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“A evolução baseada no conhecimento é a única forma sustentável de crescimento”

O Gabinete da União das Universidades do Mediterrâneo (UNIMED), criado para funcionar na Universidade de Évora, é o primeiro na Europa, para além de Itália, onde funciona a sua sede. Para responder a questões mais específicas foi criada, igualmente, a sub-rede da UNIMED que incidirá concretamente sobre água e alimentação, integrada por parceiros de nove países (Argélia, Chipre, Itália, Jordânia, Palestina, Portugal, Espanha e Turquia) e liderada pela Universidade de Évora. Esta Sub-Rede tem como objetivo abordar questões transversais de crescente importância na região do Mediterrâneo, com enfoque nos sistemas agrícolas e na sua resiliência no contexto das alterações climáticas, na gestão estratégica e sustentável da água, no uso de metodologias inovadoras para a monitorização e no ordenamento do território. Estas são algumas das questões emergentes ligadas ao Mediterrâneo, mas que nunca podem ser dissociadas dos problemas sociais, culturais, entre outros, e que têm merecido especial atenção por parte da União Europeia, como comprova a criação do PRIMA – Parceria para Investigação e Inovação na região do Mediterrâneo. A parceria encontra-se planeada para a duração de dez anos, com início em 2018, e irá procurar desenvolver investigação conjunta que leve a novas soluções para a sustentabilidade da gestão dos recursos hídricos e da produção alimentar na bacia do Mediterrâneo.

“Estamos bastante interessados em estabelecer consórcios com outros países do Mediterrâneo para desenvolver investigação nesta área e para já somos a única universidade portuguesa a fazer parte da UNIMED. É importante a criação deste Gabinete, bem como o foco específico na água e na alimentação, que iremos abordar numa perspetiva transversal, ligando a história, sociologia e as relações internacionais, ou seja, toda a problemática que envolva o Mediterrâneo”, começa por explicar Ana Costa Freitas.

O Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM), bem como outros centros de investigação da Universidade de Évora, há muito que está focado em desenvolver investigação para promover a sustentabilidade da agricultura mediterrânica e dos ecossistemas relacionados. “É importante perceber que não podemos isolar as diferentes problemáticas do Mediterrâneo. A ciência é transversal e tem de contribuir para o desenvolvimento de uma cultura, de um ecossistema e do ordenamento do território”, afirma a Reitora da Universidade de Évora.

Tomemos o exemplo do Alentejo que atravessa um período de seca que já dura há três anos. “Temos de mudar o paradigma daquilo que se faz no Alentejo e pensar em novas culturas que se possam adaptar às alterações climáticas e às alterações do território. A problemática da seca e as suas consequências ao nível do rendimento agrícola tem acarretado outros desafios como a fixação de jovens qualificados. Precisamos de ter uma visão integrada de como tirar o melhor partido do nosso território. E isto não é só um problema regional, é um problema nacional”, elucida Ana Costa Freitas. 

INVESTIGAÇÃO & INOVAÇÃO

A Universidade de Évora é uma instituição de prestígio com uma forte componente de investigação, inovação e cooperação. Esta irá continuar a ser o grande foco da Universidade, com os consequentes reflexos na excelência do Ensino.

Com a criação da UNIMED e da sub-rede estão já envolvidas 17 universidades de países diferentes da bacia do Mediterrâneo. “Isto permite-nos estabelecer parcerias com diferentes países, de realidades e culturas diferentes, para concorrer a projetos de investigação que incidam nestas áreas específicas, com uma visão mais alargada e complexa. Sabendo nós que os problemas diferem de país para país, isto é uma troca de conhecimentos para adaptar melhor os modelos de cada país. Este é objetivo da UNIMED, resolver em conjunto os problemas específicos de cada região”, afirma a nossa entrevistada.

Hoje em dia o mundo avança a um ritmo acelerado e as universidades têm de ser capazes de corresponder aos desafios atuais, pelo que a componente da investigação e inovação tem de estar bem vincada. “Temos de transmitir conhecimento, não só aos nossos alunos, mas ao país também. Para além desta aposta no Mediterrâneo, é também uma preocupação nossa a área do Património, o bem-estar e percursos de vida da população do Alentejo, a qual é bastante envelhecida”, refere Ana Costa Freitas.

A Universidade de Évora é uma universidade virada para o futuro e que quer contribuir para que o Alentejo também tenha um projeto de futuro, pelo que a área da aeronáutica/aeroespacial também tem sido alvo de especial atenção por parte desta instituição, que criou recentemente a cátedra “CEiiA em Aeroespacial” (promovida conjuntamente com o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto). “O Alentejo não é só agricultura e património. O Alentejo é agricultura, património, pessoas e tem que ter inovação, e a Universidade de Évora deve contribuir para que haja uma maior diversificação das atividades económicas”, adianta a nossa interlocutora.

Mais do que formar e educar, a Universidade de Évora presta serviço público. “Temos essa obrigação. Educar e formar não é só dar aulas, temos de formar pessoas para uma cidadania responsável, para a sustentabilidade e para serem capazes de enfrentar o futuro e corresponder às exigências desse mesmo futuro. Temos de formar pessoas com capacidade de se adaptarem à evolução, pois a evolução baseada no conhecimento é a única forma sustentável de crescimento”, conclui Ana Costa Freitas.

“A minha marca passou pelo relacionamento com as pessoas”

CEIIA é um Centro de Engenharia e Inovação focada no desenvolvimento de programas aeronáuticos mundiais e na implementação e operação de sistemas inteligentes de nova geração para a mobilidade urbana. Qual tem sido a estratégia da empresa para ser, hoje em dia, uma marca sólida e diferenciadora?

O CEiiA é um centro de excelência de engenharia e desenvolvimento de produto que iniciou a sua atividade em 1999 em torno da reflexão sobre políticas públicas e implementação de grandes programas estratégicos para a indústria automóvel, visando a promoção da indústria nacional e sobretudo a sua capacitação para produção e fornecimento de produtos e serviços de elevada qualidade e incorporação tecnológica, com uma visão de projeção e competitividade internacional. A partir de 2006 o CEiiA evoluiu e capacita a sua atividade para as indústrias da mobilidade, apostando na mobilidade elétrica (mobi.e) e em soluções de mobilidade e tecnologia de vanguarda com aplicação, nomeadamente, ao conceito de “smart cities”, nessa altura inícia o seu ciclo de atividade no setor aeronáutico, primeiro com um programa ligado a desenvolvimentos de investigação e engenharia da Agusta Westland e mais recentemente desde 2011, o CEiiA tem vindo a desempenhar um papel central no desenvolvimento do Programa do KC- 390, aeronave multiusos da Embraer, programa esse, de cooperação internacional que envolve Portugal. Este avião teve já o seu primeiro voo experimental em meados de 2015, e estando ainda em fase de testes e de certificação, mais uma vez nesta matéria o CEiiA tem assumido atividades nucleares de grande responsabilidade. Mais recentemente o Centro está a entrar no setor naval e offshore, rentabilizando as suas capacidades e competências para os desafios do mar.

O CEiiA é hoje um centro de engenharia e desenvolvimento de produto que participa no desenvolvimento de estruturas e sistemas complexos nos setores automóvel e aeronáutico e desenvolve produtos e serviços nas indústrias da mobilidade.

Como um Centro de Engenharia e de Desenvolvimento de Produtos projetam e implementam produtos e sistemas inovadores juntamente com parceiros da aeronáutica, a mobilidade, naval/offshore e indústrias de automotivos. Que soluções apresentam junto dos vossos clientes em cada um destes setores?

Mais do que apresentar soluções, descontextualizadas, o CEiiA trabalha estreitamente com os seus parceiros e clientes atuais e potencia relações com futuros atores em mercados onde atua e quer vir a atuar . Nesse sentido a sua estratégia 2016-2020 orienta-se para a especialização em tecnologias críticas para o desenvolvimento das indústrias da mobilidade, para a integração das tecnologias desenvolvidas em novos produtos e serviços, para a valorização empresarial das tecnologias, produtos e serviços que desenvolve e para a promoção da participação da indústria nacional nos grandes programas de investigação e desenvolvimento e assim conseguir uma efetiva progressão na cadeia de valor da indústria, incorporando mais produtos e serviços considerados de alta e média-alta tecnologia nas exportações nacionais desses setores.

O Centro oferece soluções robustas e completas baseadas em habilidades de engenharia e metodologias de projeto único, abrangendo todas as fases de desenvolvimento de produto, desde o conceito à produção de pequenas séries, e operamos sistemas inteligentes. Quais são, na sua ótica, os maiores desafios que enfrentam neste setor?

O maior desafio que o CEiiA enfrenta é manter o seu standard de qualidade, capacitação e competências, e para isso obter e reter os melhores colaboradores nas suas áreas de atuação e proporcionar-lhes formação contínua adequada e perspetiva de carreira, fator decisivo para um Centro desta natureza. A par disso tem de focar-se na interação com a envolvente, i.é. no acompanhamento e previsão de tendências tecnológicas junto dos seus parceiros e clientes e na criação de novos produtos e sistemas decorrentes de novas tecnologias desenvolvidas internamente, caso da plataforma mobi.me, reconhecida internacionalmente como o primeiro sistema que permite a gestão e controlo em tempo real das emissões de CO2 e também muito importante para o CEiiA assegurar a sustentabilidade económica, financeira e ambiental da sua atividade.

O Centro de Engenharia Aeronáutica do CEIIA – Centro para a Excelência e Inovação da Indústria Automóvel, opera desde 2014 em Matosinhos. Que balanço é possível fazer deste projeto de dimensão inigualável?

Desde já, o primeiro balanço a fazer é a possibilidade de consolidar, as capacidades e competências do CEiiA, numa infraestrutura construída de raiz, muito objetivada para as necessidades do setor aeronáutico, mais exigente nos requisitos dimensionais, mas englobando e não descurando a vertente de atuação nos setores automóvel e da mobilidade.

As novas instalações do CEiiA viabilizam a sua participação nos testes de stress e de certificação do Programa KC-390, como já referi em condições de cumprir as normas internacionais de qualidade reconhecidas para o setor.

O mundo da Engenharia ainda é visto como um mundo de homens. Sendo mulher, num país onde já se verifica uma forte influência feminina na Engenharia, como analisa o seu percurso profissional até aqui? Como é conciliar a vida profissional com a vida pessoal que se desdobra, muitas vezes, em vários papéis como o de Mulher, Mãe, e Esposa?

A minha formação é em Economia e Gestão de Empresas com especialização em gestão de I&D e o meu contributo no CEiiA, enquanto administradora executiva é nessas temáticas. E no CEiiA estamos a fazer um esforço para atrair mais mulheres das áreas de engenharia, sabendo que a percentagem de mulheres nestas áreas no total dos diplomados do ensino superior é de cerca de 32% (fonte INE: estatísticas ad educação 2013/2014).

Como todas as pessoas tive períodos mais atrapalhados para conciliar a vida profissional com a familiar, com dois filhos, é determinante a capacidade de nos organizarmos, com a colaboração adequada de quem ajude nas tarefas domésticas, porque milagres não existem. Nos tempos mais apertados fazia o plano de cada semana, e depois esperava que acontecessem poucos imprevistos. No emprego sempre procurei estabelecer limites de horas de final de tarde que normalmente respeitam pouco as pessoas com filhos pequenos.

Quais foram os maiores desafios que enfrentou para conseguir destacar-se “num mundo de homens” e deixar a sua marca?

As carreiras que fazemos, independentemente do sexo estão sempre muito ligadas às oportunidades que nos surgem e às decisões mais assertivas que tomamos em cada momento, mesmo que signifiquem algum desconforto pessoal, pelo menos nalguma parte do percurso e, depois, um pouco de sorte ajuda sempre.

Acho que a minha marca passou muito pelo relacionamento com as pessoas, o tentar entendê-las e melhorar com elas, para benefício da organização. O maior desafio é não me acomodar à rotina.

Na liderança das empresas e das organizações querem-se “os melhores e os mais talentosos” independentemente do género. Aliar o pragmatismo masculino à diplomacia feminina seria, talvez, a melhor aposta para uma equipa vencedora? Ou, na sua opinião, serão as mulheres melhores líderes?

A minha opinião é a de que as organizações fazem os líderes, independentemente do sexo. Podemos teorizar a questão, na hora da verdade a organização e as suas caraterísticas é que proporcionam uma boa ou uma má liderança. Daí não podermos gerir de igual modo um Centro de Engenharia como o CEiiA, uma empresa do setor industrial produtivo ou um estabelecimento de ensino superior. Uma coisa diferente é utilizarmos conceitos e ferramentas que ajudam às tarefas de gestão, de sistematização e interpretação de dados e informação em geral. A experiência em funções de coordenação e liderança claro que ajudam sempre para um novo cargo, é um dos atributos a par do pragmatismo, da diplomacia.

Ser mulher na área da Engenharia é…?

Nesta área como noutra qualquer deve sempre verificar-se o princípio da igualdade entre pares. As diferenças encontram-se na personalidade de cada um e na capacidade de intervir.

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