Inicio Tags Banca

Tag: Banca

Santander Totta compra e integra Banco Popular Portugal

Com a concretização da fusão, após obtidas as autorizações dos reguladores, diz o Santander Totta que “o Banco Popular Portugal deixa de existir enquanto entidade jurídica, sendo todos os seus direitos e obrigações transferidos para o Banco Santander Totta”.

Além desta operação, o Santander Totta concretizou a compra da Primestar Servicing, sociedade do Banco Popular que era responsável pelas recuperações de créditos e gestão de ativos imobiliários, e das atividades informáticas das empresas Ingenieria e Produban.

Em 06 de junho, o Banco Central Europeu (BCE) decretou que o grupo espanhol Banco Popular não era viável e determinou a sua resolução.

O espanhol Santander acordou então comprar o Popular pelo preço simbólico de um euro.

Para permitir a compra, o Conselho de Administração do Banco Santander fez um aumento de capital de sete mil milhões de euros, para garantir o capital e as provisões necessários para que o Banco Popular possa operar com normalidade.

A operação teve impacto em Portugal, onde o Banco Popular tinha o Banco Popular Portugal.

Inicialmente, o Santander adquiriu também o Banco Popular Portugal, mas deu a indicação de que este seria vendido e integrado no Santander Totta, incluindo os seus 1.000 trabalhadores, numa operação interna.

Desde então, esperavam-se a autorização dos reguladores e supervisores, como o BCE, para que o negócio fosse feito, o que aconteceu hoje.

Não foi divulgado o valor a que o Santander vendeu ao Santander Totta o Banco Popular Portugal.

O Santander Totta teve lucros de 331,9 milhões de euros entre janeiro e setembro, mais 13% face ao mesmo período do ano passado.

Estes resultados não incluíram ainda o Banco Popular Portugal, que nesse período ainda pertencia ao espanhol Santander.

LUSA

Império Amorim estende-se do imobiliário à energia

Américo Amorim morreu na quinta-feira, aos 82 anos, estando o funeral agendado para sábado de manhã, no Mosteiro de Grijó, no concelho de Vila Nova de Gaia.

“Américo Amorim liderou o grupo Corticeira Amorim durante décadas, sendo o percursor da profissionalização, da modernização, da inovação e da sustentabilidade, tanto do grupo, como de todo o setor da cortiça”, diz a corticeira em nota hoje divulgada, prestando sentida homenagem.

empresário de Mozelos, Santa Maria da Feira – que em tempos afirmou que não se considerava “rico”, mas “trabalhador”, numa referência ao percurso que o levou desde a pequena empresa fundada pelo avô em 1870 a líder mundial no setor da cortiça – tem hoje uma atividade empresarial que vai desde a banca à bolsa, casinos, luxo, unidades turísticas e empresas petrolíferas.

Nascido em 21 de julho 1934, Américo Ferreira de Amorim terminou o Curso Geral do Comércio e ingressou na empresa de cortiça da família, cuja origem remonta a 1870, tendo participado com os seus irmãos na fundação da Corticeira Amorim, da Ipocork e da Champcork, empresas do setor dos derivados da cortiça.

Posteriormente tornou-se responsável executivo da ‘holding’ Corticeira Amorim, que controla as empresas corticeiras, e, através de outra ‘holding’ – a Amorim Investimentos e Participações – estendeu os seus investimentos aos setores da energia, do turismo e da banca, tornando-se num dos principais acionistas do Banco BIC Português e concentrando em nome individual participações sociais de relevo na Galp Energia (detém a maioria do capital da Amorim Energia, que, por sua vez, controla 38,34% da Galp Energia, SGPS) e no Banco Popular Español (que entretanto vendeu).

Atualmente, o Grupo Amorim detém posições em dezenas de empresas nos cinco continentes e em diversas áreas económicas, desde a cortiça (através da Corticeira Amorim) ao têxtil (através da centenária Gierlings Velpor, especializada em veludos e têxteis técnicos), à vitivinicultura e ao enoturismo.

Na área da cortiça, o Grupo Amorim é o líder mundial através de 78 empresas, das quais 28 são unidades industriais de transformação, estando os seus produtos presentes em mais de 100 países. A família Amorim gere áreas de floresta e montado de sobro superiores a 12.000 hectares.

Já no setor imobiliário a presença do grupo remonta aos anos 50, sendo atualmente detentor de ativos imobiliários em Portugal e Brasil, sobretudo concentrados no segmento imobiliário e turístico.

Américo Amorim detém ainda uma experiência de 30 anos no lançamento de operações no setor financeiro, num percurso que começou em 1981 como acionista fundador da Sociedade Portuguesa de Investimentos (SPI) – a primeira sociedade financeira privada em Portugal após a revolução de 1974 e que esteve na base da criação de diversas instituições financeiras em Portugal, Angola e Moçambique – e que se prolonga até hoje com participações relevantes em instituições bancárias na Península Ibérica e em África.

Em Moçambique, o Grupo Américo Amorim (GAA) lançou em agosto de 2011 um banco universal de retalho designado Banco Único e, em 2012, tornou-se acionista do Banco Luso Brasileiro, que opera no Brasil há mais de duas décadas.

O setor de bens de luxo é considerado “uma área de negócio de forte potencial futuro” onde o grupo apostou através da marca Tom Ford, criada em 2005 pelos antigos diretor criativo e o presidente executivo da Gucci (respetivamente Tom Ford e Domenico de Sole) e a cujo projeto Américo Amorim se associou adquirindo uma participação de 25% em finais de 2007.

É precisamente na área da moda que se especializou a filha mais velha de Américo Amorim, Paula, que é vice-presidente do GAA e dona das lojas de moda Fashion Clinic e Gucci, que em outubro de 2016 substituiu o pai na presidência do Conselho de Administração da Galp Energia.

A filha Marta tem também cargos no GAA e desempenha funções noutras empresas detidas pela família, enquanto Luísa, apesar de já ter passado “por todas as áreas da corticeira” — atualmente liderada pelo primo, António Rios Amorim — ficou à frente do negócio de vinhos do grupo na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo e na Quinta de S. Cibrão, em Sabrosa, no Douro, num total de 250 hectares.

Cônsul-geral honorário da Hungria em Portugal, a 24 de novembro de 1983 Américo Amorim foi feito Comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial, a 16 de janeiro de 1997 foi feito 121.º Sócio Honorário do Ginásio Clube Figueirense e a 30 de janeiro de 2006 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Foi no ‘ranking’ de 2010 dos 500 mais ricos da revista Forbes que Américo Amorim passou a surgir como o homem mais rico de Portugal, ultrapassando Belmiro de Azevedo e ocupando a 212.ª posição entre as maiores fortunas do mundo. Na lista de 2016, o empresário surge na posição 385, uma descida de 16 lugares, apesar de a sua fortuna ter aumentado de 4,1 mil milhões de dólares para 4,4 mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros).

Funcionários do fisco terão acesso restrito aos dados das contas bancárias

O acesso dentro da administração fiscal à informação do saldo das contas bancárias acima de 50 mil euros, que as instituições financeiras vão ser obrigadas a enviar ao fisco a partir de 2017, “será restrito e sujeito a autorização”, seguindo as “regras agravadas” de segurança previstas na Lei da Protecção de Dados Pessoais, assegura o Ministério das Finanças.

A garantia foi dada ao PÚBLICO pelo ministério liderado por Mário Centeno, quando questionado se a informação transmitida estará acessível de forma indiscriminada aos funcionários da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) ou se esse acesso terá de ser justificado.

PUB

Assim que o Governo aprovou em Conselho de Ministros este diploma a 8 de Setembro, o gabinete do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, garantiu que a proposta de lei – que ainda não é pública – remete “expressamente para as medidas de segurança reforçadas”. No entanto, não era claro se o acesso por parte dos funcionários da AT estaria condicionado a uma autorização, o que o Governo agora veio especificar.

O Ministério das Finanças confirma que serão cumpridas as medidas especiais de segurança incluídas “no artigo 15.º da Lei da Protecção de Dados Pessoais”. Aqui prevê-se, por exemplo, que os responsáveis pelo tratamento dos dados terão de “impedir que sistemas de tratamento automatizados de dados possam ser utilizados por pessoas não autorizadas através de instalações de transmissão de dados (controlo da utilização)” e que as pessoas autorizadas “só possam ter acesso aos dados abrangidos pela autorização (controlo de acesso)”.

O PÚBLICO sabe que o diploma do Governo ainda não chegou à Presidência da República, embora a proposta de lei já tenha sido aprovada em Conselho de Ministros há quase duas semanas, depois de incorporar “em grande medida as recomendações” feitas pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), que considera a medida inconstitucional.

Como o diploma ainda não é conhecido nem está de pé, “ainda não está definido, nem foi discutida” na AT a implementação dessas medidas de segurança, adianta o presidente da Associação dos Profissionais da Inspecção Tributária (APIT), Nuno Barroso. Para o representante sindical, deve ser criado um regulamento que plasme claramente as regras a serem seguidas. “Este reforço de segurança tem de ser necessariamente explicado”, insiste.

Nuno Barroso admite que possa vir a ser criado dentro da AT uma equipa “que recebe e guarda os dados” comunicados pelos bancos uma vez por ano. Para poder ter acesso a uma informação sobre o saldo bancário de um contribuinte, um inspector teria de fazer uma solicitação formal a justificar o motivo pelo qual pede para aceder àquela informação, devendo haver uma resposta superior a validar ou a indeferir, sugere o presidente da APIT.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), Paulo Ralha, considera a medida “essencial no combate à fraude” e antecipa igualmente que a informação “não vai chegar a todos os níveis de intervenção” da AT, mas apenas “a quem necessite dela” para exercer as funções tributárias.

Dúvidas de Marcelo

O diploma em causa prevê que os bancos enviem ao fisco, anualmente, informação sobre o valor depositado numa instituição financeira, sempre que esse saldo global é superior a 50 mil euros (os detalhes dos movimentos das contas não são enviados, apenas o saldo registado a 31 de Dezembro do ano anterior).

Esta obrigação está prevista no mesmo diploma em que o Governo transpõe para a legislação nacional uma directiva europeia que já iria obrigar os bancos a enviarem ao fisco informação sobre o saldo das contas detidas em Portugal por não residentes e sobre as contas detidas por residentes no estrangeiro.

O executivo decidiu estender as mesmas regras (com adaptações) às contas de quem vive em Portugal, considerando não existir justificação para que a AT ter acesso a menos informação do que aquela que lhe será enviada sobre os não-residentes, ao abrigo das regras europeias (e do acordo FACTA com os Estados Unidos).

A CNPD, ao dar o parecer ao anteprojecto do Governo, considerou a medida inconstitucional, vendo nela uma “restrição desnecessária e excessiva dos direitos fundamentais à protecção de dados pessoais e à reserva da vida privada”. O Governo, pela voz do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, embora tenha reconhecido no Parlamento que há uma diminuição da privacidade, argumenta que este é um “custo” que deve ser encarado pela sociedade portuguesa, como uma “opção colectiva”, para combater a fraude e a evasão fiscais.

Resta agora saber o que fará Marcelo Rebelo de Sousa quando o diploma lhe chegar às mãos – se dentro de 40 dias o promulga, se requer ao Tribunal Constitucional a apreciação preventiva da constitucionalidade ou se simplesmente o veta. A questão é politicamente sensível entre São Bento e Belém. A questão passa por saber se o Presidente mantém as dúvidas levantadas em Agosto, quando se mostrou contra uma medida que permita o acesso aos dados bancários “de forma indiscriminada”.

A medida, autorizada no Orçamento do Estado deste ano, ainda estava a ser afinada pelo Governo para incluir as recomendaçoes da CNPD e o Governo manteve a intenção de pé (e ainda no último sábado o primeiro-ministro veio defender politicamente esta obrigação).

Bancos obrigados a comunicar ao Fisco saldos superiores a 50 mil euros até julho

O governo já aprovou o diploma que prevê a obrigação da banca comunicar à Autoridade Tributária os saldos acima dos 50 mil euros detidos pelo mesmo titular dos residentes em Portugal, abrangendo cidadãos estrangeiros e nacionais. A primeira comunicação terá que ser feita pelas instituições financeiras até final de julho de 2017, tendo como referência os saldos apurados a 31 de dezembro de 2016 quando estes totalizam mais de 50 mil euros

Esta quinta-feira, o Conselho de Ministros já aprovou o decreto-lei que implementa o acordo FATCA, assinado no ano passado com os Estados Unidos que obriga os bancos a comunicarem os saldos bancários e aplicações financeiras a partir de 50 mil dólares sediadas em Portugal e que pertençam à cidadãos americanos, residentes em Portugal ou nos Estados Unidos, e a cidadãos portugueses que tenham tido autorização de residência nos Estados Unidos.

Este diploma incorpora também “normas que permitem o acesso pela Autoridade Tributaria a informação equivalente à prevista na diretiva e no Acordo FACTA e nas mesmas aplicações”. Ou seja, fica a aprovada a “aplicação dos mesmos deveres de comunicação dos bancos à AT relativamente a contas em bancos portugueses de que sejam titulares residentes em Portugal” e que fica limitada a situações “em que o valor depositado na instituição seja superior a 50 mil euros”, lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

O alargamento do acesso do Fisco aos saldos bancários de todos os residentes em Portugal estava previsto numa autorização legislativa aprovada no Orçamento do Estado de 2016 e que agora é concretizada. Para além do cumprimento dos acordos internacionais — com os Estados Unidos e União Europeia, o governo justifica assim o acesso aos saldos dos residentes, com a necessidade de reforçar os mecanismos de combate à fraude e evasão fiscais. Em nota, a secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais avança estes três argumentos:

  • Reforçar os mecanismos de natureza interna necessários ao combate à fraude e evasão fiscal e ao branqueamento de capitas, associado a elevados níveis de informalidade e de subdeclaração de rendimentos.
  • Não existir justificação para que a AT disponha de menor acesso a informação de que aquela que estará obrigada a transmitir a países estrangeiros.
  • Estes mecanismos — o conhecimento do património financeiro dos contribuintes — serem considerados internacionalmente como essenciais à intensificação do combate à fraude e evasão fiscais, sobretudo na deteção de riscos de evasão por parte dos contribuintes de maiores rendimentos ou património, como é demonstrado pela generalização dos mecanismos de troca de informação automática.

Em resposta às reservas suscitadas pela Comissão Nacional de Proteção de Dados a um anteprojeto sobre o envio de informação bancária ao Fisco, que apontavam para ilegalidades e inconstitucionalidade, a secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais esclarece que o acesso ficou limitado a saldos que sejam superiores a 50 mil euros, considerando todas as contas e aplicações que o titular tenha no mesmo banco. Assegura ainda que “não há lugar a troca de informações com terceiros, privados ou públicos, nacionais ou estrangeiros”.

O diploma transpõe ainda a diretiva comunitária d troca de informação obrigatória na área fiscal e que estabelece um mecanismo automático de acesso a troca de informações financeira em relação a contas detidas em Portugal por não residentes e as contas detidas por residentes no estrangeiro, incluindo cidadãos portugueses. Neste caso, foi fixado um limite de mil euros, a partir do qual os saldos bancários ficam sujeitos a essa troca de informação.

INVESTIMENTO ESTRANGEIRO NO SETOR IMOBILIÁRIO

AICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas é uma instituição centenária, de âmbito nacional, com cerca de sete mil associados. Tem como missão defender os interesses dos industriais que representam e o setor da Construção, contribuindo para o desenvolvimento económico e social do país. Que trabalho tem vindo a desenvolver nesse sentido de promover e apoiar as empresas portuguesas?

Falar desta Associação é falar da maior Associação do país, ao nível do setor da construção e a nível do número de associados que apresenta. É uma Associação de referência, uma Associação que tem 125 anos e que tem vindo a sofrer uma evolução qualitativa.

Apostamos na melhoria contínua dos serviços prestados e na defesa qualificada do setor, tendo por objetivo apoiar as empresas e contribuir para que estas possam ser cada vez mais produtivas e competitivas.

O setor da construção sofreu uma mudança significativa há cerca de dez anos para cá. Não há investimento público, pelo que o número de obras/construções diminuíram. O setor foi abanado com as restrições exigidas pelo país e foi o setor que mais sofreu com a austeridade.

Exigiu, assim, dos dirigentes associativos um comportamento diferente. Procuramos ir ao encontro dos associados para pugnar junto dos governos pelo investimento público, criar condições para o investimento estrangeiro e para o investimento estrangeiro

Hoje 30% da faturação do volume de negócios do setor diz respeito à internacionalização. Se antes tínhamos as empresas direcionadas para mercados com a Angola, Moçambique, que representava 63% do nosso mercado, hoje temos uma nova orientação. A Europa não representa para nós o que devia representar, portanto existe uma aposta na procura de novos mercados, nomeadamente, a América Latina. Celebramos um Protocolo de Cooperação com a Câmara de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo Portugal – Cuba para desenvolver o projeto “Global Portuguese Construction” com o apoio do programa Portugal 2020 para promover e qualificar as empresas portuguesas de construção e imobiliário no exterior.

Verifica-se um maior dinamismo na compra de habitação em Portugal que está a ser essencialmente impulsionado pela maior abertura dos bancos ao crédito, pelo aumento da procura internacional e também pelos depósitos bancários pouco atrativos, que fazem do imobiliário uma alternativa de poupança mais rentável. O mercado imobiliário português está numa fase ascendente?

O setor da construção e do imobiliário teve uma perda, nos últimos cinco anos, no valor de 39 mil empresas e 260 mil trabalhadores.

No entanto, começa a verificar-se uma implantação de grandes construtores no país, acrescentando o facto de sermos, hoje, o terceiro país europeu com maior implantação na América Latina, o que define para o setor uma componente muito importante.

Durante muitos anos o imobiliário decresceu bastante. Em 2000 construíamos cerca de 114 mil habitações, há cerca de dois anos passámos para 7 mil habitações. O imobiliário português correspondia, praticamente, à construção de habitações novas. Hoje é diferente. O setor mobiliário vai passar muito pela reabilitação urbana. E, nos últimos anos temos procurado promover a componente da reabilitação no imobiliário português. Realizámos um estudo onde se conclui que a necessidade existente em reabilitar o património imobiliário está na ordem dos 38 mil milhões de euros, o que significa que temos reabilitação para 20 anos, se começarmos já.

Portanto, o imobiliário tornou-se apetecível para o investimento estrangeiro e para o Turismo. A par deste fator, o clima, a segurança, a centralidade geográfica, a riqueza patrimonial são algumas das razões que levam os investidores internacionais a colocarem Portugal no radar.

Em 2014 o mercado imobiliário teve um volume de negócios na ordem dos 12,4 mil milhões de euros, em 2015 passou para 15,2 mil milhões de euros.

Estamos numa fase ascendente e vamos ter crescimento em 2016 também. Conseguimos ter um volume de negócios só no primeiro semestre igual ou superior corresponde ao ano transeunte em Vistos Gold.

Começa a verificar-se, também, uma procura do imobiliário por parte de investidores privados que começam a sentir que a Banca não é muito segura, que apresenta taxas de juros muito baixos, levando os privados a procurar rentabilizar o seu dinheiro de uma forma diferente: investir no imobiliário passou a ser uma fonte de receita.

Verifica-se uma diminuição das transações de arrendamento em prol da compra de habitação. Com a maior abertura da banca, em matéria de crédito à habitação, a primeira opção dos portugueses é a aquisição do imóvel?

A procura da compra é, de facto, efetiva. Portugal gosta de comprar, os portugueses gostam de comprar. É uma questão de cultura e de mentalidade. Temos 81% de proprietários, só temos 19,8% de arrendatários. No entanto, tem-se verificado um crescimento no arrendamento devido ao aumento de turistas no nosso país. Somos o segundo País com menos arrendamento na Europa cuja média ronda os 40%.

De facto, há uma tendência para o aumento do arrendamento apesar de não termos mercado efetivo. Só existirá um mercado, em Portugal, quando existir uma oferta superior à procura.

O setor do imobiliário irá ser mais apetecível nos próximos anos para o investidor privado e estrangeiro, fruto da situação geoestratégica mundial, da particularidade da nossa Banca, da rentabilidade do dinheiro e dos Vistos Gold.

Outro aspeto que se tem verificado é o aumento da compra de imóveis em leilão pela facilidade na obtenção de crédito habitação e o eventual desconto no preço do imóvel, uma vez que os bancos financiam, nestes casos, até 100% do valor da habitação. Que papel tem assumido a banca no mercado do setor imobiliário hoje em dia?

A Banca já teve um papel criticável quando, por razões genéricas, teve de ficar com grande parte do imobiliário. Foi “tentada” a colocar o imobiliário numa situação de desequilíbrio no processo de escoamento do stock. Hoje, esses stocks baixaram consideravelmente, a Banca estabilizou e tem confiança no seu imobiliário. Em números, chegou a ter 160 mil habitações para vender, hoje estamos a falar de um número que ronda os 80 mil. São valores residuais.

Ai, a banca senhores…

Bem sei que estamos em mês estival, época de esquecer problemas e ir a banhos. Bem sei que falar de banca não é a coisa mais entusiasmante do mundo para quem quer distrair a cabeça. Mas, infelizmente, a realidade tem muita força. Deixem-me ser clara: se a economia global fosse uma loja de porcelanas, a banca europeia seria um enorme elefante dentro da sala.

A coisa está feia. Não, não me venham com os surpreendentes bons resultados dos testes de stresse (esses estudos que analisam a resiliência dos 51 maiores bancos europeus a eventuais choques económicos), divulgados na passada sexta-feira. Tudo está calmo, só o italiano Monte dei Paschi di Siena está abaixo dos mínimos exigidos, atiram os otimistas.

É que estes testes de stresse deixam-me um bocadinho stressada: como é possível que nas 46 páginas de conclusões não se refira uma única vez a expressão “taxas de juro negativas”, se são elas o fator que mais tem pesado para a má performance do setor bancário no último ano, como bem notou o Financial Times? Há cada vez mais vozes (veja aqui artigo do Economist, aqui outro do Financial Times e aquientrevista da Bloomberg) a fazer notar o facto de estes testes falharem uma série de parâmetros importantes para o desempenho do setor.

Os sinais de alarme estão um pouco por todo o lado e o principal fala alemão: ainda esta semana foi anunciado que o Deutsche Bank será retirado do índice EuroStoxx 50 (que reúne as 50 maiores empresas europeias), a primeira vez que fica ausente desde 1998 – as suas ações estão quase 90% abaixo dos picos de 2007. A penalizar o banco estão as tais taxas de juro a níveis historicamente baixos, mas também a pressão regulatória que obriga a simplificar e tornar mais transparente o negócio (o que reduz drasticamente as margens de lucro), custos elevados, despesas de litigância, multas e, claro, agora também o BREXIT.

O novo CEO do Deutsche bank, John Cryan, está a tentar meter ordem na casa, mas a tarefa é complicada. No final de junho o FMI veio dizer que o banco “parece ser o mais importante contribuinte líquido para o risco sistémico” do setor. Mas o que é verdadeiramente assustador é que este é um gigante demasiado grande para ser salvo: para se ter uma ideia da dimensão que estamos a falar, só a exposição do banco a derivados é várias vezes superior a todo o PIB alemão.

Um abanão neste banco e toda a banca europeia vai potencialmente atrás. Por cá, o cenário está longe de ser famoso, como se sabe. O Novo Banco apresentou prejuízos significativos e surgiu um interessado no BCP, aparentemente pouco credível aos olhos do mercado.

Como nos podemos proteger de eventuais terramotos na banca, eis a questão. Não há muito a fazer, na verdade, a não ser usar e abusar da mais velha e sensata regra de investimento: não meter todos os ovos no mesmo cesto. E optar por soluções conservadoras. Ser avesso ao risco é, por estes dias incertos, uma atitude de extrema inteligência.

Portugueses com menos acções e títulos de dívida e mais depósitos

A crise financeira internacional, primeiro, e depois a crise das dívidas soberanas da zona euro, com o impacto directo que foi sentido em Portugal, modificou de forma significativa a forma como os portugueses decidem ter investido o seu património financeiro, com as acções, os fundos de pensões e os títulos de dívida a perderam parte da importância que tinham conquistado no passado.

Desde 2008 até Março deste ano (a data para a qual estão disponíveis os dados mais recentes), quando se olha para a informação do Banco de Portugal sobre a forma como os particulares gerem os seus activos financeiros, é possível verificar que apenas ao nível dos depósitos bancários e do numerário (o dinheiro em notas e moedas) se manteve a tendência natural de subida que se vinha registando já nas décadas anteriores, com uma pequena interrupção no auge da crise em 2012. Entre o final de Março deste ano e o período homólogo do ano passado, o volume de depósitos e numerário aumentou 8990 milhões de euros, ou 5,5%.

Este crescimento é superior ao da variação nominal do PIB, o que se explica porque, em contrapartida, o evolução registada nos outros tipos de activos financeiros tem sido nula ou negativa.

A descida mais pronunciada tem vindo a verificar-se nos activos detidos pelos particulares sob a forma de títulos de dívida. De acordo com os dados do Banco de Portugal, depois de terem atingido um valor máximo de 24.495 milhões de euros no final de 2012, este tipo de aplicação tem vindo a cair de forma muito pronunciada, chegando-se a Março de 2016 com um valor de apenas 8586 milhões de euros. Para esta evolução deverá ter contribuído a forte quebra registada na emissão e atractividade dos títulos obrigacionistas do sector privado, em particular do sector bancário. Não só as empresas portuguesas ficaram nos últimos anos com um acesso limitado ao mercado obrigacionista, como as perdas sofridas por detentores de dívida de alguns bancos portugueses afastou os potenciais interessados.

Nas acções, que vinham ganhando um peso muito significativo no investimento dos particulares até Junho de 2007, as perdas também ocorreram de forma bastante acentuada, em dois momentos. Primeiro, quando deflagrou a crise financeira internacional em 2008, e depois a partir de Março de 2011, quando Portugal entrou numa recessão profunda e vários títulos accionistas, principalmente no sector bancário, registaram depreciações profundas. A partir do início de 2014, quando a economia começou a sair da recessão, o valor detido por particulares em acções estabilizou. No último ano, ainda assim, caiu 1,3%.

Sofrendo também com o efeito da recessão que gerou um nível muito elevado de desemprego, a riqueza dos portugueses em fundos de pensões e seguros também caiu a partir do final de 2010, movimento que se prolongou até ao final de 2013. Depois de uma recuperação, no último ano, este tipo de activo financeiro caiu, nas contas dos particulares, mais 4687 milhões de euros, ou 6,3%.

No total, o valor dos activos financeiros detidos pelos portugueses, que desde 1994 vinha registando sempre uma tendência ascendente, estagnou a partir de 2011, apresentando agora, cinco anos depois, um resultado apenas 1,1% superior.

Está na lista negra? Saiba aqui

É muito fácil. Basta ter internet e a senha do Portal das Finanças. Vai a uma página na internet chamada Portal do Cliente Bancário. Aqui encontra toda a informação reunida pelo Banco de Portugal para aprender a lidar com os bancos e apresentar a sua reclamação, se for o caso.
Se clicar AQUI vai diretamente à página, onde preenche os seus dados e recebe um ficheiro PDF com a listagem de todos os empréstimos que tem nos bancos ou financeiras e com cartões de crédito e se estão “regulares” ou não.

A tal lista negra (que afinal não é negra) não é pública. Só pode ver e imprimir os dados que lhe dizem respeito. Vai encontrar na tal listagem que lhe vai aparecer todos os empréstimos que fez, se está ou não a pagá-los, a mensalidade e quanto ainda lhe falta pagar. Se é fiador, também está aqui se o empréstimo está a ser pago ou não e quanto ainda pode ter de pagar se a outra pessoa falhar a prestação. Há 1 milhão e meio de portugueses que aceitaram pagar os empréstimos de alguém se a outra pessoa deixar de pagar. Através desta página, fica a saber, todos os meses, se o empréstimo está a ser pago e qual o valor que ainda está em dívida. Tudo à distância de um click.

Se alguma das linhas estiver cinzenta, é porque está na “lista negra”. Ou seja, quando for pedir um empréstimo ao banco ou um cartão de crédito, é esta lista que os bancos vão ver para avaliar se é um cliente de risco ou não. E verá ver o seu pedido provavelmente recusado. Sempre que disser “Regular” ou “Potencial” é porque está tudo bem. Se disser “vencido”… aí começam os seus problemas.

Em resumo, a lista do Banco de Portugal afinal não é negra, quando muito é cinzenta. E não há verdadeiramente uma lista nacional de pessoas que deixaram de pagar os créditos. Há é uma base de dados que os bancos consultam para saber se a pessoa em causa tem algum empréstimo que deixou de pagar.
Consultar todos os meses, ou de 6 em 6 meses, o Mapa das Responsabilidades de Crédito pode ajudá-lo a evitar surpresas desagradáveis: fica a saber exatamente quanto ainda deve aos bancos e também o que é que os bancos sabem sobre si. Há quanto tempo não vai lá ver se está tudo bem?

Promiscuidade na banca. Banif “não foge à regra das trapalhadas”

Zuraida Soares, dirigente do Bloco de Esquerda e deputada nos Açores, comenta aquilo a que chama a “promiscuidade entre o setor bancário e os principais partidos portugueses: PS, PSD e, ultimamente, CDS”.

Referindo-se concretamente ao caso do Banif, a bloquista aponta que o processo “não foge à regra das trapalhadas” que normalmente carateriza a salvação de bancos.

Numa primeira fase, escreve Zuraida, assistimos à ocupação de lugares de referência de figuras gradas ao PSD/Madeira. Depois, assistimos à entrada de figuras políticas, quer do PSD, quer do PS nacional, critica, sublinhando há um “cruzamento de interesses” desde diversas empresas, “até ao tacho puro e duro”

“Não será esta a principal razão para tanta dificuldade, no apuramento da verdade, sobre os negócios escuros da banca? Não estará aqui uma das principais responsabilidades, para o quadro negro a que chegámos?”, questiona a deputada da Assembleia dos Açores, respondendo de seguida que sim, lançando outra questão:

“Que interesses permitiram que este processo andasse a marinar, durante 3 anos, para depois a Comissão Europeia obrigar à venda, por tuta e meia, ao gigante Santander?”

Para a bloquista, se no passado, assistimos em Portugal à promiscuidade entre finanças e políticos, hoje assistimos “ao mesmo espetáculo”, mas ao nível da Europa. “De comum, o facto de o dinheiro ter a mesma origem: o povo português”, frisa.

“A Comissão Europeia e, até, PS, PSD e CDS, aprovaram a venda ao Santander. Aqui temos, mais uma vez, os interesses dos grandes, no comando!”, analisa a deputada. É mais do que urgente pôr ordem em tudo isto, finaliza a bloquista.

Economista-chefe do FMI. Um programa europeu para a banca? “Não estamos num ponto que permitia isso”

Há países na União Europeia com níveis de crédito malparado que ameaçam a estabilidade financeira e prejudicam a retoma, avisa o economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Maurice Obstfeld dá os exemplos de Portugal e Itália, em entrevista ao Jornal de Negócios em que admite não acreditar num programa europeu de resgate ao setor bancário, apontando obstáculos políticos.

Apesar de considerar que a banca está hoje mais sólida do que antes da crise financeira, porque os bancos estão mais capitalizados, o economista admite que a saúde do sistema bancário “é sem dúvida uma preocupação”.

“Alguns países têm elevados níveis de crédito malparado – o que inclui Portugal e Itália; e em geral a valorização de mercado dos bancos é muito baixa quando comparada com os valores inscritos nos balanços, o que indica falta de confiança da rendibilidade da banca e dos modelos de negócio daqui para a frente”.

Não obstante, reconhecer que em princípio, “é uma boa ideia”, Maurice Obstfeld não acredita num programa europeu de recapitalização da banca por causa dos obstáculos políticos, nomeadamente a nível de política interna. E questionado sobre a utilização do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) na recapitalização direta dos bancos, o economista chefe do FMI é de opinião que não estamos num ponto que permita isso. ”

A dimensão política seria muito difícil. Não apenas a dimensão externa, mas também a política interna. Não estou por exemplo a ver o Governo português a querer um programa do MEE. Mas se não for possível limpar os balanços de forma expedita, há obviamente espaço para a instabilidade financeira”.

EMPRESAS

Tecnologia