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Este país não é para mulheres

FILE - In this March 29, 2010 file photo, Saudi women visit the Saudi Travel and Tourism Investment Market (STTIM) fair in Riyadh, Saudi Arabia. Saudi King Abdullah has given the kingdom's women the right to vote for first time in nationwide local elections, due in 2015. The king said in an annual speech on Sunday, Sept. 25, 2011 before his advisory assembly, or Shura Council, that Saudi women will be able to run and cast ballots in the 2015 municipal elections. (AP Photo/Hassan Ammar, File)
Iman é gestora de um hospital privado em Riade, mas quem lhe fica com o ordenado é o seu guardião: o irmão de 17 anos. Ela é divorciada, ele é o membro masculino da família mais próximo – e por isso tem o poder de decidir se ela viaja (já a proibiu de ir estudar para a Europa), trabalha ou vai às compras sozinha.
Pior: o jovem gasta o dinheiro da gestora em drogas e prostitutas quando viaja para o Bahrein. Iman já tentou trocar de guardião em tribunal – para ficar com o outro irmão mais moderado –, mas sem êxito. A juntar a este absurdo, Iman não pode ver os filhos, já que nos divórcios, na Arábia Saudita, os homens ficam com a custódia das crianças (raparigas acima dos 7 anos e rapazes acima dos 9).
A lei wilaya funciona como um sistema de guardiões, com o objetivo de proteger as mulheres do pecado. Mas estas restrições extremas – que tornam a Arábia Saudita no único país no mundo onde as mulheres não podem conduzir – estão a conduzir a um novo fenómeno: a fuga.

Por ano fogem, pelo menos, mil mulheres, revela o sociólogo da Universidade Imam Muhammad ibn Saud, de Riade, Mansour al-Askar, à revista The Economist. Muitas mulheres aproveitam as férias fora do país para não voltarem, outras optam ir para Jeddah, que é um pouco mais liberal. “Algumas famílias proíbem as suas filhas de visitarem os amigos e até de saírem de casa. Isto contribui para que a pressão psicológica aumente sobre as mulheres, o que as leva a considerar a fuga como a melhor forma de se libertarem da vida dura que têm”, explica al-Askar ao site Al-Monitor.

O sociólogo aponta para outro fenómeno: muitas saem à rua vestidas de homem. Só assim conseguem entrar em estádios de futebol ou passear na rua sozinhas.
Iman está à procura de uma saída diferente: um casamento de conveniência através de um site clandestino. A saudita pagaria 3.700 euros para se casar e embarcar numa lua -de-mel na Austrália, para não voltar.

A ativista de direitos humanos, Al -Yousef, defende que até para os homens esta lei é um fardo. “Eles não querem passar o seu dia a ter de dar autorizações por tudo e por nada à mulher, filha ou irmã”, explica à Vice. Além disso, há uma fuga de cérebros. Cerca de 37 mil estudantes, revela a The Economist, saem e muitas não voltam. Apesar de alguns sinais de maior liberdade, os líderes religiosos dizem que facilitar mais conduzirá a uma maior “mistura de sexos” e a influências “ateias e podres”.


O vídeo do dia e talvez um dos de 2017

Hwages é o nome da música que pode ser ouvida e vista num vídeoclip que já atingiu mais de três milhões de vizualizações no YouTube. O sucesso deve-se a dois factores: é feito por mulheres; e estas cantam sobre a sua condição de inferioridade em relação aos homens.

O cenário é o da Arábia Saudita, elas vestem burqas, mas dançam em público, jogam basquetebol, andam de skate e de bicicleta. Recorde-se que as mulheres naquele país não podem conduzir, aliás, o vídeo começa com três mulheres a sentarem-se no banco detrás de um carro e o lugar do condutor é assumido por um garoto com pouco mais de dez anos.

A palavra hwages significa “preocupações” e a dada altura ouvem-se versos como “se Deus nos livrasse dos homens”, mostrando a dominação masculina de que estas mulheres se queixam.

O vídeo foi publicado dois dias antes do Natal, rapidamente tornou-se viral e tem mais de três milhões de visualizações. Mas nem todos os que o vêem estão de acordo com a mensagem transmitida. Por um lado, há comentadores que defendem as mulheres e a sua emancipação. Por outro, lêem-se comentários de ostracismo e discriminação: “Videoclip inacreditável! A voz é má e o conteúdo é pior. Imaginem as mulheres a conduzir e os homens vestidos assim e a dançar. Que Alá nos proteja!”, escrevia um utilizador, citado pela BBC.

Arábia Saudita é um dos países que mais recorre à pena de morte

A Arábia Saudita executou 153 pessoas em 2016, segundo uma contagem feita pela agência France Presse (AFP) a partir de anúncios oficiais.

O reino ultraconservador, que se rege por uma versão rigorosa da “sharia” (lei islâmica), é um dos países que mais recorre à pena capital, aplicada em casos de terrorismo, homicídio, violação, assalto à mão armada e tráfico de droga.

A 2 de janeiro, 47 pessoas foram executadas por terrorismo, entre as quais o dignitário e opositor xiita saudita Nimr al-Nimr, cuja execução provocou uma crise com o Irão.

Em 2015, também foram executadas na Arábia Saudita 153 pessoas, segundo a contagem da AFP, número sem precedentes no reino nos 20 anos anteriores.

Lusa

 

Pai prende filha sem água nem comida por ter beijado homem

A viver na Arábia Saudita, com dupla nacionalidade britânica e saudita, Amina Al-Jeffery alega, através do seu advogado, que o enclausuramento se tornou recorrente desde há cerca de quatro anos e que chegou a ter barras de metal na porta do seu quarto. Tudo porque beijou um homem.

O caso foi levado à Justiça britânica, que se encontra a analisar o processo. Após uma audiência pública, esta quinta-feira, o juiz considerou que, neste momento, a “coisa certa” a fazer seria levar Amina para o Consulado Britânico em Jedá.

Através de uma carta, o pai, Mohammed Al-Jeffery, nega a versão da filha e garante que está apenas “a zelar pela sua saúde e segurança para que possa concentrar-se nos estudos”, avança a Imprensa inglesa.

Acerca da possibilidade de permitir que Amina regresse ao Reino Unido, o académico diz não autorizar por temer que a filha regresse a um “estilo de vida destrutivo”.

Para a Defesa de Amina trata-se de um caso de violação dos Direitos Humanos.

Duas explosões junto a mesquita na Arábia Saudita

A cidade saudita de Qatif, junto ao Golfo Pérsico, foi palco de duas explosões esta segunda-feira, perto de uma mesquita.

Segundo a Reuters, uma testemunha adianta que a primeira explosão destruiu um veículo estacionado junto à mesquita. Momentos depois foi sentida uma segunda explosão, na mesma zona.

Há relatos de testemunhas que adiantam terem visto partes de pelo menos um corpo junto ao local das explosões. Suspeita-se que poderão pertencer ao próprio bombista.

Já a AFP adianta que não haverá vítimas mortais.

[Notícia em atualização]

Petróleo esquece recuperação e cai a pique outra vez

Depois de várias sessões de subida, que levaram os preços do petróleo a níveis pouco vistos nos últimos meses, estão de volta as perdas nos dois principais mercados de ‘ouro negro’ em todo o mundo. A matéria-prima fóssil mais importante do mundo está a afundar novamente, com pressões contrárias a aumentarem as hesitações e o nervosismo dos investidores.

Em Nova Iorque, o preço cai quase 1,9% face ao final da sessão de ontem e cada barril de crude custa agora 37,19 dólares. No mercado londrino o preço ainda está ligeiramente acima dos 40 dólares por barril de brent, mesmo com uma queda diária de 1,81%.

Apesar do acordo entre Arábia Saudita, Rússia e outros gigantes mundiais do petróleo para congelar a produção tinha levado a uma escalada dos preços ao longo das últimas semanas, mas a posição iraniana parece estar a colocar em risco o reequilíbrio do mercado. O petróleo vindo do Irão chegou num navio português a Espanha esta semana pela primeira vez desde o final do bloqueio comercial de várias décadas, provocado pelas sanções nucleares do Ocidente.

Não existe para já qualquer intenção do governo iraniano de congelar total ou parcialmente a produção nacional e por isso, o ambiente de oferta excessiva parece ter chegado para ficar.

Arábia Saudita. Execução de líder religioso xiita extrema tensão entre Riade e Teerão

cartaz de Nimr al-Nimr, o líder religioso xiita executado

A reação mais forte veio dos também xiitas vizinhos e rivais iranianos. A embaixada saudita em Teerão foi incendiada, os diplomatas sauditas abandonaram o Irão e 40 pessoas foram detidas por suspeita de participação no ataque, considerado “injustificado” pelo Presidente Hassan Rouhani.

Rouhani foi diplomático na gestão da morte de al-Nimr – uma violação dos direitos humanos e dos valores do Islão, considerou –, mas outros líderes do país não tiveram papas na língua. O aiatola Khamenei, Líder Supremo iraniano, escreveu no Twitter que Riade enfrentará uma “vingança divina” por ter morto o sheik. “O sangue injustamente derramando do mártir #SheikhNimr” irá desencadear a “a ira divina sobre os políticos sauditas” ameaçou. Não foi o único a prever que o caso irá ter consequências políticas. Ainda no Irão, a poderosa Guarda Revolucionária comparou a execução às ofensivas do Estado Islâmico. Um “ato de selvajaria medieval” que levará ao “derrube” da monarquia saudita.

Quem manda? Riade respondeu com um sério ataque. O ministro dos Negócios Estrangeiros deu 48 horas ao embaixador iraniano para abandonar o país, defendendo que a conduta de Teerão está ameaçar a segurança saudita. Antes desta decisão drástica, Adel al-Jubair já tinha acusado o Irão de mostrar “a sua verdadeira face de apoio ao terrorismo”. Um “sectarismo cego” que transforma o país em “coautor dos crimes [dos terroristas] em toda a região” onde as duas potências lutam pelo poder. Ainda antes do corte de relações, Hassan Hassan, especialista em assuntos do Médio Oriente ouvido pelo Guardian, dava nota de que a altura escolhida pelos sauditas para matar al-Nimr é “particularmente relevante”, porque surge “no contexto de uma série de movimentações políticas de Riade para consolidar as suas alianças regionais, como o eixo Ancara-Doha-Riade, bem como o bloco mais amplo de vários países muçulmanos” – a Coligação contra o Estado Islâmico. Isto é: para Riade mostrar que é que manda.

Os aliados sauditas na região calaram ou aplaudiram as execuções. Mas os protestos não faltaram. Mais tímidos na Arábia Saudita, violentos no Barém, onde foram dispersados com gás lacrimogéneo. E ainda no Líbano, no Paquistão ou na índia. Noutro dos grandes regionais, o Iraque – que recentemente tem somado vitórias contra o EI –, o líder religioso xiita Moqtada al-Sadr pediu protestos musculados junto dos interesses do Reino. E ao seu governo exigiu o encerramento da embaixada saudita, aberta há apenas uma semana depois de mais de vinte anos encerrada.
Também a ONU, os Estados Unidos e a União Europeia criticaram a decisão saudita. Ban Ki-moon disse-se “profundamente consternado” e apelou à calma na região. O responsável pelos Direitos Humanos da organização, o príncipe jordano Zeid Raad al-Hussein, considerou as execuções “muito perturbadoras, nomeadamente porque algumas das pessoas condenadas à morte estavam acusadas de crimes não violentos”. Levantou dúvidas sobre a condução dos processos judiciais e lamentou o número de executados, recordando que a lei internacional só admite a pena capital nos “crimes mais graves”.

Os EUA, aliados da Arábia Saudita, pediram a Riad a garantia de processos judiciais justos e a aceitação da expressão pacífica de discordâncias. Federica Mogherini, a chefe da diplomacia da União Europeia, falou com o MNE iraniano pedindo calma, receando que a execução “inflame as tensões sectárias que já causam sérios danos na região”.

A maioria dos 47 executados são terroristas da Al Qaeda, condenados por ataques entre 2003 e 2006. Entre os quais o assassino de um câmara da BBC que deixou ainda paraplégico outro jornalista da estação. Mas não só. No grupo que morreu às mãos dos carrascos sauditas – por fuzilamento ou por decapitação – estão quatro xiitas detidos durante protestos entre 2011 e 2013.

Dois deles tinham 18 e 19 anos quando foram levados pela polícia, acusaram organizações de defesa dos direitos humanos. Neste grupo está o homem cuja morte provocou a ira dos muçulmanos xiitas e a condenação do mundo ocidental.

O sheik mártir

O sheik Nimr al-Nimr nasceu na Arábia Saudita em al-Qatif, perto do Barém, e fez a maior parte dos seus estudos no Irão e na Síria. Regressou em 1994, tendo-se tornado um proeminente líder religioso xiita, um aiatola. Os seus sermões tornaram-se famosos: criticava abertamente o regime e a monarquia sauditas e exigia direitos para a minoria xiita, alvo de discriminação no Reino.

Em 2011, na sequência da Primavera Árabe, Nimr al-Nimr foi um dos principais impulsionadores dos protestos na Província Oriental – a maior do país, rica em petróleo e onde os xiitas são maioria –, tornando-se uma referência para os milhares de jovens seguidores do xiismo que saíram para as ruas do país e também no arquipélago do Barém.

O sheik advogou sempre manifestações pacíficas. Numa entrevista à BBC, em 2011, dizia preferir “o rugido da palavra contra as autoridades, em vez de armas (…) a arma da palavra é mais forte que as balas, porque as autoridades lucrariam com uma insurreição armada”. O pacifismo não o salvou. Foi várias vezes detido, até ser preso em 2012.

Em outubro de 2014 foi condenado à pena capital, depois de ter sido considerado culpado de tentar a “intromissão estrangeira” no país, de “desobedecer” aos governantes e de usar armas contra as forças de segurança. Foi o seu irmão Mohammed que deu noticiou a sua sentença, no Twitter. O regime prendeu-o. E, mais tarde, condenou o seu sobrinho – filho de Mohammad e preso com 15 anos – à morte por crucificação, também por participação nos protestos.

A sua condenação levou a novos protestos. A Amnistia Internacional considerou-a “parte de uma campanha das autoridades da Arábia Saudita para esmagar toda a dissidência, incluindo os defensores dos direitos das comunidades xiitas do reino”.

O chefe das Forças Armadas iranianas advertiu os seus vizinhos e rivais de que iriam “pagar caro” se al-Nimr chegasse ao cadafalso.

Ao longo destes dois anos muitas petições e recursos tentaram travar a execução: na Arábia Saudita, mas também para a ONU e para o governo norte-americano.

Em vão: Nimr al-Nimr, como escreveu o “Guardian”, era um espinho encravado na carne do regime saudita. Demasiado encravado e demasiado afiado.

Arábia Saudita anuncia coligação islâmica antiterrorista

Mohammed bin Salman

O anúncio ocorre num contexto de pressão internacional para um maior envolvimento de Estados muçulmanos na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico (EI).

Mas a coligação não se focará apenas no combate ao EI disse também, sem adiantar pormenores, o ministro saudita da Defesa, príncipe Mohammed bin Salman.

A lista inclui um vasto leque de países, da Turquia, que pertence à NATO, às Ilhas Comores, ao largo de Moçambique. A Guiné-Conacri e a Somália são outros participantes.

Como seria previsível, a coligação não inclui o Irão xiita, principal rival regional da Arábia Saudita sunita. Afeganistão, Iraque e Síria também não fazem parte.

Mohammed bin Salman, disse, segundo a BBC, que a coligação vai coordenar esforços contra extremistas no Iraque, Síria, Líbia, Egipto e Afeganistão.

A iniciativa “partiu da vigilância do mundo islâmico na luta contra esta doença [extremismo islâmico] que causou estragos ao mundo islâmico”, disse, citado pela BBC. “Atualmente, cada país muçulmano combate o terrorismo individualmente …coordenar esforços é muito importante.”

A Arábia Saudita integra a coligação contra o EI liderada pelos Estados Unidos e lidera uma intervenção militar no Iémen contra os combatentes houthi, uma tribo xiita.

Os 34 países “têm procedimentos a cumprir antes de se juntarem à coligação” agora anunciada, disse também o ministro saudita.

Para além dos 34, dez outros “países islâmicos”, incluindo a Indonésia, o mais populoso país muçulmano do mundo, manifestaram o seu apoio, segundo a agência estatal SPA.

Ao anunciar a coligação, a agência escreveu que o islão proíbe a “corrupção e a destruição do mundo” e que o terrorismo é uma “grave violação da dignidade e dos direitos, especialmente do direito à vida e do direito à segurança “

Os países da coligação são: Arábia Saudita, Bahrain, Bangladesh, Benim, Chade, Costa do Marfim, Djibuti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Gabão, Guiné-Conacri, Iémen, Ilhas Comores, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Malásia, Maldivas, Mali, Marrocos, Mauritânia, Níger, Nigéria, Paquistão, Palestina, Qatar, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Togo, Tunísia, Turquia.

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