do conselho de administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola, marcou presença na inauguração da fábrica do grupo que detém em conjunto com o marido, nos arredores da capital angolana, e apresentou hoje a nova cerveja “Luandina”.

“Durante os últimos 20 anos da minha carreira, eu tenho trabalhado bastante, tenho empreendido bastante, tenho criado vários empreendimentos, várias empresas e acredito que até hoje tenho criado mais de 40.000 empregos. Todos os anos, através das atividades que faço, eu crio em média 1.000 empregos por ano, no mínimo”, recordou, em declarações aos jornalistas, à margem do evento.

LUSA

“Mudou a forma como nós mulheres angolanas nos impusemos”

Como surgiu a comunicação na sua vida e o que é que a motivou a criar a On Time_ PR & Communication? 

Cresci com a frase “essa miúda fala muito, vai ser jornalista” (Risos). Obviamente que, quando chegou a idade para frequentar o ensino médio, a área escolhida foi jornalismo. Como ela surgiu? penso que faz parte de mim. Considero-me uma pessoa comunicativa, vivo e respiro a comunicação nas suas mais diversas vertentes e aprendi a ser seletiva.

A On Time é um “filho gerado sem ser planificado”. Depois de sair de uma agência de PR, estava em casa a trabalhar por conta própria, pequenos clientes, mas foi por causa de um amigo, Tigo Vilela de Sousa, e de um cliente que criei a On Time (A tempo e horas). Motivou o facto de saber que era minha e que não teria de depender de terceiros para dar resposta aos clientes a tempo e horas (cumprir com prazos), motivou o facto de saber que, mesmo não estando afecta a ninguém, consegui algumas grandes contas, tudo isso ainda na fase inicial, 2012 e 2013 e, posteriormente, seguiu-se a fase de montar uma equipa. 

O que é mais importante no seu trabalho e que não pode mesmo falhar? 

Cumprimentos dos prazos que damos aos clientes e feedback. Quando partilhamos com os clientes que determinada acção irá acontecer na data A, B ou C, estamos a criar expectativas. Logo, para nós é extremamente importante ter a noção que esta ação irá se concretizar. Apesar de que nem sempre depende de nós, mas é importante acautelar isso. Reconheço, desde já, que neste campo falhamos. 

Em algum momento sentiu que o facto de ser mulher foi sinónimo de discriminação? 

Não. Porque já venho de uma geração, ou fase, que aprendeu a desafiar o silêncio e romper barreiras. A discriminação vem de outros campos, como por exemplo, não estar associada a “pessoas de peso” como funciona o nosso mercado, mas acima de tudo destas discriminações fiz a estrada para a busca do meu oceano.

Como retrataria a mulher angolana atual? O que mudou nos últimos anos? 

Bastante oportuna a questão. Entramos agora para a terceira República e o atual presidente elege 12 mulheres a ocuparem cargos de destaque, o que corresponde a 36%. isso traduz tudo. Traduz a capacidade, força e o crescimento da mulher angolana. Mudou a forma como nós mulheres angolanas somos vistas, mudou a forma como nós mulheres angolanas nos impusemos e o respeito conquistado.

Retrato-as como lutadoras, capazes e mulheres de mérito. Hoje, totalmente transformadas.  

Que vulnerabilidades considera que têm as mulheres enquanto profissionais? E relativamente às melhores características? 

Somos vulneráveis quando nos colocamos na condição de vítimas e incapazes. Cada acto, ação, mudança ou status deve constituir um desafio e não uma dificuldade e no primeiro obstáculo temos de aprender a pedir ajuda. Os obstáculos, por mais difíceis que sejam, são para ser contornados. Levem o tempo que levar, unirmo-nos a alguém ajuda na facilitação do processo. Somos tão capacitadas quanto o sexo oposto. na gestão de equipas e de conflitos as mulheres demonstram maior controlo da situação, não por ser mulher, mas acho que as mulheres são mais humanas e conseguem distribuir atenção, prova disso são as várias atividade que desempenham.

Se pudesse mudar algo no mundo o que seria? Porquê? 

A forma como o mundo vê Angola. Amo meu país e, para além de todas às conotações negativas, existe um lado belo e bom de se explorar de Angola que está ofuscado pela má imagem que acabamos por ter fora das nossas fronteiras.

38 anos depois, Angola tem novo Presidente

“Neste novo ciclo político que hoje se inicia, legitimado nas urnas, a Constituição será a nossa bússola de orientação e as leis o nosso critério de decisão”, apontou João Lourenço, durante a cerimónia de investidura, que decorreu hoje em Luanda, falando pela primeira vez como novo Presidente de Angola.

“Uma vez investido no meu cargo, serei o Presidente de todos os angolanos e irei trabalhar na melhoria das condições de vida e bem-estar de todo o nosso povo”, afirmou o chefe de Estado, que na mesma cerimónia recebeu simbolicamente o poder das mãos de José Eduardo dos Santos, que estava no cargo há 38 anos.

“Cumpriu a sua missão com um brio invulgar”, reconheceu João Lourenço, referindo-se ao Presidente cessante.

Numa intervenção de quase uma hora, perante milhares de pessoas, duas dezenas de chefes de Estado e do Governo e centenas de convidados nacionais e internacionais, João Lourenço enfatizou a melhoria das condições de vida dos angolanos será prioritária.

“Para corresponder à grande expectativa criada em torno da minha eleição e a confiança renovada no MPLA, governarei usando todos os poderes que a Constituição e a força dos votos dos cidadãos expressos nas urnas me conferem”, disse ainda.

Recordando que a “construção da democracia deve fazer-se todos os dias”, apontou que essa missão “não compete apenas aos órgãos do poder do Estado”, sendo antes “um projeto de toda a sociedade, um projeto de todos nós”.

“Vamos por isso construir alianças e trabalhar em conjunto para podermos ultrapassar eventuais contradições e engrandecer, assim, o nosso país”, exortou.

Numa aparente crítica aos partidos da oposição, que questionam os resultados oficiais das eleições gerais de 23 de agosto, João Lourenço afirmou, perante os aplausos do público.

“O interesse nacional tem de estar acima dos interesses particulares ou de grupo, para que prevaleça a defesa do bem comum”.

João Lourenço, general na reserva, de 63 anos, foi hoje investido, pelas 12:15, no cargo de Presidente da República de Angola, o terceiro que o país conhece desde a independência, em novembro de 1975.

O ato, presenciado por convidados nacionais e internacionais e milhares de populares, decorreu no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda, no mesmo local e dia (26 de setembro) em que José Eduardo dos Santos foi investido pela última vez como chefe de Estado Angolano, após as eleições de 2012.

A cerimónia iniciou-se pelas 12:00, orientada pelo juiz conselheiro presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira, que proclamou a eleição de João Lourenço e de Bornito de Sousa para os cargos, respetivamente, de Presidente e vice-Presidente angolanos.

Pelas 12:10, João Lourenço prestou juramento à nação, com a mão direita sobre a Constituição da República de Angola, assinando o termo de posse, cinco minutos depois.

Já investido nas funções de novo presidente da República, João Lourenço deslocou-se ao local onde se encontrava o Presidente cessante, José Eduardo dos Santos, para este lhe colocar o colar presidencial e lhe ceder o lugar, o que aconteceu pouco depois.

O ato marcou a saída do poder de José Eduardo dos Santos, que liderava o país desde 1979 – o segundo Presidente há mais tempo no poder em todo o mundo – e que não se recandidatou ao cargo nas eleições de 23 de agosto último.

A cerimónia terminou com o desfile dos três ramos das Forças Armadas Angolanas, seguindo-se a execução do hino nacional e disparos de 21 salvas de canhão.

“As mulheres de Angola têm muitas conquistas conseguidas”

É Vice-decana interina para os Assuntos Académicos da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, deputada pela bancada do MPLA e secretária para as Relações Exteriores da OMA… Como descreveria o seu percurso e que motivações estiveram na origem de um trajeto desenhado entre o ensino, a política e o ativismo?

O meu percurso de vida esteve muito ligado aos meus sonhos. Desde pequena desejava ser professora, por força da vida (1974/ 75) enquadrei-me no MPLA e segui a trajetória política dos jovens da minha idade (irreverência) e tomada de decisão.

O ativismo veio por acréscimo, vontade de ajudar, colaborar e sobretudo prestar solidariedade aos que mais necessitavam. 

Por que escolheu o ensino para construir uma carreira profissional?

O ensino como carreira profissional, porque já fazia parte do meu “Eu”; a minha mãe dizia que mesmo desde pequena (7/11 anos) gostava de ensinar as crianças do bairro. Colocava-as em bancos e ensinava-as, estava inerente à minha pessoa.

A sociedade atribui ao papel de professor muitas vezes o de educador, aquele que prepara os futuros adultos e líderes. Sente isso?

Sinto sim senhora e tenho orgulho dessa minha vida de educadora, qualquer aluno ou estudante que passa por mim, sente isso, não só ensino, mas sobretudo educo.

É mãe de três filhos e já tem netos. Foi difícil encontrar o equilíbrio entre uma vida profissional tão preenchida com a familiar?

Nunca foi problema porque sempre tive apoio do meus familiares, especial do meu marido, que sempre envidou esforços para eu me formar e colaborar condignamente na família. Para ele, uma mulher formada é subsídio para vida futura.

O mundo está em constante mudança e com ele mudam as pessoas… Olhando para as gerações mais novas, que mundo diria que teremos amanhã?

Teremos amanhã o mundo que preparamos hoje. Acontece em todas as gerações. Tudo é fruto de continuidade. Tanto que nos adaptamos às mudanças muito rapidamente. Senão vejamos, até os anos 90 não existiam telefones móveis. Logo que as tecnologias evoluíram, imediatamente nos adaptamos e cá estamos. Hoje teclamos coisas que não sonharíamos em tempos.

Desde a criação da luz elétrica que o mundo vai se transformando vertiginosamente. Temos o dom de adaptação.

Sobre a OMA – organização que defende os direitos da mulher angolana – o que a levou a abraçar este projeto dedicado à emancipação feminina?

Foi toda uma sequência de vida, enquadrei-me na OMA quase simultaneamente com o Partido MPLA. A OMA naquela altura era uma organização muito proativa. Tínhamos o direito e dever de mobilizarmos as mulheres para os trabalhos socias no bairro; especificamente a educação familiar moral e ética. Presto uma homenagem merecida às mulheres que comigo militaram na OMA da Vila Alice: Regina Marques, Lourdes, Noémia, Miquelina Dinis, Deolinda, Conceição Caposso, Helena Milagre, Ana Ezequiel de Almeida, Conceição Piedade, Francisca do Marçal, Ana do Zangado, Palmira Pascoal, e tantas outras.

Neste momento, qual é a realidade da mulher angolana face à discriminação laboral e em sociedade?

A mulher angolana tem grandes desafios. Desde que me enquadrei na OMA que ela demostra estar com firmeza na luta pelos seus direitos. Temos vindo a ultrapassar algumas barreiras; as mulheres de Angola hoje têm muitas conquistas já conseguidas. Lutamos contra todas as formas de discriminação, sobretudo na educação do género; ainda há alguns tabus que não se conseguem ultrapassar somente com leis, mas sim com educação cultural; a mulher Angolana está inserida num processo de luta a nível mundial e há tabus que já conseguimos ultrapassar; Temos o direito ao voto; a Constituição de Angola consagra-nos no artigo 22º e 23º do Capítulo I, do Título II, Direitos e Deveres Fundamentais; Temos assinadas várias Convenções do género; somos membros da CEDAW (Comissão dos Direitos das Mulheres das Nações Unidas) e outras Convenções Internacionais. Mas, não descuramos o valor que a mulher detém na sociedade Angolana. Tudo são conquistas, não nos deixamos relaxar. 

Tem algum lema de vida? Qual é?

O meu lema de vida é a solidariedade e conseguir alcançar os meus sonhos. A solidariedade creio que é melhor para todas as mulheres de valor.

Estou inserida no continente africano, e como tal, em Angola, ainda há um longo caminho a percorrer na luta contra vários problemas sociais e não só. O nosso continente é muito fustigado. Temos problemas com refugiados, luta contra a pobreza, luta contra a discriminação, luta a favor da melhoria do meio ambiente, entre outras. Então não podemos adormecer. A nossa batalha é constante mas vamos vencer. Temos também que respeitar o outro, esse é outro lema para aprendermos a trabalhar em solidariedade e união. A nossa luta também é regional e internacional.

Angola gasta 100 milhões de euros para garantir eletricidade em locais isolados

De acordo com uma autorização presidencial para o contrato de aquisição, que será feito à empresa angolana Aenergia, constituída em 2012 e parceira da norte-americana General Electric, o negócio envolve o fornecimento, instalação, comissionamento e assistência técnica de geradores industriais, geradores domésticos, bem como de “kits de geração fotovoltaica”.

Será ainda assegurado o fornecimento de equipamentos para montagem de redes de alimentação, envolvendo sistemas elétricos isolados da cobertura nacional, num contrato global, autorizado por despacho presidencial, a rubricar entre o Ministério da Energia e Águas e a Aenergia, por 114,2 milhões de dólares (98,7 milhões de euros).

O recenseamento da população realizado em Angola no mês de maio de 2014 concluiu que o acesso à rede de eletricidade é apenas garantido a 1,7 milhões de casas (31,9% do total), quase exclusivamente em zonas urbanas, já que na área rural apenas 48.173 agregados familiares são servidos.

O estudo identifica que as lanternas são a segunda principal fonte de iluminação e servem mais de 1,752 milhões de famílias (31,6%) em Angola.

Seguem-se em alternativa os candeeiros (14,3%) e os geradores (9,3%).

Até final deste ano, o Governo prevê praticamente duplicar a eletricidade produzida e injetada na rede pública nacional, com a construção de novas barragens e uma central de ciclo combinado, a gás, chegando aos 5.000 MegaWatts de potência instalada, ainda insuficiente para cobrir o défice nacional de produção elétrica.

Lusa

Angola: Seis em cada 100 mulheres admitem bater nos maridos

O estudo, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Ministério da Saúde angolano, com o apoio de várias instituições internacionais, além da assistência técnica do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), refere que “as mulheres cujos maridos se embriagam frequentemente” são as que mais cometem atos de violência física contra os companheiros (17%).

No total, 6% das mulheres que vivem em áreas urbanas admitiram ter cometido atos de violência física contra os maridos ou parceiros nos 12 meses anteriores ao inquérito, em comparação com 3% nas áreas rurais.

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