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Corrida contra o cancro da mama é já no domingo

Homens e mulheres portugueses vão correr (ou caminhar) no próximo domingo, em Lisboa, por uma causa solidária.

‘Corrida Sempre Mulher’ é o nome do evento desportivo solidário que arranca às 10h30 da Praça dos Restauradores e que vai percorrer cinco quilómetros. O objetivo é o de angariar fundos para a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama.

A iniciativa, explica a organização, é composta por duas provas. Primeiro, uma “corrida de competição exclusiva para o público feminino”. Depois, e porque o cancro da mama “não é exclusivo das mulheres”, uma caminhada/corrida aberta a toda a população.

Este ano há ainda uma novidade: os participantes poderão fazer-se acompanhar pelos respetivos animais de estimação, tendo apenas de se inscrever no escalão Team Pet.

O kit de participação a que todos os participantes têm direito deverá ser levantado nos dias 12, 13 e 14 de abril, entre as 10h e as 19h, no Espaço Multiusos da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa.

O preço varia entre os 12 e os 16 euros, consoante o prazo de pagamento.

De referir que as inscrições online já estão esgotadas, pelo que se quiser participar deverá inscrever-se presencialmente na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, onde receberá o seu kit de participação.

Portugal com menor taxa de mortalidade de cancro da mama

Em 2013, o país registou das mais baixas taxas de mortalidade na Europa, ao lado de países da Espanha, Estónia, Suécia e Finlândia. Segundo o relatório da OCDE “Health at Glance: Europa 2016” divulgado esta quarta-feira, o acesso a programas de deteção precoce dos tumores é uma das chaves do sucesso.

No documento, consta que o carcinoma da mama fez menos de 30 vítimas mortais por cada 100 mil mulheres, quando a média na Europa a 28 rondou as 33,2 vítimas. Os autores correlacionam a sobrevivência com o rastreio. Na Europa, a cobertura varia entre 54% a 63% de cobertura da população feminina, mas em Portugal os valores ultrapassam os 80%.

A OCDE salienta ainda os progressos obtidos no tratamento, permitindo que um número cada vez maior de mulheres continuem vivas nos cinco anos seguintes ao diagnóstico. Também aqui Portugal está entre os melhores, com taxas muito próximas dos 90%.

Os dados são animadores, pois “o cancro da mama é a forma de cancro mais prevalente entre as mulheres nos países europeus”, salientam os autores. E deixam um alerta: “Uma em cada nove mulheres vai ter um cancro da mama e um terço vai morrer da doença.” Entre todos os carcinomas, os tumores malignos da mama são os mais comuns, com 13,8% de incidência em 2012, os dados mais recentes disponibilizados pelo relatório.

No caso dos carcinomas da mama, o médico admite que a população pode ter fatores genéticos que a protegem. “Na Dinamarca, por exemplo, os resultados são maus e trata-se de um país muito organizado, que não deixas as coisas a meio, e com recursos, mas que pode ter características genéticas entre as mulheres que fazem aumentar o risco.”

Por cá, os estilos de vida podem vir a mudar o cenário. “Um dos fatores protetores contra o cancro da mama é a idade com que se amamentou e que tem vindo a ser adiada. No entanto, hoje também é mais raro existir uma mãe que não amamenta. Ainda não sabemos em que sentido poderão ir estas alterações.”

Na opinião do médico, “Portugal está a diminuir a distância face aos países mais desenvolvidos”. Salienta, no entanto, “que é curiosos o facto de mesmos assim os portugueses são dos europeus que têm pior perceção da sua saúde”.

Quase metade das mulheres com cancro da mama ‘agressivo’ não precisam de quimioterapia

É das piores notícias que se podem ter na vida: o diagnóstico de um cancro. E piora quando não há muitas certezas sobre o tipo de tratamento mais adequado. Um estudo internacional agora publicado vem demonstrar que um teste inovador, já no mercado, permite conhecer melhor o tipo de tumor maligno, no caso da mama, e dar aos médicos mais certezas sobre a melhor terapêutica. Os resultados dos ensaios clínicos realizados, os primeiros do género, entre 2007 e 2011, revelaram que há erros nos prognósticos.

Aplicado a 6.693 mulheres, dos 18 aos 70 anos, em 112 hospitais de nove países europeus, não incluindo Portugal, o teste revelou incorreções nas classificações de muitos tumores malignos da mama feitas com recurso aos métodos tradicionais. Entre os cancros tidos como agressivos, 46% tinham, na verdade, perigosidade reduzida e a quimioterapia somente um benefício de 1,5% para a sobrevivência das doentes. Ou seja, uma percentagem que a maioria dos oncologistas considera inexpressiva face aos efeitos adversos que a toxicidade dos medicamentos provoca a médio e longo prazo.

70 GENES ESTUDADOS

O teste foi ‘ensaiado’ sob a coordenação de uma médica portuguesa e consiste no estudo de genes do carcinoma. “As novas tecnologias, disponíveis desde 2000, permitem analisar todos os genes dos tumores, num total de 44 mil, e este teste analisa 70 que permitem dividir os tumores entre baixo e alto risco, fazendo uma espécie de impressão digital”, explica a investigadora Fátima Cardoso, diretora da Unidade de Cancro da Mama do Centro Clínico Champalimaud, em Lisboa.

Os resultados, a título individual disponíveis ao fim de uma a duas semanas, permitem “compreender melhor a biologia do tumor — tipo de células, risco de recidiva (reaparecer) ou a possibilidade de metastizar (espalhar-se a outras zonas do corpo) — e decidir, para cada doente, se é necessária quimioterapia”. Segundo a especialista, o teste revelou que no grupo de baixo risco a probabilidade de as doentes estarem vivas ao fim de cinco anos era de 97% e o benefício da quimioterapia de apenas 1,5%, com todos os efeitos adversos conhecidos. A saber: “0,5% de doença cardíaca grave ou 1% de leucemia a longo prazo, ambos mortais”, salienta Fátima Cardoso.

“Os testes clínicos comuns que utilizamos há muitos anos [tamanho do tumor, número de gânglios linfáticos atingidos, agressividade das células cancerígenas ou idade da mulher, por exemplo] nem sempre conseguem identificar os tumores de baixo risco e com este teste conseguimos fazê-lo.” O ensaio clínico demonstrou também que quando os métodos clássicos não são conclusivos, os médicos optam pela sobreavaliação: os cancros são classificados como sendo de risco elevado e prescrita quimioterapia.

Em qualquer caso, com ou sem teste para prognóstico de recidiva do tumor, a decisão final é sempre da mulher. “Já tive algumas doentes que fizeram o teste genómico e as reações variaram muito. Ainda ontem, terça-feira, tive uma doente, com 58 anos, com um resultado de baixo risco e que podia dispensar a quimioterapia e que mesmo assim quer fazê-la”, conta a oncologista.

TESTE CUSTA €3000

A nova análise genómica e preditiva, com o nome comercial de “Mammaprint”, é feita na Holanda a partir de amostras do tecido cancerígeno da mulher. Custa atualmente 2800 a 3000 euros e não tem comparticipação das seguradoras nem do Estado, quer nos subsistemas públicos de saúde quer no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para já, só nos EUA e na Holanda há apoio. “Fizemos a análise de custo-benefício, em França e na Holanda, e o teste provou que permite poupar dinheiro”, desde logo nos medicamentos para quimioterapia.

O teste demonstrou, no ensaio clínico semelhante aos que fazem para os medicamentos, que é eficaz. E é apenas um dos que vão surgindo no mercado e ainda sob avaliação. “A oferta de testes genómicos para prognóstico de recidiva para quimioterapia é múltipla mas os testes ainda são incompletos, porque o cancro da mama, por exemplo, pode reaparecer ao fim de 20 anos”, salienta Luís Costa, diretor do Serviço de Oncologia do Centro Hospitalar de Lisboa Norte.

Para o especialista e investigador do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa, “este estudo (publicado nas revistas científicas internacionais) é importante e permite concluir que no futuro poderemos fazer tratamentos mais personalizados”. A oferta nos hospitais públicos deve por isso ser uma realidade, embora “só para alguns doentes e alguns tipos de testes genómicos”.

75% DAS MULHERES COM CANCRO DA MAMA PODEM BENEFICIAR

A presidente do Colégio de Oncologia Médica da Ordem dos Médicos, Helena Gervásio, partilha a mesma opinião. “Este teste é benéfico, mas não é para aplicação indiscriminada. Há um grupo de cancros da mama em que não é fácil distinguir entre o baixo e o risco elevado e nestes casos intermédios é útil saber se a quimioterapia terá um benefício inexpressivo e se haverá mais benefícios em fazer hormonoterapia”, explica a oncologista. E é neste grupo que estão a maioria das mulheres que anualmente são diagnosticadas com cancro da mama. “75% das mulheres com cancro da mama em Portugal têm recetores hormonais positivos, portanto um tumor com um risco médio ou baixo”, onde o teste permitirá predizer se a quimioterapia compensa, porque continuam a existir tumores que mesmo sendo pouco agressivos carecem de um combate químico.

“Vejo a possibilidade de este teste estar disponível no SNS face aos benefícios para as doentes e aos custos para o Estado, pois permitirá poupar nos gastos com a quimioterapia e com o tratamento dos efeitos secundários que possam surgir”, acrescenta Helena Gervásio. Atualmente “os custos vão desde 261,6 euros a 1.119 euros para o total de seis ciclos de tratamento adjuvante, dependendo dos citostáticos utilizados”, revela a médica, também diretora do Serviço de Oncologia do IPO de Coimbra.

Tratamento para cancro da mama recebe estatuto de avanço terapêutico

O tratamento experimental faz parte de uma nova classe de medicamentos que têm como efeito abrandar a progressão do cancro, ao impedir a ação de duas proteínas que fazem as células cancerígenas crescerem e dividirem-se num curto espaço de tempo, explicou em comunicado o grupo farmacêutico sedeado na cidade suíça de Basileia.

O estatuto, que permite acelerar os procedimentos de exame para as pacientes com cancro da mama tipo HR+/HER2-, uma forma agressiva de cancro, foi atribuído pela Food and Drug Administration (FDA) depois de ter analisado o estudo ‘Monaleesa-2’.

O estudo, que visava avaliar a eficácia do tratamento em mulheres com cancro da mama que já tiveram a menopausa e que não receberam nenhuma terapia antes, obteve resultados positivos e atestou uma melhoria significativa na vida das pacientes, sem progressão da doença.

Os resultados vão ser apresentados num próximo congresso de medicina e vão servir de base para debate com as autoridades sanitárias americanas e europeias, afirmou a Novartis.

 

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